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Então é Natal...


O período que antecede o Natal tem um cheiro diferente no ar... As casas estão mais coloridas, com luzinhas, laços e bolinhas, as crianças estão eufóricas, à espera do bom velhinho... Há mais movimento nas lojas, muitas confraternizações nos mais diferentes grupos dos quais participamos. Roupas novas, comidas especiais, presentes, encontros, férias... Tudo seria intensamente mágico, se parássemos por aí.

No entanto, junto com o final de ano chega também uma sensação de não ter vencido o tempo, ter esquecido alguma coisa, ter que correr para ainda alcançar o que se deseja. O trânsito fica mais violento, as buzinas não param, o empurra-empurra é constante no comércio e os gastos excedem o orçamento. Eis a quebra do encanto.

As crianças entendem o Natal como ganhar o melhor e maior presente de toda a turma e sair em férias para um lugar que possam tirar muitas fotos para colocar no Orkut e os amiguinhos ficarem com muita inveja... Isso, é claro, se puderem levar o notebook ou o telefone com internet para ficarem no MSN com os amigos, contando tudo que estão fazendo ou que poderiam fazer se não estivessem em frente ao computador.

Onde ficou o sentido do Natal? Para onde foi a idéia de solidariedade? A família lembrou de dar um abraço gostoso? Alguém lembrou de presentear aquela criança carente que fica encantada com o mais simples presente?

Então é Natal... e o que você fez? O ano termina e começa outra vez...

Sugiro aos pais um Natal um pouco diferente! Esqueçam um pouco a correria

, neste ano diminua o número de presentes, não precisa fazer uma ceia tão requintada, se ela te faz correr tanto, mas tire um tempo para sua família.

Sentem-se em volta da árvore de Natal, contem a seus filhos como era o Natal na sua infância, levem seus filhos até uma loja, escolham um presente bem bonito, mandem empacotar e entreguem para uma criança mais humilde, juntem a família e visitem um lar de idosos, levando biscoitos de Natal... Cantem “Noite Feliz”, se proponham a escrever um cartãozinho de Natal para cada pessoa da família, contando o quanto ela é ou foi importante para você. Aprenda com as crianças a deixar o olho brilhar quando ouve o sino do Papai Noel.

Sim, é muito difícil remar contra a maré ou correr no sentido inverso da multidão, mas vamos tentar! O encanto com o brinquedo novo não dura muito mais do que os fogos da virada do ano, mas uma experiência de encontro verdadeiro entre a família deixa marcas na nossa lembrança por toda a vida!

O Espaço Dom Quixote deseja a todos um Natal mágico e encantador!

Fabiola Scherer Cortezia – fabiola@espacodomquixote.com.br

Psicóloga do Espaço Dom Quixote


LESÃO MEDULAR E TERAPIA OCUPACIONAL: aprendendo a conviver com as limitações e buscando progressos




A LESÃO MEDULAR

A medula espinhal é uma importante via de comunicação entre cérebro e as outras partes do corpo. A medula é uma parte do Sistema Nervoso Central que conecta o cérebro com os nervos responsáveis pela condução das ordens motoras e sensitivas. Além disso, a medula funciona como centro regulador de funções importantes como respiração, circulação, bexiga (micção), intestino (evacuação), temperatura e atividade sexual. Quando a medula é lesada ocorre uma interrupção na condução das ordens motoras e sensitivas em algum nível da coluna vertebral. Quanto mais alto o nível da lesão, maior será o comprometimento, que sempre se dá abaixo do nível da lesão. As lesões podem ser:

Traumáticas: Decorre de algum tipo de acidente fraturando a coluna com conseqüente ruptura da medula espinhal, afetando seu funcionamento adequado.

Não traumáticas: Geradas fatores diversos como tumores que comprimem a medula ou regiões próximas, acidentes vasculares e hérnias de disco que acabam levando ao corte ou diminuição do fluxo sanguíneo.

Assim os comprometimentos corporais variam de acordo com o nível da lesão desde paralisias (perda da força muscular), até deficiência no controle das necessidades de defecar e urinar, além de sexualidade e respiração.

Ainda podemos classificar a lesão medular em:

Lesão Completa: Onde há comprometimento de todas as vias sensitivas e motoras.

Incompleta: Aqui o comprometimento se dá no nível de algumas vias motoras e/ou sensitivas, havendo retorno parcial ou total da movimentação voluntária e/ou sensibilidade.

Imediatamente após o trauma, inicia-se uma fase chamada de choque medular, onde não haverá a presença de qualquer tipo de reflexo, movimentos involuntários ou espasticidade. Essa fase tem duração média de alguns dias, podendo se estender até alguns meses. Ao término dessa fase, se não houver agravamento maior, gradativamente os reflexos surgirão.

O TRATAMENTO

O tratamento médico inicial tem como principais objetivos a preservação anatômica e a funcionalidade da medula espinhal. Além da restauração do alinhamento da coluna vertebral, estabilização do segmento vertebral lesado, prevenção de complicações gerais e locais e o restabelecimento precoce das atividades do paciente, devendo ser realizado o mais precocemente possível, desde que as suas condições gerais permitam. Enquanto o tratamento cirúrgico é apenas para reduzir e realinhar o segmento vertebral lesado, restaurar a estabilidade do segmento lesado a fim de evitar lesões adicionais da medula espinhal e favorecer a sua recuperação.

QUAL A FUNÇÃO DO TERAPEUTA OCUPACIONAL?

O terapeuta ocupacional participa do tratamento de reabilitação desde a chegada do paciente ao hospital. O paciente chega na fase aguda e é admitido na unidade de terapia intensiva. Esta fase se caracteriza pela paralisia flácida temporária causada pela ausência de reflexos musculares. Neste momento, cabe ao terapeuta ocupacional orientar o correto posicionamento dos membros superiores para enfermagem e familiares, especialmente em pacientes com lesão cervical. Através de movimentos passivos, lentos e suaves, busca-se manter a amplitude do movimento, prevenir quadros de dor aguda decorrentes da falta de movimentação e o fortalecimento muscular.

Na fase de pré-reabilitação, o terapeuta ocupacional indica e orienta exercícios que o paciente pode realizar com o seu acompanhante e independentemente, verifica a possibilidade do paciente realizar atividades de vida prática e diária com independência. De acordo com Priscila, o profissional orienta manobras e/ ou confecciona adaptações, prescreve a cadeira de rodas. Já na fase de reabilitação o objetivo terapêutico ocupacional visa melhorar o potencial funcional do paciente em prol da sua independência. Através de mobilizações para relaxamento e alongamento da coluna cervical, cintura escapular e membros superiores, treino de equilíbrio de tronco e treino funcional dos membros superiores, fortalecimento da musculatura remanescente, prescrição, confecção e monitoração de órteses de posicionamento ou funcional.

Além disso, o terapeuta ocupacional integra a equipe e atua visando não apenas a recuperação funcional da pessoa com lesão medular, mas também como em questões referentes à aceitação da deficiência, da inclusão social, das atividades de trabalho, entre outras.

Para tornar o ambiente do paciente o mais funcional e adequado o terapeuta ocupacional faz uso da tecnologia assistiva. A Tecnologia assistiva é o termo utilizado para identificar todo o tipo de recursos e serviços que visem proporcionar ou ampliar habilidades funcionais de pessoas com deficiência e assim promovendo uma vida independente e inclusiva. Dentro desta área trabalhamos com comunicação alternativa e ampliada, adaptações de acesso ao computador, equipamentos de auxílio para visão e audição, controle do meio ambiente, adaptação de jogos e brincadeiras, adaptações da postura sentada, mobilidade alternativa, próteses, adaptações ambientais, de uso diário e uso prático.

Ainda ao terapeuta ocupacional, cabe avaliar as necessidades do paciente, bem como suas habilidades físicas, cognitiva e sensorial, assim como discutir formas de acesso, desenvolver a funcionalidade de membros superiores e outras partes do corpo e promover atividades de vida diária, envolvendo avaliação e adaptação de posturas para a realização das atividades. Não se esquecendo que ao avaliar o paciente deve-se atentar-se a receptividade do sujeito quanto a modificação ou uso da adaptação, além da sua condição sociocultural e às características físicas do ambiente.

O terapeuta ocupacional instrui o uso apropriado do recurso de tecnologia assistiva e orienta as outras pessoas envolvidas no uso dessa tecnologia. Hoje vemos muito as adaptações de talheres, copos e maquiagem. A No caso da lesão medular o tratamento na água, traz uma diversidade de benefícios onde há uma liberdade de movimentos proporcionada pela terapia na água, a diminuição da força da gravidade possibilita ao paciente posições e atividades que não seriam possíveis de serem realizadas fora da água, além do efeito de relaxamento muscular que a hidroterapia proporciona, tendo em vista as grande contraturas desenvolvidas na musculatura desses pacientes.

Cabendo ao terapeuta ocupacional adaptar o ambiente, resgatar a auto-estima e prevenir deformidades que possam surgir, através de modificações, alongamentos, movimentos passivos, explica a terapeuta ocupacional Priscila.

A tecnologia assistiva como recurso terapêutico ocupacional permite as pessoas portadoras de deficiências e seus familiares possam ter uma vida satisfatória e com maiores possibilidades, como a inserção social.

Priscila Straatmann Mórel – priscilato@espacodomquixote.com.br

Terapeuta Ocupacional e Psicomotricista do Espaço Dom Quixote

Reprovado: e agora?


Muitos alunos e alunas vivem, neste momento, a expectativa pelo resultado de um ano de estudos. Nem todos os resultados serão de alegria, alívio e vitória por mais uma etapa vencida. Alguns alunos terão que lidar com a reprovação e o sentimento de frustração. Para muitas famílias este resultado provoca desorganização e mal-estar. É muito comum neste momento a famosa caça às bruxas ou bruxos: quem é o culpado? Professores, alunos, pais, todos se responsabilizam e são responsabilizados.

É importante que um resultado como a reprovação não seja visto, apenas, como uma derrota, um ano perdido, uma vergonha, mas como um alerta de que algo aconteceu, de que algo está errado e precisa mudar. Nesta hora, culpar ou responsabilizar uma das pontas do processo de educação não modificará o resultado e nem aliviará o sentimento negativo que se instala. É preciso refletir sobre a reprovação de um filho ou uma filha e planejar metas para obter um melhor resultado no ano seguinte.

A família tem um papel muito importante no processo educativo dos filhos, incentivando e organizando a rotina de estudos, valorizando a escola e a aquisição de conhecimentos, acompanhando o processo e os resultados dos filhos através dos cadernos, provas, conversas, momentos de estudo. Fazer parte da comunidade escolar não significa apenas matricular o filho numa escola; significa participar, na medida do possível e com esforço, das reuniões de pais, agendamentos de conversas com professores, festividades escolares.

Quando uma criança ou adolescente percebe os pais interessados e participativos na escola, sente-se valorizado e incentivado a ter um comprometimento maior com o seu estudo. Da mesma forma, os educadores que percebem a família valorizando o trabalho e esforço dos professores e da escola sentem-se mais comprometidos e respaldados. Este envolvimento da família cria um canal aberto para, família e escola, buscarem soluções para as dificuldades de aprendizagem que possam ocorrer durante o ano letivo.

Cabe ainda investigar se a reprovação é fruto de um desajuste escolar — falta de estudo, não realização de tarefas e não cumprimento de prazos para sua entrega, má postura no ambiente escolar que provoca indisciplina, descomprometimento e descaso — ou, ainda, se há uma dificuldade de aprendizagem. Quando há suspeita de dificuldade de aprendizagem, é importante investigar com profissionais capacitados para iniciar um trabalho de recuperação e resgate de habilidades cognitivas e de auto-estima.

Muitas podem ser as dificuldades de aprendizagem que impedem o sucesso imediato e esperado na vida escolar. Questões biológicas, psicológicas e sociais precisam ser investigadas para construir uma proposta terapêutica adequada e ajudar a criança ou adolescente a enxergar possibilidades de superação das dificuldades. Em alguns casos, este acompanhamento é temporário, tratando de questões bem pontuais e práticas; em outros, o acompanhamento é transdisciplinar, com vários profissionais, e trata de questões mais funcionais, subjetivas e com comprometimento maior.

É importante que a escola e a família estejam atentas a todos os sinais demonstrados durante o ano. Resultados negativos nas avaliações, incapacidade de compreender as informações, desatenção em sala de aula, comportamento inadequado, mudanças emocionais, mal-estar físico e desmotivação com a escola podem ser indicadores de que algo não está bem e precisa ser investigado com mais atenção. Nestes momentos, a conversa entre família e escola é fundamental para tentar compreender o que está acontecendo e buscar ajuda durante o ano letivo.

Cabe também ao aluno o comprometimento com os estudos, a dedicação e organização de tarefas e o envolvimento em sala de aula, buscando compreender e participar efetivamente das propostas de trabalho apresentadas pelos professores. Manter uma rotina de estudos em casa — revisando e estudando —, buscar ampliar seus conhecimentos com mais informações, alimentar-se adequadamente, realizar atividades físicas ou de lazer com os amigos e ter uma boa noite de sono são elementos indispensáveis para obter sucesso na vida escolar.

Se o resultado de um ano letivo for a reprovação, é importante encarar a situação com seriedade e compreensão. Mudar comportamentos, assumir responsabilidades e buscar ajuda são compromissos importantes e indispensáveis para não repetir este resultado. Deve-se cuidar para que a reprovação não acabe com a harmonia da família, não rebaixe a auto-estima do filho/da filha e não destrua a relação com a escola, mas seja entendida como uma nova oportunidade para refazer o caminho, aprender o que não foi aprendido, compreender-se melhor e desenvolver as competências e habilidades necessárias para uma boa qualidade de vida em todos os âmbitos.

Janete Cristiane Petry – janetepp@espacodomquixote.com.br

Psicopedagoga do Espaço Dom Quixote

A importância da música na vida das pessoas com deficiência


A Musicoterapia cada vez mais mostra sua eficácia para pessoas com deficiência, além de ser um grande meio de inclusão na qual pessoas com e sem deficiência podem participar de uma mesma atividade musical.

O Musicoterapeuta trabalha com as potencialidades da pessoa com deficiência. A música desenvolve e facilita essas potencialidades.

As pessoas reagem às experiências musicais exatamente da mesma forma que as pessoas sem deficiência. A música é de grande importância para as pessoas com deficiência, pois pode amenizar ou até resolver suas dificuldades, como as de expressão, comunicação, socialização e motora, quando estas existem. A dificuldade em alguma das áreas sensorial, emocional e/ou intelectual prejudica as outras áreas, pois estão todas interligadas. A melhor maneira de desenvolvimento é integrar todas as áreas e a música oferece experiências que estimulam todas elas ao mesmo tempo, desenvolvendo assim mente, corpo e emoção e ampliando os limites físicos, sociais ou mentais que a pessoa possui.

A música é uma forma de comunicação não verbal, trazendo assim uma gama de possibilidades para uma pessoa com dificuldades de expressão e comunicação, permitindo o estabelecimento ou restabelecimento de contato social sem a fala. Neste caso, a Musicoterapia se torna mais eficaz que outras terapias. A fala pode ser desenvolvida através de canções ou outras maneiras como jogos musicais. Há muitos casos de pessoas que recuperaram parcialmente ou totalmente a fala através da Musicoterapia.

A Musicoterapia é eficaz para aliviar tensões, promover o equilíbrio emocional, aumentar a autoestima, a autonomia e motivação. A música trabalha a razão e a emoção, proporciona momentos lúdicos e libera endorfinas. Aciona a mesma área do cérebro ativada pelo prazer da alimentação, sexo e drogas, e traz um significante benefício para o bem estar físico e mental. Por ser prazerosa, dá motivação para as pessoas com deficiência desenvolver áreas que apresentam mais dificuldades. Na deficiência física a vontade de tocar um instrumento supera as dificuldades e estimula todo o desenvolvimento motor.

O campo motor é trabalhado na Musicoterapia com o ritmo, movimentos associados à música, dança, instrumentos musicais e expressão corporal, estimulando a coordenação motora, tônus muscular, entre outros.

A integração social é desenvolvida na Musicoterapia, pois a música permite que todos participem da mesma atividade de diferentes maneiras, em diferentes níveis e diferentes tipos de participação, acolhendo a todas e todos.

Além disso, a música estimula o aprendizado global, trabalhando a memória, a atenção e concentração, refletindo nos processos de alfabetização e escrita. Willems relaciona o ritmo com a vida fisiológica, estando ligado e sendo capaz de desenvolver as questões corporais, a harmonia com o lado intelectual, estimulando a ordem e lógica ao pensamento e a melodia com a vida afetiva, expressando e influenciando-a. Assim, a música apresenta uma complexidade que permite o desenvolvimento de todas as áreas do desenvolvimento humano como terapia.

A autonomia é desenvolvida através da independência do paciente no fazer musical, nas escolhas (escolher um repertório, um instrumento) e essas questões perpassam o ambiente terapêutico refletindo em uma pessoa com mais autonomia no seu dia a dia. Quanto maior a autonomia. mais a pessoa aprende a se virar sozinha, mais independente se torna. O desenvolvimento das relações intra e interpessoais, da autoestima, do âmbito motor e da comunicação contribui para a integração da pessoa com deficiência na sociedade.

Assim, a Musicoterapia contribui no processo integral de todo ser humano, sendo de importância tanto para pessoas com deficiência, como sem deficiência. Todos podem fazer música, cada um com suas potencialidades e limitações. Há muitos músicos que apresentam alguma deficiência como a visual ou física ou também pessoas com transtorno do espectro autista que apresentam uma habilidade incrível para fazer música.

Os resultados que a Musicoterapia apresenta para pessoas com deficiência são entre outros: maior interação social, aumento do contato visual, maior vocalização, melhora na memória e atenção, maior desenvolvimento motor, aumento da capacidade de aprendizagem, maior expressão e desenvolvimento emocional, maior autoestima e independência, influenciando positivamente na vida da pessoa.

O Espaço Dom Quixote oferece atendimento em Musicoterapia para crianças e adolescentes com e sem deficiência – venha conferir!

Luciana Steffen – lucianamt@espacodomquixote.com.br
Musicoterapeuta do Espaço Dom Quixote

Oficina de Férias

09 de dezembro - Dia do Fonoaudiólogo


O Dia do Fonoaudiólogo é comemorado no dia 09 de dezembro, pois nesta data do ano de 1981 a profissão foi regulamentada através de lei específica.

A Fonoaudiologia é uma área que vem crescendo a cada dia e conseguindo inserção nos meios em que a sua atuação pode auxiliar na qualidade de vida das pessoas.

O fonoaudiólogo que atua na infância tem papel fundamental na aquisição e desenvolvimento adequado da linguagem, que irá garantir uma comunicação eficiente nas situações em que a criança estiver. Sabe-se que a comunicação é fundamental na nossa sociedade e a interação social se dá fortemente baseada na linguagem. É através dela que desenvolvemos nossa capacidade de pensar, ouvir, analisar, refletir e aprender.

A todos os fonoaudiólogos um excelente dia!

Parabéns a todos!


Fernanda Helena Kley - fernandafono@espacodomquixote.com.br
Fonoaudióloga do Espaço Dom Quixote

Comportamento alimentar no autismo


O Autismo infantil é um transtorno global do desenvolvimento caracterizado por um desenvolvimento atípico, com manifestação antes da idade de três anos, perturbação característica do funcionamento nos três domínios: interações sociais, comunicação, comportamento focalizado e repetitivo.

O transtorno é acompanhado comumente de numerosas outras manifestações inespecíficas como fobias, perturbações de sono ou da alimentação, agressividade.

Os comportamentos repetitivos e interesses restritos, características fundamentais do autismo, podem desempenhar um papel na seletividade alimentar. As crianças com transtorno do espectro autista (TEA) muitas vezes resistem a novas experiências, que podem incluir a degustação de novos alimentos.
Pais de crianças com TEA frequentemente relatam que seus filhos são altamente seletivos, com repertório muito restrito de aceitação dos alimentos, que pode ser limitado a um mínimo de cinco alimentos.

As crianças com TEA também são mais propensas a aceitar somente alimentos de baixa textura, como aqueles oferecidos em forma de purê. É observado também uma forte preferência apenas por alimentos de certa cor ou apenas alimentos em embalagens especiais.
Pesquisas sugerem que a seletividade alimentar é mais comum em crianças com TEA do que de crianças com desenvolvimento típico, e que um repertório limitado de alimentos pode estar associado a deficiências de nutrientes.
O manejo da seletividade alimentar e preocupações sobre a adequação da dieta da criança com TEA são os principais motivos para o encaminhamento a serviços especializados em nutrição.


Daniele Santetti - danielenutri@espacodomquixote.com.brNutricionista do Espaço Dom Quixote



O curso AUTISMO: UMA VISÃO TRANSDISCIPLINAR termina nesta terça-feira após noites de valiosas discussões a respeito deste assunto tão rico. Agradecemos a todos que compareceram e fizeram deste curso um sucesso!


Achou interessante o assunto? Novas turmas serão disponibilizadas em breve ou podemos ir até a sua escola! Entre em contato com o Espaço Dom Quixote!

Veja as fotos!




INTEGRAÇÃO SENSORIAL

A teoria da Integração Sensorial é baseada no entendimento da seqüência do desenvolvimento humano e no entendimento das respostas adaptativas que a criança é capaz de dar a cada nível etário. Ou seja, o cérebro recebe constantemente grandes quantidades de informação através dos sentidos. Através dos sentidos é que a criança, conforme aprende a se mover, equilibrar-se e relacionar-se com os objetos e pessoas ao seu redor, aprende sobre o mundo em que vive. O cérebro organiza toda a informação recebida para possibilitar uma resposta. Se a modulação do sistema sensorial e as capacidades de suporte funcional não estão integradas, então as respostas adaptativas não atingirão um nível ótimo. Habilidades isoladas a partir de uma necessidade especifica tendem a não se generalizar para outras situações.


Segundo AYRES (1972), a Integração Sensorial é o processo pela qual o cérebro organiza as informações, de modo a dar uma resposta adaptativa adequada, organizando assim, as sensações do próprio corpo e do ambiente de forma a ser possível o uso eficiente do mesmo no ambiente. Visando assim quantidade e qualidade de estímulos proporcionados ao sujeito, para que busque um equilíbrio modulado, dando assim, uma resposta que esteja de acordo com suas capacidades e com o meio, melhorando o desempenho de uma criança, em seu processo de aprendizagem.


Aplicação pratica da integração sensorial:


- os estímulos sensoriais controlados podem ser usados para eliciar uma resposta adaptativa;

- uma resposta adaptativa contribui para o desenvolvimento da integração sensorial;
- quanto mais auto dirigida as atividades da criança, maior é o potencial das atividades para aprimorar a organização neural;

- padrões mais amadurecidos e complexos de comportamento são compostos pela consolidação de comportamentos mais primitivos;

- a melhor organização de respostas adaptativas intensificara a organização do comportamento geral da criança;

- é necessário o registro dos estímulos sensoriais significativos antes da resposta poder ser dada. (Carvalho, 1996).


Quando ocorre um distúrbio na recepção e organização das informações sensoriais recebidas sobre o mundo vai afetar o desempenho nas demais áreas. Quando a criança não recebe informações sensoriais importantes de forma clara e concisa, pode não estar recebendo o “alimento” que o cérebro precisa para o processo de aprendizagem, ocasionando problemas de comportamento e auto-estima. Sendo afetado, com maior visibilidade, a capacidade de aprendizagem, o desenvolvimento da coordenação motora e da linguagem. Interferindo com a habilidade de planejar e executar atividades motoras não habituais que é conhecida como dispraxia. Esta disfunção não é só um transtorno da coordenação ou execução motora, há dificuldade em conceituar ou formular um plano de ação. Assim, vemos crianças muito inteligentes, que não produzem de acordo com o potencial intelectual que possuem. Podemos então suspeitar que exista uma dificuldade no processamento sensorial.


Crianças com distúrbios neuromotores, sensoriais, déficit de aprendizagem, distúrbios do desenvolvimento se beneficiam da técnica de Integração Sensorial.



Priscila Straatmann Mórel – priscilato@espacodomquixote.com.br

Terapeuta Ocupacional e Psicomotricista do Espaço Dom Quixote

Cadeirante e adoção


Meu nome é Ana Paula, tenho 31 anos e sou cadeirante devido há um problema congênito. Estava procurando na net alguma matéria que falasse sobre adoção e mães cadeirantes, achei uma matéria no blog Espaço Dom Quixote. Gostei mto... vocês trabalham especificamente com casos assim?

Sabe se é muito difícil para uma mulher cadeirante e ainda solteira adotar uma criança? Este é um de meus sonhos, se Deus quiser quero me inscrever para adoção em 2012.


Resposta juridíca:
Bom dia Ana Paula, quanto ao assunto de adoção por uma mãe cadeirante, vale primeiramente explicar detalhadamente o que é uma adoção.

Juridicamente a adoção é um processo legal e irreversível que transfere o poder familiar dos pais biológicos, para uma família substituta.

Uma adoção no ponto jurídico, visa em primeiro lugar garantir o bem-estar do adotado e seu direito fundamental ao convívio familiar. Já para quem adota, é a possibilidade de realizar o sonho da paternidade ou maternidade sem gerar, de oferecer proteção, carinho e amor a uma criança e, principalmente, receber o amor deste filho.

Para que este ato jurídico "a adoção" se concretize existem alguns requisitos básicos segundo a lei, ou seja, o homem ou a mulher (adotantes) tem que serem maior de 18 anos e com uma situação socioeconômica estável, ou seja, capaz de se manter financeiramente e manter uma família. A pessoa precisa também ser pelo menos 16 anos mais velha do que quem será adotado. Não é preciso ser casado. Viúvos, divorciados e solteiros podem adotar sem problemas.

A lei em nenhum momento faz qualquer objeção ou sequer faz menção quanto aos adontantes serem ou não pessoas com deficiências físicas, até porque isso seria discriminação e a constituição federal é clara quanto a todos serem iguais.

Portanto Ana Paula, você sendo solteira e cadeirante pode adotar um filho
sim.

Lute pelos teus sonhos e seja feliz.


Drª Janaína Beck
OAB/RS 52277
Especialista em direito de família

O que eles têm a nos dizer?



Crianças gostam de falar, contar suas histórias e dar sua opinião sobre assuntos da atualidade. Coisas que vêem na TV, assuntos de aula, entre outros que possam interessar. Mas será que estamos atentos ao que nossas crianças tem a nos dizer?

Infância é a fase do desenvolvimento entre o nascimento e a puberdade, correspondendo o período de 0 a 12 anos. Infância vem da palavra infante, que significa incapacidade de falar. Vale lembrar que durante muito tempo as preocupações com as crianças diziam respeito, sobretudo, a sua sobrevivência, já que devido à fragilidade do indivíduo ao nascer, os índices de mortalidade infantil eram bastante altos.

Ainda é comum vermos e ouvirmos adultos ignorando as idéias e pensamentos de crianças, achando que elas não tem nada a acrescentar, ledo engano!

Considerar a linguagem infantil como algo repleto de significados é algo recente na educação. Ao dar ouvidos para as crianças percebe-se que ele tem muito a dizer e muito a contribuir.

Em simples conversas com as crianças elas apresentam argumentos que podem auxiliar e muito na nossa prática pedagógica dentro de sala de aula, afinal, quem melhor que nossos pequenos para avaliar nosso trabalho? E até mesmo em questões do nosso dia-a-dia eles podem ter a solução que nós adultos já não conseguimos ver e que para eles pode ter um jeito simples de resolver! Não custa nada perguntar, afinal esses argumentos refletem a visão dessas crianças em relação ao mundo em que vivem.

O jornal Zero Hora já percebeu a importância de ouvir as crianças e criou um conselho de leitores mirins, que se reúne uma vez por mês e juntamente com a psicopedagoga Clarissa Paz de Menezes e as jornalistas Anelise Zanoni e Lucia Pires, discutem sobre as reportagens do jornal, ressaltando o que eles gostaram e sugerindo melhorias, em especial para a sessão “para seu filho ler” na qual é explicado para as crianças questões a respeito de reportagens específicas. E as crianças não decepcionam! Conversam sobre o que gostam e o que não gostam, dão sugestões de melhorias e de reportagens, sempre surpreendendo nas opiniões dadas.

Sim, nossas crianças tem muito a nos dizer, e cabe a nós adultos, mantermos nossas orelhas verdes, como o poema de Giani Rodari.


O homem da orelha verde

Um dia num campo de ovelhas
Vi um homem de verdes orelhas
Ele era bem velho, bastante idade tinha
Só sua orelha ficara verdinha
Sentei-me então ao seu lado
Afim de ver melhor, com cuidado
Senhor, desculpe minha ousadia, mas na sua idade
De uma orelha tão verde, qual a utilidade?
Ele me disse, já sou velho, mas veja que coisa linda
De um menininho tenho orelha ainda
É uma orelha-criança que me ajuda a compreender
O que os grandes não querem mais entender
Ouço a voz dos passarinhos
Nuvens passando, cascatas e riachinhos
Das conversas das crianças, obscuras ao adulto
Compreendo sem dificuldade o sentido oculto
Foi o homem de verdes orelhas
Me disse no campo de ovelhas.
GIANI RODARI


Clarissa Paz de Menezes - clarissapp@espacodomquixote.com.br
Psicopedagoga do Espaço Dom Quixote

Professor: como está a sua voz?


Na reta final do ano escolar, muitos professores sentem que a voz já não está mais dando conta da carga horária diária de trabalho. São comuns os sintomas de rouquidão, voz cansada, dor na garganta e eles se intensificam nesta fase do ano, pois além do fato de a voz ter sido utilizada em demasia durante o ano, o estresse e a correria para cumprir prazos também afetam a qualidade vocal.


Que o professor precisa utilizar a sua voz exaustivamente durante um dia de trabalho e que a realidade das salas de aula não favorece a acústica da voz, isso todo mundo sabe, mas é fundamental que o professor procure preservar a sua voz e se utilize de estratégias para evitar o desgaste demasiado.


Tomar muita água durante o dia é a dica de ouro para manter a voz saudável. O recomendado é 2 litros de água por dia, é preciso criar o costume de tomar água antes de sentir sede, pois quando temos a sensação de garganta seca é porque já passou da hora de se hidratar novamente.


Alguns hábitos nocivos também são prejudiciais para a nossa voz como o fumo e o álcool, mas há também alguns hábitos que falsamente auxiliam a voz como balas de gengibre, tossir ou pigarrear para “limpar” a voz, sussurrar. As balas podem trazer a sensação de anestesia para região laríngea, neste caso a pessoa não percebe o quanto pode estar prejudicando a sua voz. A tosse e o pigarro são movimentos rápidos das pregas vocais e se realizados frequentemente podem ocasionar lesões nesta região. Já o sussurro pode dar a falsa impressão de que estamos poupando a voz quando, na verdade, estamos modificando o movimento das pregas vocais, gerando cansaço e fadiga muscular. Evitar gritar e falar sem repouso durante muito tempo também é prejudicial.


Tomando estes cuidados, a voz se manterá saudável até o final do ano quando ela também merecidamente terá alguns momentos de descanso!


Fernanda Helena Kley – fernandafono@espacodomquixote.com.br
Fonoaudióloga do Espaço Dom Quixote

Autismo: uma visão transdisciplinar


O Espaço Dom Quixote está promovendo nos meses de novembro e dezembro o curso AUTISMO: UMA VISÃO TRANSDISCIPLINAR. Turma lotada e muito conhecimento estão deixando as noites de terças-feira muito interessantes! Psicóloga, psicopedagoga, fonoaudióloga, nutricionista, musicoterapeuta e terapeuta ocupacional estão apresentando as últimas pesquisas na área, dicas práticas e manejo com crianças e adolescentes autistas.



BENEFÍCOS DA MUSICOTERAPIA NOS TRANSTORNOS DO ESPECTRO AUTISTA


Musicoterapia e Autismo
A Musicoterapia tem se destacado no tratamento de pessoas com transtornos do espectro autista (TEA), havendo diversas pesquisas que comprovam sua eficácia. Pesquisas mostram também forte interesse e curiosidade de pessoas com TEA pela música, e que se saem melhores na música do que em outras áreas do comportamento, assim como apresentam maior responsividade a ela do que a outros tipos de estímulos auditivos, como a fala.
As pessoas com TEA apresentam uma desorganização nas redes neuronais e a música é capaz de reorganizá-las. Além disso, é capaz de ativar todas as áreas do cérebro, estimulando e desenvolvendo a pessoa como um todo.


Interação, Comunicação e Estereotipia
A música é uma das poucas coisas que chama a atenção de uma pessoa com TEA. O paciente toca um instrumento musical, e este serve como um elo entre paciente e musicoterapeuta, sendo o ponto de contato inicial. Através deste instrumento ou outra atividade musical, o paciente passa a se relacionar com o musicoterapeuta, possibilitando um diálogo musical e um meio de trabalhar a interação social e a comunicação, os objetivos mais almejados para pessoas com TEA.

A musicoterapia oferece assim, um novo meio de expressão e comunicação para pessoas com TEA através de técnicas como improvisação musical, composição, cantar, tocar, ouvir canções, jogos musicais, exercícios rítmicos, técnicas de imitação, entre outras. Através dessas técnicas o musicoterapeuta arma situações (que podem se originar de manifestações sonoras do paciente) para o paciente interagir, visando atingir os objetivos terapêuticos estabelecidos.

A fala é desenvolvida na improvisação, jogos musicais e na sua estimulação pelo cantar. Os pacientes passam a cantar palavras, frases ou até uma canção inteira, e respondem verbalmente. Através de técnicas específicas, o musicoterapeuta pode provocar ou aumentar na pessoa com TEA o desejo de se comunicar.

Os comportamentos estereotipados podem se reduzir através do fazer musical, do ritmo e dos instrumentos. O paciente para o comportamento estereotipado para se engajar na música.


Outros Efeitos
Outra característica comum em pessoas com TEA é a dificuldade no agrupamento espaço-temporal e psicomotor, muitas vezes não enxergando as coisas como um todo, mas sim em partes. A música, por ser uma organização espaço temporal, trabalha noções de agrupamento: o todo e as partes, figura e fundo, início e fim, através do ritmo, dança, harmonia, melodia e canções.

A musicoterapia oferece também a estimulação sensorial (tátil, visual e auditiva) através do ouvir e cantar, de movimentos e dos instrumentos, que também estimulam a coordenação motora.

No âmbito emocional, é freqüente a dificuldade de expressão de uma pessoa com TEA, onde a Musicoterapia oferece outra maneira de expressão dos sentimentos, das emoções, e estimula a comunicação verbal destes. A música é capaz de evocar e provocar determinados sentimentos e emoções, e estes podem ser trabalhados através de músicas que expressem ou que trazem no texto as diferentes emoções.

Nas questões cognitivas, o musicoterapeuta vai arranjando formas de aumentar a atenção do paciente nas atividades. A Musicoterapia desenvolve também a memória, a criatividade, organiza o pensamento e aumenta a capacidade de aprendizagem.

Outros resultados que a Musicoterapia com pessoas com TEA apresenta são: diminuição do isolamento social, maior exploração de objetos e do ambiente ao seu redor (cantando e imitando sons, estabelecem-se relações com o ambiente), maior contato visual e corporal, desenvolvimento da autonomia e cooperação, satisfação e aumento da autoestima através da realização provocada pelo fazer musical, comportamentos mais apropriados, redução da ansiedade, entre outros, além de auxiliar nas atividades de vida diária.

Sendo assim, a Musicoterapia abre um canal de comunicação e estabelece contato pessoal, aprimorando o desenvolvimento socioemocional das pessoas com TEA. Surgem melhoras também na consciência de si mesmo e na qualidade de vida do sujeito e de todos ao seu redor.

O tratamento musicoterapêutico deve ser feito por um musicoterapeuta qualificado, que analisa os tipos de instrumentos, sons, canções e atividades mais propícias para cada pessoa.


Luciana Steffen - lucianamt@espacodomquixote.com.br
Musicoterapeuta da Clínica Espaço Dom Quixote


Para saber mais

DAVIS, W.B., GFELLER, K.E. & THAUT, M.H. An Introduction to Music Therapy: Theory and Practice, Terceira edição. Silver Spring: American Music Therapy Association, 2008.
OLDFIELD, Amelia. Interactive Music Therapy - A Positive Approach. London and Philadelphia: Jessica Kingsley Publishers, 2006.

A atuação do nutricionista na obesidade infantil: prevenção e tratamento


A obesidade tornou-se uma questão de saúde pública no mundo, condição que em nossa sociedade passou a acometer não somente adultos como também crianças e adolescentes com números alarmantes. A obesidade está associada a problemas de saúde bastante significativos na idade pediátrica e indivíduos que apresentam sobrepeso e obesidade na infância têm uma maior predisposição ao desenvolvimento de patologias associadas ao estado nutricional, como por exemplo, as doenças cardiovasculares.

Dietas com alta densidade energética, associadas a um estilo de vida sedentário, são vistas como os principais fatores etiológicos do aumento da prevalência da obesidade no mundo. As alterações na estrutura da dieta, associadas às mudanças econômicas, sociais e demográficas e suas repercussões na saúde populacional, vêm sendo observadas em diversos países em desenvolvimento.

Para os profissionais da área da nutrição, existem dois enfoques, ambos de extrema importância para a saúde. Um deles é o tratamento dietoterápico quando o quadro de obesidade já está instalado na criança e no adolescente e onde a elaboração do plano alimentar visa à redução do peso corporal. Além disso, é importante salientar o incentivo à prática de atividade com o envolvimento da família em todo este contexto. O outro enfoque, que sem dúvida é a chave deste tão complexo processo, é a prevenção da obesidade através da promoção de uma alimentação saudável e do empenho na mudança efetiva de hábitos alimentares e estilo de vida destes núcleos familiares.

O nutricionista tem este instigante propósito de não só tratar, mas principalmente educar pessoas para que estas possam ter uma melhor qualidade de vida através de práticas alimentares saudáveis.


Daniele Santetti - danielenutri@espacodomquixote.com.br
Nutricionista do Espaço Dom Quixote

O Conselho Mirim de ZH

Retirado do site: Blog do Editor

26 de outubro de 2010


Onze pequenos leitores formaram ontem o primeiro conselho mirim de Zero Hora. Eles se reuniram no Espaço RBS, no térreo do prédio Administrativo, e surpreenderam os jornalistas. A tarefa do grupo é exatamente a mesma dos conselheiros grandes do jornal: dar opinião sobre a cobertura.


A professora e psicopedagoga Clarissa Paz de Menezes, do Espaço Dom Quixote, de São Leopoldo, ajudou a equipe de ZH a receber as crianças. No primeiro encontro, a ideia era descontrair, conversar e formar um grupo de novos amigos. E nada melhor do que um especialista.

Em uma roda, a professora chamou as crianças e tornou a apresentação uma grande brincadeira para ajudá-las a decorar o nome uma das outras. Os olhares curiosos e o interesse pelo jogo proposto por Clarissa garantiu a integração dos novos conselheiros. Até Bernardo, sete anos, o mais jovem do grupo, esqueceu o amigo que trouxe de casa, o cavalo de pelúcia.

Depois de um lanche oferecido pela empresa Totosinho, com hamburguinhos e docinhos, os conselheiros trocaram ideias e conversaram sobre o que mais gostam em ZH e as expectativas sobre o que a Turma do Clubinho poderá fazer pelo jornal.
O encontro durou uma hora e meia. Na saída, os integrantes levaram um tema de casa: ajudar a identificar os selos Para Seu Filho Ler nas próximas edições de ZH e trazer opinião sobre os assuntos que mais gostaram no jornal.

Os primeiros conselheiros do jornal são: Ariel Ali Maciel, nove anos, Beatriz Vieceli Goulart, nove anos, Bernardo Lorenzi Muller, sete anos, Fernanda Goulart, 11 anos, Giovanna Costa Baldino, nove anos, Julia Rossoni, oito anos, Lina Zanella, 10 anos, Lucas Preuss Diemer, 10 anos, Marina Rodrigues Alves da Silva, oito anos, Martina Acosta, nove anos e Nicolas Dias Cramer, 10 anos.

http://wp.clicrbs.com.br/editor/2010/10/26/o-primeiro-encontro-da-turma-do-clubinho/?topo=13,1,1,,,13

Brincadeira de criança, como é bom, como é bom


Brincar significa explorar seu corpo, o espaço e aprender tudo o que acontece a sua volta. Para a Terapia Ocupacional Infantil, o brincar é o principal instrumento de trabalho. Utilizando-o com recurso terapêutico, conseguimos buscar a essência da criança e tirar da sessão tudo aquilo que precisamos para elaborar um bom plano de tratamento. Através do brincar conseguimos explorar todas as áreas de desempenho e assim criando um elo de fortalecimento entre o real e o imaginário, sendo possível compreender a criança.

As atividades lúdicas servem de campo de treinamento para atividades diárias, escolares e atividades de coordenação em geral. Dificuldades em integração sensorial podem impedir o brincar, que é a maior fonte de aprendizagem da criança. Por outro lado, o desenvolvimento da habilidade de brincar com certeza leva a uma integração sensorial mais adequada.

Já dentro do campo psicomotor, o brincar permite a criança aliar ação a emoção, e assim dar significado a cada história que constrói no seu dia-a-dia. Além de permitir vivenciar os fatos e compreende-los da sua maneira, permitindo que a criança se conheça.

O brincar, pela visão psicomotora permite o fortalecimento e o treino da tonicidade muscular, fortalece a relação materno-paterna, principalmente se estes participam com entusiasmo da brincadeira. Esse é o trabalho da criança! A mãe vai autorizando, pela separação de ambas, que a criança se descubra e construa seus significantes.

É por meio do brincar com qualidade que a criança se desenvolve e usufrui desses instrumentos psicomotores (linguagem, comunicação, socialização, aprendizagem e psicomotricidade) durante a vida.

Por isso, muitas vezes a Terapia Ocupacional e Psicomotricidade andam lado a lado. Ambas privilegiam o desenvolvimento saudável e a importância da relação pais e filho.

Muitas vezes, é e permitir aos pais voltar a ser criança e explorar tudo o que história infantil tem a oferecer. E para isso, inventar tuneis, passar por baixo de cadeiras, mesas, criar vestidos e roupas de lençóis e cobertores são instrumentos enriquecedores para o desenvolvimento da criança.

Deixo o início do que pode vir a ser uma história de descobertas e imaginação... Há uma luz no final do túnel? Cadê? Sumiu...


Priscila Straatmann Mórel - priscilato@espacodomquixote.com.br
Terapeuta Ocupacional e Psicomotricista do Espaço Dom Quixote

Taquifemia




O que é taquifemia

A Taquifemia é um distúrbio da fala pouco conhecido e muitas vezes o diagnóstico é confundido com Gagueira. A pessoa que possui este diagnóstico tem como característica principal a velocidade de sua fala aumentada, ou seja, ela fala muito rápido. A fala é tão rápida que acaba por interferir na inteligibilidade da mensagem que a pessoa está tentando passar. Além disso, é possível identificar um aumento no número de hesitações na sua fala. É aquela pessoa que fala muito “hã” antes de começar a falar, demonstrando que precisa de um tempo maior para formular no seu pensamento o que vai falar. Outro ponto importante que deve ser observado no taquifêmico é que normalmente ele não tem consciente da sua dificuldade de fala.

O tratamento é feito por um fonoaudiólogo e este acompanhamento terá como objetivo aumentar a qualidade da comunicação com melhora na fluência da fala. Durante a terapia, será trabalhado com o paciente a consciência dele de sua própria fala, sendo que este aspecto é primordial no tratamento, pois assim ele conseguirá levar as estratégias do tratamento para o seu dia a dia, monitorando os altos e baixos de sua fala. Também são trabalhadas estratégias para a redução da velocidade da fala, melhora na articulação dos sons e coordenação pneumo-fono-articulatória.

A Taquifemia é considerada um problema de linguagem associado a uma disfunção no Sistema Nervoso Central e pode aparecer também em casos de Gagueira, Transtornos de Aprendizagem e Transtornos de Déficit de Atenção e Hiperatividade.
Com o decorrer da terapia fonoaudiológica, o paciente consegue aprimorar a sua fala, aumentando a sua inteligibilidade a partir da melhora da articulação e diminuição da velocidade de fala.


Fernanda Helena Kley - Fonoaudióloga

Dúvidas sobre educação e saúde de crianças e adolescentes? Nós podemos ajudar!

Meu filho é MUITO rebelde. O que devo fazer?


Em primeiro lugar, é necessário definir quais limites se deseja estabelecer, ou seja, o que “pode” e o que “não pode” ser feito, o que é preciso proibir, quais regras vale a pena estipular ou não. Uma vez estabelecidos quais limites respeitar (horário de dormir, das refeições, das saídas com amigos), é necessário explicitá-los por meio de uma conversa, deixando claras quais conseqüências se seguirão ao seu descumprimento. Qualquer limite deve ser o mais claro possível, de modo a eliminar qualquer ambigüidade, para que a criança compreenda o que pode e o que não pode.

É importante agir com firmeza e sem hesitação. Uma criança identifica quando um “não” pode ser um “talvez” e, nesse caso, não irá cumprir o estipulado. Pais e professores inseguros em suas decisões geram crianças que testam suas possibilidades. A palavra “consistência” é fundamental na aplicação de limites, pois quando se define que algo não pode ser feito, a regra não deve ser “furada” de acordo com o bom humor do responsável pela criança e novas regras não devem ser estipuladas baseadas no mau humor de quem as aplica. Os pais devem ser um modelo de comportamento para os filhos, não valendo o famoso: “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”.

Caso as dicas acima não surtirem resultado, vale o conselho de sempre: procure um especialista!

Fabiola Scherer Cortezia - Psicóloga

Dúvidas sobre educação e saúde de crianças e adolescentes? Nós podemos ajudar!

Por que as pessoas morrem?


Quem nunca se deparou com a pergunta acima feita por uma criança e ficou sem respostas? Muitos de nós temos dificuldades em responder a esta e a outras perguntas sobre o tema, principalmente se quem questiona for uma criança.

Fugir da pergunta ou dar respostas fantasiosas pode criar confusão e compreensão errada do assunto. Afinal, a pergunta parece simples como todas as perguntas de crianças. A nossa reação diante dela é que se enche de medos, dúvidas e outros sentimentos que perturbam o nosso discernimento sobre o assunto.

Responder para uma criança que é da vontade de Deus, por exemplo, pode representar que Deus é alguém ruim e que está provocando esta dor na criança e na família. Se a família ensina valores cristãos aos filhos, esta resposta pode provocar medo e raiva de Deus, sem um real entendimento da situação. Afinal, as pessoas podem morrer em decorrência de uma doença, em um acidente, por causa da violência urbana, etc e a criança que acredita em Deus precisa saber que esses acontecimentos não são provocados por Deus. Ela confia neste Deus que a família apresentou como amigo, que olha por nós. Se a criança perguntar por que Deus permitiu que a pessoa querida morresse, podemos explicar sobre a finitude da vida, sobre a violência com a qual precisamos tomar cuidado e sobre precauções com a segurança. Tudo isso sem alarmar a criança nem criar-lhe medos desnecessários.

Se observarmos as crianças, perceberemos que elas enfrentam os problemas com mais facilidade que os adultos. Quando brigam com um coleguinha na escola, logo fazem as pazes e voltam a brincar. Não significa que esqueceram o problema, mas preferem brincar a sofrer.

Em cada faixa etária há um entendimento diferente para a morte, e precisamos respeitar esta compreensão para não explicar mais do que a criança consegue entender ou realmente quer saber.

Até 3 anos de idade, a criança é extremamente dependente dos adultos que cuidam dela, e a morte representa perda e abandono. Os pais precisam ajudar a criança a sentir-se confiante e segura, não aumentando a dependência deles para que não se sinta assustada nos momentos em que estiver sozinha ou até mesmo quando for para a escola.

Dos 3 aos 5 anos, as crianças começam a perceber as consequências da morte, mas ainda têm dificuldade em entender que ela é real e irreversível. Muitas vezes acham que a pessoa está dormindo e que logo vai acordar. Além de permitir que a criança chore, tenha raiva, demonstre sua incompreensão, é importante deixar claro para ela que a pessoa querida não voltará. As crianças que acreditam que a pessoa está dormindo podem ficar com medo de dormir, acreditando que também não irão acordar.

Dos 5 aos 9 anos, as crianças começam a entender a irreversibilidade da morte: ficam com medo da morte dos pais, acham que uma pessoa que vai para o hospital vai morrer e podem ficar com medo de viajar quando acompanham o noticiário falando sobre a morte em acidentes de trânsito, por exemplo. Começam, assim, a entender a certeza da morte.

Falar para as crianças que a pessoa virou uma estrela, que está morando no céu, pode acalmá-las e ajudá-las a diminuir a saudade e a tristeza.

Normalmente, a criança tem sua primeira experiência com a morte quando seu animal de estimação morre. Para ela, a tristeza pela perda do animal é a mesma que pela perda de uma pessoa querida. É importante compreender este sentimento e não menosprezá-lo, dizendo que é só um bichinho ou imediatamente substituindo o animal morto por outro. Muitas vezes, as crianças querem enterrar o animal e fazer uma cruz, acreditando que ele irá para o céu dos bichinhos. Podemos participar deste ritual com a seriedade devida para ajudar a criança a superar este momento.

Muitos pais têm dúvidas quanto à participação da criança em um velório. Acredito que é importante deixar a criança decidir se quer participar em algum momento para se despedir da pessoa querida, sem forçar ou ignorar este apelo. Deve-se explicar que a pessoa está deitada ali no caixão para que os amigos e familiares possam se despedir e demonstrar o quanto gostavam dela, e que depois ficarão na nossa lembrança os momentos em que a pessoa estava conosco, brincando, rindo, contando alguma história.

A criança deve estabelecer os seus limites neste momento, sendo aconselhável evitar que permaneça muito tempo no velório ou que beije a pessoa, por questões de saúde.

Muitas vezes, falar da morte para as crianças é mais difícil para os adultos do que para elas próprias, pois crianças buscam o entendimento simples do fato.

Outro dia, pesquisando com um grupo de crianças sobre a vida dos homens e mulheres das cavernas, vimos imagens de um enterro e começamos a conversar sobre o assunto. As perguntas giravam em torno do ritual do enterro, da importância para os familiares e amigos de homenagear aquela pessoa e, no caso das imagens, da forma como tudo acontecia há tantos anos. Acharam muito estranho as pessoas serem enterradas com seus pertences. No dia seguinte, uma criança trouxe alguns vagalumes num pote para mostrar aos colegas e, durante as atividades, percebeu que um deles havia morrido. Resolveram enterrá-lo no pátio. De longe fiquei observando um grupo de crianças escolhendo um lugar e fazendo o buraquinho para enterrar o inseto. Não esqueceram de colocar flores. Depois de um tempo resolveram desenterrá-lo (talvez para confirmar que estaria lá) e não o acharam. Uma das meninas me procurou e disse que o vagalume não estava mais enterrado, que Jesus o tinha levado para o céu inteirinho, com corpinho e espírito.

Ouvir as crianças e pensar com elas sobre um tema tão doloroso pode amenizar a dor e o sofrimento, além de reduzir expectativas e medos.


Janete Cristiane Petry - janetepp@espacodomquixote.com.br
Psicopedagoga do Espaço Dom Quixote

Musicoterapia para crianças


Qual criança que não gosta de música? Não canta uma melodia repetidamente ou as cria? Qual criança que não fica atraída e curiosa pelo som de um instrumento diferente?

Sendo o interesse pela música um pré-requisito para iniciar um processo musicoterapêutico, a Musicoterapia é de extrema importância para as crianças, trazendo diversos benefícios e auxiliando no seu desenvolvimento global.

Nas sessões de Musicoterapia são oferecidos instrumentos, assim como sons, canções que podem estar acompanhadas de gestos, entre outros recursos. Nesse fazer musical, o musicoterapeuta vai percebendo as necessidades e potencialidades da criança e as trabalha através de atividades musicais estruturadas, utilizando a música como outro meio de expressão que não a fala, um meio menos amedrontador, permitindo que a criança se sinta mais segura para se expressar.

Na sua expressão musical surgem suas dificuldades como baixa autoestima, falta de iniciativa, indisciplina, ansiedade, insegurança, dificuldades em organizar sequências (fundamental para o aprendizado), dificuldades motoras e de comunicação, entre outras questões emocionais, sociais, cognitivas ou motoras.

As canções folclóricas estão ficando cada vez mais esquecidas. Muitas crianças não as conhecem mais, mas sabem cantar e dançar a última moda do Funk. As canções folclóricas promovem momentos lúdicos, fundamentais para o bom desenvolvimento da criança, desinibem, promovem a autoexpressão, trabalham emoções, promovem a integração, a criatividade e o raciocínio, exercitam a coordenação motora, permitem que a criança projete suas dificuldades, medos e anseios, trabalhando seu desenvolvimento integral. Salienta-se a importância do resgate do folclore em contraste com canções com conteúdos preconceituosos e pornográficos, como muitas vezes ocorrem no Funk.

O brincar é indiscutivelmente fundamental para a saúde da criança e está sendo cada vez mais substituído por “brinquedos prontos” como o computador ou videogame, que não necessitam de criatividade e imaginação. Muitas vezes a Musicoterapia é o único momento que a criança desenvolve sua capacidade lúdica através das canções folclóricas ou outros recursos.

A Musicoterapia também com seus outros recursos como a improvisação, o tocar, o cantar, os jogos musicais, a escolha de canções, entre outros, possibilita o desenvolvimento emocional, cognitivo, social e físico das crianças. Traz resultados surpreendentes para crianças com comportamentos inadequados e falta de limites, pois a música impõe uma disciplina. A estrutura musical é uma estrutura organizada que necessita ser respeitada rigidamente. Um instrumento tem que ser executado em determinado momento da música e não em outro, as alturas musicais, o ritmo, o andamento não podem ser modificados, pois caso contrário não seria mais a mesma música. Assim, a criança aprende a esperar sua vez de tocar/cantar/falar e trabalha sua disciplina e capacidade de frustração.

A música auxilia na capacidade de aprendizagem, seja em questões cognitivas, como aprimorando a atenção, concentração, memória, criatividade, raciocínio, a relação espacial e temporal (a música é uma organização espaço-temporal), e servindo como suporte nas tarefas acadêmicas, questões de coordenação motora, questões emocionais, através da autoexpressão e aumentando a motivação para o estudo, já que a música é uma atividade prazerosa, entre outras. As causas das dificuldades de aprendizagem são oriundas de qualquer um dos âmbitos do desenvolvimento, a Musicoterapia é eficaz, pois é capaz de trabalhar todos eles.

Crianças com deficiência apresentam resultados maiores através da música, tanto na sua capacidade cognitiva, quanto emocional, física ou social, podendo a Musicoterapia desenvolver suas potencialidades.

A música além de ser capaz de ativar todas as áreas do cérebro, dá prazer, promove uma gratificação, aumentando o desejo de fazer música, e através desse fazer musical, trabalham-se diversos aspectos do desenvolvimento da criança, suprindo suas necessidades. A Musicoterapia acalma crianças agitadas, melhora a autoestima, desenvolve a autonomia, reduz comportamentos inadequados e melhora sua criatividade, trazendo novas maneiras de resolver conflitos tanto emocionais, quanto intelectuais, melhorando assim, a qualidade de vida da criança e promovendo um desenvolvimento mais saudável, sendo indicada para crianças de todas as idades.

Saiba mais sobre a Musicoterapia no Espaço Dom Quixote!


Luciana Steffen – lucianamt@espacodomquixote.com.br
Musicoterapeuta do Espaço Dom Quixote

Terapia Ocupacional e Unidade de Terapia Intensiva Neonatal


O surgimento da Terapia Ocupacional como profissão, oficialmente reconhecida como tendo ocorrido na segunda década do século XX, está profundamente ligado ao trabalho hospitalar, seja por suas raízes no uso das ocupações nos manicômios psiquiátricos, seja por seu “nascimento”, entre as guerras mundiais, relacionados ao trabalho nos hospitais civis e militares junto a incapacitados físicos e doentes crônicos, como tuberculosos e seqüelados por acidentes de trabalho. (Carlo e Bartalotti, 2006).

Enquanto isso, os primeiros relatos de cuidados ao recém-nascido remontam à era greco-romana. Somente no século XVIII, em 1769, na cidade de Londres criou-se o primeiro serviço com as características de maternidade, atendendo crianças em geral. Depois, na França surge o primeiro hospital destinado exclusivamente às crianças e aos recém – nascidos, em 1802.

Contudo, só em 1815, iniciaram-se as atividades de assistência destinadas a recém – nascidos, especialmente a prematuros. Com isso, a partir de 1960-1970, o professor Alexandre Minkowski decidiu adaptar aos bebês prematuros técnicas que a escola americana herdara das terapias intensivas destinadas a adultos e aplicava em crianças maiores.

O Terapeuta Ocupacional consegue se inserir nesta equipe com o trabalho de estimulação precoce, promovendo o acompanhamento do seu desenvolvimento sensório-motor, cognitivo, afetivo e social.

Enquanto, nos últimos anos, começa-se a pensar em atuar em UTIN no Rio Grande do Sul, nos EUA essa prática já vem sendo discutida desde 1970 e regulamentada em 1993, em Congresso da AOTA, devido à grande procura nos últimos anos. Entre as especificações do Terapeuta Ocupacional está a especialização em desenvolvimento infantil, além de ter amplo conhecimento e prática nesta área. (Delia Gorga, 1994, AJOT)

É neste sentido que se compreende a inserção do Terapeuta Ocupacional no espaço hospitalar como um profissional que tem como finalidade proporcionar melhor qualidade de vida durante o processo de internação, para as mulheres/mães, gestantes, bebês e seus familiares, oferecendo suporte por meio da relação terapeuta-paciente-atividades.

Nos EUA, os hospitais que oferecem o atendimento a recém-nascidos, constituem-se uma equipe interdisciplinar a fim de adquirirem habilidades e conhecimento dos pacientes. Neste meio, segundo Delia Gorga (1994), a Terapia Ocupacional promove um olhar diferenciado quando se fala no recém-nascido, ou seja, o Terapeuta Ocupacional olha para ele de forma holística, considerando a sua performance global, atentando para as performances motoras, sensoriais, cognitivas e emocionais, no sentido de como se dá essa organização corporal, dentro das atividades de avaliação funcional. Também se considera como a família pode assumir as modificações na estrutura de papéis parentais dentro deste ambiente.

A Terapia Ocupacional tem como especificidade a utilização de atividades como recurso terapêutico. Segundo Ferrigno (apud Kudo,1997), o Terapeuta Ocupacional utiliza a atividade como instrumento que pode viabilizar a expressão, a espontaneidade, o conhecimento das potencialidades e das limitações dos clientes durante as suas ações no mundo.

Para Motta e Takatori (2001), a atuação do Terapeuta Ocupacional em pediatria compreende o atendimento a recém-nascidos, bebês e crianças que “apresentam riscos ou alterações no seu desenvolvimento, decorrentes de circunstâncias de ordem orgânica, emocional e social que podem estar presentes antes, durante e logo após o nascimento ou durante a infância”.

Cabe ao Terapeuta Ocupacional através do atendimento com uma ampla observação do estado geral do bebê; após verificação do estado de consciência, de obtenção de informações com a equipe de enfermagem sobre o dia do RN, como é o seu posicionamento na incubadora ou no berço, como está o vínculo mãe-bebê, sem esquecer-se de observar o fazer do bebê, todos os movimentos e expressões, visto que estas são suas atividades; mostrar e auxiliar os profissionais e familiares nos cuidados com o recém-nascido. Neste contexto, o atendimento deve atender as necessidades emocionais e adaptativas do bebê e da família.

Na prática, o Terapeuta Ocupacional ajuda na elaboração de conteúdos emocionais da criança e da sua família, além de proporcionar maior integridade de funções no leito, avaliar e estimular sensoperceptocognitivamente o bebê, possibilitando maior segurança e facilitando o processo de alta hospitalar.

Segundo Meyerhof (1997), o objetivo da intervenção será tanto no sentido de promover o input sensorial como a de proteger o bebê de excesso de estimulação, graduando os estímulos de acordo com o desenvolvimento adaptativo do neonato. Enquanto a escala Brazelton tem como propósito original descrever o sistema autônomo, a atividade motora, os estados de consciência e a atenção social, vistos como integrativos e interativos no bebê a termo e saudável.


Priscila Straatmann Morél – priscilato@espacodomquixote.com.br
Terapeuta Ocupaciona e Psicomotricista do Espaço Dom Quixote

Escoliose? Seu filho tem?


Nas crianças em fase de crescimento, os ossos podem apresentar desalinhamentos. Esses problemas incluem a escoliose, na qual a coluna vertebral encurva-se anormalmente e acarreta problemas que afetam toda a estrutura e postura da criança.

Dados nos trazem que cerca de 2% da população mundial tem escoliose. Sua detecção e sua gestão precoce podem impedir sua evolução a um grau extremo.

Geralmente, uma escoliose discreta não causa sintomas. A pessoa pode sentir cansaço nas costas após permanecer muito tempo sentada ou em pé. O cansaço pode ser seguido por dor muscular nas costas e, finalmente, por uma dor mais intensa em um caso mais grave. As curvaturas da escoliose, em sua maioria, são convexas para a direita na parte superior das costas e para a esquerda na parte inferior. Uma coluna vertebral com escoliose vista de costas, apresenta uma forma que lembra as letras C ou S, quando normalmente a coluna vertebral se parece com a letra I.

A escoliose pode ser detectada durante um exame físico de rotina. Pais, professores ou o médico podem suspeitar de uma escoliose quando a criança apresenta um ombro que parece mais alto que o outro, um lado do quadril mais alto que o outro e também quando a cintura parecer ser mais estreita (marcada) de um lado que do outro.

Algumas pessoas podem ser mais propensas a ter escoliose, e na maioria dos casos são meninas. A escoliose geralmente piora nos períodos de ESTIRÃO de CRESCIMENTO.

Como tratamento corretor, o médico ortopedista pode indicar a utilização de um colete ortopédico visando manter a coluna vertebral reta. Já a Fisioterapia participa do tratamento através de métodos e técnicas, buscando a reeducação postural, conscientização da postura correta, fortalecimento e alongamento da musculatura da coluna vertebral.

Em alguns casos, dependendo da gravidade da curvatura, pode ser necessário tratamento cirúrgico. Sendo assim muito importante o diagnóstico e tratamento precoce da escoliose, evitando a progressão da curvatura da coluna vertebral e diminuindo a necessidade da realização de uma cirurgia.


Priscila Votto Fernandes – priscilafisio@espacodomquixote.com.br
Fisioterapeuta do Espaço Dom Quixote

Crianças que não sabem o que falar


Frequentemente os fonoaudiólogos são interrogados a respeito daquelas crianças que adquiriram a linguagem, ou seja, aprenderam a falar, mas que parece que não sabem como utilizar esta linguagem, pois praticamente não tem iniciativa para começar uma conversa ou manter ela acrescentando informações.

São crianças que dificilmente perguntam em sala de aula, mesmo que não entenderam alguma explicação do professor, pois tem dificuldade em escolher as palavras e em elaborar frases. Também é possível observar naquelas crianças que contam fatos utilizando poucas palavras e frases muito simples. Por exemplo, quando uma criança é perguntada sobre o que fez no final de semana, ela terá várias coisas para contar; o que fez, de que brincou, com quem, etc, mas é comum escutarmos de crianças a simples frase “brinquei” e ela não continua o assunto e precisa ser interrogada sempre para criar um diálogo. Ou ainda, crianças que são perguntadas sobre o que comprou no mercado e que respondem “um negócio”. Esta dificuldade está relacionada com a falta de vocabulário, a falta de necessidade de conversar e, principalmente, a falta de estímulo para se comunicar e isto está fortemente ligado aos estímulos que a criança recebe em casa.

Se o ambiente familiar é um ambiente em que pouco se conversa, em que não se tem o hábito de todos sentarem e conversarem apenas, ao invés de estarem olhando televisão, jogando no computador ou fazendo todas as inúmeras atividades que temos que dar conta durante um dia, a criança não irá perceber o quanto é importante a comunicação para o nosso relacionamento social. É de extrema importância que os pais consigam reservar um horário para conversar com seus filhos, escutarem o que eles têm para contar e instigarem para que contem com detalhes, relatando situações, nomes de pessoas e tudo que possa estar relacionado ao assunto em questão.

Também é importante que os pais sempre expliquem o que é um determinado objeto, para que serve, de que é feito e digam para as crianças que perguntem sempre que tiverem dúvidas, incentivar que elas sejam curiosas, mesmo que isso signifique “perder” um pouco mais de tempo conversando com a criança, e os pais verão que este “perder” significa “ganhar” para a criança, pois ela não se contentará com o superficial ou deixará de entender algo por não saber como perguntar.

Este papel também pode ser desenvolvido na escola, considerando que as crianças passam boa parte de seu dia neste ambiente. Os professores também devem ser questionadores, não aceitar frases simples e restritas à resposta de perguntas. Isto deve ser feito desde a Educação Infantil, para que os alunos desenvolvam a linguagem e também desenvolvam a sua aprendizagem. Um aluno que não tem uma boa oralidade com certeza não saberá escolher as palavras para escrever um texto.

Quanto mais conversarmos com os nossos filhos e alunos, mais vocabulário eles terão para utilizar na hora de se comunicar e mais vontade terão de realizar esta forma de relacionamento com as pessoas que convivem com ela.

Conversar com as crianças também pode ser agradável e prazeroso, só basta tornar disto um hábito.


Fernanda Helena Kley – fernandafono@espacodomquixote.com.br
Fonoaudióloga do Espaço Dom Quixote