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A leitura como aliada no desenvolvimento da linguagem



Você já leu para seu filho hoje? 

Pesquisas do mundo todo mostram que a criança que lê e tem contato com a literatura desde cedo, principalmente se for com o acompanhamento dos pais, é beneficiada em diversos sentidos: ela aprende melhor, pronuncia melhor as palavras e se comunica melhor de forma geral. 

A leitura frequente ajuda a criar familiaridade com o mundo da escrita. Nos dias atuais a leitura está sendo esquecida pelos pais. Sim, por que vivemos em um mundo corrido, onde esta leitura que nossos filhos conhecem muitas vezes quem proporciona são as professoras da escola de educação infantil ou da escola regular. 

Mas será que ainda sabemos ler com nossos filhos? Sentar no chão, com um livro colorido, explorá-lo livremente faz com que a criança consiga ativar o mundo da imaginação e com isso estamos desenvolvendo ludicamente a linguagem e seus processos de fala. O contar e recontar uma história permite entrarmos em nossas fantasias e criamos um mundo colorido que através dele podemos observar atentamente a fala dos nossos filhos. 

Então, o que está esperando? 

Estimule seu filho a embarcar na aventura que só o bom leitor conhece.


Daniela Pinto - danielafono@espacodomquixote.com.br
Fonoaudióloga do Espaço Dom Quixote

Sentado em "W"


Sentar em “W” (w-sit) refere-se à postura assumida quando a criança senta-se no chão, com as pernas posicionadas no formato de um W (veja a figura). Esta é uma das muitas posições que uma criança pode assumir enquanto brinca sentada. A alternância entre posturas é extremamente benéfica para a criança, pois as transferências entre uma postura e outra ajudam a desenvolver os músculos do tronco e, principalmente, ajudam a formar as primeiras noções de equilíbrio e consciência corporal. 

No entanto, se a criança assume insistentemente a postura em “W”, então esta preferência pode vir a gerar problemas não só ortopédicos, mas também em relação ao desenvolvimento motor normal. 

O que a criança aprende enquanto brinca sentada 

Como exemplificado acima, é normal que a criança modifique constantemente sua postura durante uma atividade lúdica, assumindo inclusive a postura em “W”, sem que isso seja considerado prejudicial. Quando brincam desta forma, as crianças desenvolvem e aprimoram o controle muscular, assim são capazes de realizar rotações de tronco, inclinações, transferências de peso laterais, reações de proteção e trabalham também a dissociação de cinturas. Estas habilidades são primordiais para o desenvolvimento motor das crianças, influenciando inclusive o desenvolvimento da dominância manual. 

“Para se ter um bom controle distal é preciso ter boa estabilidade proximal”. Em outras palavras, para escrever, utilizar talheres, ou qualquer outra atividade que exija controle distal, é preciso que o tronco seja estável e ofereça boa sustentação aos músculos que vão movimentar o braço. Assim, se uma criança varia suas posturas sentadas e desenvolve o controle postural de tronco, então esta boa estabilidade proximal irá oferecer um melhor controle dos membros superiores, permitindo que elas manipulem livremente os brinquedos e desenvolvam suas habilidades manuais. 



O que acontece com o controle de tronco quando a criança permanece sentada em “W”

Na postura em “W”, a criança experimenta um grande aumento da base de sustentação quando comparada com outras posturas sentadas, isso lhe garante maior estabilidade estática e menor necessidade de ajustes posturais. Para entender o que isso significa, podemos comparar ao que acontece com nosso equilíbrio quando, de pé, afastamos as pernas (em outras palavras: ampliamos nossa base de sustentação). Saiba que nesta postura fica muito mais fácil manter o equilíbrio. 

Quando sentada em “W”, o centro de gravidade dificilmente ultrapassará a sua base de sustentação (a área ocupada pelo “W”), desta forma, os músculos do tronco terão pouco trabalho para manter o equilíbrio. Obviamente equilíbrio e estabilidade são coisas boas, no entanto, a instabilidade é essencial para desenvolver reações posturais e força nos músculos do tronco. 

O problema é que o “W” é tão estável que não permite à criança exercitar seu equilíbrio, também limita as rotações de tronco e as transferências de peso laterais, como aquelas que realizamos para alcançar um objeto. 

Uma criança pode escolher sentar-se em “W” simplesmente por não ter de se preocupar com equilíbrio enquanto manipula um brinquedo. Entretanto, esta também é uma postura muito conveniente para crianças com disfunção neuromotora, particularmente naquelas com hipotonia de base. Assim, crianças com Síndrome de Down, diplegia, e também naquelas com mielomeningocele (devido à fraqueza de tronco) podem preferir sentar-se em “W” por causa de sua dificuldade natural em manter o equilíbrio de tronco. 

Como resultado, ocorre um atraso nas aquisições de controle de tronco e equilíbrio devido ao não uso. Como a rotação de tronco está comprometida na postura em “W”, a orientação na linha média é afetada. Além disso, pela falta de transferências laterais e da capacidade de cruzar a linha média (levar a mão esquerda a alcançar um objeto no lado direito do corpo), a criança tende a usar a mão direita no lado direito do corpo e a mão esquerda no lado esquerdo do corpo, afetando o desenvolvimento da dominação manual.

Ponto de vista ortopédico 

Quando sentada em “W”, os quadris encontram-se no limite da rotação interna, predispondo a criança a problemas ortopédicos futuros. Nesta posição anormal, o risco de luxação do quadril é preocupante. Além disso, esta posição anormal favorece a instalação de encurtamentos e contraturas musculares, particularmente nos isquiotibiais, adutores do quadril e tríceps sural. A postura em "W" também pode afetar o desenvolvimento ósseo, favorecendo a anteroversão da cabeça do fêmur e rotação interna da tíbia. 



O que fazer? 

Orientações simples podem ser utilizadas: Se você perceber uma frequência na postura em “W”, basta ajudá-la a modificar a posição com suas próprias mãos, guiando-a, por exemplo, para a postura de pernas cruzadas e conversando com ela explicando que ela precisa endireitar as perninhas. O fato de uma criança sem disfunção neuromotora sentar-se em “W” é muito mais um hábito do que uma necessidade. Assim, desencorajar o hábito é a melhor pedida. Quanto às crianças com disfunção neuromotora, elas podem ficar muito inseguras e irritadas ao serem forçadas a assumir qualquer outra postura sentada. Neste caso, a ajuda dos pais é fundamental para desestimular o sentar em “W” em casa. Além disso, envolver a criança em atividades lúdicas manuais nas quais elas permaneçam em qualquer outra postura que não o “W” irá ajudar no desenvolvimento dos músculos do tronco e desenvolvimento do equilíbrio. 

Texto adaptado e retirado do blog: 
http://fisioterapiahumberto.blogspot.com.br/search/label/Fisioterapia%20Pediátrica


Letícia Salin - leticiafisio@espacodomquixote.com.br
Fisioterapeuta do Espaço Dom Quixote
Pós-graduanda em Traumato Ortopedia - Universidade Gama Filho (RJ)

Configurações Familiares


Intervenção Fonoaudiológica no Autismo



A perturbação autística apresenta comprometimento do desenvolvimento da linguagem expressiva, déficit na sintonia emocional e comportamento estereotipado e limitado. Esses aspectos já são percebidos antes dos três anos de idade e consequentemente afetam de modo geral a interação social. 

Nos dias atuais, a detecção do diagnóstico do autismo vem tomando conscientização, sendo descoberto nas idades iniciais e ocorrendo intervenção já após o diagnóstico. 

A intervenção nesta patologia deve ser adequada de acordo com as necessidades de cada criança, sendo de total relevância a compreensão dos componentes farmacológicos, comportamentais, educacionais e psicológicos. 

É imprescindível a intervenção precoce na estimulação da linguagem em crianças com autismo, sendo que o prognóstico desta é mais forte dos resultados no autismo, mesmo acontecendo ao longo prazo. 

O sintoma do autismo que os pais identificam inicialmente em seus filhos é o atraso/desenvolvimento atípico ou ausência total da linguagem. Esses déficits são evidentes tanto no nível da compreensão que abrange o processamento da informação verbal e não verbal, como na expressão, que são representados através de gestos, palavras, etc. Como há crianças autistas que apresentam ausência total da linguagem, há aqueles que apresentam o desenvolvimento da linguagem, no entanto essas em geral apresentam palavras isoladas ou inventadas, ecolalia, a fala parece vazia, repetitiva e sem contexto social. De uma forma geral, essas crianças tem uma grande dificuldade na capacidade de usar a linguagem como forma de comunicação. Os prejuízos dos domínios linguísticos afetam a semântica, pragmática, morfologia, sintática e fonológica. Tais alterações linguísticas confirmam a importância da atuação fonoaudiológica no trato dos pacientes com diagnóstico de autismo. 

Na infância é o momento essencial para o desenvolvimento das competências linguísticas, e a intervenção fonoaudiológica vem com intuito de estimular a criança com autismo a construir interações significativas para sua comunicação. Na atualidade existem uma série de propostas de intervenção terapêuticas da fala, mas cabe analisar o desenvolvimento e capacidade cognitiva de cada criança para que a escolha no modelo seja efetiva para prognóstico de cada paciente.



Bruna Martins Teixeira - brunafono@espacodomquixote.com.br
Fonoaudióloga do Espaço Dom Quixote

Diagnóstico e Intervenção em TEA


Saber esperar!



Quando vou a algum evento social, onde adultos e crianças precisam compartilhar um tempo no mesmo espaço, gosto de observar o comportamento das crianças. 

Após um período inicial de curiosidade e exploração do espaço e das pessoas que ali se encontram, se a criança não tiver um divertimento infantil, vai se estressar e estressar os adultos. Carregar crianças para um evento adulto e querer que eles tenham um comportamento elegante é exigir muito da paciência dos pequenos. 

Mas, o que percebo, é que muitas crianças não preenchem o tempo de exploração inicial e logo iniciam um processo de aborrecimento e chateação própria e da paciência dos adultos. Sim, porque muitos pais parecem não se importar com a manha, choramingos, cara feia e reclamações constantes. Ignoram as crianças e permitem que este comportamento inadequado se estenda e perturbe o convívio social dos demais. 

Este comportamento de exasperação infantil acontece em encontros familiares, espaços públicos como restaurantes, parques, praia, ... Percebo que as crianças não tem mais paciência para esperar por nada, querem tudo do seu jeito e na sua hora. 

Os franceses, segundo o livro “Crianças francesas não fazem manha", parecem coletivamente ter atingido o milagre de fazer bebês e crianças pequenas não apenas esperarem, mas fazerem isso com alegria. 

Dentre outras habilidades, os que sabem esperar são melhores em concentração, argumentação e não tendem a ruir em condições estressantes. 

Ter filhos que sabem esperar torna a vida familiar mais agradável. Possibilita fazer atividades em grupo, conhecer espaços públicos interessantes e manter o convívio social, mesmo após o nascimento dos filhos. 

É importante proporcionar às crianças atividades culturais, de enriquecimento, como a música, arte, teatro, museus. Mas as crianças não conseguem absorver essas experiências se não tiverem paciência e autocontrole ao invés de estarem ansiosos, irritados e exigindo coisas o tempo todo. Desenvolver a paciência possibilita que a criança desenvolva recursos internos para lidar com a frustração. 

Para desenvolver a paciência é preciso desenvolver a criatividade para poder divertir-se enquanto espera. É importante que saibam brincar sozinhos: “A coisa mais importante é que aprendam a ser felizes sozinhos.” 

Saber esperar enquanto leem um livro, montam um jogo, criam uma história são técnicas fáceis de desenvolver e ajudam as crianças a passar o tempo de forma mais tranquila. 

Nestes mesmos eventos sociais fico fascinada quando vejo crianças brincando sozinhas, fazendo novos amigos, observando curiosas por um tempo significativo algum bichinho que passa ao lado ou, mais impressionada, mantendo uma conversa com algum adulto ou outra criança. 

Pais que conseguem ajudar seus filhos a desenvolverem a paciência tem uma vida mais tranquila e a certeza de que enquanto os filhos crescem estão desenvolvendo habilidades fundamentais para um melhor convívio social.


Janete Cristiane Petry - janetepp@espacodomquixote.com.br
Psicopedagoga do Espaço Dom Quixote

Fisioterapia em Neuropediatria: por que realizar?



A Fisioterapia é uma ciência da Saúde que estuda, previne e trata os distúrbios cinéticos funcionais intercorrentes em órgãos e sistemas do corpo humano, gerados por alterações neurológicas, genéticas, traumáticas ou por doenças adquiridas. 

Suas principais funções são: melhorar a mobilidade, aliviar a dor, prevenir lesões e recuperar as funções não adquiridas e perdidas, utilizando de diversas técnicas. 

A Fisioterapia em Neuropediatria é o ramo da neurologia que se dedica ao estudo das doenças do desenvolvimento e maturação do sistema nervoso em crianças. Possui importância no controle de doenças com comprometimento neurológico. Quando ocorre uma lesão neurológica em uma criança, o fisioterapeuta analisa a sua motricidade e a sua funcionalidade através do seu desenvolvimento motor normal. Para realizar o tratamento de crianças com lesões neurológicas precisa-se conhecer o desenvolvimento motor normal (com todas as suas peculiaridades) para reconhecer o anormal. Assim, as etapas do desenvolvimento servem como guia no processo de diagnóstico e tratamento. 

A Fisioterapia tem um papel fundamental no processo de reabilitação neurológica, na medida em que interfere de modo decisivo nos aspectos motores, cognitivos e psicossociais. Atuando na inibição dos reflexos patológicos e primitivos persistentes, facilita assim o desenvolvimento gradual do controle motor postural. Portanto, realizando uma avaliação e acompanhamento adequado do comportamento anormal da criança, é possível aplicar um tratamento precoce proporcionando estímulos para recuperar e manter um padrão de sinergia motora próxima da normalidade que a ajude no seu desenvolvimento. O fisioterapeuta dispõe da possibilidade de proporcionar uma contribuição especial e inestimável às crianças que apresentam deficiência neurológica ou algum tipo de problema através do atendimento lúdico e terapêutico. 

As atividades lúdicas devem ocorrer de maneira intencional e planejada pelo fisioterapeuta durante os atendimentos, sendo um recurso que tem como finalidade facilitar ou conduzir aos objetivos estabelecidos. Embora para a criança a atividade lúdica possa ser considerada como brincar, busca-se o alcance dos objetivos estabelecidos durante a avaliação. Buscando integrar os objetivos fisioterápicos com atividades lúdicas e sociais, também levamos a criança a uma maior integração com sua família e a sociedade.


Letícia Salin - leticiafisio@espacodomquixote.com.br
Fisioterapeuta do Espaço Dom Quixote
Pós-graduanda em Traumato Ortopedia - Universidade Gama Filho (RJ)