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Dia do nutricionista



Dia 31 de agosto é o Dia do Nutricionista!

Parabéns a todos!

Neste ano, a campanha dos Conselhos Federal e Regionais de Nutrição é "Fome, Obesidade, Desperdício - não alimente este problema". Faça parte desta campanha!

Dia do Psicólogo

Dia 27 de agosto foi comemorado o Dia do Psicólogo!

Parabéns a todos os profissionais desta área.

O Conselho Federal de Psicologia divulgou alguns vídeos em comemoração à data!

Veja mais em: http://mulher.pol.org.br/videos-celebram-dia-do-psicologoa

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Pesquisa aponta os progressos alcançados através da estimulação de crianças autistas


A equipe da ambientoterapia do Espaço Dom Quixote está, nesta semana, no Congresso Internacional de Autismo em Curitiba, apresentando uma pesquisa que vem sendo realizada pelo Espaço há cerca de 1 ano e meio. A pesquisa avalia os benefícios da estimulação precoce em crianças com espectro autista. O objetivo da pesquisa foi avaliar o efeito da ambientoterapia (tratamento de estimulação e terapia transdisciplinar em grupo) em crianças com espectro autista de 3 a 7 anos de idade. As crianças com espectro autista foram acompanhadas durante o período de um ano, duas vezes por semana, três horas por dia, de forma transdisciplinar por psicóloga, psicopedagoga, terapeuta ocupacional, psicomotricista, fonoaudióloga e musicoterapeuta.

A pesquisa aponta progressos significativos durante o processo de tratamento, maior tempo de troca de olhares com os profissionais estimuladores, aumento de palavras em seu vocabulário, maior tolerância ao barulho, menor agressividade. A interação social, o início de construção frasal e maior capacidade de tolerância à troca de rotina no ambiente puderam ser medidas através da observação das crianças e do relato de seus cuidadores.

Este estudo é uma esperança para pais de crianças autistas, pois faz-nos perceber que a estimulação e terapia em grupo, de forma transdisciplinar (profissionais de diversas áreas trabalhando juntos sistematicamente) auxiliam no desenvolvimento de crianças com espectro autista, podendo facilitar a interação social e o aprendizado tanto dentro quanto fora do ambiente terapêutico, tanto na rede regular de ensino quanto nas relações familiares e sociais. Encontros sistemáticos com os pais também auxiliam na forma como a família percebe o sujeito com espectro autista, diminuindo a superproteção e aumentando a quantidade de estímulos e trocas interacionais. As mesmas crianças seguem em atendimento e a pesquisa segue sendo realizada em busca de dados a mais longo prazo, a fim de mensurar os progressos alcançados pelas crianças com espectro autista que iniciam tratamento de estimulação com a ambientoterapia antes dos 8 anos de idade.

Quer saber mais sobre a Ambientoterapia? Entre em contato conosco.

Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla



Do dia 21 a 28 de agosto de 2011 será comemorada a Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla e várias atividades em todo o País serão realizadas para ampliar o conhecimento a cerca das questões da deficiência e sua inclusão no meio social.

O Espaço Dom Quixote também está realizando atividades especiais nesta semana:

- Na terça-feira dia 23 de agosto às 19 horas, haverá a quarta palestra do Ciclo de Palestra sobre Síndrome de Down com o tema "Terapia Ocupacional e Psicomotricidade: socialização, estimulação e vivência";

- Dos dias 24 a 27 de agosto, alguns integrantes do Espaço Dom Quixote estarão participando do Congresso Internacional sobre Autismo em Curitiba - PR apresentando, em mesa redonda, os resultados da pesquisa realizada com as crianças que participam do grupo da Ambientoterapia;

- Dia 25 de agosto no município de Charquedas, haverá curso sobre "Inclusão" para os professores da rede municipal em uma parceria com a APAE deste município.

O tema da Semana neste ano é "A pessoa com deficiência quebra a cultura da indiferença. Tenha coragem de ser diferente."

A inclusão das pessoas com deficiência é fundamental para que seja cumprido a exigência de educação para todos, com qualidade de educação. A inclusão escolar e a inclusão social transformam não apenas a pessoa com deficiência, mas toda a sociedade se modifica, ampliando o respeito às diferenças. Todos têm as suas potencialidades e podem contribuir para o desenvolvimento da nossa sociedade.

Lugar de criança com deficiência é na escola, local que deve ter condições de atender a todos e somar esforços para garantir condições educacionais a todos.


Fonoaudióloga do Espaço Dom Quixote

Pós-Graduanda em Neuropsicologia (UFRGS)

Psicomotricidade e o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade


A criança com Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) tem dificuldade em focar a atenção, é impulsiva (reage antes de pensar), atinge os extremos da emoção com rapidez (tristeza e alegria), não consegue terminar uma tarefa (cansa-se logo, num efeito chamado de fadiga precoce), é desorganizado, tem baixo desempenho nas tarefas cotidianas e se protege de críticas e de fracassos.

Quanto antes for diagnosticado o TDAH, maior será o controle sobre a dispersão da atenção, atividade e impulsividade. O diagnóstico é fundamentalmente técnico, feito por um profissional de saúde mental, seja médico, pedagogo, psiquiatra, psicomotricista, etc. O diagnóstico precoce visa contribuir com a melhora comportamental de criança hiperativas. Algumas técnicas comportamentais cognitivas e psicopedagógica podem dar bons resultados e dispensar até mesmo o uso de medicamentos, a fim de que ajudem a controlar os seus movimentos ao acaso.

A psicomotricidade é um dos tratamentos de maior aceitação, quando conhecido e disponível. A prática psicomotriz relacional é sustentada na ação do brincar, do jogo como meio terapêutico e psicopedagógico. A psicomotricidade auxilia no desenvolvimento psico-afetivo da criança através da transformação do espaço e do outro. Permitindo que ela controle seu pensamento e se engaje verdadeiramente na ação e consiga sair da atividade motora impulsiva em que se encontrava e entrar no processo de simbolização.

É através de brincadeiras, de atividades espontâneas e até mesmo da linguagem utilizada pela criança que a psicomotricidade intervém e possibilita que ela trabalhe, avance, brinque, aprenda e modifique-se. Com isso, conseguimos fazer com que a criança compreenda e supere mais facilmente suas limitações e assim desenvolvendo sua autonomia e suas potencialidades virão à tona. Atividades de expressividade motora do movimento até invenção das fantasias infantis permeiam o imaginário infantil e a prática psicomotora, criando assim um espaço de escuta e fala consciente. Dessa forma, a criança toma consciência do seu corpo, da sua lateralidade, da sua situação e da situação de outros objetos no espaço do domínio temporal, além de adquirir habilidades de coordenação de seus gestos e movimentos.

Para obter resultados positivos é indispensável convencer os pais de que o tratamento indicado pelos especialistas deve ser levado a sério, aos educadores um melhor preparo e turmas menores, facilitando o trabalho estudantil e a qualidade de aprendizagem, e valorização da psicopedagogia e da psicomotricidade como intervenção de ajuda no tratamento deste transtorno. Na psicomotricidade relacional utiliza-se de métodos não-diretivos, no entanto deve ficar claro que atividade deve ter uma rotina com início, meio e fim. O progresso do tratamento é visto através da postura, das atividades e do comportamento.


Priscila Straatmann Morél - priscilato@espacodomquixote.com.br
Terapeuta Ocupacional e Psicomotricista do Espaço Dom Quixote

Como penso, sinto e me comporto frente ao ato de comer


Por que quando estamos com fome não pensamos em comer uma alface, maçã ou outro vegetal ou fruta?

Apesar de milhares de anos de evolução na ciência, na tecnologia, no âmbito social, o nosso cérebro não acompanhou essa evolução em relação ao ato de comer. O cérebro ainda está preparado para “lutar/procurar” comida na Savana Africana, como nossos ancestrais, onde os vegetais e frutas eram mais fáceis de conseguir. Para se ter acesso a gordura, sal e açúcar era preciso grande esforço (caçar, pescar). Só que hoje em dia não precisamos mais percorrer longas distâncias para conseguir esses alimentos. Eles estão a um telefonema de tele-entrega da gente, não gastamos nenhuma energia para consegui-los, estão em qualquer esquina. Então, o que fazer?

Na Terapia Cognitivo-Comportamental trabalhamos muito em cima de como sentimos, pensamos e nos comportamos frente às situações na vida, principalmente em situações de crise. Em relação à comida, isso não é diferente. Recorremos a ela em vários momentos: felizes, tristes, ansiosos, estressantes, mas em várias situações após comermos, frequentemente pensamos “Por que comi isso?” e muitas vezes agimos (comportamento) nos boicotando (“Já comi a mais então, mais um pouco não faz diferença!) (pensamento) assim comendo mais ainda e nos sentindo muitas vezes tristes. A partir disso, o ciclo continua, se realimenta e o objetivo/motivação para a redução de peso é prejudicada.

Ex: Situação - Festa de Aniversário de Amigo

Comportamento --> Emoção --> Pensamento --> Comportamento --> Situação --> Emoção --> Pensamento --> Comportamento

Comer além da saciedade --> Tristeza --> “ Por que fiz isso?” --> Comer mais --> Em casa, após a festa, na frente da geladeira --> Raiva --> "Já comi demais mesmo os salgadinhos, vou comer um sorvete --> Comer além da saciedade

Um dos principais pontos para alcançar uma redução de peso é diferenciar a fome (fisiológica) da vontade de comer (gula). Mas isso não é fácil, pois cada pessoa pensa, sente e se comporta de maneira diferente frente à comida. O maior passo para a mudança é a motivação e os objetivos que o/a levam a querer reduzir de peso.

Sobre a maneira de pensar em relação à comida temos que rever segundo Judith Beck*, os seguintes tópicos:

1- Sobre a fome e a vontade de comer;
2-Sobre a tolerância à fome e o desejo incontrolável de comer;
3- Sobre quando parar de comer;
4- Sobre quanto comer;
5- Sobre o bem-estar proporcionado pela comida;
6- Sobre ganhar peso;
7- Sobre quanto as outras pessoas comem;
8- Sobre o fim da dieta.

O plano proposto no livro Pense Magro, utiliza técnicas da Terapia Cognitivo-Comportamental, como por exemplo o cartão de enfrentamento das vantagens e desvantagens de emagrecer, monitorar por escrito a alimentação (como se fosse um diário alimentar), cultivar o hábito de comer sem pressa e sentado à mesa, escolher um “monitor” da dieta (alguém que incentive a pessoa a se manter fiel ao planejamento), aprender a tolerar a fome (com o objetivo de diminuir a ansiedade em relação) , criar o hábito de pesar-se, comprometer-se à prática de atividade física, desenvolver o costume do auto-elogio e outras.

O grande "truque” para a mudança é aprender a resistir e a se confrontar, ou seja, “desligar" os pensamentos distorcidos que nos levam a comer em excesso. Deixar de “pensar gordo” para “pensar magro”. (Beck, 2008)

Driblar e resistir à comida é uma das tarefas mais árduas, pois pensar magro requer disciplina e demanda muito empenho.

Uma dica para reflexão....
Sugestão de leitura: Livro: * Pense Magro- A dieta definitiva de Beck- Autora: Judith Beck. Artmed Editora, 2008.


Fernanda Soares Fernandes - fernandapsico@espacodomquixote.com.br
Psicóloga do Espaço Dom Quixote
Especialista em Psicologia Clínica- Terapia Cognitivo-Comportamental

Terapia Ocupacional, Musicoterapia e Psicomotricidade: auxiliando o desenvolvimento na Síndrome de Down


A Síndrome de Down é classificada como uma anomalia cromossômica, apresentando uma trissomia no cromossomo 21, trazendo alterações significativas como problemas cerebrais, de desenvolvimento físico, fisiológico e saúde. Apresenta um conjunto de características principalmente na parte física como cabeça, nariz, olhos, orelhas, boca, língua, dentes, pescoço, mãos, dedos, pés, cabelo e pele. O desenvolvimento costuma ser mais lento, como o desenvolvimento da linguagem e a deficiência intelectual é presente em graus variados, além de causar na criança limitações do ponto de vista social e educacional.

A criança com a síndrome tende a apresentar: hipotonia generalizada, reflexos fracos, diminuição do equilíbrio, da postura e da coordenação. Tendo em vista esse quadro, percebemos a necessidade de trabalhar as funções psicomotoras com relação ao controle da cabeça, erguer o corpo, virar de barriga para baixo, sentar, trocar a posição deitada para a posição sentada, arrastar e engatinhar, ajoelhar e ficar ajoelhado, ficar de pé, aprender a marcha, correr, subir, pular e saltar.

Pensando na estimulação precoce de qualidade para essa criança, a Terapia Ocupacional no Espaço Dom Quixote, objetiva estimular o desenvolvimento neuropsicomotor através do brincar, visando o ganho máximo de independências e autonomias na família, escola e na sociedade. O tratamento terapêutico ocupacional também preocupa-se em buscar o brilho no olhar da criança, instigando-a a descobrir novos caminhos e aprimorar seu fazer.

Já a Musicoterapia tem como objetivo desenvolver a comunicação e as habilidades interpessoais através da música, da improvisação, do cantar, de criar canções, dos instrumentos musicais. A música oferece outra forma de comunicação e facilita a linguagem através das canções, pois a criança ou adolescente já conhece o texto, a palavra a ser cantada. Diversas atividades e jogos musicais são realizados onde se precisa responder uma demanda, imitar sons, trabalhando a articulação, o desejo de se comunicar, aumentando a participação e o interesse em se socializar e se comunicar, tornando a criança mais preparada e segura para tal, já que a música motiva a criança a se engajar no tratamento por ser prazerosa, aumentando sua autoestima e autoconfiança.

Já a contribuição da Psicomotricidade está ligada ao desenvolvimento afetivo, ao contato físico, as emoções e ações, podendo servir como um suporte para o processo construtivo de aprendizagem da criança. Contribuindo de maneira expressiva para a formação e estruturação do esquema corporal, o que facilitará a sua aprendizagem, além de favorecer a maturidade neurológica. É pelo meio lúdico-educativo que oportunizamos à criança expressar-se por intermédio do jogo e do exercício, assim como a exploração corporal diversa do espaço, potencializar as atividades grupais.

Assim, a Terapia Ocupacional, a Musicoterapia e a Psicomotricidade buscam proporcionar momentos de interação social que aprimoram as habilidades interpessoais fundamentais tanto no nível pessoal, quanto no futuro profissional. O grupo de estimulação precoce vem a favorecer a comunicação mais eficaz, aumentando a capacidade de escuta, de tolerância, a capacidade de escolha e de expressão, maior clareza na fala, maior autoestima e independência, o saber se expressar oralmente e corporalmente. Além de favorecer o aprendizado das emoções e fortalecer o desenvolvimento biopsicossocial.

Com essa rede de apoio, a criança/adolescente, além da família, torna-se mais motivado para a vida familiar, escolar e futuramente profissional, melhorando muito a sua qualidade de vida.

Venha se informar sobre o Grupo de Estimulação Precoce do Espaço Dom Quixote que conta com Terapia Ocupacional, Psicomotricidade, Musicoterapia e Fonoaudiologia!

Também estamos realizando o Ciclo de Palestras sobre Síndrome de Down que ocorre em todas as terças do mês de agosto.



Priscila Straatmann Morél - priscilato@espacodomquixote.com.br
Terapeuta Ocupacional e Psicomotricista do Espaço Dom Quixote

Luciana Steffen - lucianamt@espacodomquixote.com.br
Musicoterapeuta do Espaço Dom Quixote

Efeito protetor do aleitamento materno



De acordo com o Guia Alimentar para a População Brasileira (2006), o aleitamento materno é a primeira prática alimentar a ser estimulada para promoção da saúde, formação de hábitos alimentares saudáveis e prevenção de muitas doenças.

A recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é que as crianças sejam amamentadas exclusivamente com leite materno até os seis meses de idade e, após essa idade, deverá ser oferecida a alimentação complementar apropriada, além da amamentação até pelo menos a idade de dois anos.

O aleitamento materno exclusivo é definido como o consumo único de leite materno, sem chás, sucos e outros alimentos, exceto vitaminas, minerais e medicamentos.

É sugerido que crianças em aleitamento parcial, ou seja, com o uso de fórmulas infantis e/ou leite de vaca puro, possam chegar a consumir até 20% a mais de calorias diárias do que aquelas em aleitamento materno exclusivo.

Estudos recentes têm levantado a hipótese de que o aleitamento materno poderia ter efeito protetor contra a obesidade. Entende-se que é possível que os lactentes alimentados ao seio materno de forma exclusiva desenvolvam certos mecanismos de auto-regulação do consumo energético.

Outro importante benefício do aleitamento materno é o desenvolvimento de uma melhor percepção dos sabores pelo lactente, o que o influencia em suas futuras preferências e escolhas alimentares após o desmame.

De 1º a 7 de agosto de 2011 comemora-se a Semana Mundial da Amamentação, abaixo segue o link de um vídeo sobre a importância da amamentação produzido pela Sociedade Brasileira de Pediatria: http://www.sbp.com.br/videos/video_completo.wmv




Daniele Santetti - danielenutri@espacodomquixote.com.br
Nutricionista do Espaço Dom Quixote

Mestranda em Saúde da Criança e do Adolescente PPGSCA/UFRGS

Os monstros na infância - sobre os medos


O mundo infantil é povoado por monstros. Monstros grandes, fortes, ferozes horripilantes, estranhos, de muitas cabeças, olhos, pele escamosa, que vomitam fogo, que rugem... Basta observarmos as histórias e contos infantis, os filmes, os brinquedos, as brincadeiras, as cantigas de ninar, os desenhos animados e encontraremos essas criaturas e suas monstruosidades.

Os monstros assustam e fascinam as crianças. Ora os pequenos brincam de serem monstros, de enfrentá-los, ora fogem desses, se assustam, ora querem saber mais sobre os seus poderes e suas estranhesas. Quem nunca viu a cena de uma criança pedir para repetir inúmeras vezes aquela parte da história em que há uma bruxa malvada ou um monstro destruidor?

Essas criaturas estranhas, feias, fortes, ferozes são habitantes do mundo interno e dão mostras de que material e conteúdo compõem a vida infantil. Os monstros representam aquelas partes e forças secretas, ocultas e selvagens que estão em todos nós, que despertam medo, estranhamentos, angústia, dor. Esses afetos podem ser vividos pelos pequenos como grandes e temíveis monstros.

E por que as crianças se fascinam e recorrem tanto aos monstros?

Ao escutar histórias assustadoras ou ao brincar de faz-de-conta de monstro, as crianças estão aprendendo a lidar, a conhecer e enfrentar os seus medos, angústias, ira. Ao experimentar a sensação de medo, nas histórias infantis, nos filmes, por vezes a criança antecipa o alívio que irá sentir no final da história, porque sabe que tudo acaba bem. Esta é uma forma de lidar com seus sentimentos e buscar força e coragem para enfrentá-los. Ao escutar histórias com monstros e que provocam o medo, a criança estabelece uma relação entre ela e o personagem, concebe estratégias de como lidar e buscar formas de superá-los.

É importante para a criança brincar de monstro, bruxa, expressar sua agressividade através do brincar, pois ajuda, de forma ativa, a simbolizar e elaborar experiências, sentimentos e não colocá-los em ato, como machucar outra criança, agredir.

As crianças também podem recorrer aos monstros quando se sentem e se vêem desamparadas, inseguras, como na hora do sono, frente à situaçoes novas, etc. As cantigas de ninar com seus monstros (boi da cara preta, a cuca, bicho papão) soam mais como assustadoras do que relaxantes, mas justamente esses mosntros como nos fala Mario Corso*, ajudam a catalisar a angústia difusa da criança, permitindo a transição da vigília para o sono. Pode soar estranho, mas é melhor sentir medo de alguma coisa específica, que tem cara, forma e nome, do que a angústia. O medo de alguma coisa pode-se controlar, ficar longe, evitar, mas a angústia não tem forma, ela inunda o psiquismo e provoca um grande mal-estar. Se o monstro está dentro do armário, ou em baixo da cama, ou nas cantigas de ninar, o medo de ficar longe da mãe ao dormir e, conseqüentemente, perto de suas fantasias, pode agora ter nome, cara, forma e, paradoxalmente, nesse momento o monstro ajuda a criança a se acalmar para dormir.

O medo da criança pode ainda indicar aos pais o que as aflige emocionalmente. O medo é um sinal que algo de perigoso pode acontecer. Passar por muitos medos faz parte do desenvolvimento. É natural e esperado que as crianças sintam medo. Ele é um alerta de que algo ameaçador pode acontecer e evita que o ser humano corra riscos desnecessários. O medo de monstros, de trovão, do escuro ou de dormir sozinho são naturais e devem passar conforme a criança cresce e passa a ter mais recursos psíquicos. A ausência dele, em certas idades, é até preocupante, por exemplo, se uma criança não desenvolve o medo de fogo, de certos bichos, de altura ela não se protege frente a algumas situações. E quando o medo passa a ser um impasse no desenvolvimento das crianças? Sobre esse tema, que se relaciona com as fobias, deixaremos para outro momento, já que exige uma maior explanação que não cabe no atual texto.

Atualmente vemos certo movimento de retirar toda e qualquer manifestação das crianças encontrarem nos recursos que a cultura nos dispõe meios de externalizar e mostrar seus monstros. Outro dia um menino me contava que aprendeu uma nova versão para a música do bicho papão “Nana neném do meu coração/Não tenha medo do bicho amigão”. O que assusta realmente as crianças não são os monstros de cara feia, grandes, fortes, que rugem, o que assusta as crianças é não encontrar suporte emocional que apazigue e garanta a expressão dos medos, angústia, raiva, dor. E apaziguar é transmitir a aposta para a criança de que ela pode lidar com seus monstros e que ela tem com quem contar. Para isso o adulto não pode ter medo de sua autoridade, de sua parte monstro, ou seja, não adianta falar para a criança que se ela não fizer tal coisa o homem do saco, o bicho papão as pega. Não há nada mais assustador para uma criança que se deparar com adultos que temam seu lugar de autoridade, que não assumam a função de segurança, referência e confiança de que ela necessita.

*Mario Corso é psicanalista, autor dos livros: Monstruário – Inventário de Entidades Imaginárias e de Mitos Brasileiros; Fadas no Divã: psicanálise nas histórias infantis e Psicanálise na Terra do Nunca: ensaios sobre a fantasia.


Thais C. Chies - thaispsico@espacodomquixote.com.br
Psicóloga do Espaço Dom Quixote