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A educação proibida



Está na hora de pensarmos em novas possibilidades de ensino. Os tempos mudaram e a escola também deve mudar.

Este filme convida os espectadores a refletirem a respeito da educação, repensando o presente para modificar o futuro.

Assista pelo link: http://www.youtube.com/watch?v=-t60Gc00Bt8


Clarissa Paz de Menezes - clarissapp@espacodomquixote.com.br
Psicopedagoga do Espaço Dom Quixote




AEE – Atendimento Educacional Especializado



A educação da criança deficiente é um desafio constante para pais e educadores que buscam auxiliar os alunos no processo de inclusão. 

O Espaço Dom Quixote oferece o Atendimento Educacional Especializado (AEE), um serviço que busca identificar, elaborar e organizar recursos pedagógicos e de acessibilidade para os alunos portadores de deficiência ou transtorno do desenvolvimento, considerando suas necessidades específicas. 

O AEE complementa e/ou suplementa a formação do aluno, realizando um trabalho em conjunto com a escola, visando a autonomia e independência na escola e fora dela, através da adaptação de materiais, tecnologias assistivas e atendimento especializado e adequado às necessidades de cada estudante. 

O Atendimento Educacional Especializado é indicado para crianças com deficiência física, intelectual, sensorial, transtornos gerais do desenvolvimento e altas habilidades, atuando com crianças e adolescentes de todos os níveis de ensino, desde a educação infantil até o ensino médio.

Como educar filhos



Uma mensagem especial para os pais, na criação de seus filhos. 

Na educação de nossos filhos 
Todo exagero é negativo. 
Responda-lhe, não o instrua. 
Proteja-o, não o cubra. 
Ajude-o, não o substitua. 
Abrigue-o, não o esconda. 
Ame-o, não o idolatre. 
Acompanhe-o, não o leve. 
Mostre-lhe o perigo, não o atemorize. 
Inclua-o, não o isole. 
Alimente suas esperanças, não as descarte. 
Não exija que seja o melhor, peça-lhe para ser bom e dê exemplo. 
Não o mime em demasia, rodeie-o de amor. 
Não o mande estudar, prepare-lhe um clima de estudo. 
Não fabrique um castelo para ele, vivam todos com naturalidade. 
Não lhe ensine a ser, seja você como quer que ele seja. 
Não lhe dedique a vida, vivam todos. 
Lembre-se de que seu filho não o escuta, ele o olha. 
E, finalmente, quando a gaiola do canário se quebrar, não compre outra... 
Ensina-lhe a viver sem portas. 

Autora: Eugênia Puebla 


Fabíola Scherer Cortezia - fabiola@espacodomquixote.com.br
Psicóloga do Espaço Dom Quixote
Especialista em Infância e Adolescência

Crianças francesas não fazem manha



Para muitos pais educar os filhos é uma tarefa estressante. Crianças não vêm com manual para conhecermos suas necessidades, dores e técnicas de cuidado e manejo adequados. Pensar no futuro deles, o que os espera, se estarão preparados, qual a melhor escola, amigos adequados, são muitas as dúvidas que assolam os pensamentos dos pais, principalmente os de primeira viagem. 

A maneira de educar as crianças é influenciada pelas tradições familiares, pela cultura da sociedade, pelas ideias de especialistas e médicos. Isso tudo é muita informação para que os pais tomem suas próprias decisões sem medo de errar ou “estragar” os filhos. 

A comparação entre as maneiras de ver e educar as crianças chegou à observação da cultura norte-americana e francesa de educação e rendeu alguns filmes e livros que tratam deste assunto. 

Comprei o livro que dá título a este texto e achei interessantes algumas colocações feitas pela escritora, uma americana, residente em Paris e observadora dos costumes franceses de educar os filhos. Ela mesma mãe de 3 crianças e que percebia a diferença nos costumes e maneira de tratar as crianças entre as duas sociedades. 

Logo no início do livro ela comenta da superproteção dos filhos e de como é importante prestar mais atenção à educação das crianças, do que pode ser bom para elas realmente e não se antecipar. O modelo de educação americano recomenda que as crianças sejam muito estimuladas, que sejam iniciadas nas artes, nos esportes, na escolarização cada vez mais cedo para que estejam preparadas no mundo competitivo em que vivemos e não se frustrem por não terem condições de superar outros. Esta é uma educação exaustiva e estressante na qual as crianças são expostas e acabam por mostrar um comportamento estressado e inquieto, tão prejudicial e incômodo. 

Observando a maneira da educação francesa, a escritora diz que todo mundo mais ou menos usa as regras básicas sem perceber. Os pais parisienses são zelosos quanto a conversar com os filhos, mostram a natureza a eles e leem muitos livros. Eles os levam para aulas de tênis, de pintura, e museus interativos de ciências. Os franceses conseguem ser envolvidos sem ser obcecados pelos filhos. Eles acham que mesmo os bons pais não estão a serviço constante dos filhos e que não há necessidade de sentir culpa por isso. 

Eles querem que os filhos sejam estimulados, mas não o tempo todo. Eles querem que as crianças ajam como crianças, que brinquem, que tenham tempo livre ao invés de estarem inscritos em todos os cursinhos e escolinhas para estimular sua inteligência e melhorar seu desempenho em alguma coisa. 

Parece que a maneira francesa de criar e educar os filhos, é menos estressante e cheia de compromissos que a maneira americana. Será esta uma educação mais feliz e bem-sucedida? 

A escritora Pamela Druckerman segue observando e pesquisando os hábitos franceses à medida que vai se inserindo na cultura e rotina parisienses. A entrada da filha na escola e a convivência com as famílias francesas ajudam a compreender como as crianças são tratadas, educadas e incentivadas a serem adultos tranquilos, felizes e adequados nas diferentes situações que se lhes apresenta a vida. 

Escolher a melhor educação para os filhos não é tarefa fácil, principalmente nos dias de hoje onde tantas teorias, ensinamentos e costumes são questionados. Esta análise do livro segue em outros textos, mas o mais importante é amar de forma incondicional seus filhos e isto não significa sem dar limites, sem prepará-los para a vida, mas observando o que realmente as crianças precisam, não antecipar suas necessidades.


Janete Cristiane Petry - janetepp@espacodomquixote.com.br
Psicopedagogia do Espaço Dom Quixote

Tecnologias a serviço da educação

Há alguns dias recebi pelo Facebook o seguinte vídeo: 


Acesse também pelo site: http://www.youtube.com/watch?v=XMqcd-BIDl8 

Após assistir, me indignar com a má educação do menino e refletir sobre o que ele realmente estava dizendo, comecei a compartilhar entre meus amigos, em especial com aqueles que trabalham com educação e crianças. Claro que o tradicional é importante, mas precisamos nos dar conta que tanto no âmbito clínico, quanto dentro de sala de aula inovar é importante! A escola precisa evoluir juntamente com os sujeitinhos que chegam nas nossas salas, sejam de aula ou de atendimento. 

A educação hoje, tanto em sala de aula quanto no consultório, já permite e pede o uso de computadores, videogames, tablets, e smartphones. Cabe a nós, adultos, perdemos a resistência e tentarmos nos render às tecnologias. Quem sabe relembrar dos tempos do Atari, voltar a jogar pacman? É uma ótima oportunidade de pedir para o filho ou o sobrinho ensinar a jogar o Wii ou o Play, e quem sabe pedir emprestado o videogame do primo e fazer uma competição em sala de aula, calculando os pontos, criando regras. Aplicando o videogame na aprendizagem formal das crianças! 

A tecnologia está cada vez mais a serviço da educação, há uma gama imensa de aplicativos para smartphones e tablets que são gratuitos e que podem e devem ser utilizados no auxilio da aprendizagem da criança, com moderação, claro! Sites com joguinhos educativos surgem todos os dias na internet e muitos destes podem ser baixados e jogados offline (caso não haja internet disponível).

Para os dispositivos com sistema operacional iOS (iphones, ipods e ipads): 


Os aplicativos da TOCA BOCA AB são joguinhos totalmente interativos e intuitivos, fáceis de usar que agradam crianças de todas as idades. Alguns são pagos e outros gratuitos, mas seguido eles disponibilizam jogos grátis por 24 horas. 






Há também os Talking Friends desenvolvidos pela Outfit7 que também é disponibilizado para android e que pode ser um ótimo auxilio para crianças com dificuldade de fala. 









A CJ Educations tem um joguinho chamado Play123 muito interessante, o jogo é em inglês, mas muito fácil de compreender e jogar! Ainda há jogos da Pampers, da Fisher Price, do canal Gloob. 




Já para os dispositivos com sistema operacional Android também há muitos aplicativos que podem ser utilizados: 



A Tizzy Labs oferece, tanto para Android quanto para iOS, aplicativos educativos fáceis e interativos para crianças de todas as idades. 






 A Zoodles oferece o aplicativo Kid Mode, que além de proteger o aparelho de ligações indesejadas por parte dos pequenos, determina que videos e jogos eles podem utilizar! O aplicativo é totalmente em inglês, mas é bastante intuitivo. 




 A romeLab também oferece uma infinidade de aplicativos como quebra-cabeças, jogos de colorir e jogos que ensinam letras e números. Gratuitos na sua grande maioria. Ainda há jogos da Rovio, Disney, Gameloft, Zakeh entre muitos outros! 





A App Store e a Google Play tem uma infinidade de jogos e livros gratuitos disponíveis para divertir e auxiliar as crianças desde o aprendizado das letras até questões de atividades de vida diária, basta ter um pouco de paciência e liberar a criança que existe em cada um para se divertir nos joguinhos disponíveis. 

Em relação ao mundo virtual, o Google pode ser o melhor amigo do professor na hora de buscar jogos, mas é sempre importante pesquisar a procedência dos sites para evitar a contaminação por vírus! 

Alguns sites com jogos interessantes são: 
http://www.discoverykidbrasilbr.com 
http://www.iguinho.com.br 
http://www.maquinadequadrinhos.com.br/ 
http://www.guiadoscuriosos.com.br/ 
http://criancas.terra.com.br/ 
http://www.atividadeseducativas.com.br/ 

Nunca é demais relembrar, a criança sempre deve ter a supervisão e orientação de um adulto ao acessar qualquer site ou aplicativo, e o mesmo não deve ser dado somente para matar tempo em sala de aula ou no consultório, mas sim com um objetivo específico e bem fundamentado!


Clarissa Paz de Menezes - clarissapp@espacodomquixote.com.br
Psicopedagoga do Espaço Dom Quixote

A escola dos meus sonhos!



Como é a escola perfeita? Como seria a escola dos sonhos dos nossos alunos?


Será que alguém já parou pra pensar o que as crianças esperam da escola? Afinal, a escola é feita para eles, porém eles são os menos ouvidos e dificilmente seus desejos são levados em conta na hora de se montar o currículo e o calendário escolar!


Engana-se que a escola dos sonhos das nossas crianças é feita só de brincadeiras e guloseimas! Alguns alunos de 4º e 5º ano de uma escola de NH responderam esta pergunta...e alguns surpreenderam com suas respostas!


Como é a escola perfeita para você?

Para a Deize – 5º ano

“Uma escola cheia de amizade. Que todos alunos ajudem um aos outros.”

“Eu queria que meus colegas não brigassem e que fossem bem respeitosos. Que eles tivessem amor uns pelos outros.”


“Eu queria que tivesse bolo e chocolate quente e suco para tomar no almoço.”

“Eu queria que as professoras fossem amorosas e que escutassem o que o aluno fala para ela.”

“Que a pracinha fosse cheia de fantasias e com um escorregador bem grande.”


Para a Maria Eduarda – 4º ano

“Salas decoradas com coisas que as crianças gostem.”

“Com cores alegres e colegas divertidos que não sejam tão espoletas.”


“A professora perfeita não xinga o tempo todo e me deixa sair mais cedo para o recreio.”

“Muitas vagas para quem quiser estudar. É só fazer a matrícula, pegar o atestado e já tá na escola.”

Para o Sidinei- 4º ano

“Com sala de aula e o pátio limpos.”

“Com alunos que cuidam da escola e não quebram nada.”

“Com alunos que não briguem e respeitam os outros.”

Para a Natália – 4º ano

“Eu quero ter uma professora que dê texto no quadro, que também seja legal e passe bastante matemática e ensine a falar inglês na aula. Ter brincadeiras em aula e jogos novos.”

“Eu quero ter muita leitura nas aulas.”


“Eu quero que tenha rede nas goleiras e rede de vôlei.”

“Tem que ter refeitório e uma sala de informática com computadores que funcionem.”

“Eu quero que na sala de aula tenha estantes novas.”

“Com uma professora inteligente e legal.”

Para a Bettina – 5º ano

“Professores experientes e interessados pelo aprendizado dos alunos.”

“Alunos dispostos a aprender, com boa vontade, comportados e bem educados.”

“Uma boa estrutura de lazer educativo, onde todos possam ter um rendimento escolar positivo.”

“Familias que acompanhem o aprendizado escolar de seus filhos, para que a familia seja uma extensão da escola, para que assim todos envolvidos num mesmo objetivo, façam a diferença para um futuro melhor para nossas crianças, assim temos a esperança de um mundo mais justo.”

“Uma escola perfeita não precisa ter grandes coisas, uma boa educação e um bom aprendizado tá ótimo!”

Para a Tainá – 5º ano

“A escola perfeita tem que ter muitos brinquedos na pracinha e banheiros lindíssimos e limpos.”

“A professora perfeita seria aquela que ensinasse bastante e brigasse menos.”

“Os colegas perfeitos seriam aqueles que respeitassem a professora e não brigassem.”

“A escola perfeita deveria ter aulas de dança, capoeira e muitas outras coisas legais. Muitos passeios e uma diretora legal.”

Ao ver a resposta deste grupo de crianças, percebemos que não é tão impossível assim construir a escola perfeita para nossas crianças!

E para você, como é a escola perfeita?




Clarissa Paz de Menezes - clarissapp@espacodomquixote.com.br

Psicopedagoga do Espaço Dom Quixote

Filho na adolescência, e agora?


E agora é mais um daqueles momentos em que você não sabe o que fazer. Como quando soube que estava grávida, quando descobriu que seria pai. Quando o seu filhote tão indefeso foi para a escola, e o pior, ficou sozinho. Resmungou, mas não olhou para trás. Depois de cada momento desses, você respirou fundo e continuou. Afinal, são etapas que todos os pais passam e passarão. Agora você vê seu filho, sua responsabilidade tomando novamente novas formas, desafiando, brigando e pedindo para voar. Aí você se pergunta: e agora? O que está acontecendo com meu filho que acompanhava e concordava com tudo?

Pois bem, ao mesmo tempo em que você se pergunta isso, seu adolescente se olha no espelho e vê nítidas mudanças que não se deixam esconder. Procurando no seu desespero, no seu desencontro, uma maneira de descobrir o que fazer com isso tudo. Pois ele sabe, sem você ter percebido, que já perdeu o seu encanto infantil. Ao mesmo tempo em que família, sociedade, escola e amigos começam a lhe cobrar maturidade: “você não é mais criança”. Um misto de deixar de ser e começar a se tornar toma conta, nenhuma responsabilidade pode ser assumida, assim como nenhuma atitude infantil é aceita. É preciso ter atitudes maduras. Mas que atitudes maduras são essas que se espera de um adolescente de 15 anos? Reformularei a questão: como você foi aos 15 anos? Teve uma adolescência plena e feliz sempre? Teve apoio de seus pais? Pôde questionar sobre as milhares questões que seu corpo pedia resposta? Teve toda a liberdade que queria?

Devemos desmistificar a ideia que nós adultos criamos sobre a adolescência como uma fase plena e feliz, de liberdade total e onde não há preocupações. Claro que há preocupações, vejamos as mudanças físicas, psíquicas e as decisões que guiarão toda a trajetória adulta e por onde criamos nossos parâmetros de vida.

Criam-se ideais de felicidade que naturalmente não são encontrados pelos adolescentes, gerando frustrações por não saber encontrar esta felicidade e este gozo que é obrigatório. O adolescente revolta-se porque quer ser feliz. Enfrenta, pois lhe mandam tomar uma atitude. Junto a tudo isso se deixa de escutar um pedido de atenção: “ou me deixam crescer ou cuidam de mim”.

Aos pais, cabe a tarefa de lembrar sua adolescência, suas dúvidas e medos. Reconhecendo que agora é um daqueles momentos de mudança, de transição. Uma fase como outra qualquer, fantasiada de festa, mas coberta de insegurança.

Ao adulto cabe olhar para si próprio, tendo a capacidade de abrir os olhos, os ouvidos e o coração. Pois são essas ferramentas que os aproximarão daqueles que se sentem rejeitados do resto do mundo.

Deixemos de instruir apenas o que parece óbvio e prático: não use drogas, use camisinha, espere, comporte-se como adulto. E passemos a pensar nas instruções mais fundamentais: os pais estarão sempre ao seu lado, não tenha pressa, descubra aquilo que você goste. E goste.

Demonstre ao adolescente o carinho que não foi embora com a infância, mas que reconhece a necessidade de sair debaixo da asa (aos poucos, já que não é tarefa fácil).

Bons adultos e adolescentes felizes são formados dentro de casa, com o suporte familiar e com tranquilidade para perceber que qualquer fase, problema ou medo pode ser superado.

Devemos lembrar e respeitar o momento que muitas vezes não é totalmente feliz. De fato não estamos sempre felizes. Portanto, abra espaço para o diálogo, para a aproximação, para o não e para a revolta com o mundo. Pois é neste momento que descobrimos e avaliamos o que é bom, ruim, justo e injusto.

Sejamos solidários, abertos. Respire fundo, dê a mão, um abraço. Não tenha medo de dizer não, seja firme. Mas esteja aberto a persuasão. Não feche os olhos, mantenha-se atento a tudo e a todos, pois você ainda é responsável por aquilo que cativas.

Abra o coração, seja flexível, amigo. Leve, busque, acompanhe, saiba onde está. Você, apesar de qualquer dificuldade deve continuar, acreditar, amar. Pois você é acima de qualquer coisa, espelho mais fiel que ele pode ter.

Este não é um manual, um guia e não tenta responder nenhuma questão fielmente. Busca apenas abrir novos pontos de interrogação. Outra forma de pensar a adolescência e o adolescente, pois este é um assunto interminável. Uma maneira de tornar o assunto mais leve e simples.

E agora? E agora só você pode responder essa pergunta.


Caroline Ciceri - carolinepsico@espacodomquixote.com.br
Psicóloga do Espaço Dom Quixote

Criança e Consumo


Durante o Fórum Social Temático 2012 foi realizada a oficina “CRIANÇA E CONSUMO: OS DONOS DO CARDÁPIO INFANTIL” onde foi elaborada uma carta aberta à sociedade para conscientização sobre este assunto tão pertinente. Abaixo segue a carta na íntegra:

CARTA ABERTA CRIANÇA E CONSUMO

Os participantes da oficina CRIANÇA E CONSUMO: OS DONOS DO CARDÁPIO INFANTIL, realizada no Fórum Social Mundial Temático 2012, por iniciativa do Núcleo Interdisciplinar de Prevenção de Doenças Crônicas na Infância da Pró-Reitoria de Extensão da UFRGS e do e-grupo Criança e Consumo (criancaeconsumo1@gmail.com), decidiram pela publicação desta carta em alerta à população e às autoridades quanto aos riscos à saúde decorrentes de uma alimentação inadequada, baseada em produtos industrializados que contêm altas taxas de gorduras, sal e açúcar e baixo valor nutricional.

Como conseqüência:

1. o excesso de peso, em 2008-2009, já atingia cerca de metade dos homens e das mulheres adultas. Dados comparativos das décadas de 70 a 90 mostram que, neste período, o excesso de peso de meninos (5 a 9 anos) aumentou 3 vezes e de adolescentes (10 a 19 anos), 6 vezes (IBGE), o que comprova que a obesidade é uma doença evolutiva, que se inicia na infância e se perpetua ao longo da vida;

2. as doenças crônicas associadas à obesidade (hipertensão arterial, diabetes e câncer), antes consideradas doenças de adulto, têm sido diagnosticadas cada vez mais precocemente;

3. estas doenças estão relacionadas às quantidades excessivas de sal (sódio), açúcar e gorduras presentes em refrigerantes, bolachas recheadas, salgadinhos e massas instantâneas, consumidas pelas crianças.

O bombardeio publicitário dirigido ao público infantil, associado à desinformação da população, são os verdadeiros donos do cardápio das crianças.

Conclamamos a população e as autoridades a:

– estabelecer ações conjuntas e continuadas, principalmente das Secretarias de Educação e de Saúde voltadas à educação nutricional e alimentar desde o período pré-natal, com ênfase em creches e pré-escolas;

– enfatizar os benefícios do aleitamento materno exclusivo nos primeiros 6 meses de vida, da sua continuidade após a introdução da alimentação complementar saudável, assim como dos prejuízos associados ao aleitamento artificial;

– destacar a importância de evitar o acréscimo de açúcar e sal nos alimentos antes dos 2 anos de vida - período vital em que se define o paladar, que acompanhará o ser humano pelo resto de sua vida;

– difundir amplamente para a população, bem como fiscalizar de forma efetiva, onde a alimentação escolar é executada e servida (escolas), o cumprimento das diretrizes do Programa Nacional de Alimentação Escolar - PNAE (Lei nº 11.947, de 16/06/2009), que determina a aquisição mínima de 30% de produtos oriundos da agricultura familiar, proíbe a compra de refrigerantes e restringe a aquisição de enlatados, embutidos, doces, alimentos em pó ou desidratados para reconstituição, com quantidade elevada de sódio e de gorduras;

– agregar as universidades públicas na capacitação dos profissionais das áreas de saúde e educação, focada em uma alimentação escolar adequada aos costumes regionais, às condições nutricionais individuais das crianças e às faixas etárias, dos berçários até o final da vida escolar;

– promover, pelo poder público, campanhas de esclarecimento quanto à importância de hábitos alimentares saudáveis na prevenção de doenças crônicas;

– mobilizar os Conselhos Municipais de Educação, de Saúde e de Alimentação Escolar para o engajamento em defesa da alimentação saudável;

– criar uma mobilização nacional pela regulamentação da publicidade dirigida ao público infantil.

CADA UM DE NÓS É RESPONSÁVEL PELA SAÚDE DAS CRIANÇAS. PENSE NISSO!

Porto Alegre, 25 de janeiro de 2012

Daniele Santetti - danielenutri@espacodomquixote.com.br
Nutricionista do Espaço Dom Quixote
Mestranda em Saúde da Criança e do Adolescente – PPGSCA/UFRGS
Participante do e-grupo Criança e Consumo

Felicidade como direito garantido


Acessei esse texto da jornalista Eliane Brum e o indico para leitura. É um excelente texto para refletir a respeito das relações pais e filhos e da subjetividade na atualidade. Boa leitura!


MEU FILHO, VOCÊ NÃO MERECE NADA: a crença de que a felicidade é um direito tem tornado despreparada a geração mais preparada
ELIANE BRUM
Jornalista, escritora e documentarista

Ao conviver com os bem mais jovens, com aqueles que se tornaram adultos há pouco e com aqueles que estão tateando para virar gente grande, percebo que estamos diante da geração mais preparada – e, ao mesmo tempo, da mais despreparada. Preparada do ponto de vista das habilidades, despreparada porque não sabe lidar com frustrações. Preparada porque é capaz de usar as ferramentas da tecnologia, despreparada porque despreza o esforço. Preparada porque conhece o mundo em viagens protegidas, despreparada porque desconhece a fragilidade da matéria da vida. E por tudo isso sofre, sofre muito, porque foi ensinada a acreditar que nasceu com o patrimônio da felicidade. E não foi ensinada a criar a partir da dor.

Há uma geração de classe média que estudou em bons colégios, é fluente em outras línguas, viajou para o exterior e teve acesso à cultura e à tecnologia. Uma geração que teve muito mais do que seus pais. Ao mesmo tempo, cresceu com a ilusão de que a vida é fácil. Ou que já nascem prontos – bastaria apenas que o mundo reconhecesse a sua genialidade.

Tenho me deparado com jovens que esperam ter no mercado de trabalho uma continuação de suas casas – onde o chefe seria um pai ou uma mãe complacente, que tudo concede. Foram ensinados a pensar que merecem, seja lá o que for que queiram. E quando isso não acontece – porque obviamente não acontece – sentem-se traídos, revoltam-se com a “injustiça” e boa parte se emburra e desiste.

Como esses estreantes na vida adulta foram crianças e adolescentes que ganharam tudo, sem ter de lutar por quase nada de relevante, desconhecem que a vida é construção – e para conquistar um espaço no mundo é preciso ralar muito. Com ética e honestidade – e não a cotoveladas ou aos gritos. Como seus pais não conseguiram dizer, é o mundo que anuncia a eles uma nova não lá muito animadora: viver é para os insistentes.

Por que boa parte dessa nova geração é assim? Penso que este é um questionamento importante para quem está educando uma criança ou um adolescente hoje. Nossa época tem sido marcada pela ilusão de que a felicidade é uma espécie de direito. E tenho testemunhado a angústia de muitos pais para garantir que os filhos sejam “felizes”. Pais que fazem malabarismos para dar tudo aos filhos e protegê-los de todos os perrengues – sem esperar nenhuma responsabilização nem reciprocidade.

É como se os filhos nascessem e imediatamente os pais já se tornassem devedores. Para estes, frustrar os filhos é sinônimo de fracasso pessoal. Mas é possível uma vida sem frustrações? Não é importante que os filhos compreendam como parte do processo educativo duas premissas básicas do viver, a frustração e o esforço? Ou a falta e a busca, duas faces de um mesmo movimento? Existe alguém que viva sem se confrontar dia após dia com os limites tanto de sua condição humana como de suas capacidades individuais?

Nossa classe média parece desprezar o esforço. Prefere a genialidade. O valor está no dom, naquilo que já nasce pronto. Dizer que “fulano é esforçado” é quase uma ofensa. Ter de dar duro para conquistar algo parece já vir assinalado com o carimbo de perdedor. Bacana é o cara que não estudou, passou a noite na balada e foi aprovado no vestibular de Medicina. Este atesta a excelência dos genes de seus pais. Esforçar-se é, no máximo, coisa para os filhos da classe C, que ainda precisam assegurar seu lugar no país.

Da mesma forma que supostamente seria possível construir um lugar sem esforço, existe a crença não menos fantasiosa de que é possível viver sem sofrer. De que as dores inerentes a toda vida são uma anomalia e, como percebo em muitos jovens, uma espécie de traição ao futuro que deveria estar garantido. Pais e filhos têm pagado caro pela crença de que a felicidade é um direito. E a frustração um fracasso. Talvez aí esteja uma pista para compreender a geração do “eu mereço”.

Basta andar por esse mundo para testemunhar o rosto de espanto e de mágoa de jovens ao descobrir que a vida não é como os pais tinham lhes prometido. Expressão que logo muda para o emburramento. E o pior é que sofrem terrivelmente. Porque possuem muitas habilidades e ferramentas, mas não têm o menor preparo para lidar com a dor e as decepções. Nem imaginam que viver é também ter de aceitar limitações – e que ninguém, por mais brilhante que seja, consegue tudo o que quer.

A questão, como poderia formular o filósofo Garrincha, é: “Estes pais e estes filhos combinaram com a vida que seria fácil”? É no passar dos dias que a conta não fecha e o projeto construído sobre fumaça desaparece deixando nenhum chão. Ninguém descobre que viver é complicado quando cresce ou deveria crescer – este momento é apenas quando a condição humana, frágil e falha, começa a se explicitar no confronto com os muros da realidade. Desde sempre sofremos. E mais vamos sofrer se não temos espaço nem mesmo para falar da tristeza e da confusão.

Me parece que é isso que tem acontecido em muitas famílias por aí: se a felicidade é um imperativo, o item principal do pacote completo que os pais supostamente teriam de garantir aos filhos para serem considerados bem sucedidos, como falar de dor, de medo e da sensação de se sentir desencaixado? Não há espaço para nada que seja da vida, que pertença aos espasmos de crescer duvidando de seu lugar no mundo, porque isso seria um reconhecimento da falência do projeto familiar construído sobre a ilusão da felicidade e da completude.

Quando o que não pode ser dito vira sintoma – já que ninguém está disposto a escutar, porque escutar significaria rever escolhas e reconhecer equívocos – o mais fácil é calar. E não por acaso se cala com medicamentos e cada vez mais cedo o desconforto de crianças que não se comportam segundo o manual. Assim, a família pode tocar o cotidiano sem que ninguém precise olhar de verdade para ninguém dentro de casa.

Se os filhos têm o direito de ser felizes simplesmente porque existem – e aos pais caberia garantir esse direito – que tipo de relação pais e filhos podem ter? Como seria possível estabelecer um vínculo genuíno se o sofrimento, o medo e as dúvidas estão previamente fora dele? Se a relação está construída sobre uma ilusão, só é possível fingir.

Aos filhos cabe fingir felicidade – e, como não conseguem, passam a exigir cada vez mais de tudo, especialmente coisas materiais, já que estas são as mais fáceis de alcançar – e aos pais cabe fingir ter a possibilidade de garantir a felicidade, o que sabem intimamente que é uma mentira porque a sentem na própria pele dia após dia. É pelos objetos de consumo que a novela familiar tem se desenrolado, onde os pais fazem de conta que dão o que ninguém pode dar, e os filhos simulam receber o que só eles podem buscar. E por isso logo é preciso criar uma nova demanda para manter o jogo funcionando.

O resultado disso são pais e filhos angustiados, que vão conviver uma vida inteira, mas se desconhecem. E, portanto, estão perdendo uma grande chance. Todos sofrem muito nesse teatro de desencontros anunciados. E mais sofrem porque precisam fingir que existe uma vida em que se pode tudo. E acreditar que se pode tudo é o atalho mais rápido para alcançar não a frustração que move, mas aquela que paralisa.

Quando converso com esses jovens no parapeito da vida adulta, com suas imensas possibilidades e riscos tão grandiosos quanto, percebo que precisam muito de realidade. Com tudo o que a realidade é. Sim, assumir a narrativa da própria vida é para quem tem coragem. Não é complicado porque você vai ter competidores com habilidades iguais ou superiores a sua, mas porque se tornar aquilo que se é, buscar a própria voz, é escolher um percurso pontilhado de desvios e sem nenhuma certeza de chegada. É viver com dúvidas e ter de responder pelas próprias escolhas. Mas é nesse movimento que a gente vira gente grande.

Seria muito bacana que os pais de hoje entendessem que tão importante quanto uma boa escola ou um curso de línguas ou um Ipad é dizer de vez em quando: “Te vira, meu filho. Você sempre poderá contar comigo, mas essa briga é tua”. Assim como sentar para jantar e falar da vida como ela é: “Olha, meu dia foi difícil” ou “Estou com dúvidas, estou com medo, estou confuso” ou “Não sei o que fazer, mas estou tentando descobrir”. Porque fingir que está tudo bem e que tudo pode significa dizer ao seu filho que você não confia nele nem o respeita, já que o trata como um imbecil, incapaz de compreender a matéria da existência. É tão ruim quanto ligar a TV em volume alto o suficiente para que nada que ameace o frágil equilíbrio doméstico possa ser dito.

Agora, se os pais mentiram que a felicidade é um direito e seu filho merece tudo simplesmente por existir, paciência. De nada vai adiantar choramingar ou emburrar ao descobrir que vai ter de conquistar seu espaço no mundo sem nenhuma garantia. O melhor a fazer é ter a coragem de escolher. Seja a escolha de lutar pelo seu desejo – ou para descobri-lo –, seja a de abrir mão dele. E não culpar ninguém porque eventualmente não deu certo, porque com certeza vai dar errado muitas vezes. Ou transferir para o outro a responsabilidade pela sua desistência.

Texto retirado do endereço eletrônico:
http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI63840-15230,00-ARQUIVO+ELIANE+BRUM.html


Thais C. Chies - thaispsico@espacodomquixote.com.br
Psicóloga do Espaço Dom Quixote

Meu filho está mordendo ou sendo mordido pelo coleguinha: o que fazer?

Mordida: este é certamente um assunto que já gerou dúvidas para mães e pais que tem filhos em berçários e escolas de Educação Infantil. Claro, ninguém gosta de ver aqueles sinais doloridos na pele de seu pequeno e, provavelmente, fica com muita vergonha quando foi seu filho que “abocanhou” o coleguinha. Mas, como qualquer um corre esse risco, é preciso entender o que significam as mordidas para crianças em período pré-escolar.




Antes de tudo, é preciso considerar que para a criança a mordida não é uma arma, como seria para um adulto. É, sim, uma forma de expressão. Desde que o bebê nasce, é pela boca que ele percebe o mundo. Não apenas pelo ato de sucção e das mamadas, mas pelo choro, pelo riso, pelo balbuciar. À medida que cresce e com o surgimento dos dentes, esse processo continua e morder também passa a ser uma forma de interagir com o mundo, de perceber a consistência de um objeto e também de provocar reações. Os adultos também fazem isso ao dar mordidas carinhosas nas crianças.


Portanto, para compreender as mordidas, é necessário levar em conta o contexto em que ocorrem. Geralmente, estão associadas ao sentimento de contrariedade, de frustração, de ansiedade, de raiva, de ciúmes, de busca de atenção. A grande maioria das crianças entre um e três anos lançará mão desse recurso para tentar se defender e se fazer compreender pelo outro, já que ainda não consegue se utilizar das palavras para esse mesmo fim.


Seja qual for a causa, é importante não taxar a criança de mordedora, porque isso vai gerar a expectativa de que ela volte a morder, o que pode realmente levar a mais mordidas. O melhor é tratar o fato com tranqüilidade e mostrar à criança que o que ela faz provoca dor, machuca. Além disso, é essencial ensinar que existem outras formas de expressar seus sentimentos. Ensine para seu filho que os dentinhos servem para morder a comidinha, a maçã, a pizza, e não para morder o amigo. Ensine que, quando ele estiver bravo, ele pode, ao invés de morder, dizer "triste", "bravo". Além do mais, logo que a mordida acontecer, você deve explicar para a criança porque ela mordeu e mostrar uma forma diferente dela se expressar, isso será mais significativo do que uma simples bronca.




Fabíola Scherer Cortezia - fabiola@espacodomquixote.com.br

Psicóloga do Espaço Dom Quixote

Especialista em Infância e Adolescência

Marketing Infantil


Ótimo texto sobre a temática do marketing voltado para o público infantil e o impacto que esta prática gera no comportamento de crianças e adolescentes.

O impacto negativo do marketing infantil

Somos a sociedade do consumo. Um dos nossos principais imperativos é consumir. A ampliação do mercado de consumo brasileiro tem sido essencial na política econômica atual. Consumo é estímulo para desenvolvimento econômico. Mas até que ponto é saudável consumir tanto? Para o planeta é catastrófico, pois a quantidade de lixo gerada pelo consumo é absurda, além da utilização de recursos naturais até o seu fim. Sabemos que não há como reciclar tudo eternamente. Porém, para a economia de mercado o consumo é ótimo. E para os consumidores? É bom consumir muito? Até que ponto o que é consumido tem sido fundamental para nos definir?

O desenvolvimento das sociedades no século XX foi marcado pela ampliação do consumo para grandes segmentos sociais ligado ao desenvolvimento dos sistemas de comunicação social, ao aparecimento das classes sociais intermediárias do capitalismo contemporâneo e às transformações técnicas ocorridas nas esferas de produção, esta última responsável pela formação de um mercado de bens de consumo efetivamente massificado.

O consumo humano está ligado ao desejo. Desejo de possuir, usufruir, satisfazer. O consumo surge a partir de nossas necessidades básicas: comer e vestir. Porém, a partir do momento que nascemos também temos nossas necessidades supérfluas. Há produtos feitos especificamente para o consumo de todas as pessoas. Um dos grandes hits atualmente no mundo dos bebês é atummy tub, uma banheira terapêutica que emula a posição fetal e relaxa o bebê. Óbvio que é um produto extremamente caro. Porém, é mais uma demanda que surge, pois é comum bebês chorarem durante o banho e alguém precisava solucionar isso por meio de um produto. Mudam as necessidades humanas expressas pelo consumo. Mudam os processos de compra e acumulação.

A publicidade é a primeira indústria criada exclusivamente para a promoção do consumo. Agora o consumidor deve ser motivado, seduzido a adquirir tal produto ao invés de outro. Neste caso, o discurso da publicidade passa a se autonomizar das características utilitárias do produto em favor de associações que se referem a universos simbólicos que extrapolam o próprio valor de uso dos bens que deseja promover. Dessa maneira a publicidade desloca o foco do utilitarismo do produto e busca o campo do simbólico para seduzir o consumidor. O produto passa a ser também mediador de relações sociais, pois dentro da estrutura capitalista o ter significa ser.

Muitas vezes acabamos não sabendo por que compramos um produto específico. Qual a diferença entre desejo espontâneo e apelo de mercado? As crianças sabem distinguir o que está por trás da publicidade? Ou o objetivo é continuar formando mais ávidos consumidores? A publicidade possui uma avançada tecnologia de persuasão. Onde está a ética ao focar crianças como consumidoras? Afinal, sabemos que crianças ainda não têm o desenvolvimento cognitivo e pensamento crítico completamente desenvolvidos, e muitas vezes não diferenciam um programa de tevê de um comercial. Embora, de acordo com a lei, as crianças não possam comprar um automóvel ou um celular, elas são abordadas diretamente pela publicidade como plenas consumidoras. Basta ver a quantidade de propagandas de celulares com crianças e as propagandas de carro em que pais pegam os filhos na escola.


Para acessar o texto completo, clique aqui:

http://www.amalgama.blog.br/10/2011/marketing-infantil/


Daniele Santeti - danielenutri@espacodomquixote.com.br

Nutricionista do Espaço Dom Quixote

Mestranda em Saúde da Criança e do Adolescente - UFRGS


Leitura e Leituras


“ Ninguém nasce sabendo ler: aprende-se a ler à medida que se vive.” Marisa Lanjolo

Há muita preocupação, por parte dos pais, de que seus filhos aprendam a ler bem cedo, antes mesmo de estarem no 1º ano do Ensino Fundamental. Por que esta necessidade de inserir a criança no mundo letrado forçosamente? Parece-me que a aquisição desta competência confere um certo status de inteligência à criança. A criança passa a ser vista como a mais inteligente da turma, adiantada em relação aos colegas.

Esquecem-se, pais e educadores, que aprender a ler palavras, frases e textos é uma operação complexa, que exige prontidão motora, neuronal, maturidade cognitiva e emocional. Não adianta acelerar um processo que precisa de maturidade e equilíbrio para acontecer. E ele acontece, com raras exceções, em todas as crianças.

Com a entrada das crianças aos 6 anos de idade no Ensino Fundamental, antecipa-se esta preocupação de aprender a ler para as crianças de 5 anos, frequentadoras da Educação Infantil. É preciso que pais e educadores compreendam que antes de ler palavras é importante desenvolver na criança a leitura do mundo. Perceber como as crianças leem as imagens e ajudá-las a compreender que essas imagens tem um sentido e dizem alguma coisa é tão ou mais importante que introduzir o alfabeto na Educação Infantil.

Os professores da Educação Infantil devem desenvolver na criança aprendizagens afetivas, sociais, motoras e cognitivas. Cada atividade escolhida precisa levar em conta estas áreas e como elas podem ser beneficiadas na rotina escolar para que a criança se desenvolva.

Ao levar para a sala de aula obras de arte, o educador possibilita à criança interagir com um mundo cheio de significados e intenções. Interpretar e reler uma obra a partir de sua história, da técnica usada pelo artista e compará-la com outras obras ou, até mesmo, produzir sua própria arte, confere autonomia criadora para a criança e traz uma forma de registro pictórica para dentro da sala de aula. Crianças que são estimuladas e motivadas a criar e produzir usando a imaginação desenvolvem muito mais do que a arte por si, desenvolvem a confiança para os acertos e erros da alfabetização.

Nos dias de hoje as crianças já nascem num mundo cheio de informações, imagens e escritas disponíveis a elas desde cedo. É natural que elas perguntem o significado da escrita, da imagem e, desde cedo, tenham interesse em seus próprios registros. É importante não mudar a rota natural: o rabisco, o desenho, a tentativa de escrita e a escrita em si. Achar que uma criança está adiantada porque pulou uma destas etapas ou querer acelerar um destes processos para seguir adiante pode provocar dificuldades no futuro.

A competência leitora vai muito além da leitura de textos, da decodificação de palavras. É necessário desenvolver a interpretação da leitura, sua relação com outras informações e temas, saber buscar informações e transformá-las em novo texto.

Para desenvolver esta competência as crianças precisam aprender a ler imagens, sons, cores, cheiros, movimentos, expressões para compreender que o mundo à sua volta transmite informações que pedem uma interpretação. Portanto, antes de introduzir a escrita e leitura na sala de aula os educadores devem desenvolver a leitura do mundo e suas diversas informações para que as crianças possam dar sentido a leitura das palavras e, de fato, ler e compreender o que estão lendo em um texto.

Pular esta etapa pode comprometer uma alfabetização de qualidade que resultará em empobrecimento ou até em dificuldade de aprendizagem nas séries finais do ensino.

As crianças precisam aprender a falar com o corpo em primeiro lugar. Não será encarcerando-as em salas de aula, enchendo linhas do caderno, com uma rotina rígida que elas desenvolverão todas as suas habilidades, mas respeitando sua maturidade, oferecendo atividades criativas e desafiadoras de acordo com as suas curiosidades.


Janete Cristiane Petry - janetepp@espacodomquixote.com.br
Psicopedagoga do Espaço Dom Quixote

Mídia e Educação


Todos os dias somos bombardeados por diversas e diferentes informações na mídia (televisão, jornal, revistas, internet). Nós, adultos, somos tentados a imitar, a consumir, a formar opinião e emitir juízos de valor sobre diferentes questões, até construímos uma identidade a partir destes canais e suas informações.

O que acontece com uma criança que fica “ligada, plugada” e refém de tanta informação? Aquilo que vemos em nossas casas, escolas, ruas e centros comerciais: futilidades, indiferença, imitação, infantilização, má conduta, entre outras questões preocupantes.

Nossas crianças crescem com uma formação de identidade perturbada, confusa e cheia de ideias que não são próprias de sua idade, pois ainda não conseguem refletir sobre assuntos expostos nos diferentes horários e espaços de livre acesso. Percebemos a confusão quando uma criança pergunta, em sala de aula, ao professor – “O que é paranóico?”, após assistir a exaustiva exposição e documentação do massacre feito numa escola sem conseguir filtrar as informações. Imaginem a dúvida, insegurança, medo e confusão na cabeça de uma criança que percebe a fragilidade da vida diante da violência e fica, talvez, imaginando que sua escola também pode sofrer uma violência dessas. Ela entende que todo aquele que tem uma atitude violenta é um paranóico e essa palavra passa a fazer parte de seu vocabulário, podendo até ser usada para nominar um colega com atitudes mais impulsivas, agressivas ou simplesmente, diferente dela.

Conhecemos meninas que imitam as tendências da moda adulta com cuidados estéticos como pintar cabelos, unhas e maquiagem muito cedo. Tem horário semanal em estéticas para retocar e cuidar de algo que ainda não precisa de cuidados químicos, sem falar na imitação de fala e comportamento. Crianças que não se permitem brincar e sentir como uma menininha porque tem um comportamento adulto.

Nossas crianças não precisam de tanta informação e exposição. Elas precisam de atenção e cuidados, de segurança e rotina, limites para guiá-las nas suas escolhas.

Podemos e devemos acompanhar mais de perto a programação de nossos filhos e filhas. Eles não precisam ficar alienados ao que acontece no mundo, mas podemos auxiliar no filtro de tanta informação para garantir uma saúde mental e emocional com equilíbrio e seletividade.

Ao permitir que os filhos assistam a programação adulta estejam presentes para esclarecer dúvidas e refletir com eles sobre as informações. Observem e respeitem a restrição de idade recomendada na programação, esta é a primeira lição de respeito às regras que os pais podem dar aos filhos.

Diversifiquem a programação e a leitura das crianças para ampliarem seu repertório cultural e proporcionarem uma compreensão de mundo mais diversificada. Exercitem a criticidade e a reflexão com as crianças promovendo discussões em família sobre aquilo que a mídia expõe.

Se soubermos ajudar as crianças neste processo de reflexão e maturação emocional estaremos construindo um caráter sólido capaz de fazer uso da liberdade de escolha sem prejuízo da liberdade do outro.


Janete Cristiane Petry - janetepp@espacodomquixote.com.br
Psicopedagoga do Espaço Dom Quixote



Fonoaudiologia Educacional


O que você precisa saber sobre Fonoaudiologia e Educação:

A atuação fonoaudióloga na área de educação deve voltar-se para o desenvolvimento da aprendizagem e da comunicação oral e escrita, bem como da saúde vocal e das funções estomatognáticas (respiração, mastigação, deglutição).

Papel do Fonoaudiólogo:
- Desenvolver programas de capacitação para os professores;
- Criar, promover e desenvolver programas que potencializem as habilidades linguísticas dos alunos ligadas principalmente à aquisição da leitura e escrita;
- Desenvolver programas de saúde auditiva e vocal para alunos e professores;
- Acompanhar as crianças que realizam tratamento fonoaudiólogo, orientando pais, professores e equipe pedagógica;
- Realizar avaliações breves com o objetivo de identificar rapidamente problemas de comunicação em alunos e professores;
- Identificar os problemas fonoaudiológicos e de aprendizagem mais frequentes na comunidade escolar.

As crianças com dificuldades de aquisição de linguagem podem ter problemas de aprendizagem em fase escolar. Desta forma, ficar atento e acompanhar estas crianças é fundamental!

Fonte: Conselho Federal de Fonoaudiologia

A atuação do Fonoaudiólogo na escola tem crescido consideravelmente. O Fonoaudiólogo é mais um profissional que pode auxiliar a escola na importante tarefa de ensinar.


Fernanda Helena Kley - fernandafono@espacodomquixote.com.br
Fonoaudióloga Pós-Graduanda em Neuropsicologia (UFRGS) do Espaço Dom Quixote

Dom Quixote Responde: Abordagem do corpo na Educação Infantil


A Psicomotricidade permite que a abordagem do corpo aconteça com maior tranquilidade. Falar do corpo na Educação Infantil, é falar de como a crinaça vivencia, experencia e se relaciona através da ação, como um meio de tomada de consciência que une o ser corpo, o ser mente, o ser espírito, o ser natureza e o ser sociedade.
A Psicomotricidade está associada à afetividade e à personalidade, porque o indivíduo utiliza seu corpo para demonstrar o que sente. Com as crianças de Educação Infantil tudo isso é visto, aprimorado e vivenciado através do brincar e pelo brincar. Como, por exemplo, brincar de engatinhar, rolar, balançar, dar cambalhotas, se equilibrar em um só pé, andar para os lados, equilibrar e caminhar sobre uma linha no chão e materiais variados (passeios ao ar livre), etc.
Tudo isso reforça as aptidões perceptivas e o aprimoramento psicomotor.

Deixo como sugestão de leitura:
NEGRINI, Airton. O corpo na educação infantil. Caxias do Sul-RS, EDUCS, 2002.

Priscila Straatmann Morél
Terapeuta Ocupacional e Psiomotricista

Consciência Fonológica: recurso para a sala de aula



Quem trabalha com as séries iniciais já deve ter ouvido falar na consciência fonológica. Ela é um recurso que pode ser de grande valia para o processo de alfabetização das crianças.

Consciência fonológica é a capacidade de refletir sobre os sons da fala e sua organização na formação das palavras. No processo de aprendizagem da linguagem escrita, precisamos saber que a língua falada pode ser segmentada, ou seja, dividida. Que a frase pode ser dividida em palavras (A + CASA + É + BONITA); as palavras em sílabas (CA+SA); e as sílabas em fonemas (C+A). E ainda precisamos saber que estas unidades se repetem em diferentes palavras.

A consciência fonológica pode ser dividida em consciência de palavras, consciência silábica e consciência fonêmica, sendo que o grau de dificuldade vai aumentando conforme a unidade trabalhada se torna mais específica, ou seja, saber quantas palavras há em uma frase é mais fácil do que descobrir qual o som que escutamos primeiro em uma palavra.

Estas habilidades de reconhecer os sons e de conseguir reorganizá-los de alguma maneira já estão presentes no cotidiano das crianças antes mesmo de iniciar o processo formal de alfabetização, mas a partir deste momento, a consciência fonológica se fortalece e se amplia com relação a habilidades mais complexas.

Ao contrário, a dificuldade na consciência fonológica pode dificultar em muito o aprender a ler e a escrever. Por este motivo, cada vez mais os professores têm buscado informações sobre a consciência fonológica para auxiliar seus alunos de uma maneira mais abrangente e atingindo as suas necessidades.

Algumas atividades são bem fáceis de fazer e geram resultados positivos em sala de aula. Trabalhar com rimas, com aliterações (que é a rima no início da palavra), identificar palavras que comecem ou terminem com a mesma sílaba ou o mesmo som.

- Exemplo de consciência de frases: o professor irá dizer uma palavra curta de objeto grande e outra palavra grande de objeto pequeno (sol e estrelinha) e a criança deverá dizer qual a palavra (som) que é maior. Será que a criança irá saber que estrelinha tem o som maior mesmo sendo menor que um sol?;

- Exemplo de consciência de sílabas: dentro de um saco escuro haverão diversos objetos. Cada criança deverá escolher um, nomear o objeto e dizer quantas sílabas há na palavra. O aluno pode bater palmas para auxiliar. Quem já está compreendendo a consciência silábica, conseguirá executar a ação sem muita dificuldade;

- Exemplo de consciência fonêmica: fazer a chamada dos alunos dizendo apenas o som inicial de cada nome. Falar pausadamente e repetidamente até que as crianças descobram qual é o nome. Se tiver duas ou mais crianças que tenham a mesma letra inicial, eles podem ser estimulados a dizerem todas as opções e após o professor vai dizendo o som seguinte até que se descubra qual o nome escolhido. Nesta atividade, as crianças já trabalham a relação grafema-fonema (da letra com seu som) e conseguem mais facilmente escrever palavras diferentes e com maior segurança.

Estas atividades são apenas exemplos de como trabalhar a consciência fonológica e ir descobrindo algumas deficiências e a partir delas criar novas brincadeiras para que todos consigam realizar estas atividades com êxito. A experiência que temos mostra que incluir estas atividades em sala de aula, auxilia não apenas aos alunos com alguma dificuldade, mas a todos nesse processo tão especial que é o de descobrir o mundo das letras.

No mês de julho foi ministrado no Espaço Dom Quixote o curso Consciência Fonológica como método de alfabetização para um grupo de professores de diversas cidades da nossa região. No curso foram vistas e debatidas algumas reflexões a cerca da consciência fonológica e principalmente atividades práticas para serem aplicadas em sala de aula.

Veja as fotos do encontro e querendo maiores informações não deixe de nos procurar!


Fernanda Helena Kley – fernandafono@espacodomquixote.com.br
Fonoaudióloga do Espaço Dom Quixote

Paternidade na Adolescência


Antigamente quando se falava em gravidez na adolescência, as preocupações estavam muito voltadas para a questão da maternidade. Hoje, se reconhece que as dificuldades não são vividas somente pelas meninas, mas também pelos meninos, que além de se verem diante das questões específicas da adolescência, se deparam com a paternidade, situação complexa e individual.


Biologicamente falando, o adolescente já produz espermatozóides, portanto tem as condições físicas para ser pai. Contudo, no que diz respeito ao aspecto psicológico o adolescente se encontra mergulhado em si mesmo, na construção de sua identidade, com seus dramas existenciais. Então como ele poderia oferecer suporte emocional, presença paterna a um filho que também necessita se estruturar e, portanto, precisa de cuidado?


Ser pai não é apenas ser uma pessoa do sexo masculino, sobretudo é alguém com um lugar definido na família, principalmente na vida do filho, na construção da sua personalidade, formação da identidade sexual e emocional. Inconscientemente, o pai representa disciplina e precisa exercer o difícil equilíbrio entre permitir e proibir para mostrar determinação quando necessário.

Isso deve acontecer a despeito da idade, morando na mesma casa ou não, o importante é que qualifique o relacionamento. Pai e mãe têm funções emocionais distintas na família. A paternidade é exercida por um homem com a função de lei, proteção, auxílio e representação social: jeito de ser, pensar, sentir, desejar, particularidades biológicas e culturais masculinas.

Significa que pai é tudo o que a mãe não pode ser. Na ausência de um homem que o substitua, o lugar fica vazio. As crianças criadas sem pai, ou crescido junto a um pai psicologicamente ausente ou muito fraco, apresentam transtornos psíquicos, emocionais ou orgânicos. Essa carência de contato com o pai pode ser uma das raízes do sentimento de rejeição no filho, podendo gerar quando adulto, uma busca de substituto paterno.

Está comprovado que a falta de normas e a consequente falta de limites, gera uma imagem ruim do pai, e uma sensação de abandono e solidão na criança. É como se o filho quando adulto, continuasse procurando dentro de si os limites que o pai não soube colocar.

Independente da idade, a paternidade efetiva não é fácil de assumir. O pai precisa resolver suas questões enquanto filho para então se tornar pai e não vir a se confundir com o filho; precisa separar o que é seu ou será eternamente filho e amigo dos seus filhos, abrindo mão de vivenciar sua identidade paterna.

Tal dificuldade não é exclusiva dos adolescentes, nem representa necessariamente uma experiência negativa e fracassada para eles, por mais que venham a enfrentar sofrimento consequente do despreparo e precisem arcar com o ônus de ter transgredido e apressado a ordem natural das coisas.

Apesar de tudo, a paternidade na adolescência não é uma coisa intransponível, nem seu êxito impossível, desde que possam receber apoio, confiança e amor dos familiares e que assim o melhor aconteça.

Andréa de Espíndola – andreapsico@espacodomquixote.com.br

Psicóloga e psicomotricista do Espaço Dom Quixote.