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Autismo e Nutrição


O autismo infantil tem chamado muito a atenção nos últimos anos, é descrito como uma forma de desordem neurológica de causa desconhecida, caracterizada pela deterioração e demora na interação social e na aquisição da linguagem, bem como déficit de habilidades com padrões de comportamentos repetitivos e de sintomatologia iniciada antes dos 3 anos de idade. 

Inúmeras hipóteses são citadas diariamente sobre a causa do autismo, além das anormalidades associadas com o desenvolvimento motor e comportamental, estudos observam alterações no metabolismo de nutrientes, principalmente das proteínas, do paciente com autismo. 

Pesquisadores acreditam que a nutrição tenha uma grande influência nos transtornos do espectro autístico, e acreditam que a alimentação pode interferir na saúde de uma criança autista, funcionando inclusive como um gatilho para a intensificação dos sintomas. 


A literatura científica tem reportado níveis sanguíneos elevados de gluteomorfina (peptídeos derivados da proteína do glúten) e a caseomorfina (peptídeos derivados da caseína). O aumento da concentração dessas substâncias está relacionado com alteração do nível de acidez estomacal, alteração da motilidade intestinal, redução do número de células nervosas do sistema nervoso central e inibição da neurotransmissão. 

A partir desses achados surgiram algumas hipóteses sobre a possível relação entre autismo e distúrbios do metabolismo proteico, correlacionando o consumo das proteínas derivadas do leite e glúten ao agravamento dos sintomas do transtorno autístico. Pesquisas relatam que crianças autistas que aderiram a uma dieta isenta de caseína e glúten apresentaram melhora dos sintomas. 

O que acontece é que quando esses alimentos são retirados, geralmente melhora-se o estado geral: melhora a concentração, diminui a hiperatividade, a cognição e a socialização. Isso ocorre porque a grande maioria dos autistas, apresentam deficiência enzimática, principalmente da enzima dipeptidilpeptidase IV (DPPIV), responsável por hidrolisar (quebrar) essas proteínas. Além disso, costumam apresentar disbiose e hipermeabilidade intestinal e, dessa maneira, esses peptídeos (fragmentos de proteínas) acabam passando pela membrana intestinal, caindo na corrente sanguínea, atravessando a barreira hematoencefálica e chegando ao cérebro, agindo como drogas opióides semelhantes a heroína e morfina. 

O fato é que a dieta isenta de glúten e caseína ganhou fama mundial como “a dieta do autismo” sendo muito infeliz, pois ela cobre apenas uma parte bem pequena do problema. 

E aproveitando-se da tal fama da dieta, as indústrias do setor alimentício lançaram no mercado uma infinidade de produtos com o rótulo “livre de glúten” e/ou “livre de caseína”, dando aos pais uma falsa sensação de segurança: se é livre de caseína e livre de glúten, então o produto deverá ser bom para meu filho autista, porém são produtos repletos de gorduras e açúcar, em alguns casos cheios de adoçantes artificiais, carboidratos refinados, gorduras alteradas e desnaturadas, proteínas alteradas e desnaturadas e outras tantas substâncias que crianças autistas jamais deveriam consumir. 

Portanto, eliminar o glúten e a caseína da dieta de crianças autistas pode ser um tratamento alternativo, e sim, pode se ter resultados satisfatórios, porém nem sempre em todos os casos. 


O que não podemos esquecer é que as crianças autistas, assim como todas as crianças, precisam de uma alimentação de qualidade, o mais natural possível, repleta de frutas e vegetais frescos, retirando-se possíveis alimentos alergênicos, alimentos industrializados, açúcar e aditivos químicos em geral. 


Cristine Cassel - cristinenutri@espacodomquixote.com.br 
Nutricionista do Espaço Dom Quixote

Atividades pedagógicas com crianças autistas

A aprendizagem de uma criança autista é sempre motivo de ansiedade e insegurança para pais e professores. No entanto, é possível oferecer atividades interessantes e que possam auxiliar no vocabulário, fluência verbal, tolerância, segurança, organização de idéias e criatividade. 

A fim de auxiliar pais e educadores, seguem algumas idéias de atividades para serem realizadas com crianças e adolescentes. 

- Arquivo visual: Fazer um banco de figuras com diferentes animais, cores, eletrodomésticos, comidas, profissões, partes do corpo, lugares, entre outros. Este material facilita a ampliação do vocabulário e possibilita a realização de outras atividades. 


- Jogo da memória: É possível realizar o jogo da memória apenas com imagens, imagens e palavras ou ainda imagens e letras.




- Fluência: Coloque figuras diversas em frente à criança e peça uma delas, se a criança não responder ajude-a mostrando a figura correta e com a mão dela leve-a até a sua. 

- Formar orações: Com figuras de pessoas e ações peça que escolha uma figura de cada e monte uma pequena frase. (pessoa + ação) 



- Classes: Separe duas figuras de animais e uma de lugar, por exemplo. Pergunte a criança: “quais das figuras NÃO é um animal?” Nesta atividade é possível variar as imagens e as classes. 

- Contação de histórias: Separe figuras de pessoas, ações e lugares, colocando-as em três pilhas diferentes sobre a mesa, viradas para baixo. Ao virar uma carta de cada pilha, o jogador deverá contar uma pequena história com aquelas imagens. 


Aproveite essas idéias e crie também suas próprias atividades e brincadeiras. 

Divirtam-se! 


Virginia Pelizzoni – virginiapp@espacodomquixote.com.br
Psicopedagoga do Espaço Dom Quixote

Meu irmãozinho da lua

Uma menina tenta entender e explicar porque seu irmãozinho é diferente das outras crianças, uma maneira simples e mágica de entender o autismo. 

Nesse vídeo o idioma é apenas um detalhe que não impede o entendimento do vídeo.


Assista também em: www.youtube.com/watch?v=0HRD310kVOY


Clarissa Paz de Menezes - clarissapp@espacodomquixote.com.br
Psicopedagoga do Espaço Dom Quixote


Os tablets prejudicam ou melhoram o desenvolvimento da linguagem em crianças autistas

Com o avanço da tecnologia, muitos pais vêm se perguntando, o uso de tablets ou ”outro comunicador” vai prejudicar o desenvolvimento da fala, aprendizagem e comunicação do meu filho? 

Temos uma resposta BOA e outra RUIM. 

A RUIM 

Se o uso de tablets ocorrer de forma inadequada, sem o acompanhamento dos pais e/ou profissionais especializados, sim pode prejudicar o desenvolvimento da fala e social da criança. Caso utilizado de forma correta os tablets podem ser um sociabilizador, um facilitador da comunicação, apoio à aprendizagem e instrumento de intervenção, mas em sua maioria o tablet vem sendo usado como um brinquedo ou usado exclusivamente como um meio de “entretenimento” para a criança, com jogos que funcionam como um recurso para acalmar quando ficam diante de situações cotidianas que podem ser causadas na ansiedade ou sofrimento, desta maneira não damos à criança as ferramentas sociais necessárias para a vida e geramos uma associação que não é adequada. 

Precisa-se saber muito bem os aplicativos que vai usar para integrar o tablet, juntamente com um plano de intervenção que envolve a famílias, os terapeutas, os educadores e a criança. 



A BOA

Há uma característica muito positiva no uso dessas tecnologias: o poder de engajamento. A comunicação através dos tablets vai permitir ”demonstrar” o mundo verbal através de recursos visuais, o que facilita o desenvolvimento da aprendizagem e fala. No entanto as crianças autistas tem a possibilidade de transformar as informações em algo que possua aspecto verbal, visual, tátil e auditiva, como por exemplo, em um jogo de causa e efeito estimulante e com feedback contínuo, permitindo-lhes associar melhor o mundo verbal com o visual. 

Acredita-se que os tablets são uma ampla ferramenta de apoio quando usados perfeitamente. Ressalta-se que o uso profissional de sistemas de comunicação do tablet, é indispensável a colaboração das famílias e sempre devemos considerar o risco de que seja prejudicial quando não bem aplicada. Mas, de forma geral, podemos realmente perceber o potencial do tablet através da formação, metodologia e intervenção adaptativa usando programas que acompanham o desenvolvimento de cada criança. 


Fonte: autismodiario.org


Bruna M. Teixeira - brunafono@espacodomquixote.com.br
Fonoaudióloga do Espaço Dom Quixote 

Intervenção Fonoaudiológica no Autismo



A perturbação autística apresenta comprometimento do desenvolvimento da linguagem expressiva, déficit na sintonia emocional e comportamento estereotipado e limitado. Esses aspectos já são percebidos antes dos três anos de idade e consequentemente afetam de modo geral a interação social. 

Nos dias atuais, a detecção do diagnóstico do autismo vem tomando conscientização, sendo descoberto nas idades iniciais e ocorrendo intervenção já após o diagnóstico. 

A intervenção nesta patologia deve ser adequada de acordo com as necessidades de cada criança, sendo de total relevância a compreensão dos componentes farmacológicos, comportamentais, educacionais e psicológicos. 

É imprescindível a intervenção precoce na estimulação da linguagem em crianças com autismo, sendo que o prognóstico desta é mais forte dos resultados no autismo, mesmo acontecendo ao longo prazo. 

O sintoma do autismo que os pais identificam inicialmente em seus filhos é o atraso/desenvolvimento atípico ou ausência total da linguagem. Esses déficits são evidentes tanto no nível da compreensão que abrange o processamento da informação verbal e não verbal, como na expressão, que são representados através de gestos, palavras, etc. Como há crianças autistas que apresentam ausência total da linguagem, há aqueles que apresentam o desenvolvimento da linguagem, no entanto essas em geral apresentam palavras isoladas ou inventadas, ecolalia, a fala parece vazia, repetitiva e sem contexto social. De uma forma geral, essas crianças tem uma grande dificuldade na capacidade de usar a linguagem como forma de comunicação. Os prejuízos dos domínios linguísticos afetam a semântica, pragmática, morfologia, sintática e fonológica. Tais alterações linguísticas confirmam a importância da atuação fonoaudiológica no trato dos pacientes com diagnóstico de autismo. 

Na infância é o momento essencial para o desenvolvimento das competências linguísticas, e a intervenção fonoaudiológica vem com intuito de estimular a criança com autismo a construir interações significativas para sua comunicação. Na atualidade existem uma série de propostas de intervenção terapêuticas da fala, mas cabe analisar o desenvolvimento e capacidade cognitiva de cada criança para que a escolha no modelo seja efetiva para prognóstico de cada paciente.



Bruna Martins Teixeira - brunafono@espacodomquixote.com.br
Fonoaudióloga do Espaço Dom Quixote

Os benefícios da Musicoterapia no tratamento do TEA



Sem dúvida, uma das maiores angústias de pais de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) é a falta da comunicação. Como descobrir o que a criança quer e que o não quer? De que maneira estabelecer laços com um indivíduo isolado em seu mundo? 

A Musicoterapia é para a criança autista a primeira técnica de aproximação, pois o enquadre não verbal é o que permite a esta estabelecer os canais de comunicação (BENENZON,1985, p.140). Os processos de aproximação e estimulação da comunicação são facilitados por se poder utilizar não apenas de um elemento textual ou verbal. Música é ritmo, melodia, contraponto, harmonia, a união do elemento verbal e do não verbal. Quando não há a possibilidade de cantar o “miau” de uma canção folclórica, pode-se substituí-lo por uma batida no tambor, o toque em uma tecla no teclado. Musicalmente mostra-se para a criança que existe uma outra via de comunicação. As estereotipias se transformam em padrões rítmicos e/ou melódicos e adquirem um valor estético musical. São construídas melodias para a criança a partir da sua produção. Pequenas canções, as quais a família pode inserir no cotidiano da criança. 

Cria-se um ambiente lúdico, onde a música guia as atividades e organiza a cena terapêutica. Cada canção apresentada possui um tempo de duração: há um início, um meio e um fim. A partir dessa percepção temporal, começam a ser trabalhadas noções de limites, tolerância a frustrações e ao tempo de duração de uma atividade musical. 

Os instrumentos musicais inicialmente podem ser executados com muita intensidade e de modo desorganizado. E o caos sonoro – para quem está do lado de fora da sala da Musicoterapia - gradualmente será organizado em alternâncias de turnos, trabalhando-se modulações e promovendo a aproximação do Musicoterapeuta com o paciente.


Natália Magalhães - nataliamt@espacodomquixote.com.br
Musicoterapeuta do Espaço Dom Quixote
Mestranda em Musicoterapia

Cama elástica pode ajudar pessoas com autismo



Segue uma reportagem bem legal sobre o uso da cama elástica com autistas. 

Muitas pessoas acham que a cama elástica é utilizada só para pular. Porém ela beneficia muito na percepção do seu próprio corpo, na postura, no equilíbrio, fortalece a musculatura e ajuda a relaxar muito! 

Acessem através do link: 
http://camaselasticas.blog.br/2013/08/05/cama-elastica-pode-ajudar-pessoas-com-autismo/

Letícia Salin - leticiafisio@espacodomquixote.com.br
Fisioterapeuta do Espaço Dom Quixote
Pós-graduanda em Traumato Ortopedia - Universidade Gama Filho (RJ)

O olhar



O olhar aprisiona, encanta, mobiliza, invade, rejeita e apaixona. O olhar sinaliza a permissão e impõe a condição, ele determina caminhos e impede a invasão. O olhar transmite, comunica desejos e vontades, necessidades e medos. 

Dizia o poeta que os olhos são a janela da alma. E quando não há olhar, não há alma? Seria o Outro que não olha um desalmado, sem vida e sem intenções? 

Para alguns manter o olhar num objeto de desejo ou comunicar uma intenção necessita da permissão e do olhar correspondente. Quando não me olham não há porque eu olhar. 

Em casa ou na escola, o papel de quem educa é garantir um olhar que valorize e acalente a criança, que dê um significado a tudo que ela faça. 

Olhar nos olhos dos filhos ou alunos quando eles falam conosco, pedir o olhar deles quando estamos falando com eles, garantem a atenção e valorizam o momento, além de dizer: “Estou prestando atenção em você neste momento e valorizando o que você está me dizendo”. 

Mas, há aquelas crianças cujo olhar não entendemos, que não fixam o olhar em nós e se perdem num mundo unicamente seu. Resgatar este olhar e dar um significado a ele é tarefa de todos que se dedicam a esta criança. Insistir nas brincadeiras, no toque, cantando e nomeando são estímulos necessários para buscar e entender o olhar de uma criança autista. 

Acompanhamos o esforço de familiares e profissionais que se dedicam a estimular as crianças com espectro autista e a dedicação com que buscam desenvolver estratégias que envolvam as crianças e as façam interagir com os demais, trazendo sua atenção e olhar para a nossa realidade. 

A cada resgate de olhar, por menor que seja, faz-se uma festa e surgem novas expectativas e mais estímulos são feitos. 

Para quem não recebe o olhar de um filho, de uma criança, há um mundo diferente a desvendar. Um mundo onde o olhar tem outro significado, onde a realidade está em outra dimensão. 

Um olhar fala de amor, de reciprocidade. Se não há olhar, não há amor e reciprocidade? Talvez precisemos entender o amor de outras formas para saber que podemos amar e ser amados, mesmo quando não entendemos o olhar de quem não nos olha como desejamos. 

Talvez o poeta Fernando Pessoa entendesse desse tipo de amor e queira nos ensinar a amar de uma forma silenciosa, sem perguntas e respostas, sem exigências e necessidades a serem preenchidas.

O Amor 

O amor, quando se revela, 
Não se sabe revelar. 
Sabe bem olhar p'ra ela, 
Mas não lhe sabe falar. 

Quem quer dizer o que sente 
Não sabe o que há de dizer. 
Fala: parece que mente 
Cala: parece esquecer 

Ah, mas se ela adivinhasse, 
Se pudesse ouvir o olhar, 
E se um olhar lhe bastasse 
Pr'a saber que a estão a amar! 

Mas quem sente muito, cala; 
Quem quer dizer quanto sente 
Fica sem alma nem fala, 
Fica só, inteiramente! 

Mas se isto puder contar-lhe 
O que não lhe ouso contar, 
Já não terei que falar-lhe 
Porque lhe estou a falar..


Janete Cristiane Petry - janetepp@espacodomquixote.com.br
Psicopedagoga do Espaço Dom Quixote

Caminhada pelo Autismo

Domingo foi um belo dia na Redenção para comemorar a 3ª edição da caminhada do Dia Mundial de Conscientização do Autismo. 

O evento foi organizado pelo Instituto Autismo e Vida e o Espaço Dom Quixote não poderia deixar de participar.

As crianças realizaram atividades e brincadeiras enquanto e pais e interessados puderam se informar sobre o Autismo. Todos adoraram e saíram mais conscientes das diferenças.




O desafio de se ter um autista em casa



Neste Dia Mundial do Autismo não pretendo falar dos sintomas das crianças autistas, nem de como elas aprendem, nem de dicas de atividades, pois para a nossa alegria, os meios de comunicação estão versando muito sobre este assunto nas últimas semanas. 

Pretendo falar um pouco sobre o desafio de se ter um autista em casa... 

Desde que comecei a trabalhar com crianças com Transtorno de Espectro Autista me chamou muito a atenção, o empenho dos pais na busca por soluções, por leituras, por tratamentos. Grupos e ONGs se unem em busca de ideias e respostas para este transtorno. Pais se tornam amigos, confidentes nas suas trocas. As salas de espera dos consultórios viram Grupos de Autoajuda, os facebook’s dos pais viram trocas de receitas sobre o que deu certo neste desafio cotidiano para estimular as crianças autistas. Comportamento louvável de mães incansáveis e famílias que não medem esforços na busca do bem-estar de seus pequenos. Isso sempre me fascinou, mas ultimamente vem me preocupando muito também.

Ao observarmos as famílias de crianças autistas, percebe-se que não sobra vitalidade para as outras questões familiares, que a criança autista e sua causa ocupam um espaço imenso na dinâmica familiar e falta lugar para existir um casal, para existir um irmão menor que seja peralta ou um irmão maior “aborrescente”. Falta lugar para uma mãe que deseja se arrumar ou que deseja ter um futuro profissional reconhecido. Falta lugar para todo e qualquer desejo outro que não a “cura” do autismo. 

A luta pela causa do filho fortalece os pais e os faz criar laços com pessoas que tem o mesmo problema, o que é saudável, em certa proporção. No entanto, aos poucos, se constituem famílias autistas, com pouco ou nenhum contato social outro que não de quem tem a mesma dor. Famílias que se “ensimesmam” em suas casas nos finais de semana porque sair para um restaurante com uma criança com espectro autista é um desafio grande. Pais que não se autorizam a deixar os filhos com outro familiar para fazerem programas a dois, afinal, quem da família se habilitará a ficar com a criança? 

Neste Dia Mundial do Autismo sugiro que possamos refletir sobre as famílias que tem um autista em casa e no quanto o resgate do desejo, da vida social e da vida própria são importantes para o bem-estar da família. Os casais precisam resgatar sua vida a dois, as mães precisam ter vida própria, os irmãos outros precisam de espaço, de brincadeiras e talvez até de tratamentos também. 

Elogio os pais pela incansável luta pelo autismo, mas os desafio a lutarem, concomitantemente, pelo direito de seu descanso, de sua felicidade, de seus desejos. Um desafio grande, eu sei, pois para isso precisarão que os outros familiares deem uma mãozinha, que os terapeutas do filho lhes orientem e que deixem a culpa um pouquinho de lado, mas ao final, garanto, valerá a pena! 

Um bom dia de descanso, um baile a dois, um folga no meio da semana os deixarão recarregados de energia para lutarem novamente pela causa do autismo. Afinal, uma família com um filho autista é muito mais do que uma família com um filho autista e assim precisa ser... É uma mulher com projetos próprios, um homem e seus planos, outros filhos com muitas outras questões. A causa autista é nobre, mas abrir espaço para outras questões na família é tão nobre quanto, e com certeza ajudará os pais a se sentirem mais fortalecidos e unidos. 

Admiro imensamente os pais de crianças autistas e essa contribuição se dá justamente porque sei o quanto dão a vida por essa causa, mas me preocupo com eles, pois precisam de colo, carinho, afeto, lazer, descanso e amor, como todos os outros seres humanos e inicio com este texto uma corrente para que estes pais também lutem por esta causa.


Fabiola Scherer Cortezia - fabiola@espacodomquixote.com.br
Psicóloga do Espaço Dom Quixote

Cursos da semana - Inclusão e Autismo

No dia 04 de outubro a psicopedagoga Clarissa Paz de Menezes esteve palestrando para os professores da Escola São José em São Leopoldo sobre inclusão e práticas inclusivas com a palestra "Inclusão, um desafio possível". Os professores puderam discutir o que está sendo feito a respeito da inclusão e como agir frente a casos desafiadores.

Já no dia 06 de outubro ocorreu no auditório do Espaço Dom Quixote a Oficina Estimulação de Crianças com Autismo ministrado pelas psicólogas Caroline Ciceri e Fabíola Scherer Cortezia, a fonoaudióloga Fernanda Helena Kley e a psicopedagoga Clarissa Paz de Menezes. A manhã foi inteiramente dedicada a atividades e dinâmicas que podem ser utilizadas com crianças com autismo e as 24 participantes puderam conhecer vários materiais e experimentarem elas próprias as atividades sugeridas.

Alguns dos materiais utilizados na oficina

Professores, profissionais da saúde e mães participaram

As profissionais do Espaço Dom Quixote

Atividade com o para-quedas

Todo mundo experimentando

Colocando "a mão na massa"

Brincando com música

O Espaço Dom Quixote pode ir até a sua escola para ministrar estas oficinas. Entre em contato conosco.

Oficina Estimulação de Crianças com Autismo


Turma confirmada! Últimas vagas, aproveite!


jjjj


O brincar e o Autismo



Já sabemos que a brincadeira e o ato de brincar é uma das nossas primeiras aprendizagens e de onde exercitamos, interagimos e descobrimos o mundo. Para os autistas, onde há uma defasagem desses quesitos, é fundamental a ajuda do outro para que se descubram esses caminhos e se explore o mundo ao redor. 

Pais, professores, profissionais ou qualquer envolvido no mundo autista reconhece o quanto esse percurso é delicado, trabalhoso e muitas vezes cansativo. Por isso, seguimos com algumas dicas básicas para estimular e brincar com os autistas. 

Lembramos que nossas dicas podem e devem ser adaptadas de acordo com as capacidades e necessidades de cada um, onde o principal é apreciar e curtir a hora do brincar! 

Para dar início à sua participação e contato, é importante que os brinquedos utilizados sejam sempre do cotidiano da criança. Aqueles com os quais ela gosta de estar e pelos quais ela tenha apego. É relevante que a entrada do adulto na brincadeira seja gradual e percebida pela criança. Não invada seu espaço sem anunciar sua chegada! 

Assim que sua aproximação for percebida, seja paciente, pois isso poderá levar algum tempo até que sua entrada seja aceita e incluída no brincar. Por isso, não desista na primeira tentativa e não se frustre. Sua participação acontecerá depois de muita observação, insistência e paciência. 

Brinque com seus brinquedos, repita seus movimentos, chame atenção para aquilo que você também está percebendo. Dê significado e sentido para suas palavras. Reaprenda a brincar, se coloque neste outro lugar. Elogie iniciativas, diga o nome dos objetos e suas cores. Tudo isso deve sempre ser feito com frases curtas, objetivas e claras. 

É importante permitir à criança, e incentivá-la, a descobrir novas texturas, cheiros e lugares. Permita a sujeira, a meleca, a criação. Se suje também! A resistência irá acontecer, mas deve ser trabalhada de acordo com o tempo da criança e do adulto (todos temos dificuldades com alguma coisa ou outra), insira materiais novos aos poucos. Passe confiança e participe. 

Procure seu olhar, sempre que possível. Chame a atenção para suas expressões faciais, movimentos da boca e do corpo. Celebre a troca de olhares, a compreensão de uma fala. Exagere nas caretas, surpresas e aprovações, torne sua participação interessante e seu rosto tradutor de acontecimentos, sentimentos. 

Junto a tudo isso é necessário não exagerar nos estímulos e nas distrações sensoriais. Tudo deve ser moderado para que sua organização aconteça. Exagere apenas naquilo que lhe é conhecido, aceito. Exagere sempre no carinho, no afeto. Exagere na paciência, na persistência e nos pequenos detalhes. Reconheça pequenos avanços e não desista frente à indiferença! 

Quer mais dicas práticas? Entre em contato com o Espaço Dom Quixote e participe da oficina de Estimulação de Crianças com Autismo que ocorrerá dia 06 de outubro. 


Caroline Ciceri - carolinepsico@espacodomquixote.com.br
Psicóloga do Espaço Dom Quixote

Oficina de Estimulação de Crianças com Autismo


Dia Mundial de Conscientização do Autismo

Hoje é o Dia Mundial de Conscientização do Autismo.

O Autismo atinge quase 2 milhões de brasileiros. No mundo, a ONU estima que existam mais de 70 milhões de pessoas com Autismo.

Durante esta semana, várias atividades estão sendo realizadas para que as pessoas possam se informar sobre o que é o Autismo, quebrando preconceitos e disseminando conhecimentos para a necessária inclusão destas pessoas na sociedade.

O Espaço Dom Quixote marcou presença na Caminhada pelo Autismo neste domingo no Parque Farroupilha.



Um amigo especial!


Muitas pessoas encontram dificuldade de expressar sentimentos, de mostrar afeto. Nos dias de hoje parece até que nos acostumamos com isso já que, cada vez mais, vivemos em pequenas bolhas de reclusão e, vez por por outra, permitimos que a nossa bolha entre em contato com a bolha de outra pessoa. Aceitar que existam pessoas que preferem a reclusão ao relacionamento é um fato, mas acreditar que esta é uma forma sadia de viver não. As pessoas precisam relacionar-se para ampliar suas experiências, desenvolver suas emoções (positivas e negativas) e desenvolver os aparatos de defesa necessários para uma vida saudável e proativa.

Algumas pessoas aprendem, ao longo da vida e com as experiências, a dar espaço para os relacionamentos. Aprendem a tirar proveito das relações e a crescer com elas. Afinal, relacionar-se não é fácil, exige esforço e dedicação, inclui perdas e ganhos, mas equilibra o ser humano, faz dele alguém melhor, mais hábil para resolver os desafios do cotidiano, cada vez mais difíceis.

Em alguns casos não basta ter vontade e disciplina para aprender a relacionar-se. É preciso uma ajuda especial. No caso de pessoas autistas, onde o aparato dos relacionamentos está comprometido, é importante um investimento maior, com ajuda de especialistas e com muita paciência e dedicação da família. Em muitas situações os animais podem ajudar a minimizar barreiras, a aproximar olhares e gestos já que eles são dotados de uma sensibilidade especial.

Um filme conta uma dessas experiências emocionantes onde um cachorro conseguiu romper o silêncio de uma criança para ajudá-la a melhorar sua vida.

O nome do filme é “Um amigo inesperado” e é baseado no livro do mesmo título, que conta a história verídica de Kyle Gram, um garotinho de 6 anos, que é diagnosticado como tendo autismo por viver em seu próprio mundo. Kyle se interessa somente pelo desenho animado de um trem, chamado Thomas – muito famoso nos Estados Unidos. Seus pais sofrem muito por não conseguir se comunicar e interagir com o filho. Então, sua avó materna utiliza um boneco que “conversa” com o garoto, e assim conseguem que o menino obedeça algumas ordens simples, como comer.

Depois dessa tentativa, surge a ideia de dar um cachorro para Kyle, que automaticamente é chamado de Thomas. A partir desse momento, cria-se um vínculo de afeto e interação entre o cachorro e o garoto, e desta forma, a cada dia, Kyle se afasta do seu próprio mundo e começa a interagir com as pessoas à sua volta, usando como canal o cachorro.

O garoto que deu origem a essa história chama-se Dale Gardner e aos 18 anos declarou que o fato de seus pais se comunicarem com ele por intermédio de Thomas fez toda a diferença para que seu silêncio fosse quebrado, devido à simplicidade de gestos e feições que o cachorro lhe ofereceu logo de imediato.

Este é um filme para assistir e refletir sobre as possibilidades de interação possíveis e como podemos aprender a nos relacionar para superar dificuldades, medos e “marcas” impostas pelos olhares dos outros.

Ter um animal para socializar pode significar muito para uma criança, uma pessoa carente de afetos ou com dificuldade de relacionar-se. É uma oportunidade de aprender a cuidar de outro ser vivo, interagir afetivamente com ele, desenvolver responsabilidades como dar banho, alimentar, levar para passear e proteger. Para muitas crianças/pessoas cuidar de um animal é a garantia de companhia em todos os momentos, de muitas gargalhadas, explosões de sentimentos, exercício físico e envolvimento. Mesmo a perda deste animal, no futuro, representa a elaboração de sentimentos importantes e fundantes da nossa estrutura psíquica.

Vale a pena tentar incluir na família um novo membro!


Janete Cristiane Petry - janetepp@espacodomquixote.com.br
Psicopedagoga do Espaço Dom Quixote

NOVIDADES SOBRE AUTISMO foi um sucesso!



Neste último sábado, dia 01 de outubro, o Espaço Dom Quixote lotou seu auditório no Seminário Novidades sobre Autismo. Um dia muito agradável, em que a equipe do Espaço trouxe as novidades do Congresso Internacional de Autismo e recebeu profissionais e pais de várias cidades do estado. Palmeira das Missões, Taquari, Porto Alegre, Campo Bom e Novo Hamburgo estiveram representados no evento do último sábado.

Alguns interessados precisaram ficar na lista de espera, pois as vagas eram limitadas e a equipe já está programando uma nova data para a segunda edição.

Caso você não tenha conseguido se inscrever na primeira edição ou perdeu a data do curso, entre em contato conosco e mostre seu interesse por uma nova edição!

Seminário Novidades sobre Autismo


Não perca!

Dia 01 de outubro das 8h às 14h, a equipe do Espaço Dom Quixote que participou do Congresso Internacional sobre Autismo realizará um seminário com as mais recentes descobertas científicas e práticas na área.

Reserve a sua vaga pelo e-mail recepcao@espacodomquixote.com.br ou pelo fone (51) 3037-7167

Espaço Dom Quixote na Zero Hora


No dia 12 de setembro, o jornal Zero Hora publicou uma reportagem no Caderno Meu Filho sobre o grupo de ambientoterapia realizado por nossa equipe.

A seguir o texto:

O AMBIENTE COMO TERAPIA: crianças autistas apresentam melhoras com um tratamento baseado em experiências cotidianas.

Um tratamento baseado nas experiências com o próprio ambiente está trazendo alívio para crianças e familiares que transitam no enigmático universo autista: a ambientoterapia, na qual profissionais estimulam o desenvolvimento e a socialização infantil. Os benefícios da técnica foram avaliados na pesquisa realizada de uma clínica especializada e apresentados no Congresso Internacional de Autismo, em Curitiba, no fim do mês passado.

- Temos tido resultados eficazes. Em vez do tratamento convencional, em que há um profissional para cada criança, há várias crianças e vários profissionais interagindo constantemente - explica a psicóloga Fabíola Scherer Cortezia, responsável pelo Espaço Dom Quixote, de São Leopoldo, que fez o estudo.

Seis crianças foram acompanhadas por um ano, duas vezes por semana, três horas por dia, de forma transdisciplinar por psicóloga, psicopedagoga, terapeuta ocupacional, psicomotricista, fonoaudióloga e musicoterapeuta.

A pesquisa aponta que as seis crianças demonstraram, após dois meses, maior tempo de troca de olhares com os profissionais estimuladores, incremento no vocabulário, maior tolerância ao barulho e menor agressividade. Após seis meses, foi possível perceber também maior tolerância à mudança de rotina e sinais de troca e interação social espontânea entre as crianças do grupo. Depois de 12 meses, os benefícios continuaram.

- Buscamos estimular a interação da criança com outros colegas e não apenas a interação com o terapeuta. Há também a vantagem de que simulamos o ambiente com os pacientes, preparando-os para o convívio social por meio de atividades usuais do cotidiano, como passeios, lanches, brincadeiras em grupo, atividades pedagógicas e motoras - explica Fabíola.

O chefe da Unidade de Neuropediatria do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, Rudimar dos Santos Riesgo, explica que a ambientoterapia pode ser um tratamento eficaz porque atinge a interação social, elemento central do desenvolvimento humano, mas que, no autista, é uma das principais dificuldades encontradas. Isso compromete o estado emocional, as trocas afetivas, o desenvolvimento da linguagem e as estruturas de aprendizagem.

É cedo para comemorar, porque a causa ainda é desconhecida e a maioria dos tratamentos sequer tem comprovação científica. Mas, aos poucos, as pesquisas estão avançando. Já se sabe que há o componente genético e está se estudando a influência de fatores orgânicos - afirma.

O autismo também pode ser tratado por meio da psicanálise.

- A diferença é que a psicanálise não considera padrões de normalidade, e sim pela diferença. Ela enxerga o autismo como um isolamento do mundo, uma proteção, uma defesa - observa a psicóloga Rosane Padilha, doutora na área pela Paris VII, que está ministrando, na Capital, o Atelier de Psicanálise do Autismo, para profissionais que lidam com esses pacientes.

Novidades sobre Autismo

No dia 26 de agosto a equipe do Espaço Dom Quixote esteve no Congresso Internacional de Autismo em Curitiba para apresentar a pesquisa sobre Autismo e o tratamento de Ambientoterapia. Nada mais nada menos do que a especialista no assunto Lasnick esteve presente assistindo a nossa apresentação. O psicanalista Jerusalinsky também deu uma “espiadinha” em nossa apresentação! Uma honra para nós sermos prestigiados por esses reconhecidos pesquisadores do assunto.

Nossa participação foi um sucesso, muitos participantes pediram o contato do Espaço e nossos e-mails para pedir dicas, materiais e sugestões.

A equipe do Espaço está de parabéns pela participação no evento e pelo trabalho realizado, pois só conseguimos atingir esses resultados com o trabalho árduo de toda a equipe de ambientoterapia do Espaço, juntamente com as outras profissionais que muitas vezes nos dão uma mãozinha no dia-a-dia.

Parabéns a todas nós e que venham muitos outros eventos pela frente!

Como trouxemos muitas novidades sobre o assunto: descobertas na área de neurociência, intervenções e práticas realizadas na França, Itália, Estados Unidos, pretendemos transmitir um pouco do conhecimento que adquirimos nesses quatro intensos dias de congresso! Para tanto, o Espaço Dom Quixote estará oferecendo um Seminário com NOVIDADES SOBRE AUTISMO no dia 1º de outubro, das 8h às 14h. Psicóloga, psicopedagoga, musicoterapeuta, terapeuta ocupacional e psicomotricista estarão apresentando as mais recentes descobertas e práticas na área de autismo da atualidade. Vale a pena conferir! Entre em contato conosco e reserve já a sua vaga!