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AEE – Atendimento Educacional Especializado



A educação da criança deficiente é um desafio constante para pais e educadores que buscam auxiliar os alunos no processo de inclusão. 

O Espaço Dom Quixote oferece o Atendimento Educacional Especializado (AEE), um serviço que busca identificar, elaborar e organizar recursos pedagógicos e de acessibilidade para os alunos portadores de deficiência ou transtorno do desenvolvimento, considerando suas necessidades específicas. 

O AEE complementa e/ou suplementa a formação do aluno, realizando um trabalho em conjunto com a escola, visando a autonomia e independência na escola e fora dela, através da adaptação de materiais, tecnologias assistivas e atendimento especializado e adequado às necessidades de cada estudante. 

O Atendimento Educacional Especializado é indicado para crianças com deficiência física, intelectual, sensorial, transtornos gerais do desenvolvimento e altas habilidades, atuando com crianças e adolescentes de todos os níveis de ensino, desde a educação infantil até o ensino médio.

Lugar de inclusão também é no cinema!



Acessibilidade, inclusão e adaptação são palavras que estão cada vez mais na mídia, nas escolas e na sociedade. As ruas, as escolas, os shoppings e todos os locais com livre acesso estão tendo que se adaptar para receber de maneira justa a todos: cegos, surdos, deficientes físicos e intelectuais. 

Com o cinema não pode ser diferente, as pessoas deficientes também tem o direito e devem ter a possibilidade de assistir e se divertir com filmes. Alguns filmes já estão sendo exibidos com audiodescrição, adaptação voltada aos deficientes visuais e intelectuais, e com transmissão de libras, voltado aos deficientes auditivos. No Festival de Cinema de Gramado sempre há uma ou duas sessões acessíveis. 

Em Novo Hamburgo, há um festival de curtas metragens onde as escolas do município são convidadas a repensar o cinema e a inclusão e criar curtas metragens inclusivos, que possam ser assistidos por todos.

Indico aqui o site www.filmesquevoam.com.br que oferece aos internautas curtas metragens infantis totalmente acessíveis, com tradução em LIBRAS e/ou audiodescrição para que todos consigam assistir e entender os filmes.


Clarissa Paz de Menezes - clarissapp@espacodomquixote.com.br
Psicopedagoga do Espaço Dom Quixote

Cursos da semana - Inclusão e Autismo

No dia 04 de outubro a psicopedagoga Clarissa Paz de Menezes esteve palestrando para os professores da Escola São José em São Leopoldo sobre inclusão e práticas inclusivas com a palestra "Inclusão, um desafio possível". Os professores puderam discutir o que está sendo feito a respeito da inclusão e como agir frente a casos desafiadores.

Já no dia 06 de outubro ocorreu no auditório do Espaço Dom Quixote a Oficina Estimulação de Crianças com Autismo ministrado pelas psicólogas Caroline Ciceri e Fabíola Scherer Cortezia, a fonoaudióloga Fernanda Helena Kley e a psicopedagoga Clarissa Paz de Menezes. A manhã foi inteiramente dedicada a atividades e dinâmicas que podem ser utilizadas com crianças com autismo e as 24 participantes puderam conhecer vários materiais e experimentarem elas próprias as atividades sugeridas.

Alguns dos materiais utilizados na oficina

Professores, profissionais da saúde e mães participaram

As profissionais do Espaço Dom Quixote

Atividade com o para-quedas

Todo mundo experimentando

Colocando "a mão na massa"

Brincando com música

O Espaço Dom Quixote pode ir até a sua escola para ministrar estas oficinas. Entre em contato conosco.

Semana da Pessoa com Deficiência



A Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla está ocorrendo do dia 21 ao dia 28 de agosto de 2012. Neste ano a FENAPAES (Federação Nacional das APAES) traz como tema a igualdade social com a seguinte reflexão: 

"Queremos uma igualdade que reconheça as diferenças e uma diferença que não reproduza as desigualdades."



Aproveitando este tema, no dia 18 de agosto, o filme "Colegas" venceu o Festival de Cinema de Gramado. Você já ouviu falar deste filme? Qual a relação dele com a inclusão? Descubra a seguir:


Estrelado por um trio de atores com Síndrome de Down, "Colegas", de Marcelo Galvão, faturou o Kikito de melhor filme da 40ª edição do Festival de Cinema de Gramado. A cerimônia de premiação foi realizada na noite deste sábado (18) no Palácio dos Festivais. De maneira leve, divertida e sem autopiedade, o road movie de Marcelo Galvão é uma aula de inclusão social. 

A jornada dos personagens Stallone (Ariel Goldenberg), Aninha (Rita Pokk) e Márcio (Breno Viola) arrancaram muitos risos da plateia na serra gaúcha. De longe, o filme foi o mais aplaudido durante e depois da sessão no Palácio dos Festivais. 

"Queria agradecer a essa equipe e a Rita, Ariel e Breno. A nossa projeção aqui foi maravilhosa. O filme foi aplaudido várias vezes em cena e de pé ao final. Isso para nós foi o maior prêmio", discursou Galvão após receber o Kikito das mãos do cineasta Arnaldo Jabor. 

Além de melhor filme, "Colegas" levou para casa os prêmios de direção de arte e especial do júri, para os atores Ariel, Rita e Breno. No palco, os três choraram e fizeram um discurso emocionado: "Nós somos Down perante a sociedade, mas perante Deus somos normais", disse Ariel. Exatamente como faz no filme, Breno arrancou gargalhadas da plateia: Ganhar esse periquito (Kikito) aqui é muito gratificante", brincou.

Assista ao trailer do filme:


Belo exemplo para refletirmos!


Fernanda Helena Kley - fernandafono@espacodomquixote.com.br
Fonoaudióloga do Espaço Dom Quixote
Pós-Graduanda em Neuropsicologia UFRGS

Atendimento Educacional Especializado - Afinal o que é isso?



Por muito tempo as crianças e os adolescentes com deficiência eram segregados do ensino regular, sendo enviados a espaços considerados especializados para atender a demanda destes alunos. Com o passar do tempo começou a perceber-se esta educação especial em uma perspectiva inclusiva, onde estas crianças e adolescentes poderiam frequentar a escola e classes regulares, deixando a antiga educação especial somente como um apoio ao ensino regular. 

Pensando através do viés inclusivo, dispositivos normativos passaram a vigorar com o intuito de estabelecer diretrizes, assim como assegurar a inclusão escolar. O decreto Nº 7.611, DE 17 DE NOVEMBRO DE 2011 é um destes documentos que visa estabelecer como deverá ocorrer os processos de inclusão e educação especial. 

No documento citado acima, se fala do Atendimento Educacional Especializado (AEE). Segundo a Política Nacional de Educação Especial, na perspectiva da Educação Inclusiva de 2008, o AEE tem como função eliminar as barreiras de aprendizagem da criança com deficiência, sendo que deve ser oferecido de forma complementar ao ensino regular, sempre no turno contrário. São passiveis do AEE alunos com deficiência, alunos com transtorno global do desenvolvimento e alunos com altas habilidades. O aluno que frequenta este atendimento, deverá ter matricula dupla, para que os recursos financeiros cheguem até a escola que atende este aluno. 

O AEE poderá ser oferecido nas salas de recursos multifuncionais das escolas ou em instituições comunitárias, desde que estas sejam conveniadas à Secretaria de Educação. O professor do Atendimento Educacional Especializado deve ter formação especifica em Educação Inclusiva e/ou Educação Especial, pois ele poderá orientar o professor da criança/adolescente que estará em atendimento.

O AEE é uma prática que tem como principal objetivo promover a aprendizagem do aluno e assim, facilitar o trabalho do professor.


Clarissa Paz de Menezes - clarissapp@espacodomquixote.com.br
Psicopedagoga do Espaço Dom Quixote

Terminologia Inclusiva



Muito interessante o trabalho de Romeu Kazumi Sassaki para corrigir alguns erros na linguagem. Confira algumas partes selecionadas abaixo. 
O texto completo encontra-se em: http://www.fiemg.com.br/ead/pne/Terminologias.pdf 

TERMINOLOGIA SOBRE DEFICIÊNCIA NA ERA DA INCLUSÃO 

Romeu Kazumi Sassaki

Consultor de inclusão social e autor dos livros Inclusão: Construindo uma Sociedade para Todos (5.ed., Rio de Janeiro: WVA, 2003) e Inclusão no Lazer e Turismo: em busca da qualidade de vida (São Paulo, Áurea 2003). E-mail: romeukf@uol.com.br

* Trabalho inserido nas seguintes publicações: 
VIVARTA, Veet (org.). Mídia e Deficiência. Brasília: Agência de Notícias dos Direitos da Infância / Fundação Banco do Brasil, 2003, p. 160-165. 
VIVARTA, Veet (org.). Medios de comunicación y discapacidad: análisis periodístico desde la ópticade los derechos del niño. Brasília: Save the Children Suecia, Agência de Notícias dos Direitos da Infância e Fundação Banco do Brasil, 2004, p. 160-165. 
SASSAKI, Romeu Kazumi. Terminologia sobre deficiência na era da inclusão. Revista Nacional de Reabilitação, São Paulo, ano 5, n. 24, jan./fev. 2002, p. 6-9. 


1. Adolescente normal: 
Desejando referir-se a um adolescente (uma criança ou um adulto) que não possua uma deficiência, muitas pessoas usam as expressões adolescente normal, criança normal e adulto normal. Isto acontecia muito no passado, quando a desinformação e o preconceito a respeito de pessoas com deficiência eram de tamanha magnitude que a sociedade acreditava na normalidade das pessoas sem deficiência. Esta crença fundamentava-se na ideia de que era anormal a pessoa que tivesse uma deficiência. A normalidade, em relação a pessoas, é um conceito questionável e ultrapassado. TERMOS CORRETOS: adolescente (criança, adulto) sem deficiência ou, ainda, adolescente (criança, adulto) não-deficiente. 

8. Criança excepcional:
TERMOS CORRETOS: criança com deficiência intelectual, criança com deficiência mental. Excepcionais foi o termo utilizado nas décadas de 50, 60 e 70 para designar pessoas com deficiência intelectual. Com o surgimento de estudos e práticas educacionais nas décadas de 80 e 90 a respeito de altas habilidades ou talentos extraordinários, o termo excepcionais passou a referir-se tanto a pessoas com inteligências múltiplas acima da média [pessoas superdotadas ou com altas habilidades e gênios] quanto a pessoas com inteligência lógico-matemática abaixo da média [pessoas com deficiência intelectual] daí surgindo, respectivamente, os termos excepcionais positivos e excepcionais negativos, de raríssimo uso. Consultar SASSAKI (2003). 

11. Deficientes físicos (quando se referir a pessoas com qualquer tipo de deficiência):
TERMO CORRETO: pessoas com deficiência (sem especificar o tipo de deficiência). 

14. Doente mental (quando se referir a uma pessoa com deficiência intelectual):
TERMO CORRETO: pessoa com deficiência intelectual (esta deficiência ainda é conhecida como deficiência mental). O termo deficiente, usado como substantivo (por ex.: o deficiente intelectual), tende a desaparecer, exceto em títulos de matérias jornalísticas por motivo de economia de espaço. Consultar RIO DE JANEIRO (c. 2001). 

25. Escola normal:
No futuro, quando todas as escolas se tornarem inclusivas, bastará o uso da palavra escola sem adjetivá- la. TERMOS CORRETOS: escola comum; escola regular. 

37. Necessidades educativas especiais:
TERMO CORRETO: necessidades educacionais especiais. “A palavra educativo significa algo que educa. Ora, necessidades não educam; elas são educacionais, ou seja, concernentes à educação” (SASSAKI, 1999). O termo necessidades educacionais especiais foi adotado pelo Conselho Nacional de Educação / Câmara de Educação Básica (Resolução nº 2, de 11-9-01, com base no Parecer CNE/CEB nº 17/2001, homologado pelo MEC em 15-8-01). Esta Resolução, durante o ano de 2005, está sendo reformulada pelo CNE. Consultar CNE (2001). 

42. Pessoa normal:
TERMO CORRETO: pessoa sem deficiência; pessoa não-deficiente. A normalidade, em relação a pessoas, é um conceito questionável e ultrapassado. 

47. Portador de deficiência:
TERMO CORRETO: pessoa com deficiência. No Brasil, tornou-se bastante popular, acentuadamente entre 1986 e 1996, o uso do termo portador de deficiência (e suas flexões no feminino e no plural). Pessoas com deficiência vêm ponderando que elas não portam deficiência; que a deficiência que elas têm não é como coisas que às vezes portamos e às vezes não portamos (por exemplo, um documento de identidade, um guarda-chuva). O termo preferido passou a ser pessoa com deficiência. Aprovados após debate mundial, os termos “pessoa com deficiência” e “pessoas com deficiência” são utilizados no texto da Convenção Internacional de Proteção e Promoção dos Direitos e da Dignidade das Pessoas com Deficiência, em fase final de elaboração pelo Comitê Especial da ONU. Consultar SASSAKI (2003). 

Acesse: http://www.fiemg.com.br/ead/pne/Terminologias.pdf para ver o texto completo e as referências!


Luciana Steffen - lucianamt@espacodomquixote.com.br
Musicoterapeuta do Espaço Dom Quixote
Mestranda em Teologia (Gênero na Musicoterapia) - EST

Capacitação para professores sobre Inclusão

No sábado, dia 10 de março, o Espaço Dom Quixote promoveu uma capacitação para os professores e coordenadores pedagógicos das crianças atendidas no grupo de Ambientoterapia do Espaço.

Foi uma manhã de muitas informações e discussões a respeito do processo de inclusão dos alunos com necessidades educativas especiais.

As profissionais do Espaço Dom Quixote explanaram sobre como as escolas devem se preparar para receber os alunos de inclusão, qual deve ser a metodologia utilizada e qual o papel do professor neste processo. Também foi explicado o que é Ambientoterapia e como este grupo ocorre.

O estreitamento das relações entre escola e profissional especialista beneficia o aluno, auxiliando-o tanto no ambiente escolar quanto no clínico.

Veja fotos do encontro:



Para mais informações sobre a Ambientoterapia, acesse o link:

A deficiência e o mercado de trabalho


Conforme a criança vai crescendo, vão surgindo os questionamentos sobre qual a profissão que ela irá seguir, qual será o seu local de trabalho. E com as crianças que tem alguma deficiência, como fica esta questão?

Hoje em dia há inúmeras oportunidades para as Pessoas com Deficiência (PCD) em diversas empresas. Já passou a época em que estas pessoas não conseguiam exercer nenhuma função profissional e eram discriminadas na procura por emprego.

Para auxiliar em mais este processo de inclusão, o Governo Federal promulgou a Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, a qual determina que seja reservada nas empresas uma cota para PCDs. O percentual leva em conta o número de empregados. Empresas com 100 a 200 funcionários devem preencher 2% de seus cargos com beneficiários reabilitados ou pessoas com deficiências; para as empresas com 201 até 500 empregados, o percentual é de 3%; de 501 a 1000 funcionários, o percentual é de 4%; e de 1001 em diante é de 5%.

Um exemplo de empresa que está abrindo vagas para pessoas com deficiência é a Universidade Feevale. A Feevale possui o programa "INOVE - Inclusão Organizacional / Social de Valores Especiais" que tem como objetivo desenvolver ações que visem à inclusão de Pessoas com Deficiência no quadro de funcionários, tendo como foco a disponibilização de vagas e possibilidades para permanência e crescimento na Instituição, respeitando suas peculiaridades. A Instituição é comprometida com o desenvolvendo do potencial das PCDs e contribui para a construção de uma sociedade de respeito e valorização das diferenças. Alguns dos benefícios oferecidos aos funcionários da Feevale são: plano de assistência médica e odontológica; vale–transporte; auxílio creche; convênio Farmácia; descontos e bolsas integrais para curso de graduação e especialização. Quem tiver interesse pode se cadastrar no site www.feevale.br/inove.

Além da Feevale, outras empresas, tanto pequenas quanto maiores, têm vagas disponíveis. Cada vez mais as empresas estão explorando as potencialidades de cada sujeito e percebendo que as diferenças agregam valores e que as histórias de superação motivam a todos.

Ainda há muito o que ser feito nesta área, a maioria das empresas têm dificuldades em atingir o exigido pela lei e não contam com a estrutura necessária para receber estes novos empregados, mas os avanços estão começando a aparecer e as pessoas com deficiência devem cada vez mais exigirem o seu espaço de direito.


Fernanda Helena Kley - fernandafono@espacodomquixote.com.br
Fonoaudióloga do Espaço Dom Quixote
Pós-graduanda em Neuropsicologia (UFRGS)

Curso Inclusão: na prática, como fazer?

Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla



Do dia 21 a 28 de agosto de 2011 será comemorada a Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla e várias atividades em todo o País serão realizadas para ampliar o conhecimento a cerca das questões da deficiência e sua inclusão no meio social.

O Espaço Dom Quixote também está realizando atividades especiais nesta semana:

- Na terça-feira dia 23 de agosto às 19 horas, haverá a quarta palestra do Ciclo de Palestra sobre Síndrome de Down com o tema "Terapia Ocupacional e Psicomotricidade: socialização, estimulação e vivência";

- Dos dias 24 a 27 de agosto, alguns integrantes do Espaço Dom Quixote estarão participando do Congresso Internacional sobre Autismo em Curitiba - PR apresentando, em mesa redonda, os resultados da pesquisa realizada com as crianças que participam do grupo da Ambientoterapia;

- Dia 25 de agosto no município de Charquedas, haverá curso sobre "Inclusão" para os professores da rede municipal em uma parceria com a APAE deste município.

O tema da Semana neste ano é "A pessoa com deficiência quebra a cultura da indiferença. Tenha coragem de ser diferente."

A inclusão das pessoas com deficiência é fundamental para que seja cumprido a exigência de educação para todos, com qualidade de educação. A inclusão escolar e a inclusão social transformam não apenas a pessoa com deficiência, mas toda a sociedade se modifica, ampliando o respeito às diferenças. Todos têm as suas potencialidades e podem contribuir para o desenvolvimento da nossa sociedade.

Lugar de criança com deficiência é na escola, local que deve ter condições de atender a todos e somar esforços para garantir condições educacionais a todos.


Fonoaudióloga do Espaço Dom Quixote

Pós-Graduanda em Neuropsicologia (UFRGS)

Música: uma proposta de inclusão


A Musicoterapia cada vez mais mostra sua eficácia para pessoas com deficiência. É um grande meio de inclusão, onde pessoas com e sem deficiência podem participar de uma mesma atividade musical, cada um com suas capacidades e limitações.

Pessoas com deficiência reagem às experiências musicais exatamente da mesma forma que pessoas sem deficiência. Na Musicoterapia, a música facilita as potencialidades das pessoas com deficiência e isso é de grande importância, pois pode amenizar ou até resolver as dificuldades que apresentam, sejam elas de expressão, de comunicação, de socialização e/ou motoras.

A dificuldade em alguma das áreas (sensorial, emocional e/ou intelectual) prejudica as outras, pois todas estão interligadas. A música oferece experiências que estimulam todas as áreas ao mesmo tempo, integrando-as, oferecendo deste modo a melhor maneira de desenvolvê-las. Consegue-se assim, através da música, um desenvolvimento mais abrangente, pois desenvolve mente, corpo e emoção e ameniza as limitações físicas, sociais ou mentais que a pessoa possui.

A música é uma forma de comunicação não verbal, trazendo assim uma gama de possibilidades para uma pessoa com dificuldades de expressão e comunicação, permitindo o estabelecimento ou restabelecimento de contato social sem o uso da fala. Neste caso, a Musicoterapia se torna mais eficaz do que outras terapias. A fala também é desenvolvida através de canções, jogos musicais, entre outros. Há muitos casos de pessoas que recuperaram parcialmente ou totalmente a fala através da Musicoterapia.

A Musicoterapia também se mostra eficaz para aliviar tensões, promover o equilíbrio emocional, aumentar a autoestima, a autonomia e motivação. A música trabalha a razão e a emoção, proporciona momentos lúdicos e libera endorfinas. Há comprovações de que a música aciona a mesma área do cérebro ativada pelo prazer da alimentação, sexo e drogas, trazendo um significante benefício para o bem estar físico e mental.

Por ser prazerosa, a música motiva as pessoas com deficiência a desenvolverem as áreas que apresentam maiores dificuldades. Na deficiência física a vontade de tocar um instrumento permite a estimulação do desenvolvimento motor. O campo motor é trabalhado com o ritmo, movimentos associados à música, dança, instrumentos musicais e expressão corporal, estimulando a coordenação motora, tônus muscular, entre outros.

A integração social é desenvolvida na Musicoterapia, pois a música permite que todos participem da mesma atividade de diferentes maneiras, em diferentes níveis e diferentes tipos de participação, acolhendo a todas e todos.

Além disso, a música estimula o aprendizado global, trabalhando a memória, a atenção e concentração, o que reflete positivamente nos processos de alfabetização e escrita.

O autor Willems relaciona o ritmo com a vida fisiológica, estando ligado e sendo capaz de desenvolver as questões corporais, a harmonia com o lado intelectual, estimulando a ordem e lógica ao pensamento e a melodia com a vida afetiva, expressando e influenciando-a.

A autonomia é desenvolvida através da independência do paciente no fazer musical, das escolhas (escolher um repertório, um instrumento) entre outros, e essas questões perpassam o ambiente terapêutico refletindo em uma pessoa com mais autonomia no seu dia a dia. Quanto maior a autonomia, mais a pessoa aprende a se virar sozinha, mais independente se torna. O desenvolvimento das relações intra e interpessoais, da autoestima, do âmbito motor e da comunicação contribui para a integração da pessoa com deficiência na sociedade.

Assim, a Musicoterapia contribui no processo integral de todo ser humano, sendo de importância tanto para pessoas com deficiência, como sem deficiência. Os benefícios que a Musicoterapia traz para pessoas com deficiência são: aumento do contato visual, maior vocalização, maior interação social, melhora na memória e atenção, maior desenvolvimento motor, aumento da capacidade de aprendizagem, maior expressão e desenvolvimento emocional, entre outros.

Pessoas com deficiência podem também aprender um instrumento musical, havendo dificuldades nos membros superiores, podem aprender a tocar um instrumento com os pés, como o violão, apresentando uma agilidade incrível. Pessoas não alfabetizadas podem aprender a ler a notação musical e também se alfabetizar através da música.

Para saber mais:

Blood AJ and Zatorre RJ. Intensely pleasurable responses to music correlate with activity in brain regions implicated in reward and emotion. Proc Natl Acad Sci U S A. 2001 September 25; 98(20): 11818-11823.
WILLEMS, Edgar. El valor humano de la educación musical. Barcelona: Paidós, 1981.
RUUD, Even. Caminhos da Musicoterapia. São Paulo: Summus, 1990.

Fique atento! Em breve o Espaço Dom Quixote irá promover o curso “INCLUSÃO: uma prática possível”, um curso transdisciplinar envolvendo diferentes deficiências com atividades práticas para pais, professores e demais profissionais e interessados.


Luciana Steffen – lucianamt@espacodomquixote.com.br
Musicoterapeuta do Espaço Dom Quixote