Alfabetização
Não sei fazer isso, mas sei fazer aquilo!
Já estamos na reta final do ano letivo, agora as dificuldades se intensificam e os pais e professores começam a “correr atrás da máquina” para evitar repetências.
Parte 3:
http://www.youtube.com/watch?v=epi-JsT6-Gk
Clarissa Paz de Menezes - clarissapp@espacodomquixote.com.br
Psicopedagoga do Espaço Dom Quixote
Dificuldades na aprendizagem
Oficina Criança e a Aprendizagem
Transtorno de Processamento Auditivo e Dificuldades de Aprendizagem

Doença genética rara: Síndrome de Jacobsen e uma aprendizagem linda

Dislexia

Há estudos que indicam que a prevalência de dislexia é de 5 a 17% na população mundial e ela tem fatores tanto genéticos quanto ambientais. Pensando na realidade das nossas escolas, percebe-se que há poucos alunos com este diagnóstico, sendo que os que têm o diagnóstico, podem não ser disléxicos se a avaliação não foi feita por uma equipe de profissionais, incluindo médico neurologista, fonoaudiólogo, psicólogo e psicopedagogo. E é fundamental que TODOS estes profissionais avaliem a criança porque o diagnóstico pode não ser preciso se não haver avaliações de todos.
Alguns comportamentos relacionados à dislexia já podem ser observados desde a Educação Infantil. É importante observar se as crianças apresentam:
- dispersão;
- fraco desenvolvimento da atenção;
- atraso no desenvolvimento da fala e da linguagem;
- dificuldade em rimas e canções;
- fraco desenvolvimento da coordenação motora.
E durante os anos iniciais observar se:
- não diferencia números e letras;
- tem problemas de lateralidade;
- persistência de dificuldade no processo de linguagem;
- olhar perdido ao tentar ler, entre outros.
É importante deixar claro que estes sinais não definem se uma criança é disléxica ou não, mas deve servir como sinal de alerta para a procura de profissionais habilitados para realizarem a avaliação necessária. Com o diagnóstico correto o professor poderá adequar seu currículo e, com o auxílio de profissionais, garantir que a criança, mesmo com dificuldade, tenha o desenvolvimento da aprendizagem e das habilidades de leitura e escrita.
Fernanda Helena Kley - fernandafono@espacodomquixote.com.br
Fonoaudióloga Pós-Graduanda em Neuropsicologia (UFRGS) do Espaço Dom Quixote
Consciência Fonológica na Aprendizagem

Consciência fonológica é a capacidade de refletir sobre os sons da fala e sua organização na formação das palavras e aparece desde muito cedo nas crianças. Antes de ingressar na Educação Infantil, algumas crianças já conseguem reconhecer rimas, uma das habilidades que a consciência fonológica compreende.
A criança normalmente aprende primeiro as noções relacionadas à consciência dos sons em palavras, depois através das rimas, nas aliterações (repetição de sons no início das palavras, como “o rato roeu a roupa do rei de Roma”), nas sílabas e por último adquire as habilidades relacionadas ao fonema.
Há sempre uma discussão a respeito do que é causa e o que é consequência. A consciência fonológica antecede a alfabetização ou será que isto se dá de maneira inversa? O que se tem encontrado em literatura especializada é que “a aprendizagem do sistema alfabético da leitura e da escrita pressupõe a capacidade de reconhecer, decompor, compor e manipular os sons da fala, o que corresponde à consciência fonológica”, dando a impressão de que estas habilidades devem ser adquiridas antes do processo de alfabetização. Mas, ao mesmo tempo, sabe-se que algumas tarefas de nível de fonema como a transposição (identificar a palavra ouvindo os fonemas de trás para frente), só atingem um nível de acerto alto após o ingresso da criança no nível alfabético, ou seja, a consciência fonológica não está totalmente adquirida antes da alfabetização.
Pode-se concluir então que alguns níveis de habilidades da consciência fonológica precedem a aprendizagem da leitura e da escrita, e outros níveis podem acompanhar e/ou ser resultado de tal aprendizagem. À medida que a alfabetização vai se concretizando, a consciência fonológica também se aprimora, auxiliando o aperfeiçoamento das funções cognitivas e o processo de construção do aprendizado.
Incluir atividades em sala de aula que estimulem estas habilidades pode auxiliar em muito no processo de aprendizagem, as atividades são simples e podem ser feitas em forma de brincadeiras divertidas!
Fernanda Helena Kley – fernandafono@espacodomquixote.com.br
Fonoaudióloga do Espaço Dom Quixote
Quer saber mais? O Espaço Dom Quixote está oferecendo o curso CONSCIÊNCIA FONOLÓGICA COMO MÉTODO DE ALFABETIZAÇÃO que ocorrerá nos dias 29 e 30 de abril! Informe-se e participe!
Ser canhoto
Por que meu filho não está conseguindo acompanhar as atividades da escola?
Aula de Música no Espaço Dom Quixote

Cada vez mais estudos indicam a importância do estudo da música e que a experiência musical precoce facilita o desenvolvimento integral e aumenta a capacidade cerebral.
A música ativa o cérebro por inteiro e seu efeito é tão intenso que os músicos apresentam um superdesenvolvimento em determinadas áreas de seu cérebro, como maior quantidade de massa cinzenta, aumento do corpo caloso (responsável pela transmissão de informações entre os dois hemisférios cerebrais) principalmente em pessoas envolvidas com música antes dos sete anos, e outras áreas cerebrais, associadas com o processamento auditivo, sistema motor, desenvolvimento da linguagem, emoção e memória.
Assim, a música facilita a capacidade de aprendizagem por manter os neurônios em atividade, aumentando a atenção, melhorando e tornando mais rápidas as sinapses (conexões entre neurônios) e estimulando a absorção de informações. A memória também é estimulada pela memorização de textos, melodias, células rítmicas... Há também efeitos importantes na escrita e alfabetização.
Além de ganhos cognitivos, surge uma melhora na coordenação motora e observam-se diferenças no comportamento das pessoas que estudam música, como maior tranquilidade e concentração. O contato com a música pode ser um importante meio de expressar as próprias emoções, aumentando a estabilidade emocional e contribuindo para o bem estar, pois ativa também as áreas responsáveis pelo prazer no cérebro, diminui o estresse (diminuindo o cortisol) e aumenta a autoestima.
A música torna a criança e o adolescente mais preparados para a vida. Desafios aparecem no aprendizado musical, como tocar e/ou cantar sozinho, e assim, aprendem a lidar com eles, a lidar com o erro, precisando encontrar formas criativas de solucionar os problemas, tornando-se mais desinibidos, independentes e tolerantes.
As crianças e adolescentes também desenvolvem habilidades e competências como disciplina, sensibilidade, critérios estéticos musicais, paciência, cooperação e respeito com o outro, melhorando a comunicação, e as aulas de música ou musicalização desenvolvem a linguagem através das canções, tornando o aprendizado da linguagem e o processo de alfabetização mais rápido.
Aulas de música e musicalização contribuem para o desenvolvimento integral da criança e do adolescente, melhorando sua qualidade de vida. Encontra-se na música uma fonte de interesse, prazer, desejo e estimulação que acarreta em mudanças importantes em todos os aspectos de suas vidas.
Informe-se também sobre os atendimentos em Musicoterapia!
Luciana Steffen - lucianamt@espacodomquixote.com.br
Musicoterapeuta do Espaço Dom Quixote
Dificuldade na aprendizagem, TDAH, ou será dislexia?

A falta de interesse nas aulas, dificuldades de ler, escrever e soletrar letras pode significar mais do que “falta de vontade e preguiça”. Professores devem estar atentos ao comportamento dos alunos para poderem perceber as sutis diferenças entre um simples desinteresse ou algum distúrbio que pode estar impossibilitando o aprendizado da criança e/ou adolescente. Os sintomas podem ser de dislexia, distúrbio que afeta de 10 a 15% da população mundial, de acordo com informações da Associação Brasileira de Dislexia (ABD).
Alunos com dislexia são confundidos, frequentemente, com alunos com TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade), preguiça, agitação ou falta de força de vontade. Seus sintomas passam muitas vezes despercebidos nas salas de aula. No entanto, não devemos generalizar as dificuldades, pois nem todo aluno que tem problemas com a leitura tem dislexia.
Um diagnóstico correto requer uma equipe multidisciplinar, envolvendo psicopedagogo, fonoaudiólogo, psiquiatra infantil e da adolescência, psicólogo, oftalmologista e otorrinolaringologista (para avaliação audiométrica). Devido ao professor estar com o aluno por um longo período a cada dia, cabe a ele o papel de discutir com a coordenação e os pais as dificuldades do aluno, encaminhando-o ao psicopedagogo para uma avaliação mais criteriosa.
Identificar o transtorno e fazer o encaminhamento para equipe multiprofissional habilitada é o passo inicial e fundamental para que esse aluno desde cedo não se sinta um fracassado, um impotente, ou alguém reconhecido como “aquele que não quer nada com a vida”.
Freqüentemente recebemos crianças e adolescentes que chegam até o ensino médio sem receber um diagnóstico preciso e tratamento adequado, o que compromete significativamente o aprendizado e a vida pessoal do aluno em todos os setores, agravando muito o seu prognóstico, pois junto com o fracasso escolar encontramos a baixa autoestima, dificuldades para se expressar e falta de confiança em si mesmo. Portanto, caso tenha ficado uma “pulguinha atrás da orelha” ao ler este texto e lembrar de alguma criança ou adolescente com sintomas semelhantes, vale a pena encaminhar para uma avaliação com uma psicopedagoga ou psicóloga para diferenciarmos o que pode ser da ordem afetiva e o que pode ser de ordem cognitiva.
Fabíola Scherer Cortezia – fabiola@espacodomquixote.com.br
Psicóloga do Espaço Dom quixote
Problemas de aprendizagem, o que são?
Já que atualmente estão ocorrendo dois cursos sobre os transtornos da infância em nossa clínica, leia um pouco mais sobre os problemas de aprendizagem que podem ocorrer durante o período escolar.
Num primeiro momento da história, percebe-se que os problemas de aprendizagem estavam vinculados a problemas orgânicos, que poderiam ser facilmente detectados.
Problemas de aprendizagem já foram associados ao QI baixo, ou seja, a um déficit intelectual. Alguns autores, não contentes e não concordando com a idéia de que a dificuldade de aprendizagem seja atribuída apenas ao déficit intelectual, passaram a relacioná-la a um contexto maior, envolvendo: dificuldades afetivas da criança, tanto com a família quanto com professores e colegas na escola, bem como a inadequação dos métodos utilizados pela educação escolar, ampliando, assim, a compreensão do sujeito da aprendizagem para além do orgânico associado ao contexto da aprendizagem.
Na década de 70, os problemas de aprendizagem, principalmente de crianças economicamente desfavorecidas, eram relacionados aos problemas sociais, uma vez que essas crianças viviam em carência de nutrição, saúde e cultura considerando que as mesmas eram menos capazes de aprender.
Psicopedagogia entende as dificuldades de aprendizagem como a manifestação de um sintoma, considerando o sujeito da aprendizagem nas dimensões do corpo, organismo, inteligência e desejo e, também, como uma manifestação de fracasso escolar.
Com o passar do tempo e com os estudos realizados podemos perceber, a partir de novas teorias, a compreensão de que essas dificuldades podem ser expressas pelo sujeito de diversas formas e a partir de várias causas. A Psicopedagogia, por exemplo, refere que a dificuldade de aprendizagem é um sintoma que surge a partir das relações entre a criança e o meio em que vive, podendo também ser explicada pela inadaptação da prática escolar às necessidades do aluno, ou seja, os chamados processos reativos, configurando-se como o fracasso escolar.
Alguns professores idealizam os alunos para os quais eles querem ensinar e tal atuação faz com que todos os alunos que não se enquadrem no padrão estabelecido não consigam adaptar-se à metodologia do professor. Essa postura dificulta o processo de relações e construção da aprendizagem pelos alunos, assim como as trocas com professores e alunos, necessárias para que o processo de aprendizagem ocorra de forma tranqüila. Outro fator que dificulta as relações de aprendizagem das crianças na escola refere-se à falta de importância dada às vivências e construções anteriores, sendo tratadas como papéis em branco que precisam ser preenchidos ao entrarem na escola.
A escola, como um espaço de construção do conhecimento tanto para alunos quanto para professores, deve ser um local agradável, sedutor e prazeroso, para que a aprendizagem seja um processo tranqüilo. A escola como um todo precisa ter clareza da concepção que sustenta as relações de aprendizagem.
Clarissa Paz de Menezes
Psicopedagoga do Espaço Dom Quixote
Estimular a Leitura

Em muitas famílias o início do ano escolar gera ansiedade não apenas nas crianças, mas também muitos pais acabam passando por momentos de angústia. Sempre há muita preocupação com relação ao processo de aprendizagem das crianças, situação bastante verificada entre os pais com crianças em fase de alfabetização. A dúvida “será que meu filho vai aprender a ler e escrever?” já preocupa os pais desde o início do ano.
É importante ressaltar que o processo de aquisição da linguagem escrita é lento e o tempo de cada criança deve ser respeitado. Ansiedade em demasia só atrapalha o desenvolvimento da aprendizagem.
Mas de que maneira os pais podem auxiliar nesta etapa?
Sabe-se que a leitura é fundamentalmente aprendida na escola, mas a quantidade e o tipo de apoio que a criança recebe em casa afeta significativamente o seu progresso. Sem a preocupação dos pais em serem professores de seus filhos, eles podem através de brincadeiras estimular as crianças.
Quanto mais as crianças estiverem em um ambiente rico em informações e estímulos, melhores serão seus resultados escolares. Estimular o hábito da leitura já pode ser iniciado antes mesmo da alfabetização. Deixe ao alcance das crianças livros de histórias infantis e utilize eles nas brincadeiras. Incentive seu filho a folhear os livros e a imaginar as histórias sem precisar ler, chame a atenção para as imagens e indague a criança sobre o que está acontecendo e o que pode acontecer a partir de uma determinada gravura. Conte histórias e peça que seu filho as repita, faça perguntas a respeito dos personagens. Crie novas histórias a partir de uma já conhecida.
A estimulação do diálogo, da construção de frases, da intenção de se comunicar é muito importante para o desenvolvimento da aprendizagem. Estimule a linguagem oral de seu filho de uma maneira geral. Alguns sinais de dificuldade de linguagem como vocabulário pobre e sem variedade, frases muito simples e trocas na fala podem ser indicativos de dificuldades de aprendizagem futuras.
Não se esqueça que a criança é fortemente estimulada pelo ambiente, se ela vê o pai ou a mãe lendo o jornal, um livro ou revista, ela se interessará mais pela leitura. Não transmita preocupações para seus filhos, mostre o mundo das letras e viva junto com seu filho esta etapa tão fascinante do desenvolvimento da aprendizagem.
Fernanda Helena Kley
Fonoaudióloga do Espaço Dom Quixote




