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Anotações sobre clínica com adolescentes



Ultimamente, tenho me ocupado bastante da análise de adolescentes. Uma fase da vida de transição, de sair de uma posição infantil e dependência dos pais, pa ra construção de um adulto. 

Por isso, sugiro a leitura do texto de Diana Corso, Psicanalista e Escritora, para pensarmos e refletirmos na clínica com adolescentes.

Disponível em :http://www.marioedianacorso.com/anotacoes-sobre-clinica-com-adolescentes#more-219

"Quando se trata de adolescentes, é muito delicado saber alguma coisa, e isto não é demagógico, é fato. O efeito deste trabalho é de emburrecimento, enrolação, muitas vezes de ridículo, acompanhado de uma surpreendente efetividade terapêutica… 

Situações como passar meses conversando com um jovem sobre Vampiros, um jogo de RPG, sem dar-se conta de que ele, assim como os vampiros, já havia sido uma criança com graves restrições alimentares, muitas das quais ainda mantinha. Ou ainda: falar muito do comportamento ciumento de uma jovem sem pensar que ela não suportaria fácil uma relação dual, pois vivia só com sua mãe, em um vínculo bem abafado, e um terceiro é muito bem vindo. E o que é pior: quando me dá uma luz e finalmente consigo pensar ou dizer algo inteligente ao meu jovem paciente, algo que possa funcionar como instrumento para tornar uma repetição algo mais eloquente, o vampiro ou a ciumenta parecem não ficar muito emocionados com minha sabedoria, quando muito deixam-me enunciar minhas construções sem um aparente envolvimento com elas. Mas, surpreendentemente, seguem vindo entusiasticamente ao meu consultório, pontuais e assíduos, tendo na rotina da relação, uma seriedade que disfarçam em relação às palavras que ali são jogadas. 

Não é só o saber que está em jogo, é também a própria sustentação egóica do analista que faz questão. Se já não são poucas as vezes que um analista se pergunta sobre a efetividade de seu trabalho, especificamente com o adolescente a pergunta constante é: porque ele continua vindo! 

É preciso de uma vez por todas fazer um diferencial entre os muitos discursos jovens que vem a nossos consultórios e o discurso adolescente, estruturalmente falando. Pessoas colocando-se questões de fundo sobre sua vida, tendo absolutamente tudo por decidir existem aos montes. Os pacientes que precisam terminar de crescer, os que mantém um vínculo infantil com os pais, os que pensam em começar de novo, os que ainda nem começaram, os que vivem para amar e ser amados, os que atribuem aos outros a fonte de seus impasses, estes trazem questões adolescentes. Inclusive há aqueles que só trazem questões adolescentes, o que nos leva a ampliar e inclusive relativizar a questão das idades e pensar num discurso adolescente. 

Pensar a especificidade de uma clínica é basicamente decifrar uma particular articulação da transferência e a psicanálise com crianças auxilia um pouco neste impasse. Nunca vou esquecer um pré-puber que vinha ao meu consultório jogar Banco Imobiliário, passaram-se um, dois, três meses, ele melhorava a olhos vistos, os pais solicitavam uma conversa sobre o andamento do trabalho e eu…sentia que só jogava um jogo! 

Qualquer analista de crianças lerá isto com um riso nos lábios: não existe jogar só um jogo. Joga-se o jogo da transferência onde o menino em questão estava literalmente adorando enriquecer uma vez por semana jogando com uma parceira tão pouco esperta. Ele tentava ganhar o jogo, o que para ele era importante, enquanto eu tentava entender o que se passava, o que para mim era importante. Este desencontro útil para meu paciente, a mim deixou para sempre pensando sobre a inutilidade de tentar entender a transferência e as vantagens de deixar-se jogar seu jogo. 

Quando um adolescente quer falar sobre a diferença entre os diferentes tipos de Rock, ele não quer que eu banque a espertinha e tente ver o que está por trás do que diz, ele quer ser deixado falar sobre isso para jogar com as palavras. Que jogo? 

O jogo de experimentar hierarquizar o que é importante para si e para o mundo, o jogo de descobrir o quanto é importante para a família, os amigos, e o mundo em geral, o que ele pensa a respeito de algo. O adolescente comparece ao consultório do analista também para fazer musculação em seu discurso, deixá-lo forte, bonito e com contornos bem definidos. 

Não é um falar sobre qualquer coisa, por exemplo um jovem cujos pais, funcionários de banco, convivem constantemente com a frustração de não fazer algo mais nobre, a ver com o que estudaram, fala sobre um conjunto de Rock onde todos os membros são antropólogos e parecem fazer o que gostam do jeito que querem. O conjunto em questão ainda por cima tem o interessante nome de “Bad Religion”, um convite à reflexão sobre valores. 

Às vezes fico um pouco constrangida quando leio sobre o silêncio do adolescente e fico a me perguntar se meus pacientes não emudecem porque eu os impeço de fazê-lo. Provavelmente assim seja, porém preciso também justificar minha atitude de provocar a fala, de promover a conversa ativamente, seja perguntando, seja propiciando essa fala-jogo que parece matação de tempo. 

Rassial descreve a depressão adolescente como uma “autêntica questão sobre os fundamentos da existência e uma alavanca dinâmica para uma verdadeira cura”, algo que “não deve ser combatido, às vezes mesmo ser buscado” [1], concordo em gênero e número, e acrescento: algo a ser construído. 

O trabalho de construir um discurso adolescente, ou seja, elaborar com ele a possibilidade de uma crítica, que conserva as características típicas deste momento, em que o sujeito aparentemente não se implica, pois está acima da realidade. Essa posição discursiva é caracterizada como “intransigência moral” ou “idade ética” (Rassial), ou como aquela das “aspirações dos membros não-responsáveis que chacoalham a sociedade”, ou dos elementos da “imaturidade do adolescente, que contém as características mais fascinantes do pensamento criativo” (Winnicott). Trocando em miúdos trata-se da possibilidade de uma vista aérea sobre a vida. Busca-se uma visão geral que ajude a definir parâmetros, rumos, mas que é cronologicamente anterior ao “vivido”."

Publicado no “Correio da APPOA”, número 91, ano IX


Renata Lima - renatapsico@espacodomquixote.com.br
Psicóloga do Espaço Dom Quixote

Vestibular e escolha profissional: precisa ser tão estressante?



Não posso nem tentar me divertir 
O tempo todo eu tenho que estudar 
Fico só pensando se eu vou conseguir 
Passar nesse tal de vestibular 
(Trecho da música “Química”, do Renato Russo) 

O momento da escolha profissional é bastante conflitante para os adolescentes. Cada vez mais cedo, meninos e meninas são pressionados a fazer sua escolha profissional, antes mesmo de se sentirem prontos para isso. 

O Ensino Médio é cada vez mais “puxado” nas escolas particulares e a busca por uma boa colocação no Enem, ou por um número grande de alunos que ocupe uma bela colocação nos mais concorridos cursos das universidades particulares, faz com que as escolas talvez possam estar exagerando na pressão. 

Recebo no consultório adolescentes no mais alto nível de estresse, devido à pressão exercida por pais e professores. As palavras ENEM, vestibular e escolha profissional lhe dão calafrios muito tempo antes de se ter que se deparar efetivamente com elas. 

Todos nós lembramos do quanto pode ter sido difícil para nós fazermos uma escolha profissional e do quanto investimos tempo e dedicação quando estávamos prestes a fazer o vestibular. No entanto, atualmente percebo que a pressão é demasiada e o que poderia gerar um estresse positivo, uma dedicação maior, mas realizada com afinco e entusiasmo, está se tornando uma tormenta para os adolescentes que tem medo de decepcionar seus pais e professores. Diante dessa situação, os adolescentes entram em “colapso nervoso”, começam a ir mal na escola, a ter vontade de chorar quando o assunto é escolha profissional e ficam excessivamente cansados, não tendo energia para investir nos estudos. 

É importante que qualquer pessoa, em qualquer fase da vida, tenha um tempo de lazer e descanso, e isso vale também para os adolescentes do Ensino Médio. Hora de estudo é hora de estudo, mas hora de relaxar é hora de relaxar, sem culpa! 

Estabelecer horários de estudo e horários de lazer faz com que os adolescentes não se sintam culpados durante o descanso e possam ser cobrados durante o momento de estudar. 

Os pais devem ficar atentos para não fazerem uma pressão excessiva sobre os filhos. É preciso abordar os temas como escolha profissional e vestibular como algo prazeroso e não como algo penoso, que deve ocupar todo o tempo do adolescente durante todo o período do Ensino Médio. 

Caso a família e a escola percebam que o adolescente está muito confuso com relação à escolha profissional ou demasiadamente angustiado com os estudos, é preciso buscar uma ajuda profissional. Afinal, por mais que alguém estude, jamais conseguirá bons resultados se estiver muito estressado ou inseguro. 

O estímulo e o reforço positivo são sempre os melhores aliados na educação de crianças e adolescentes!

Fabíola Scherer Cortezia - fabiola@espacodomquixote.com.br
Psicóloga do Espaço Dom Quixote
Especialista em Infância e Adolescência

Como se não houvesse amanhã



Frente ao traumático e irreparável da tragédia ocorrida em Santa Maria, as palavras muitas vezes nos escapam, mas é através delas que o excessivo, que a dor, que o sofrimento pode encontrar outros destinos possíveis. A partir dessa ideia, trago o texto de Diana L. Corso que de forma respeitosa, sensível e realista nos oferece palavras possíveis para o acontecido. 

Como se não houvesse amanhã

Diana L. Corso 

Lá fora é perigoso, porque o mundo está cheio de perversos e irresponsáveis, mas é para onde todos temos que ir. É fácil evocar o que pensamos em momentos de agradável intensidade: “azar, não posso deixar de viver por medo, é tão legal que podia acabar agora”. Já pensei isso. Quantas vezes nos colocamos em situações de risco ou, pelo menos, naquelas em que o bom senso não impera? Não negue, mesmo que você seja o rei da precaução, todos nós já fomos apresentados à cara do perigo. Sair à noite em nossa sociedade violenta, beber mais do que gostaríamos, estar em um lugar confinado, fazer uma aventura arriscada de carro, escaladas, voar de asa delta, tomar banho em cachoeira, dirigir bêbado, subir no carro do amigo destemido ou alcoolizado, ficar íntimo de alguém que não se conhece, frequentar ruelas escuras. A lista é longa. 

Essa leveza beirando a irresponsabilidade é coisa típica da juventude, mas também, com sorte, reencontramos esse sentimento mais adiante. Os jovens vivem momentos festivos de euforia coletiva, atravessam juntos uma noite que faz o tempo parecer infinito. A festa é nossa desde o início dos tempos e costumava ser um momento sagrado, onde os excessos e descontroles eram prescritos. Hoje celebra-se a alegria, a força vital, o direito de dançar de qualquer jeito, só pelo prazer de partilhar o ritmo com os amigos e contemporâneos. 

Jovens se arriscam, mas desta vez o culpado é outro. A tragédia de Santa Maria, causada por irresponsáveis que, espero, serão descobertos e punidos, não foi culpa deles, que estavam divertindo-se, nem da permissividade das famílias que não os acorrentaram em casa. Eles acorreram ao evento sem conferir se havia saídas de emergência, portas corta-fogo. Mas isso não era tarefa deles. A alegria pressupõe a confiança de que vai dar tudo certo. A felicidade é otimista, por isso muitas vezes envolve riscos, que devem ser sanados por aqueles que têm a diversão alheia como forma de trabalho. Vale para uma festa, um parque de diversões ou um programa de mergulho. 

Investigações e punições são uma dívida com as vítimas. Mas as famílias e os amigos sobreviventes não terão nada devolvido com isso, já perderam o essencial: aquela mínima isenção do medo e da culpa que nos ajuda a viver. A morte, principalmente em sua face trágica e quando se perde um jovem, é a maior experiência de impotência. Nada porta o sem-sentido da vida como a inclemência do fim, principalmente o de quem teve reduzido o tempo de dizer a que veio. 

Perder um filho é a pior das mortes, é um assassinato da esperança, impossível de assimilar. Cuidamos zelosamente nossos descendentes, pois seguirão nossos passos quando cessarmos. Sua morte é um milhão de vezes mais insuportável que a nossa, restamos sem sua transcendência. Um filho morto diminui a chance de nos tornarmos lembrança. Apesar disso, não podemos ser egoístas e guardá-lo numa redoma, esperando que viva para nos cultuar. 

Sou mãe de duas jovens da idade da maior parte das vítimas da boate Kiss. Tanto quanto elas, estivemos muitas vezes em muitos lugares assim. Se meus pais tivessem me impedido, se eu proibisse minhas filhas de viver seu tempo, certamente sua segurança estaria melhor garantida. Porém, um filho cerceado em sua liberdade é alguém cujo corpo é confinado para que sua mente só se ocupe de amar aos pais. Lá fora é perigoso, porque o mundo está cheio de perversos e irresponsáveis, mas é para onde todos temos que ir.

Às pessoas queridas dessa mais de duas centenas de jovens mortos gostaria de transmitir muito mais do que a solidariedade, também a identificação. E principalmente dizer: não, vocês não poderiam ter impedido seu filho, sua irmã, sobrinho ou amigo de estar lá. Ele exerceu o direito de ser livre e feliz, você tinha o dever de respeitá-lo. Desta vez, não houve amanhã, mas se um jovem é proibido de conviver com seus pares ele também acaba privado de conhecer-se, do seu futuro. A dor é inevitável, mas gostaria de aliviá-la da culpa. Correr riscos faz parte de ensinar a viver, embora, repito, essa dor é tão imensa que certamente não estou, no momento, servindo de consolo. 

Diana Corso é psicanalista, escritora, colunista do Zero Hora. 
Esse texto foi retirado do site www.marioedianacorso.com.br. 


Thaís C. Chies - thaispsico@espacodomquixote.com.br
Psicóloga do Espaço Dom Quixote

Felicidade e o adolescente



Compartilho aqui, uma leitura muito interessante sobre a felicidade e a adolescência, uma fase do desenvolvimento com inúmeras mudanças físicas e psicológicas. 

Este texto procurou pesquisar o conceito de felicidade para os adolescentes e também o que eles consideram importante/necessitam para estarem felizes. Nesse artigo, uma das questões discutidas foi à correlação de felicidade com sentimentos (prazer, autonomia, bem-estar e aceitação), sendo essa uma tendência inicial dos adolescentes. Essa correlação demonstra a necessidade deles de se sentirem bem com eles mesmos e com as demais pessoas, perante as adversidades de mudanças físicas e psíquicas. 

Boa leitura!!! 

ARTIGO: Do que eles precisam para serem felizes? A felicidade na visão de adolescentes. ABAID, J.L.W, CAMARGO, S.P.H E GIACOMONI C.H. 

Acessem o link:

http://www.academicoo.com/texto-completo/do-que-eles-precisam-para-serem-felizes-a-felicidade-na-visao-de-adolescentes


Fernanda Soares Fernandes - fernandapsico@espacodomquixote.com.br
Psicóloga do Espaço Dom Quixote
Especialista em Psicologia Clínica – CRP 07/17156

Celebrações



Passado recentemente momentos de celebrações, de encontros com familiares, com amigos, com colegas, enfim com os grupos que pertencemos e formamos, fica mais viva e evidente a ideia do quanto esses grupos são fundamentais nas nossas vidas no sentido do sentimento de pertença, assim como na construção de nossa identidade. Nesse período de férias escolares, onde muitas vezes crianças e adolescentes tendem a passar muito tempo sozinhas e isoladas, trago um texto de Anna Verônica Mautner para refletir sobre a importância e a valorização das vivências compartilhadas em grupo na vida das crianças e dos adolescentes. Boa leitura! 

Celebrações* 

Anna Verônica Mautner 

Desde que o mundo é mundo, desde sempre a humanidade organiza-se em torno da necessária rotina do dia a dia entrecortada por datas especiais. Sabemos que precisamos de dias diferentes para descanso, comemoração, alegria. 

Cantar junto, caminhar junto, festejar ao mesmo tempo, na mesma época, funciona como reconfirmação de quem somos e de todas as nossas pertinências. A humanidade evoluiu, as formas de comemorar mudam, mas a necessidade de confirmação de que estamos aqui, de que existimos, não desaparece. 

No 7 de Setembro, por exemplo, as solenidades cívicas confirmam a existência do Brasil tal qual é hoje, livre e soberano. Na Igreja Católica, o sacramento do crisma confirma o batizado; os aniversários confirmam nosso nascimento; nas vitórias esportivas e artísticas pelo orgulho que sentimos, confirmamos a nossa nacionalidade e regionalidade. Passeatas, carreatas, torcidas, hinos, slogans são também confirmações de pertinências. A tietagem e as torcidas organizadas são formas modernas de manifestação de comunhão com os que fizeram a mesma escolha. 

Cada família também tem seus rituais, solenes ou singelos, como jeito e hora de dar presente, certas canções sisudas ou engraçadas que todos entoam juntos, pois fazem parte da história comum. A importância dos rituais é sempre trazer a tona nossa própria história, individual, grupal ou nacional. Existem leis e regras que regem a manutenção das tradições: não se pode fazer qualquer coisa que se queira com a bandeira nacional (o trato dela é definido por lei); assim também são definidos os hinos. 

Agremiações esportivas e literárias criam celebrações próprias. Algumas escolas também procuram manter sua história viva. Lembro-me dos preparativos anuais que antecediam o Dia do Mackenzie, cuja festa integrava todos os cursos, do primário às faculdades, num mesmo campo de esporte, com o mesmo uniforme, cantando o mesmo hino, fazendo ginástica coletiva e jogos. 

Não faz muito tempo, encontrando-me por acaso com outros três colegas dessa escola, demos muita risada tentando lembrar as palavras do nosso velho hino. Ninguém tinha esquecido, assim como lembrávamos as músicas religiosas que entoávamos no culto diário. As escolas católicas têm suas formas de manter vivo seu passado no cotidiano da instituição. 

Basta observar um show de rock ou um jogo em um estádio para perceber novos ritos nascendo para criar as mesmas emoções. O que lamento é perceber que, com medo de ser caretas ou retrógrados, pais e educadores vão abandonando solenidades que marcam a sua própria vida. Não sou ingênua. Sei que o grito uníssono da multidão que se levanta tanto pode levar ao bem quanto ao mal. Mesmo sendo pacifistas, nós nos beneficiamos da emoção que nasce da voz coletiva. Como se diz, o martelo que faz o aço também quebra o vidro, mas nem por isso jogamos os martelos fora. A diluição da individualidade nesses tipos de cerimônia é importante porque realimenta uma força que existe no mundo interior de casa um. 

Eu pediria aos adultos - pais, professores e educadores - que não privassem as crianças dos momentos de consagração que viveram e que podem ser importantes na confirmação da identidade dos jovens. Ser solitário na multidão é suficientemente frequente na nossa vida para nos manter em níveis altos de insegurança. Não é bom eliminar os eventos em que, juntos, levantamos os braços e saudamos. Momentos em que não estamos sozinhos. O show, o concerto, a torcida, as festas de aniversário são diferentes bálsamos para a solidão. Instrumentalizemos os jovens. Vamos ensiná-los a comemorar. Comemorando, sem medo de pieguice. 

*Texto retirado do livro Educação ou o quê? Reflexões para pais e professores da autora Anna Verônica Mautner, editora summus editorial.


Thais C. Chies - thaispsico@espacodomquixote.com.br
Psicóloga do Espaço Dom Quixote

Nutrição e Exercício Físico


Qual a importância do nutricionista para a saúde do atleta e do praticante de exercício físico? 

Cada vez mais tem se dado importância a nutrição de atletas e praticantes de exercício físico regular tanto na idade adulta quanto ao longo da infância e adolescência. 

Uma boa nutrição está associada a um melhor condicionamento físico e, consequentemente, a uma melhor performance e produção de resultados ainda mais expressivos, sendo essa afirmação embasada em estudos científicos recentes. 

Importante pontuar que a conduta nutricional deve ser pensada tendo em mente o tipo de modalidade esportiva praticada pela criança e pelo adolescente, assim como sua duração, intensidade e frequência. O manejo dietético é pensado tendo como foco o efeito dos nutrientes no organismo em resposta ao esforço muscular produzido pelo exercício. 

Uma alimentação adequada, rica em vitaminas, minerais e fibras pode auxiliar também na prevenção de quadros de fadiga e lesões musculares atuando na regulação da resposta do organismo ao estresse oxidativo causado pela prática de exercícios. 

Lembre-se, para que sejam obtidos bons resultados, é necessário que o trabalho desenvolvido com atletas mirins tenha ênfase em qualidade de treinamento, recuperação muscular (período de descanso) e uma alimentação saudável. 


Daniele Santetti - danielenutri@espacodomquixote.com.br
Nutricionista do Espaço Dom Quixote 
Mestranda em Saúde da Criança e do Adolescente 

Orientação Profissional para Adolescentes


Filho na adolescência, e agora?


E agora é mais um daqueles momentos em que você não sabe o que fazer. Como quando soube que estava grávida, quando descobriu que seria pai. Quando o seu filhote tão indefeso foi para a escola, e o pior, ficou sozinho. Resmungou, mas não olhou para trás. Depois de cada momento desses, você respirou fundo e continuou. Afinal, são etapas que todos os pais passam e passarão. Agora você vê seu filho, sua responsabilidade tomando novamente novas formas, desafiando, brigando e pedindo para voar. Aí você se pergunta: e agora? O que está acontecendo com meu filho que acompanhava e concordava com tudo?

Pois bem, ao mesmo tempo em que você se pergunta isso, seu adolescente se olha no espelho e vê nítidas mudanças que não se deixam esconder. Procurando no seu desespero, no seu desencontro, uma maneira de descobrir o que fazer com isso tudo. Pois ele sabe, sem você ter percebido, que já perdeu o seu encanto infantil. Ao mesmo tempo em que família, sociedade, escola e amigos começam a lhe cobrar maturidade: “você não é mais criança”. Um misto de deixar de ser e começar a se tornar toma conta, nenhuma responsabilidade pode ser assumida, assim como nenhuma atitude infantil é aceita. É preciso ter atitudes maduras. Mas que atitudes maduras são essas que se espera de um adolescente de 15 anos? Reformularei a questão: como você foi aos 15 anos? Teve uma adolescência plena e feliz sempre? Teve apoio de seus pais? Pôde questionar sobre as milhares questões que seu corpo pedia resposta? Teve toda a liberdade que queria?

Devemos desmistificar a ideia que nós adultos criamos sobre a adolescência como uma fase plena e feliz, de liberdade total e onde não há preocupações. Claro que há preocupações, vejamos as mudanças físicas, psíquicas e as decisões que guiarão toda a trajetória adulta e por onde criamos nossos parâmetros de vida.

Criam-se ideais de felicidade que naturalmente não são encontrados pelos adolescentes, gerando frustrações por não saber encontrar esta felicidade e este gozo que é obrigatório. O adolescente revolta-se porque quer ser feliz. Enfrenta, pois lhe mandam tomar uma atitude. Junto a tudo isso se deixa de escutar um pedido de atenção: “ou me deixam crescer ou cuidam de mim”.

Aos pais, cabe a tarefa de lembrar sua adolescência, suas dúvidas e medos. Reconhecendo que agora é um daqueles momentos de mudança, de transição. Uma fase como outra qualquer, fantasiada de festa, mas coberta de insegurança.

Ao adulto cabe olhar para si próprio, tendo a capacidade de abrir os olhos, os ouvidos e o coração. Pois são essas ferramentas que os aproximarão daqueles que se sentem rejeitados do resto do mundo.

Deixemos de instruir apenas o que parece óbvio e prático: não use drogas, use camisinha, espere, comporte-se como adulto. E passemos a pensar nas instruções mais fundamentais: os pais estarão sempre ao seu lado, não tenha pressa, descubra aquilo que você goste. E goste.

Demonstre ao adolescente o carinho que não foi embora com a infância, mas que reconhece a necessidade de sair debaixo da asa (aos poucos, já que não é tarefa fácil).

Bons adultos e adolescentes felizes são formados dentro de casa, com o suporte familiar e com tranquilidade para perceber que qualquer fase, problema ou medo pode ser superado.

Devemos lembrar e respeitar o momento que muitas vezes não é totalmente feliz. De fato não estamos sempre felizes. Portanto, abra espaço para o diálogo, para a aproximação, para o não e para a revolta com o mundo. Pois é neste momento que descobrimos e avaliamos o que é bom, ruim, justo e injusto.

Sejamos solidários, abertos. Respire fundo, dê a mão, um abraço. Não tenha medo de dizer não, seja firme. Mas esteja aberto a persuasão. Não feche os olhos, mantenha-se atento a tudo e a todos, pois você ainda é responsável por aquilo que cativas.

Abra o coração, seja flexível, amigo. Leve, busque, acompanhe, saiba onde está. Você, apesar de qualquer dificuldade deve continuar, acreditar, amar. Pois você é acima de qualquer coisa, espelho mais fiel que ele pode ter.

Este não é um manual, um guia e não tenta responder nenhuma questão fielmente. Busca apenas abrir novos pontos de interrogação. Outra forma de pensar a adolescência e o adolescente, pois este é um assunto interminável. Uma maneira de tornar o assunto mais leve e simples.

E agora? E agora só você pode responder essa pergunta.


Caroline Ciceri - carolinepsico@espacodomquixote.com.br
Psicóloga do Espaço Dom Quixote

Música, Adolescência e Timidez - Oficina de Música


A fase da adolescência é muito marcada pela música. Qual adolescente não fica horas trancado no quarto escutando música? A música alivia as tensões, evoca as mais fortes emoções e é capaz de transformar uma emoção, melhorando o estado de humor, auxilia inclusive a compreender que emoções se está sentindo, que são tantas e muitas vezes confusas nessa fase. A música tranquiliza e se torna fundamental em um momento de descoberta de si mesmo, de firmar a identidade.

A Musicoterapia para adolescentes se torna muito eficiente para trabalhar as questões emocionais e relacionadas à identidade. As canções trazem à tona questões que marcam a vida presente e\ou passada e podem trabalhar também questões relacionadas ao futuro, desejos, anseios. As canções trazem lembranças relacionadas a situações passadas, emoções, relacionamentos, que ao virem à tona podem ser trabalhadas, transformadas se preciso for. O adolescente aprende a lidar melhor com suas emoções e não se envergonhar delas.

A música auxilia em todos os âmbitos do desenvolvimento: emocional, social, cognitivo e motor. Muito comum é a timidez nessa fase de mudanças, de introspecção, que atrapalha a interação com as pessoas. Na Musicoterapia são duas pessoas ou mais interagindo através da música que oferece um espaço de expressão, de deixar a timidez de lado e saber se colocar. O cantar e a improvisação desafia o adolescente a se colocar, convoca quem é muito tímido a se expor. Desenvolve-se habilidades e atitudes de autonomia, enfrentamento, defesa, cooperação, atenção e respeito com o outro, muitas vezes indiretamente e de forma mais prazerosa (com música!). Habilidades essas necessárias nas interacões do dia a dia, seja na família, na escola, com amigos e em um futuro mercado de trabalho. Na música se vivencia situações que em seu dia-a-dia irá enfrentar e saber se colocar na música permite que o adolescente consiga se colocar também no meio social.

A música oferece segurança. Em uma canção conhecida sabe-se o que está por vir, e no desconhecido, a repetição oferece segurança para encarar o novo. A canção é uma estrutura organizada com início, meio e fim, que permite retornar ao estribilho, repetir um trecho preferido, ir e vir. O retornar ao trecho conhecido é uma fonte de segurança para encarar partes desconhecidas da canção, uma nova estrofe. A repetição da canção se dá nos estribilhos, nos refrões, nas estrofes, na coreografia, nos padrões ritmicos, melódicos e harmônicos, etc, ela incentiva a autoconfiança, a segurança.

É preciso estar confiante e seguro para conseguir se colocar bem perante os outros, para sair da introspecção. Outro ponto fundamental é a autoestima que a música promove ao conseguir realizar uma atividade com sucesso.

Sentindo-se mais seguro para encarar as situações do dia a dia, com a autoestima elevada, as emoções mais estáveis e mais independente, além de ter aumentado a criatividade para enfrentar os problemas, a música oferece os recursos necessários para o adolescente deixar a timidez de lado.

Além das sessões individuais de Musicoterapia, o Espaço Dom Quixote em 2012 está oferecendo a Oficina de Música para adolescentes, onde serão oferecidas novas experiências, novos contatos e novas maneiras de se colocar. Serão realizadas atividades que irão proporcionar o conhecimento de instrumentos e músicas diversas, o tocar e cantar em conjunto, improvisações, composições inusitadas, onde cada um participará com o seu potencial, enriquecendo o grupo.

Além de muita diversão, a música auxilia a deixar a timidez de lado e a se tornar mais extrovertido, seguro, dinâmico e criativo, características fundamentais nos dias de hoje.

Informe-se!

Luciana Steffen - lucianamt@espacodomquixote.com.br
Musicoterapeuta do Espaço Dom Quixote

Oficina de Música!


Você, adolescente, tem dificuldade em falar em público, se colocar na frente dos outros, mas gosta de música?

Venha conhecer a Oficina de Música, onde irá experimentar novos instrumentos, sons, descobrir suas potencialidades, compor e, com muita diversão, deixar a timidez de lado!

O Espaço Dom Quixote oferece em 2012 a Oficina de Música para adolescentes, na qual serão realizadas atividades bem diversificadas e dinâmicas que irão proporcionar o conhecimento de instrumentos e músicas diversas, o tocar e cantar em conjunto, composições inusitadas, onde cada um participará com o seu potencial, enriquecendo o grupo.

Além de muita diversão, a música auxilia a deixar a timidez de lado, tornando a pessoa mais extrovertida, segura, dinâmica e criativa, características fundamentais nos dias de hoje.

A música, além de descontrair, também aumenta a autoestima, trabalha a comunicação, a interação e melhora a aprendizagem, pois ativa diversas áreas do cérebro envolvidas com concentração, memória, raciocínio. Além disso, aumenta a tolerância e a capacidade de superar desafios, a disciplina e a sensibilidade!

A oficina ocorrerá todas as terças às 18h, com o valor de R$ 160,00 mensais.

Maiores informações pelo telefone (51) 3037.7167, e-mail lucianamt@espacodomquixote.com.br ou recepcao@espacodomquixote.com.br.


Luciana Steffen - lucianamt@espacodomquixote.com.br
Musicoterapeuta do Espaço Dom Quixote

Sugestões de Músicas para crianças e adolescentes?


Dicas para pais, cuidadores, padrinhos, educadores, profissionais, avós, etc.

Seguem algumas sugestões de discografia para crianças:

- Arca de Noé – Vinícius de Moraes
- Casa de Brinquedos - Toquinho
- Adriana Partimpim - produzido por Adriana Partimpim, Dé Palmeira e Sacha Amback
- Os Saltimbancos - Luiz Enriquez, Sérgio Bardotti e Chico Buarque
- Quem Canta, Seus Males Espanta - Theodora Maria Mendes De Almeida
- As 100 Mais da Pré-Escola – Patati Patatá
- Dois a Dois – Grupo Rodapião
- Pedro e o Lobo
- Tempo de Brincar - Valter Silva
- Abre a Roda Tindolelê - Lydia Hortélio
- Hélio Ziskind - MCD World Music
- Villa-Lobos Para Crianças - Coro Infantil do Teatro Municipal do Rio de Janeiro e Quinteto Villa-Lobos
- Coleção Disquinho – Histórias Infantis

Outras dicas valiosas:

O Palavra Cantada tem diversos cd’s como “Cantigas de Roda”, “Pandalelê”, “Pé com Pé” com canções tanto para crianças como adolescentes.

Beto Hermann, Bia Bedran, Thelma Chan e Teca Oficina de Música também têm diversos trabalhos que vale a pena conferir, os dois últimos também tem um trabalho atraente para adolescentes.

Para crianças e adolescentes:

- Músicas daqui, ritmos do mundo - Zezinho Mutarelli e Gilles Eduar
- Corpo do Som - Barbatuques - MCD World Music

Que música colocar na hora de dormir?

Não é a toa que existem as cantigas de ninar. Pais de crianças de todo o mundo relatam que música na hora de dormir acalma seus filhos, muitas vezes fazendo-os dormir mais rápido e mais tranquilos. Porém, é importante salientar que cada um tem um gosto musical, podendo determinadas músicas ou timbres (como o de instrumentos musicais ou a altura da voz) não provocarem tranquilidade, e sim trazerem um certo incômodo que será prejudicial para uma boa noite de sono.

Tente perceber quais músicas agradam e desagradam seu filho. Escolhas não faltam, músicas instrumentais, com sons de piano, com orquestras, músicas com o som de “caixinhas de músicas”, músicas cantadas. Resta investigar quais realmente deixarão seu filho tranquilo. Seguem algumas sugestões:

- Happy Baby Series – Good Night
- Baby Einstein – Lullaby Classics
- MPBaby – Canções de Ninar
- Palavra Cantada – Canções de Ninar
- Zilda Azevedo – Nana Nenê
- Caixinha de Dormir – Angels Records
- Acalantos Brasileiros – Jane Duboc

Lembrando que as primeiras três coleções têm diversos outros cd’s que vale a pena conferir!


O Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil, volume 3: (http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/volume3.pdf) traz também dicas de cd’s e livros na parte da educação musical.

Na internet encontram-se alguns sites interativos relacionados à música com os diferentes sons da orquestra ou jogos musicais, muito ricos de serem explorados com as crianças.


Luciana Steffen - lucianamt@espacodomquixote.com.br
Musicoterapeuta do Espaço Dom Quixote

Fones de ouvido


Volta e meia surgem dúvidas a respeito do uso de fones de ouvido e seus excessos, principalmente entre os jovens.

Atualmente, está na moda usar aqueles fones de ouvido grandes, que podem ser de várias cores e que falam sobre o estilo de cada um. Quem ainda não viu alguém passando na rua com um destes, pode prestar atenção que eles estão aí e ganhando cada vez mais adeptos.

Mas será que este tipo de fone de ouvido também é prejudicial à audição?

O que sempre deve ser observado, e isto vale para qualquer tipo de amplificador sonoro, é a intensidade do estímulo auditivo, ou seja, qual o volume da música que está sendo escutada? Se o regulador de volume estiver perto do limite máximo, com certeza esta intensidade vai fazer mal para a audição se ficarmos expostos por muito tempo. Estes fones de ouvido grandes tem a vantagem de não reduzirem o espaço que receberá o estímulo auditivo para apenas o canal auditivo, diferente daqueles modelos menores que amplificam o som diretamente, e apenas, para este canal.

O problema em utilizar os fones de ouvido está na intensidade exagerada e no tempo de uso. Não dá para passar o dia com os fones de ouvido e com a música no máximo sem ocasionar perda auditiva PERMANENTE. Isto mesmo, permanente. Os danos podem não ser sentidos agora, mas com o passar do tempo a audição vai diminuindo e aí não tem mais volta. Por isso, é importante que os fones sejam utilizados com equilíbrio, deixar a música em uma intensidade moderada e dar descanso para os ouvidos a cada meia hora, pelo menos.

O assunto desperta tanto interesse que o programa Bom Dia Rio Grande fez uma reportagem esta semana. Assista através do link: http://mediacenter.clicrbs.com.br/templates/player.aspx?uf=1&contentID=207178&channel=45


Fernanda Helena Kley - fernandafono@espacodomquixote.com.br
Fonoaudióloga do Espaço Dom Quixote
Pós-Graduanda em Neuropsicologia (UFRGS)

Reprovado: e agora?


Muitos alunos e alunas vivem, neste momento, a expectativa pelo resultado de um ano de estudos. Nem todos os resultados serão de alegria, alívio e vitória por mais uma etapa vencida. Alguns alunos terão que lidar com a reprovação e o sentimento de frustração. Para muitas famílias este resultado provoca desorganização e mal-estar. É muito comum neste momento a famosa caça às bruxas ou bruxos: quem é o culpado? Professores, alunos, pais, todos se responsabilizam e são responsabilizados.

É importante que um resultado como a reprovação não seja visto, apenas, como uma derrota, um ano perdido, uma vergonha, mas como um alerta de que algo aconteceu, de que algo está errado e precisa mudar. Nesta hora, culpar ou responsabilizar uma das pontas do processo de educação não modificará o resultado e nem aliviará o sentimento negativo que se instala. É preciso refletir sobre a reprovação de um filho ou uma filha e planejar metas para obter um melhor resultado no ano seguinte.

A família tem um papel muito importante no processo educativo dos filhos, incentivando e organizando a rotina de estudos, valorizando a escola e a aquisição de conhecimentos, acompanhando o processo e os resultados dos filhos através dos cadernos, provas, conversas, momentos de estudo. Fazer parte da comunidade escolar não significa apenas matricular o filho numa escola; significa participar, na medida do possível e com esforço, das reuniões de pais, agendamentos de conversas com professores, festividades escolares.

Quando uma criança ou adolescente percebe os pais interessados e participativos na escola, sente-se valorizado e incentivado a ter um comprometimento maior com o seu estudo. Da mesma forma, os educadores que percebem a família valorizando o trabalho e esforço dos professores e da escola sentem-se mais comprometidos e respaldados. Este envolvimento da família cria um canal aberto para, família e escola, buscarem soluções para as dificuldades de aprendizagem que possam ocorrer durante o ano letivo.

Cabe ainda investigar se a reprovação é fruto de um desajuste escolar — falta de estudo, não realização de tarefas e não cumprimento de prazos para sua entrega, má postura no ambiente escolar que provoca indisciplina, descomprometimento e descaso — ou, ainda, se há uma dificuldade de aprendizagem. Quando há suspeita de dificuldade de aprendizagem, é importante investigar com profissionais capacitados para iniciar um trabalho de recuperação e resgate de habilidades cognitivas e de auto-estima.

Muitas podem ser as dificuldades de aprendizagem que impedem o sucesso imediato e esperado na vida escolar. Questões biológicas, psicológicas e sociais precisam ser investigadas para construir uma proposta terapêutica adequada e ajudar a criança ou adolescente a enxergar possibilidades de superação das dificuldades. Em alguns casos, este acompanhamento é temporário, tratando de questões bem pontuais e práticas; em outros, o acompanhamento é transdisciplinar, com vários profissionais, e trata de questões mais funcionais, subjetivas e com comprometimento maior.

É importante que a escola e a família estejam atentas a todos os sinais demonstrados durante o ano. Resultados negativos nas avaliações, incapacidade de compreender as informações, desatenção em sala de aula, comportamento inadequado, mudanças emocionais, mal-estar físico e desmotivação com a escola podem ser indicadores de que algo não está bem e precisa ser investigado com mais atenção. Nestes momentos, a conversa entre família e escola é fundamental para tentar compreender o que está acontecendo e buscar ajuda durante o ano letivo.

Cabe também ao aluno o comprometimento com os estudos, a dedicação e organização de tarefas e o envolvimento em sala de aula, buscando compreender e participar efetivamente das propostas de trabalho apresentadas pelos professores. Manter uma rotina de estudos em casa — revisando e estudando —, buscar ampliar seus conhecimentos com mais informações, alimentar-se adequadamente, realizar atividades físicas ou de lazer com os amigos e ter uma boa noite de sono são elementos indispensáveis para obter sucesso na vida escolar.

Se o resultado de um ano letivo for a reprovação, é importante encarar a situação com seriedade e compreensão. Mudar comportamentos, assumir responsabilidades e buscar ajuda são compromissos importantes e indispensáveis para não repetir este resultado. Deve-se cuidar para que a reprovação não acabe com a harmonia da família, não rebaixe a auto-estima do filho/da filha e não destrua a relação com a escola, mas seja entendida como uma nova oportunidade para refazer o caminho, aprender o que não foi aprendido, compreender-se melhor e desenvolver as competências e habilidades necessárias para uma boa qualidade de vida em todos os âmbitos.

Janete Cristiane Petry – janetepp@espacodomquixote.com.br

Psicopedagoga do Espaço Dom Quixote

Dom Quixote Responde: Gostaria de saber mais como pode se trabalhar a sexualidade na escola.


Trabalhar questões de sexualidade com crianças e adolescentes é complicado, tendo em vista o tabu ainda existente com relação ao assunto. Em primeiro lugar deve-se conversar com os pais, para saber como eles se sentem em relação ao assunto e com a possibilidade de que este assunto seja trabalhado em sala de aula, nesta reunião se averiguar com os pais até onde eles já conversaram com os filhos sobre o assunto e qual o conhecimento prévio das crianças/adolescente.

Neste momento com os pais deve ser explanado de que maneira será trabalhado com alunos. Este trabalho poderá variar conforme a idade dos alunos. Para os pequenos historinhas sobre o assunto (mamãe botei um ovo, cabelinhos em lugares engraçados), teatrinhos de fantoches, bonecos anatômicos podem ser bons materiais de trabalho.

Com os adolescentes pode se oferecer palestras com médicos e/ou psicólogas, seminários/debates, é importante ressaltar que todas as atividades realizadas pelos adolescente devem ser feitas com a supervisão e intervenção de algum adulto. É fundamental abrir espaço para debate, pois não basta oferecer palestra expositiva, os adolescentes precisam se sentir à vontade para perguntar e expor opiniões, só assim se sentirão patê ativa da atividade oferecida!

É importante ter em mente a necessidade de responder exatamente o que a criança/adolescente pergunta, e para isso é necessário que se saiba até onde a criança/adolescente sabe sobre o assunto!

Fabiola Scherer Cortezia - Psicóloga - fabiola@espacodomquixote.com.br
Clarissa Paz de Menezes - Psicopedagoga - clarissapp@espacodomquixote.com.br

Dúvidas sobre educação e saúde de crianças e adolescentes? Nós podemos ajudar!

Espaço Dom Quixote na Escola Sagrado Coração de Jesus



No mês de abril o Espaço Dom Quixote esteve mais uma vez na Escola Sagrado Coração de Jesus, agora trabalhando com crianças e adolescentes com a palestra sobre Direitos e Deveres.

Confira as fotos e a reportagem na página da escola: http://www.escj.g12.br/acontece/2010/2010_04_05_palestra_formacao/index

O Espaço Dom Quixote adora participar de eventos em uma escola tão acolhedora como a escola Sagrado! Parabéns à direção pelos eventos criados. Com certeza quem sai ganhando é a comunidade escolar!

O chocolate de Páscoa...


PÁSCOA COM CHOCOLATE
O chocolate é considerado o alimento que causa mais impacto no estado de humor, e talvez esse seja um dos motivos que o leva a ser o mais aceito em todo o mundo.
Mas infelizmente o chocolate é muito calórico, isso porque ele é riquíssimo em gorduras e deve ser consumido com moderação. Se não deu pra resistir não tem problema. Porém, coma devagar e não devore o ovo inteiro em um só dia.
Além de ser muito rico em gorduras e açúcares simples, também possui cafeína, substância presente no café e chá preto, e que quando ingerida em grande quantidades causa irritabilidade e aceleração no metobolismo.
CHOCOLATE AMARGO FAZ BEM, É ISSO MESMO!
Prefira o chocolate amargo, porque ele oferece potentes benefícios para a saúde, pois é rico em antioxidantes que ajudam a proteger os vasos sanguíneos, prevenir câncer e promover a saúde do coração.
''Dose'' ideal de chocolate amargo a ser consumida:
Um quadradrinho da barra por dia seria o ideal.
Ampla Variedade: no mercado já existem várias opções de concentação de massa de cacau. Há opções de 40%, 50%, 70% e até 80%. Também tem sido demonstrado de forma afetiva que o consumo de chocolate escuro combate a pressão alta.
Curiosidades
De fato, o chocolate escuro tem mais flavonóides que qualquer outro alimento rico em antioxidantes como o vinho tinto, chá verde e preto.
Para quem acha o chocolate amargo 'muito' amargo, há o meio amargo, que proporciona quase os mesmos benefícios.
Confira a receita de Cookies de chocolate
Ingredientes e Preparo:
. 2/3 de xícara (chá) de manteiga (130 gramas);
. 1/2 de xícara (chá) de açúcar branco (90 gramas);
. 1/2 de xícara (chá) de açúcar mascavo (90 gramas);
. 1 ovo;
. 1 colher (chá) de baunilha;
. 2 colheres (sopa) de chocolate em pó;
. 1 e 1/2 de xícaras (chá) de farina de trigo (180 gramas);
. 1/2 colher de (chá) de bicarbonato de sódio;
. 180 gramas de chocolate meio amargo, quebradinho;
. 1 pitada de sal.
Preparo:
1. bata na batedeira a manteiga, o açúcar branco, o açúcar mascavo, o sal, o ovo, a baunilha até ficar um creme leve.
2. Acrescente o chocolate, a farinha de trigo, o bicarbonato de sódio e bata até incorporar bem.
3. Pare de bater e junte o chocolate em pedacinhos, misturando bem.
4. Pingue a colheradas de sopa numa assadeira untada e enfarinhada e leve ao forno pré- aquecido a 200 graus por 15 minutos.
5. O cheiro invade e o sabor é supreendente.
6. Espere amornar para retirar com a espátula.
Simone Hess
Nutricionista do Espaço Dom Quixote

Entendendo as mudanças e necessidades da adolescência atual

DATA: 22 e 29 de abril, 06 e 13 de maio de 2010
quintas-feiras
HORÁRIO: 19h30min às 22h
INVESTIMENTO: R$ 100, 00
CONTEÚDO PROGRAMÁTICO
ü 22/04/2010 - O corpo, a autoimagem e a sexualidade. Meninos X Meninas. E a homossexualidade, por que está cada vez maior?
ü 29/04/2010 - “nem criança, nem adulto. Quem sou eu?”
ü 06/05/2010 – Socialização: a importância dos amigos, roupas, ídolos, televisão, internet , festas, música e celular. Como pais, educadores e adolescentes devem lidar com tudo isto?
ü 13/05/2010 – O adolescente atual: escolhas fáceis ou escolhas saudáveis? Como direcionar para as escolhas saudáveis. Desenvolvendo a criatividade para uma vida melhor.
PÚBLICO ALVO: Pais, profissionais de saúde, professores e adolescentes.

MINISTRANTE:
Andréa de Espíndola –
Psicóloga com especialidade em Psicomotricidade e Arteterapia em formação

INSCRIÇÕES: pelo fone 3037.7167 ou pelo e-mail recepcao@espacodomquixote.com.br até dia 05/04/2010.
Aproveite! Vagas limitadas!
FORNECEMOS CERTIFICADO!

Inclusão de alunos com deficiência em sala de aula



Mais um ano letivo se inicia e com isso novos alunos chegam. Cada qual com sua individualidade e necessidade. Alguns necessitam de um olhar mais específico e um auxílio maior para realizar as atividades propostas de sala de aula.

Atualmente, os alunos com deficiência estão passando uma crescente parte de seus dias incluídos em salas de aula regulares. No entanto, o ambiente escolar continua inacessível para esses alunos com deficiências físicas ou sensoriais. O professor deve ficar atento à participação ativa e passiva desse aluno.

A participação ativa envolve manipular materiais de aprendizado, fazer escolhas, interagir com os professores e colegas. Enquanto na participação passiva o aluno permite que outro colega tome decisão por ele, complete suas tarefas, ficando inativo no ambiente escolar.

O professor deve tomar cuidado na hora escolher suas atividades a modo de poder adaptá-las à necessidade não só da turma, mas também do aluno especial que está inserido nesse contexto.

Além de proporcionar o ensinamento de conteúdo, o professor estará trabalhando conceitos de cidadania, respeito, coleguismo, união, quebrando pré-conceitos, além de proporcionar o crescendo individual de cada criança para o futuro.

O professor que ainda não se sente preparado a trabalhar com tantas diferenças, pode começar se questionando como está a participação de cada aluno nas áreas abordadas em sala de aula. Depois, pode refletir o quanto o aluno com deficiência necessita de auxílio para realizar suas tarefas em aula

Concluído esse pensamento, você professor pode solicitar auxílio de um profissional que ajude no andamento da turma e do aluno especial. Assim, todos serão incluídos de forma integral dentro de suas necessidades e o professor se sentirá mais tranqüilo em seguir seus projetos com auxílio e cooperação dos alunos, dentro e fora de sala de aula.

Cada deficiência tem um tipo de absorção maior do conteúdo, por exemplo, alunos com deficiência auditiva, não percebem o som com tanta clareza, os deficientes visuais, lêem com as pontas dos dedos, os deficientes físicos podem jogar e brincar com sua imaginação.

Leve seus alunos para passear em um jardim sensorial, por exemplo, e permita que eles explorem seus sentimentos e atitudes. Em meio a sons, cheiros e texturas diferentes as crianças podem explorar, através de trilhas, o contato com o ambiente, podem experimentar angústias, surpresas, alegres, medos e tranqüilidade!


Priscila Straatmann

Terapeuta Ocupacional e Psicomotricista do Espaço Dom Quixote

Adolescência e Drogas: contribuições que a psicopedagogia pode trazer para o tratamento de adolescentes dependentes químicos

A adolescência é uma etapa organizadora onde o organismo e o corpo estão passando por mudanças biológicas e afetivas, influenciando assim no sistema familiar e social, pois apresentam uma maneira particular para enfrentar a vida.

Talvez por esse motivo que se ouve muito que a adolescência é o período da rebeldia, de contestar as regras. E é neste período que a maioria dos sujeitos buscam a droga.

Na adolescência é cobrada uma postura que, quando ele alcança, não lhe é permitido exercer, situação a qual o jovem encontra refúgio nas drogas. O que lhe resta é se juntar aos outros que estão passando pelo mesmo momento.

O adolescente transfere para o grupo a dependência da família, sendo esta etapa a intermediária para independência, embora raramente haja uma preocupação a respeito das conseqüências que este grupo possa trazer, como a iniciação nas drogas e no crime que ocorre pois o adolescente precisa pertencer a algum lugar.

Entre tantas dúvidas e incertezas que envolvem este momento transitório ainda há a escolha de uma profissão em um mercado de trabalho exigente e com a responsabilidade de atingir o sucesso tão esperado.

Neste momento definimos identidade como o conjunto de características físicas, cognitivas, comportamentais, emocionais que formam a personalidade do adolescente.

A adolescência por ser um período de transformações intensas, na qual físico e psíquico poderão sofrer em maior ou menor grau e isso poderá constituir risco em relação ao uso de drogas.

Os aspectos desencadeantes dos transtornos relacionados ao uso de drogas podem envolver aspectos individuais e sociais. O jovem pode ser levado ao uso por curiosidade, influência dos pares ou mesmo por apresentar comorbidade psiquiátrica não tratada.

Antes de tudo, em relação ao tratamento, faz-se necessário compreender esta etapa peculiar do ciclo de vida, pois o jovem estará buscando ser autônomo, buscando sua própria identidade. É normal a relutância inicial do adolescente ao tratamento da dependência química e estará regido pelo conflito com sua autonomia e com a sua onipotência, neste caso não muito diferente do adulto. A maioria dos jovens com dependência química pode recair ao longo dos primeiros meses após terem completado um programa terapêutico de tratamento, pois estarão envolvidos vários fatores.

Dá-se ênfase às atividades grupais como treinamento de habilidades, utilizado como facilitador afetivo e comportamental.

Como é muito comum a comorbidade (ou diagnóstico duplo) e dependência química, no caso do adolescente é primordial a avaliação e tratamento por profissional da área e a psicofarmacologia poderá ser empregada.

É importante que a família participe ativamente do tratamento, com o intuito de restabelecer a autoridade dos pais e melhorar a qualidade da relação entre pais e filhos.

A partir do conhecimento da cultura e história do sujeito, o psicopedagogo, juntamente com outros profissionais envolvidos no processo recuperação da dependência química construirão uma prática que contribua para a ressignificação daquele sujeito, ou seja, auxiliar o adolescente a compreender e enfrentar a dependência, assim como suas conseqüências e a livrar-se da estigma de “drogado” ou “delinqüente” e ir em busca de um futuro melhor.

Para o trabalho com os adolescentes, utiliza-se entrevistas, observações e técnicas diversas, como a utilização das provas projetivas, sessões lúdicas, diagnóstico operatório, sessões de psicodrama entre outros.

É necessário desenvolver a autonomia dos adolescentes, resgatando sua identidade, proporcionando assim a possibilidade de autonomia frente à instituição e a sociedade, proporcionando um espaço de reflexão sobre as questões da adolescência.


Clarissa Paz de Menezes
Psicopedagoga do Espaço Dom Quixote