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Ocupar-se da Terapia Ocupacional e desocupar-se



Ocupar-se da Terapia Ocupacional definitivamente deveria ser tarefa primordial de qualquer Terapeuta Ocupacional. Explico-me dizendo que ocupar-se desta profissão é diferente de tê-la somente como atividade profissional.

Ocupar-se da Terapia Ocupacional é fazer da prática terapêutica um lugar de investigações, dúvidas, questionamentos, busca de conhecimentos, enfim, de construção contínua e constante de teoria a partir das técnicas utilizadas na tríade: paciente-terapeuta-atividades.

Ocupar-se da Terapia Ocupacional é um investimento antes de tudo pessoal, pois necessita inevitavelmente de dedicação, tesão, paixão por tudo aquilo que FAZ na prática clínica, profissional.

Ocupar-se da Terapia Ocupacional é ter a tranquilidade e a segurança de dizer aos colegas que nos questionam sobre nossa prática clínica que trabalhamos, sim, com atividades do Senso Comum, mas a essência e a excelência de profissionais que constroem cotidianos a partir da relação e das experiências peculiares ao nosso Setting Terapêutico.

Ocupar-se da Terapia Ocupacional é não se abater e calar diante da escassez de teorias a respeito da verdadeira identidade da Terapia Ocupacional. É buscar, buscar, buscar, em nosso setting, as perguntas e respostas que irão nos nortear na construção complexa e imprescindível de elementos teóricos que caracterizem verdadeiramente a Terapia Ocupacional.

Ocupar-se da Terapia Ocupacional é questionar a todo momento sobre a ética e a estética da nossa prática clínica, para que a Terapia Ocupacional sobreviva. Ocupar-se da Terapia Ocupacional é participar ativamente dos debates e embates com os demais profissionais da saúde, demarcando território e defendendo com propriedade o que é só nosso.

Ocupar-se da Terapia Ocupacional é poder experimentar, vivenciar a chegada e a partida de sujeitos que, com o nosso investimento pessoal e a nossa prática clínica, conseguem seguir o caminho ocupando-se de suas próprias vidas. Ocupar-se da Terapia Ocupacional é também poder chegar ao momento de desocupar-se dela de forma serena e permanecer aliada com outras profissões para o bem estar e desenvolvimento do sujeito em questão.

Desocupar-se da Terapia Ocupacional é poder aprender tudo o quanto é possível para tornar-se feliz e com a máxima independência, autonomia e segurança para o resto da vida. É também pensar o quanto o profissional conseguiu auxiliar-se nessa construção de alcançar objetivos, conhecer e aprimorar as habilidades conquistadas ao longo do tratamento. E fazer dele seu cúmplice nos momentos de angústias e incertezas, mas também nas glórias seu maior aliado.

* Publicado originalmente na Revista Ceto - ano 10 - nº 10- 2007


Priscila Straatmann Morél - priscilato@espacodomquixote.com.br
Terapeuta Ocupacional e Psicomotricista do Espaço Dom Quixote

Dicas de brincadeiras sensoriais


PROPRIOCEPTIVOS: fazer um sanduíche do corpo, puxar, empurrar e carregar peso. Além de amassar, lavar e esfregar. Ex.: cabo de guerra, amassar massinha de modelar.

TÁTEIS: experimentar água com gás, brincar com areia, gel, cola, tinta, argila, vestir-se. Proporcionar texturas variadas. Ex.: saquinhos com gel colorido para passar pelo corpo.

VISUAIS: brinquedo coloridos e com contrastes. Cuidar a intensidade de cores na casa. Ex.: preto e branco, amarelo e preto.

VESTIBULARES: rodar, balançar, pular e correr. A pracinha é uma oportunidade de vivenciar estes estímulos. Ex.: andar de balanço, rodar na cadeira do escritório.

AUDITIVOS: sair pela rua ouvindo os sons, procurar pela casa objetos que produzam sons, relaxamento com músicas calmantes. Ex.: gravar sons naturais e depois ouvi-los.

OLFATIVOS/GUSTATIVOS: provar, cheirar e preparar alimentos de texturas variadas – líquido, pastoso, sólido, doce, salgado e amargo. Ex.: feche os olhos e tente adivinhar pelo cheiro ou pelo gosto.


Priscila Straatmann Morél - priscilato@espacodomquixote.com.br
Terapeuta Ocupacional e Psicomotricista do Espaço Dom Quixote

Ser diferente é normal... é essencial


Podemos então dizer que o comportamento social da pessoa é influenciado pelo ambiente, onde os resultados dessa interação podem limitar ou ampliar as oportunidades do seu desenvolvimento e de suas possibilidades de integração social. Mas também é essencial que existe estimulação diferente para pessoas diferentes. Procurar ajudar e oferecer condições para que cada sujeito se desenvolva corretamente é importante.

Desde o nascimento estamos sujeitos a modificações corporais, e atrasos são sempre um desvio no caminho de qualquer um. Por isso, cada criança tem seu tempo e sua maneira de desenvolver e entender o mundo.

Poder vivenciar pela brincadeira o seu corpo em movimento é permitir que a criança se utilize do imaginário e do simbólico para ressignificar o real. A criança coloca em cena seu desejo e sua história para ser lidada pelo outro. O sujeito diz com seu corpo, com sua motricidade, com seus gestos e, portanto, espera ser olhado e escutado na transferência desde um lugar simbólico. Para isso é preciso entender que o corpo humano é efeito de linguagem e não ao contrário, sustenta-se enquanto tal pela linguagem. Ela cria um sujeito e, com ele, seu corpo e a sua motricidade. A linguagem atravessa e esvazia o corpo do gozo, enlaçando e articulando o corpo ao desejo do sujeito.

Para que a aprendizagem se processe, é necessário que ocorra o desenvolvimento dos aspectos do conhecimento de si mesmo (esquema corporal), da coordenação motora, da percepção, da orientação espaço-temporal e a linguagem. Sendo necessário vivências e experiências corporais, que são condutas motoras empreendidas e assumidas pessoalmente pela criança através de atividades.

Neste dia em que diferente é normal, devemos pensar e acreditar que é excelente ser diferente e mais primordial que existam diferenças. Temos mais cores, jeitos e trejeitos e, essencialmente, mais humanismo dentro de nós.

Deixo como dica o site abaixo:
http://www.avidacomlogan.com.br/


Priscila Straatmann Morél - priscilato@espacodomquixote.com.br
Terapeuta Ocupacional e Psicomotricista do Espaço Dom Quixote

Transtorno do Desenvolvimento da Coordenação


O termo Transtorno do Desenvolvimento da Coordenação (TDC) vem do inglês Developmental Coordination Disorder (DCD) e só recentemente recebeu atenção e aceitação entre clínicos e pesquisadores das áreas de saúde e educação. Outros termos usados incluem criança "desajeitada”, “dispráxica”, com “dispraxia do desenvolvimento” ou "incoordenação motora". Acredita-se que o TDC afete 5 a 6% das crianças em idade escolar e tende a ocorrer mais freqüentemente em meninos. O TDC pode ocorrer sozinho ou pode estar presente na criança que também tem distúrbio de aprendizagem, dificuldade de fala/linguagem e/ou transtorno do déficit de atenção.

As primeiras evidências geralmente, surgem na infância com o precário desempenho nas atividades de vida diária, assim como nas atividades viso-motoras, de planejamento motor, de equilíbrio e principalmente a escrita e o traçado (ilegível, inconsistente, lento e confuso). Algumas características são visíveis e é bem importante que pais, professores e familiares fiquem atentos, são elas:

1. A criança pode ter dificuldade em balancear a necessidade de velocidade com a de exatidão. Por exemplo, a letra pode ser muito boa, mas a escrita é extremamente lenta;

2. A criança pode ter dificuldades acadêmicas em certas áreas como matemática, ditado ou redação que requerem escrita correta e organizada na página;

3. A criança pode ter dificuldade com atividades de vida diária (ex.: vestir-se, usar faca e garfo, dobrar as roupas, amarrar sapatos, abotoar e manejar fechos de correr/zipper, etc.);

4. A criança pode ter dificuldade para completar o trabalho dentro de um espaço de tempo normal. Uma vez que as tarefas requerem muito mais esforço, ela pode ficar mais inclinada à distração e tornar-se frustrada com uma tarefa rotineira;

5. A criança pode ter dificuldades, em geral, na organização de sua carteira/mesa, armário, dever de casa ou mesmo do espaço na página.

Crianças com TDC que não são identificadas como tal experimentam fracasso e frustração e são, muitas vezes, percebidas como preguiçosas ou desmotivadas. Essas criancas podem desenvolver complicações secundárias, como dificuldades de aprendizagem e problemas emocionais, sociais e de comportamento. Por isso é importante que a criança seja avaliada pelo médico para excluir a possibilidade de outras razões médicas para o desajeitamento motor, fazendo então o encaminhamento para o profissional mais adequado a atendê-la. Visto que a criança, geralmente, tem dificuldade com atividades de autocuidado e tarefas escolares, esse profissional de saúde muitas vezes será um Terapeuta Ocupacional.

A intervenção do Terapeuta Ocupacional vai ajudar a criança a aprender a desempenhar muitas das atividades diárias com mais sucesso e se sentir melhor consigo mesma, como sujeito. Também vai auxiliar os pais e professores sobre a participação da criança em casa, em sala de aula e nas atividades de lazer na comunidade. É importante salientar que, ao contrário do que se pensa, as crianças com TDC vão superar seus problemas, estudos vem demonstrando que com treino extra essas crianças podem adquirir certas habilidades, mas novas tarefas motoras ainda vão ser um problema.

O tratamento terapêutico ocupacional inclui a integração sensorial, o processo orientado e os programas percepto-motores. Além do modelo cognitivo para o desempenho ocupacional trazendo sucesso na aquisição de habilidades motoras.


Priscila Straatmann Morél - priscilato@espacodomquixote.com.br
Terapeuta Ocupacional e Psicomotricista do Espaço Dom Quixote

Dieta Sensorial


Você certamente precisa sacudir o joelho ou mascar um chiclete para ficar acordado ou mergulhar em uma banheira de água quente para relaxar, certo? E certamente você nunca pensou que crianças também precisam de algo para se engajar na estabilização, focando-se em suas atividades. É cada vez mais freqüente déficits sensoriais entre crianças e adultos. Apresentando variações de leve a graves e que podem beneficiar-se de uma dieta sensorial personalizada.

Na dieta sensorial, que pode ser comparada a uma dieta alimentar, as crianças precisam comer regularmente para manter sua energia e foco. Porém, ao invés de comida temos um regime de atividades planejadas e programadas para estimular as várias sensações a serem experimentadas ao longo do dia. Com o objetivo de ajudar a criança a conhecer suas necessidades de processamento sensorial e sentir-se calma, alerta e organizada na maior parte do tempo, sendo que os efeitos são imediatos e cumulativos, pois ajudam a reestruturar o sistema nervoso da criança.

Auxilia em situações como:

- tolerar sensações e situações desafiadoras;
- regular o seu estado de alerta e aumentar a capacidade de atenção;
- lidar com as transições com menos estresse.

É altamente recomendável que você procure um terapeuta ocupacional especialista em questões de processamento sensorial. Esta dieta deve abordar os sete sentidos (propriocepção, vestibular, tato, audição, visão, olfato e gustação).

Alguns ingredientes importantes e divertidos:

- Abraço sanduíche;
- Empurrar e puxar;
- Pular amarelinha ou pular no mini trampolim;
- Massagem firme;
- Balançar / girar o corpo;
- Dar cambalhotas;
- Movimentar o corpo;
- Água com gás – bolinhas na boca, gostos e texturas de alimentos diferentes;
- Brincar com texturas (sabonete ou creme de barbear espumoso e adicionar areia para textura extra, caixa com arroz e feijão para brincar, massa de biscoito, pintura a dedo);
- Vestir-se;
- Pintura de rosto;
- Entrar em contato com a natureza;
- Passatempos táteis (tecer, costurar, esculpir);
- Ir para a rua e ouvir os ruídos;
- Incentivar a musicalidade e dar algum comando;
- Explorar os cheiros;
- Envolver a criança na preparação dos alimentos.

Deixo uma pequena amostra de dieta sensorial criado para uma criança com transtorno de processamento sensorial (http://sensorysmarts.com/sensory_diet_activities.html). A receita deve ser individualizada e modificada com freqüência para atender às necessidades. O tratamento fica completo com um programa voltado para a escola também.

Pela manhã:
- Massagem podal para ajudar a acordar;
- Ouvir um CD tranquilizador;
- Usar escova de dentes que vibre e / ou escova de cabelos que vibre;
- Comer cereal crocante com frutas e algumas proteínas;
- Rotação sobre Dizzy Disco Jr. como indicado (disco de equilíbrio);
- Salto em mini-trampolim como indicado.

Depois da escola:
- 30 minutos na pracinha;
- Empurrar carrinho de supermercado;
- Movimentos de balanço e giro, conforme indicado;
- No mini trampolim fazer com que lance brinquedos em uma cesta ao saltar;
- Massagem podal para reorganizar, andar de carrinho de mão;
- Fazer exercícios de bola, conforme indicado;
- Ouvir um CD tranqüilizador;
- Trabalho Oral - sugar líquidos de espessura através de um canudo, mastigar lanches crocantes ou mascar chiclete antes e / ou durante as atividades de mesa.

Na hora do jantar:
- Ajudar a cortar, cozinhar, misturar ingredientes, etc;
- Ajudar a organizar a bandeja, usando as duas mãos para carregar;
- Comer alimentos crocantes.
À noite:
- Tempo para a família: projetos de barro, de pintura, etc;
- Banho quente com bolhas e óleo essencial calmante;
- Massagem durante o tempo de leitura.


Priscila Straatmann Morél - priscilato@espacodomquixote.com.br
Terapeuta Ocupacional e Psicomotricista do Espaço Dom Quixote

Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade - descobrindo um tratamento eficaz através da Psicomotricidade, Musicoterapia e Terapia Ocupacional


O que fazer quando o seu filho recebe o diagnóstico de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH)? Às vezes, os pais ficam um tanto desorientados, sem saber o que significa ou como buscar auxílio. Outras vezes, é mais fácil pensar que alguns sintomas são herdados e que com o tempo passa. Poder criar rotinas organiza a criança com excesso de atividade motora. Mas, para se ter um resultado efetivo, a criança necessita de atendimento. Os mais indicados são Terapia Ocupacional, Musicoterapia e Psicomotricidade. Por quê?

Porque essas áreas trabalham o ato e a ocupação do corpo pelo lúdico. Assim, conseguimos fazer com que a criança compreenda e supere mais facilmente suas limitações e desenvolva então sua autonomia. Por consequência, suas potencialidades virão à tona. Atividades de expressividade motora do movimento até invenção de fantasias infantis permeiam o imaginário infantil e a prática psicomotora, criando assim um espaço de escuta e fala consciente. Dessa forma, a criança toma consciência do seu corpo, da sua lateralidade, da sua situação e da situação de outros objetos no espaço, do domínio temporal, além de adquirir habilidades de coordenação de gestos e movimentos.

Nossas atividades (terapêuticas ocupacionais, psicomotoras e musicoterápicas) baseiam-se em atividades lúdicas, corporais, artísticas e de criação, como os jogos musicais, as atividades rítmicas, o cantar, os movimentos com música, o tocar instrumentos musicais e o compor. Elas nos auxiliam na organização do indivíduo, atuando na independência, na estruturação emocional, na percepção cognitiva (regras/limites; atenção; concentração; memória; criatividade), na comunicação (expressar o que se quer de forma adequada), nas atividades de vida diária (alimentação, vestuário, auto-cuidado), nas atividades de vida de trabalho (escola), nas atividades de vida de lazer (brincar) e na socialização.

O ritmo musical, tão relacionado às questões corporais, se faz importante nas atividades, pois é necessário trabalhar o corpo, o tônus muscular, o equilíbrio, a coordenação motora, dando sustentação ao esquema corporal desse corpo inquieto. Além de dar energia, o ritmo, feito de som e silêncio, trabalha a organização temporo-espacial, regulando o relógio interno e desenvolvendo a postura corporal, melhorando as funções de desempenho do ensino aprendizagem.

Além disso, é necessário durante o tratamento ficar atento às dificuldades no processamento sensorial da criança, a fim de regular e equilibrar os sentidos e as informações vindas do meio. Dessa forma, conseguimos elevar a autoestima, a segurança emocional e aprimorar a comunicação (verbal e não verbal). Oferecemos um espaço de expressão mais eficaz, seguro e prazeroso, onde mantemos facilmente a atenção da criança, que se sente muito mais à vontade para trabalhar suas dificuldades.

Uma atividade musical permite variações, uma vez que inserimos uma grande gama de estímulos e, quanto mais estímulos, maior o foco de atenção e percepção corporal. Começa com o recurso da música, passa pelo viés do corpo e ganha significado trabalhando todas as áreas do desenvolvimento. Em uma mesma atividade é possível compreender e explorar os sentimentos, a linguagem, a percepção corporal, a intensidade dos movimentos no meio, o domínio da força e a socialização. Esse é o trabalho conjunto de três profissões.


Priscila Straatmann Morél - priscilato@espacodomquixote.com.br
Terapeuta Ocupacional e Psicomotricista do Espaço Dom Quixote

Luciana Steffen - lucianamt@espacodomquixote.com.br
Musicoterapeuta do Espaço Dom Quixote

Ser Terapeuta Ocupacional é saber navegar no mar das diferenças...


"Ah! A cada passo uma incerteza,
A cada momento um medo, uma confusão.
Mas que cada um construa
Sua própria embarcação.

O mar é sempre igual aos olhos dos que comungam a mesma percepção.
Mas ele é muito mais amplo, profundo e surpreendente
Do que se pode imaginar...
A percepção do oceano é mutante
Para quem se atreve a navegar.
Mas use modelos apenas como referência para seu barco
Construa sua própria nau sem medo de ela não ser igual...

A diferença tem todo direito de navegar!
Cada um de nós tem o amplo direito de possuir
Seu próprio meio de expressar.
O barco da diferença corta o oceano,
podendo reinventar
até o próprio mar..."

(Autor Desconhecido)
RETIRADO DO BLOG: http://temasepoemasdato.blogspot.com/

Terapia Ocupacional e o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade



O tratamento terapêutico ocupacional com crianças com o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade oferece um espaço protegido e continente, atenuando os sintomas. Como o comportamento inconstante e imprevisível interfere no desenvolvimento pessoal e social, na desatenção, na impulsividade, na inquietação e na baixa auto-estima, o tratamento aumenta as capacidades sociais e previne futuros desajustes sociais.


O terapeuta ocupacional oferece recursos para uma intervenção na esfera física, psíquica, social e sensorial, sendo um espaço acolhedor, protegido que compreende e auxilia a criança durante todo o processo terapêutico a atenuar os sintomas do TDAH utilizando-se de atividades lúdicas, corporais, artísticas e de criação. Essas atividades auxiliam na organização do indivíduo, atuando na independência, na estruturação emocional, percepção cognitiva (regras/limites, atenção, concentração), nas atividades de vida diária (alimentação, vestuário, auto-cuidado), nas atividades de vida de trabalho (escola), nas atividades de vida de lazer (brincar) e socialização.


Os atendimentos em Terapia Ocupacional podem ser individuais, em grupo ou domiciliar, além de orientar os pais e professores. Sabe-se que é fundamental o envolvimento da família e a participação da escola para o sucesso do tratamento.


Algumas crianças apresentam dificuldades no processamento sensorial, ou seja, apresentam uma dificuldade em processar a comunicação entre os sentidos que recebem e o que chega ao cérebro, de modo que as informações chegam com intensidade exagerada ou com intensidade diminuída. Por isso, vê-se a necessidade de realizar um perfil sensorial da criança, solicitando aos pais ou cuidadores lembrar como a criança reage a ruídos altos, toque inesperado, certos tipos de roupas, etc. É importante lembrar que nem todas as crianças com TDAH têm problemas de processamento sensorial, mas a maioria das crianças com problemas sensoriais integrativa podem apresentar sintomas de TDAH.




Priscila Straatmann Morél - priscilato@espacodomquixote.com.br

Terapeuta Ocupacional e Psicomotricista do Espaço Dom Quixote

Terapia Ocupacional, Musicoterapia e Psicomotricidade: auxiliando o desenvolvimento na Síndrome de Down


A Síndrome de Down é classificada como uma anomalia cromossômica, apresentando uma trissomia no cromossomo 21, trazendo alterações significativas como problemas cerebrais, de desenvolvimento físico, fisiológico e saúde. Apresenta um conjunto de características principalmente na parte física como cabeça, nariz, olhos, orelhas, boca, língua, dentes, pescoço, mãos, dedos, pés, cabelo e pele. O desenvolvimento costuma ser mais lento, como o desenvolvimento da linguagem e a deficiência intelectual é presente em graus variados, além de causar na criança limitações do ponto de vista social e educacional.

A criança com a síndrome tende a apresentar: hipotonia generalizada, reflexos fracos, diminuição do equilíbrio, da postura e da coordenação. Tendo em vista esse quadro, percebemos a necessidade de trabalhar as funções psicomotoras com relação ao controle da cabeça, erguer o corpo, virar de barriga para baixo, sentar, trocar a posição deitada para a posição sentada, arrastar e engatinhar, ajoelhar e ficar ajoelhado, ficar de pé, aprender a marcha, correr, subir, pular e saltar.

Pensando na estimulação precoce de qualidade para essa criança, a Terapia Ocupacional no Espaço Dom Quixote, objetiva estimular o desenvolvimento neuropsicomotor através do brincar, visando o ganho máximo de independências e autonomias na família, escola e na sociedade. O tratamento terapêutico ocupacional também preocupa-se em buscar o brilho no olhar da criança, instigando-a a descobrir novos caminhos e aprimorar seu fazer.

Já a Musicoterapia tem como objetivo desenvolver a comunicação e as habilidades interpessoais através da música, da improvisação, do cantar, de criar canções, dos instrumentos musicais. A música oferece outra forma de comunicação e facilita a linguagem através das canções, pois a criança ou adolescente já conhece o texto, a palavra a ser cantada. Diversas atividades e jogos musicais são realizados onde se precisa responder uma demanda, imitar sons, trabalhando a articulação, o desejo de se comunicar, aumentando a participação e o interesse em se socializar e se comunicar, tornando a criança mais preparada e segura para tal, já que a música motiva a criança a se engajar no tratamento por ser prazerosa, aumentando sua autoestima e autoconfiança.

Já a contribuição da Psicomotricidade está ligada ao desenvolvimento afetivo, ao contato físico, as emoções e ações, podendo servir como um suporte para o processo construtivo de aprendizagem da criança. Contribuindo de maneira expressiva para a formação e estruturação do esquema corporal, o que facilitará a sua aprendizagem, além de favorecer a maturidade neurológica. É pelo meio lúdico-educativo que oportunizamos à criança expressar-se por intermédio do jogo e do exercício, assim como a exploração corporal diversa do espaço, potencializar as atividades grupais.

Assim, a Terapia Ocupacional, a Musicoterapia e a Psicomotricidade buscam proporcionar momentos de interação social que aprimoram as habilidades interpessoais fundamentais tanto no nível pessoal, quanto no futuro profissional. O grupo de estimulação precoce vem a favorecer a comunicação mais eficaz, aumentando a capacidade de escuta, de tolerância, a capacidade de escolha e de expressão, maior clareza na fala, maior autoestima e independência, o saber se expressar oralmente e corporalmente. Além de favorecer o aprendizado das emoções e fortalecer o desenvolvimento biopsicossocial.

Com essa rede de apoio, a criança/adolescente, além da família, torna-se mais motivado para a vida familiar, escolar e futuramente profissional, melhorando muito a sua qualidade de vida.

Venha se informar sobre o Grupo de Estimulação Precoce do Espaço Dom Quixote que conta com Terapia Ocupacional, Psicomotricidade, Musicoterapia e Fonoaudiologia!

Também estamos realizando o Ciclo de Palestras sobre Síndrome de Down que ocorre em todas as terças do mês de agosto.



Priscila Straatmann Morél - priscilato@espacodomquixote.com.br
Terapeuta Ocupacional e Psicomotricista do Espaço Dom Quixote

Luciana Steffen - lucianamt@espacodomquixote.com.br
Musicoterapeuta do Espaço Dom Quixote

MISSÃO PAIS III: é hora de relaxar


Nos dias atuais, todos temos duas profissões que temos que assumir e tentar desempenhá-las da melhor forma possível. Quais são elas? Uma refere-se à profissão que escolhemos e a outra, é ser pai/mãe.

Cada uma delas exige tempo, atualização, novas informações, responsabilidades e obrigações. Além de adaptar-se a pressões internas e externas e aprender a lidar com a auto-critica e até mesmo com as dificuldades psicológicas.

No entanto, a correria diária, a exigência cada vez mais alta e a hiperatividade da sociedade, nos leva ao estresse. O estresse é um esforço de adaptação realizado pelo organismo, na tentativa de enfrentar situações consideradas ameaçadoras à vida e seu equilíbrio interno. Assim uma situação súbita que envolva algum tipo de perigo ou situações conflitantes e contínuas podem desencadear um processo de estresse.

Sendo responsável por vários sintomas como a irritabilidade, distúrbio de sono e do apetite, dificuldade na concentração, preocupação exagerada com relação a situações relevantes, diminuição da memória e até mesmo impotência sexual. Outras vezes pode ser acompanhado de distúrbios psicológicos, como depressão ou agitação.

Sabe-se que é bom ter certa dose de adrenalina sendo necessária à vida, mas não em excesso. Saber dividir as tarefas e os papéis profissionais que assumimos ao longo da vida é necessário e saudável. É fundamental existir um equilíbrio entre trabalho e descanso, ou seja, o corpo exige repouso, lazer e exercícios. Se você está tenso e estressado, é hora de dar uma pausa, reavaliar seu ritmo de vida e talvez tirar um tempo para descansar. Desocupe a mente e saiba relaxar. Brincar, voltar a ser criança juntos com os filhos torna a turbulência do dia-a-dia tranqüila e prazerosa.

Relaxar então significa tirar um tempo pra si, poder conversar consigo mesmo e encontrar o equilíbrio interno. Coloque uma música suave, feche os olhos, respire, inspire - mantendo um intervalo - e perceba suas zonas de tensões. Após, tente relaxar esses pontos, visualize a tensão e vá relaxando. Dura quinze minutos, é rápido e fácil. A recompensa é grandiosa, todos perceberão inclusive você.


Priscila Straatmann Morél - priscilato@espacodomquixote.com.br
Terapeuta Ocupacional e Psicomotricista do Espaço Dom Quixote

A Integração da Musicoterapia e da Terapia Ocupacional no tratamento da Síndrome de Asperger


A Síndrome de Asperger é um quadro psiquiátrico pertencente à categoria dos transtornos abrangentes do desenvolvimento e foi descrita pela primeira vez em 1944 por Hans Asperger, psiquiatra austríaco, sob a denominação de “psicopatia autística”. Esta síndrome corresponde a um quadro caracterizado por déficit na sociabilidade, interesses circunscritos, déficit na linguagem e na comunicação.

Deve ficar claro, que não podemos generalizar, pois cada criança é um mundo e o diagnóstico preciso e seguro só pode ser dado por um médico especialista. No entanto, existem algumas características que podem ser observadas pelos pais quando seus filhos tenham entre 2 e 7 anos de idade, como a dificuldade de socialização, por exemplo.

Pensando nisso, a Musicoterapia e a Terapia Ocupacional buscam a integração dos atendimentos para o sucesso do tratamento. Essa proposta de intervenção conjunta, no Espaço Dom Quixote, busca aprimorar o funcionamento corporal e permitir assim o conhecimento e percepção do próprio corpo. Trabalhando de forma lúdica e incentivadora a atenção e a concentração, a memória operacional e motora, a percepção visuo-espacial, a percepção auditiva, a percepção temporo-espacial, a conscientização e a imagem corporal, o equilíbrio, a resistência física, o ritmo, a habilidade motora, a integração social e sensorial, a criatividade e a sensibilização. Cada atividade cantada é elaborada de forma a estimular o desafio interno de cada sujeito, como cantar e imitir os gestos da música, executar instrumentos, movimentos e desenhos com música.

A Musicoterapia trabalha diversos conceitos corporais através do ritmo, ativando as capacidades cognitivas como memória, atenção e percepção. A comunicação é facilitada e desenvolvida, já que a música possibilita outra forma de comunicação, uma comunicação não verbal, melhorando a compreensão das regras de um diálogo. No fazer musical surgem as mesmas regras de um diálogo, trabalhando-se a escuta do outro, o silêncio, o se colocar no grupo, a cooperação, respeito, tolerância, e o entendimento de limites.

Na Musicoterapia a interação social é facilitada, pois a música promove interesse, convida todos a participarem, é o elo comum que permite uma união e torna o trabalho em conjunto mais tolerável e mais fácil. Todos precisam se empenhar para o sucesso da atividade, a velocidade imposta pela música e o ritmo precisam ser respeitados, havendo dentro desse espaço, um espaço de trocas, compartilhar, de utilizar a criatividade, de lidar com o imprevisto e desenvolver a comunicação e interação.

A música impõe uma aproximação onde todos vivenciam a mesma coisa ao mesmo tempo, mas do seu jeito, com suas capacidades e limitações, oferecendo assim segurança para fazer parte de um grupo, de conviver com os outros. Começar e terminar a música ao mesmo, esperar sua vez de tocar, cantar, trabalham também o toque, o dar as mãos, a autoestima ao conseguir realizar a atividade e a capacidade de autonomia.

Cabe então à intervenção da Terapia Ocupacional ampliar a capacidade de independência do sujeito. É poder fazer do espaço lúdico, com crianças, um espaço onde esse sujeito possa ser olhado e escutado por meio do seu corpo, da sua motricidade, dos seus gestos. Esse sujeito fala e tem muito a dizer.

Então, a partir do momento que entendemos que o corpo humano é feito de linguagem e não ao contrário e sustentando-se pela linguagem, é possível trabalhar o aumento de vocabulário, diminuir os estereótipos e as obsessões. Proporcionando o bem estar emocional, a estabilização do humor e o convívio social.

É fundamental no trabalho terapêutico ocupacional enriquecer a interação social e as percepções corporais pelo recurso da música. Com o objetivo de criar rotinas, tão necessárias e vitais a eles e adequar as respostas. Respeitando o sujeito que já existe e usa seus interesses e experiências como base para criar novos caminhos, brincadeiras e possibilidades de forma prazerosa.

Nossa proposta de atendimento integrado visa sempre o sujeito, fazendo com se torne mais seguro e independente. Assim ganhando maior qualidade de vida.


Luciana Steffen - lucianamt@espacodomquixote.com.br
Musicoterapeuta do Espaço Dom Quixote

Priscila Straatmann Morél - priscilato@espacodomquixote.com.br
Terapeuta Ocupacional e Psicomotricista do Espaço Dom Quixote

Jardim sensorial: muito mais que um simples jardim


Um belo jardim florido e ornamentado traz muitas sensações e está associado a lazer e bem estar. É onde os sentidos podem ser percebidos e estimulados pelo prazer do ambiente. Mas muitas vezes pela correria diária, somos incapazes de estimular nossos órgãos dos sentidos. Fazendo somente um reconhecimento viso-motor.

Um jardim sensorial terapêutico vem a enriquecer o tratamento com surdos cegos, deficientes visuais, autistas, pessoas com déficit cognitivo, deficientes motores com alteração de marcha, equilíbrio e propriocepção, mas também pessoas que necessitam relaxamento e contato com a natureza para retomar seu corpo e seus sentidos agora integrados na estimulação de todos os sentidos.

O jardim terapêutico proporciona experiências sensórias motoras variadas como ver, sentir, cheirar, tocar, subir, descer, saltar. Visando a integração dos sentidos e o desenvolvimento global do individuo.

Para a Terapia Ocupacional, o Jardim Sensorial contribui para a reabilitação, melhora na qualidade de vida, permite a integração sensorial do individuo, ativa a percepção, cria um novo de aprendizagem.

Como os sentidos podem ser trabalhados no jardim sensorial:

Visão: diferentes qualidades de plantas, com ou sem flores, promove estímulo através de tamanhos, formas e cores diferentes.

Tato: estimulado no contato direto com as plantas e com as pistas sensoriais no corrimão e na troca de piso.

Olfação: o olfato será estimulado por um conjunto de diferentes estímulos dados por ervas aromáticas, entre os chás, os temperos e os perfumes.

Gustação: tão importante na formação do paladar junto com a olfação, a associação será feita através do gosto de algumas ervas do jardim que poderão ser utilizadas como chás ou em banhos.

Audição: O ambiente da sala de terapia impede o contato com os ruídos do mundo real, do cotidiano. Além do som em ambiente aberto ser muito diferente, o som em um jardim inclui seus ruídos próprios, estimulando nossa atenção.

Equilíbrio e Propriocepção: O jardim é composto por uma pista de diferentes pisos como madeira, areia, pedra e grama, variando a estabilidade e o nível do piso, em altura e inclinação.


Priscila Straatmann Mórel - priscilato@espacodomquixote.com.br
Terapeuta Ocupacional e Psicomotricista do Espaço Dom Quixote

Bebê no balde


O banho no balde = tummy tub, permite que e o bebê ative sua memória e relembre do espaço uterino, ou seja do lugar protegido, aquecido, meio aquático e escuro. Além de permitir o relaxamento integral do corpo e a interação entre pai e filho, balde simula o útero materno, dando a sensação de conforto e segurança. O bebê fica imerso e na posição vertical. É importante que a mãe apóie a cabeça do bebê durante o banho. Por estar sempre assistido pela mãe, o bebê pode inclusive dormir durante o banho. Não tem contra-indicação e pode ser dado em bebês de qualquer idade, desde o seu nascimento, só traz benefícios para a criança e é um grande estímulo pela relação que o bebê tem com a água.

O TummyTub foi desenvolvido por holandeses e possui o aspecto de uma banheira terapêutica especialmente elaborada para bebês recém nascidos até os 06 meses de vida. Os bebês, dentro do TummyTub, adaptam-se facilmente à posição fetal e permanecem calmos e relaxados. O plástico usado é transparente, para facilitar a visualização do bebê. O TummyTub não é tóxico e é reciclável. Não existem arestas cortantes, a sua base é anti-derrapante e na parte inferior há um centro de gravidade que permite grande estabilidade e segurança. O fato de ser um reservatório de reduzidas dimensões permite poupar água e energia, mantendo-a quente durante cerca de 20 minutos. Mesmo quando está cheio é fácil de transportar, não só pelo seu reduzido peso, mas também porque têm alças ergonômicas. (retirado do site www.tummytub.com.br)

Mas então, como realizar o banho no balde?

1ª O balde deve ter 12 ou 15 litros. Pode ser um simples balde transparente, sem rebarbas internas, feito de material atóxico e matéria prima virgem;

2ª A água deve estar aquecida entre 37 e 38 graus e na quantidade suficiente para cobrir o corpo, só a cabeça para fora da água;

3ª Prepare o bebê para o banho. Aqui vale uma massagem tranqüilizadora, muito carinho;

4ª Coloque o bebê no balde com carinho;

5ª Deixe que ele experimente e curta o banho. Vale lembrar que os pais devem ter muito atenção. O bebê pode ficar na água até que comece a esfriar.

Curta o momento com o seu bebê!!!!


Priscila Straatmann Mórel – priscilato@espacodomquixote.com.br
Terapeuta Ocupacional e Psicomotricista do Espaço Dom Quixote




Terapia Ocupacional e Teoria Ecológica do Desenvolvimento Humano


De acordo com a Teoria Ecológica do Desenvolvimento Humano de Urie Bronfenbrenner (1994), as redes sociais que se formam a partir das relações entre o ambiente e o comportamento, enfatizam a influência do ambiente ecológico no desenvolvimento humano e na família. Ainda segundo este autor não apenas o ambiente imediato influenciará no comportamento do indivíduo, mas a interconexão entre este ambiente (microssistema) e outros mais amplos (mesossistema, exossistema, macrossistema) o afetará. Há também a influência do indivíduo no ambiente, caracterizando relações de reciprocidade. A participação da criança em mais de um ambiente a introduz em um mesossistema, que é definido como um conjunto de microssistemas. A transição do bebê de um para vários microssistemas abrange o conhecimento e participação em diversos ambientes (a família - nuclear e extensa -, a escolinha, a vizinhança, etc), consolidando diferentes relações e exercitando papéis específicos dentro de cada contexto. Este processo de socialização promove seu desenvolvimento. Esta passagem, chamada por Bronfenbrenner de transição ecológica, é mais efetiva e saudável na medida em que o bebê se sente seguro e tem a participação de suas relações significativas neste processo.

Entretanto, o ambiente hospitalar ainda é visto como um espaço inóspito e com intensa exposição a estímulos nociceptivos como o estresse e a dor. Não se tratando de um ambiente ecológico e sensibilizado. Por isso é preciso compreender a dinâmica própria do bebê e avaliar seu desenvolvimento neuropsicomotor, além de estabelecer/restabelecer a rede social a sua volta (pais, família, médicos, enfermeiros) que influenciará no seu desenvolvimento através experiências positivas e negativas.

Dentro deste contexto, a Terapia Ocupacional aliada a psicomotricidade busca avaliar a rede social que se forma em torno do recém nascido pré–termo, a fim de compreender como o ambiente externo poderá influenciar no seu desenvolvimento dentro do ambiente hospitalar.

A Terapia Ocupacional utiliza a Integração Sensorial e procedimentos avaliativos para identificar o grau de estresse do recém nascido e de seu desenvolvimento para então proporcionar um programa de reabilitação e prevenção no ambiente hospitalar. Além disso, ajuda na elaboração de conteúdos emocionais da criança e da sua família, além de proporcionar maior integridade de funções no leito, avaliar e estimular sensoperceptocognitivamente o bebê, possibilitando maior segurança e facilitando o processo de alta hospitalar.

Entende-se por Integração Sensorial o processo neurológico que organiza as sensações do corpo e do ambiente e torna possível usar o corpo efetivamente dentro do ambiente. Como recurso terapêutico visa desenvolver a capacidade de perceber, aprender e organizar as sensações recebidas do seu corpo e responder de maneira adaptativa, melhorando assim as demandas motoras necessárias para o recém-nascido.

Enquanto a Escala de Avaliação Comportamental Neonatal desenvolvida por Brazelton em 1973 e revisada em 1984, tem como propósito original descrever o sistema autônomo, a atividade motora, os estados de consciência e a atenção social, vistos como integrativos e interativos no bebê a termo e saudável. (Straatmann, 2006, p.24).

Com isso, é possível reverter situações de risco, como o afastamento dos pais e o estresse do bebê quanto à manipulação constante. Nesse momento se faz importante à intervenção psicomotora precoce possibilitando restabelecer o vínculo entre pais-bebê fortalecendo a relação interpessoal, através do toque tranquilizador, principalmente da mãe, já que é através dela que o bebê se percebe. Assim como o toque sensibilizado dos profissionais da saúde nos cuidados médicos, através de momentos de confiança, prazer, voz materno-paterna, sossego, adequações ambientais na Unidade de Terapia Intensiva (UTIN) e humanização da equipe multidisciplinar. Assim o mesossistema influenciará positivamente nos ganhos do desenvolvimento infantil.

Através dessa teoria é possível observar a importância da relação pais-bebê, principalmente a relação mãe-filho, no desenvolvimento do recém nascido. É possível ver também o quanto o atendimento psicomotor precoce desenvolvido dentro dos preceitos terapêuticos ocupacionais psicomotrizes vem a facilitar a sociabilização e ganhos efetivos para o desenvolvimento normal do recém nascido e para todos aqueles que estão a sua volta. Dentro da perspectiva de que o ambiente influencia o meio é possível compreender a relação entre bebê – pais – profissionais da saúde. Sendo assim, é possível observar que o desenvolvimento infantil ocorre conforme a criança se envolve ativamente com o ambiente físico e social, assim como ela o compreende e como o interpreta.

A Terapia Ocupacional e principalmente a Psicomotricidade tem muito a fazer neste ambiente ficando clara, a importância do profissional que alia estas duas técnicas juntamente com os preceitos ecológicos tende a facilitar o processo de internação, para pais, bebês e familiares. Além favorecer o ambiente saudável para os profissionais. Só assim o bebê de alto risco consegue vencer esta condição e se tornar um bebê saudável dentro do desenvolvimento normal.


Priscila Straatmann Mórel - priscilato@espacodomquixote.com.br
Terapeuta Ocupacional e Psicomotricista do Espaço Dom Quixote

INTEGRAÇÃO SENSORIAL

A teoria da Integração Sensorial é baseada no entendimento da seqüência do desenvolvimento humano e no entendimento das respostas adaptativas que a criança é capaz de dar a cada nível etário. Ou seja, o cérebro recebe constantemente grandes quantidades de informação através dos sentidos. Através dos sentidos é que a criança, conforme aprende a se mover, equilibrar-se e relacionar-se com os objetos e pessoas ao seu redor, aprende sobre o mundo em que vive. O cérebro organiza toda a informação recebida para possibilitar uma resposta. Se a modulação do sistema sensorial e as capacidades de suporte funcional não estão integradas, então as respostas adaptativas não atingirão um nível ótimo. Habilidades isoladas a partir de uma necessidade especifica tendem a não se generalizar para outras situações.


Segundo AYRES (1972), a Integração Sensorial é o processo pela qual o cérebro organiza as informações, de modo a dar uma resposta adaptativa adequada, organizando assim, as sensações do próprio corpo e do ambiente de forma a ser possível o uso eficiente do mesmo no ambiente. Visando assim quantidade e qualidade de estímulos proporcionados ao sujeito, para que busque um equilíbrio modulado, dando assim, uma resposta que esteja de acordo com suas capacidades e com o meio, melhorando o desempenho de uma criança, em seu processo de aprendizagem.


Aplicação pratica da integração sensorial:


- os estímulos sensoriais controlados podem ser usados para eliciar uma resposta adaptativa;

- uma resposta adaptativa contribui para o desenvolvimento da integração sensorial;
- quanto mais auto dirigida as atividades da criança, maior é o potencial das atividades para aprimorar a organização neural;

- padrões mais amadurecidos e complexos de comportamento são compostos pela consolidação de comportamentos mais primitivos;

- a melhor organização de respostas adaptativas intensificara a organização do comportamento geral da criança;

- é necessário o registro dos estímulos sensoriais significativos antes da resposta poder ser dada. (Carvalho, 1996).


Quando ocorre um distúrbio na recepção e organização das informações sensoriais recebidas sobre o mundo vai afetar o desempenho nas demais áreas. Quando a criança não recebe informações sensoriais importantes de forma clara e concisa, pode não estar recebendo o “alimento” que o cérebro precisa para o processo de aprendizagem, ocasionando problemas de comportamento e auto-estima. Sendo afetado, com maior visibilidade, a capacidade de aprendizagem, o desenvolvimento da coordenação motora e da linguagem. Interferindo com a habilidade de planejar e executar atividades motoras não habituais que é conhecida como dispraxia. Esta disfunção não é só um transtorno da coordenação ou execução motora, há dificuldade em conceituar ou formular um plano de ação. Assim, vemos crianças muito inteligentes, que não produzem de acordo com o potencial intelectual que possuem. Podemos então suspeitar que exista uma dificuldade no processamento sensorial.


Crianças com distúrbios neuromotores, sensoriais, déficit de aprendizagem, distúrbios do desenvolvimento se beneficiam da técnica de Integração Sensorial.



Priscila Straatmann Mórel – priscilato@espacodomquixote.com.br

Terapeuta Ocupacional e Psicomotricista do Espaço Dom Quixote

Brincadeira de criança, como é bom, como é bom


Brincar significa explorar seu corpo, o espaço e aprender tudo o que acontece a sua volta. Para a Terapia Ocupacional Infantil, o brincar é o principal instrumento de trabalho. Utilizando-o com recurso terapêutico, conseguimos buscar a essência da criança e tirar da sessão tudo aquilo que precisamos para elaborar um bom plano de tratamento. Através do brincar conseguimos explorar todas as áreas de desempenho e assim criando um elo de fortalecimento entre o real e o imaginário, sendo possível compreender a criança.

As atividades lúdicas servem de campo de treinamento para atividades diárias, escolares e atividades de coordenação em geral. Dificuldades em integração sensorial podem impedir o brincar, que é a maior fonte de aprendizagem da criança. Por outro lado, o desenvolvimento da habilidade de brincar com certeza leva a uma integração sensorial mais adequada.

Já dentro do campo psicomotor, o brincar permite a criança aliar ação a emoção, e assim dar significado a cada história que constrói no seu dia-a-dia. Além de permitir vivenciar os fatos e compreende-los da sua maneira, permitindo que a criança se conheça.

O brincar, pela visão psicomotora permite o fortalecimento e o treino da tonicidade muscular, fortalece a relação materno-paterna, principalmente se estes participam com entusiasmo da brincadeira. Esse é o trabalho da criança! A mãe vai autorizando, pela separação de ambas, que a criança se descubra e construa seus significantes.

É por meio do brincar com qualidade que a criança se desenvolve e usufrui desses instrumentos psicomotores (linguagem, comunicação, socialização, aprendizagem e psicomotricidade) durante a vida.

Por isso, muitas vezes a Terapia Ocupacional e Psicomotricidade andam lado a lado. Ambas privilegiam o desenvolvimento saudável e a importância da relação pais e filho.

Muitas vezes, é e permitir aos pais voltar a ser criança e explorar tudo o que história infantil tem a oferecer. E para isso, inventar tuneis, passar por baixo de cadeiras, mesas, criar vestidos e roupas de lençóis e cobertores são instrumentos enriquecedores para o desenvolvimento da criança.

Deixo o início do que pode vir a ser uma história de descobertas e imaginação... Há uma luz no final do túnel? Cadê? Sumiu...


Priscila Straatmann Mórel - priscilato@espacodomquixote.com.br
Terapeuta Ocupacional e Psicomotricista do Espaço Dom Quixote

Terapia Ocupacional e Unidade de Terapia Intensiva Neonatal


O surgimento da Terapia Ocupacional como profissão, oficialmente reconhecida como tendo ocorrido na segunda década do século XX, está profundamente ligado ao trabalho hospitalar, seja por suas raízes no uso das ocupações nos manicômios psiquiátricos, seja por seu “nascimento”, entre as guerras mundiais, relacionados ao trabalho nos hospitais civis e militares junto a incapacitados físicos e doentes crônicos, como tuberculosos e seqüelados por acidentes de trabalho. (Carlo e Bartalotti, 2006).

Enquanto isso, os primeiros relatos de cuidados ao recém-nascido remontam à era greco-romana. Somente no século XVIII, em 1769, na cidade de Londres criou-se o primeiro serviço com as características de maternidade, atendendo crianças em geral. Depois, na França surge o primeiro hospital destinado exclusivamente às crianças e aos recém – nascidos, em 1802.

Contudo, só em 1815, iniciaram-se as atividades de assistência destinadas a recém – nascidos, especialmente a prematuros. Com isso, a partir de 1960-1970, o professor Alexandre Minkowski decidiu adaptar aos bebês prematuros técnicas que a escola americana herdara das terapias intensivas destinadas a adultos e aplicava em crianças maiores.

O Terapeuta Ocupacional consegue se inserir nesta equipe com o trabalho de estimulação precoce, promovendo o acompanhamento do seu desenvolvimento sensório-motor, cognitivo, afetivo e social.

Enquanto, nos últimos anos, começa-se a pensar em atuar em UTIN no Rio Grande do Sul, nos EUA essa prática já vem sendo discutida desde 1970 e regulamentada em 1993, em Congresso da AOTA, devido à grande procura nos últimos anos. Entre as especificações do Terapeuta Ocupacional está a especialização em desenvolvimento infantil, além de ter amplo conhecimento e prática nesta área. (Delia Gorga, 1994, AJOT)

É neste sentido que se compreende a inserção do Terapeuta Ocupacional no espaço hospitalar como um profissional que tem como finalidade proporcionar melhor qualidade de vida durante o processo de internação, para as mulheres/mães, gestantes, bebês e seus familiares, oferecendo suporte por meio da relação terapeuta-paciente-atividades.

Nos EUA, os hospitais que oferecem o atendimento a recém-nascidos, constituem-se uma equipe interdisciplinar a fim de adquirirem habilidades e conhecimento dos pacientes. Neste meio, segundo Delia Gorga (1994), a Terapia Ocupacional promove um olhar diferenciado quando se fala no recém-nascido, ou seja, o Terapeuta Ocupacional olha para ele de forma holística, considerando a sua performance global, atentando para as performances motoras, sensoriais, cognitivas e emocionais, no sentido de como se dá essa organização corporal, dentro das atividades de avaliação funcional. Também se considera como a família pode assumir as modificações na estrutura de papéis parentais dentro deste ambiente.

A Terapia Ocupacional tem como especificidade a utilização de atividades como recurso terapêutico. Segundo Ferrigno (apud Kudo,1997), o Terapeuta Ocupacional utiliza a atividade como instrumento que pode viabilizar a expressão, a espontaneidade, o conhecimento das potencialidades e das limitações dos clientes durante as suas ações no mundo.

Para Motta e Takatori (2001), a atuação do Terapeuta Ocupacional em pediatria compreende o atendimento a recém-nascidos, bebês e crianças que “apresentam riscos ou alterações no seu desenvolvimento, decorrentes de circunstâncias de ordem orgânica, emocional e social que podem estar presentes antes, durante e logo após o nascimento ou durante a infância”.

Cabe ao Terapeuta Ocupacional através do atendimento com uma ampla observação do estado geral do bebê; após verificação do estado de consciência, de obtenção de informações com a equipe de enfermagem sobre o dia do RN, como é o seu posicionamento na incubadora ou no berço, como está o vínculo mãe-bebê, sem esquecer-se de observar o fazer do bebê, todos os movimentos e expressões, visto que estas são suas atividades; mostrar e auxiliar os profissionais e familiares nos cuidados com o recém-nascido. Neste contexto, o atendimento deve atender as necessidades emocionais e adaptativas do bebê e da família.

Na prática, o Terapeuta Ocupacional ajuda na elaboração de conteúdos emocionais da criança e da sua família, além de proporcionar maior integridade de funções no leito, avaliar e estimular sensoperceptocognitivamente o bebê, possibilitando maior segurança e facilitando o processo de alta hospitalar.

Segundo Meyerhof (1997), o objetivo da intervenção será tanto no sentido de promover o input sensorial como a de proteger o bebê de excesso de estimulação, graduando os estímulos de acordo com o desenvolvimento adaptativo do neonato. Enquanto a escala Brazelton tem como propósito original descrever o sistema autônomo, a atividade motora, os estados de consciência e a atenção social, vistos como integrativos e interativos no bebê a termo e saudável.


Priscila Straatmann Morél – priscilato@espacodomquixote.com.br
Terapeuta Ocupaciona e Psicomotricista do Espaço Dom Quixote

13 de Outubro: Dia da Fisioterapia e da Terapia Ocupacional


Aplausos, Obrigada!

Treze de outubro é dia de aplauso a dois profissionais que se destacam na área da saúde dentro do Espaço Dom Quixote. Hoje é dia de aplaudir a nós fisioterapeuta e terapeuta ocupacional. Mas, o que é Terapia Ocupacional e Fisioterapia com crianças e adolescentes dentro do Espaço Dom Quixote?

O terapeuta ocupacional é o profissional da área da saúde que atua em todas as faixas etárias com o objetivo de tratar disfunções física, psicomotora, social, mental e de desenvolvimento, podendo atuar na prevenção, habilitação ou reabilitação do indivíduo. Utilizamos como recurso terapêutico diferentes atividades (físicas, pedagógicas, treino de atividade de vida diária, treino de órtese e prótese, etc), confeccionamos adaptações dentro do ambiente laboral (ergonomia/ginástica laboral), escolar e domiciliar.

Nossa demanda é a população que apresenta disfunções neurológicas, condições incapacitantes ou degenerativas, com disfunções motoras, LER e transtornos mentais, tendo muitas vezes que se deslocar até Natal para poder ser tratado por este profissional. Nosso município oferece a intervenção terapêutica ocupacional apenas no CAPS-PAR (voltado para adultos com transtornos mentais), UTI-NEO (voltados a bebês prematuros com desenvolvimento comprometido), CAPS-AD (para crianças e adolescentes envolvidos com droga/álcool), CRM (centro de reabilitação só para crianças) e o CASE (voltado à saúde escolar).

A Fisioterapia é campo de atuação profissional na área da saúde que se responsabiliza principalmente pela prevenção e tratamento das disfunções do movimento humano. O objetivo da Fisioterapia é intervir no movimento corporal humano por meio do próprio movimento e outros recursos físicos, visando minimizar as disfunções e desconfortos ocorrentes ou impedir o aparecimento destes.

As atividades dos fisioterapeutas incluem criar e aplicar exercícios para: aumentar a capacidade respiratória de pacientes com problemas respiratórios; desenvolver a capacidade física e motora de bebês e crianças com problemas neurológicos; estimular a musculatura e treinar a coordenação motora de pessoas com deformações, artrites, reumatismo e outros problemas nas articulações; evitar problemas circulatórios e posturais em gestantes e fazer treinamento para o parto; promover a recuperação motora de pacientes com seqüelas de traumatismo craniano, derrame cerebral ou paralisia; tratar deformidades da coluna ou problemas de postura com exercícios de alongamento e de fortalecimento da musculatura. Além disso, usam recursos como eletricidade, calor e frio, raios laser, ultravioleta ou infravermelho e exercícios na água para aumentar a capacidade de movimentação, estimular a circulação e diminuir as dores de pacientes.


Priscila Straatmann Mórel - priscilato@espacodomquixote.com.br
Terapeuta Ocupacional e Psicomotricista do Espaço Dom Quixote

Priscila Votto Fernandes - priscilafisio@espacodomquixote.com.br
Fisioterapeuta do Espaço Dom Quixote

Dom Quixote Responde: Paralisia Cerebral


PARALISIA CEREBRAL: FISIOTERAPIA E TERAPIA OCUPACIONAL
O termo Paralisia Cerebral vem sendo usado como o significado do resultado de um dano cerebral, que leva à inabilidade, dificuldade ou o descontrole de músculos e de certos movimentos do corpo. O termo Cerebral quer dizer que a área atingida é o próprio Sistema Nervoso Central e a palavra Paralisia refere-se ao resultado do dano ao mesmo, afetando os músculos e coordenação motora, dos portadores desta condição especial de ser e estar no mundo.

Não há medicamentos nem operações que possam curar uma paralisia cerebral, havendo, porém, diversas e inovadoras possibilidades de melhorar e minimizar seus efeitos. Muitas crianças progridem para experimentar vida adulta quase normal se suas incapacidades forem administradas apropriadamente. Em geral, quanto mais cedo o tratamento começa, melhores são as chances da criança superar incapacidades de desenvolvimento ou aprender novas formas de realizar tarefas desafiadoras. O tratamento consiste em atendimento por uma equipe multidisciplinar incluindo o médico neuropediatra, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, fonoaudiólogo, psicólogo, entre outros.

A Fisioterapia como parte da equipe multiprofissional tem papel fundamental na habilitação da criança. A Fisioterapia motora é importante no tratamento de crianças com paralisia cerebral, atua na estimulação do desenvolvimento neuropsicomotor, prevenção de deformidades e encurtamentos, aquisições das etapas motoras, melhorando e facilitando suas atividades de vida diária. Já a Fisioterapia respiratória é indicada para os pacientes que apresentam complicações pulmonares secundárias à paralisia cerebral, visando a higiene brônquica, manutenção da permeabilidade de vias aéreas superiores, melhora da mecânica respiratória, além de oferecer orientações aos familiares para complementação do tratamento a domicílio.

A terapia ocupacional tem um papel importante por fornecer condições para o estabelecimento e efetivação de programas de tratamento que visam a facilitação do movimento, favorecendo assim as experiências e aprendizado sensoriomotores, estimulando aspectos cognitivos, auxiliando na adaptação e execução das AVDs, incentivando o brincar e o lazer, tornando a criança agente em seu processo de desenvolvimento.

É importante que a família compreenda que a proposta de tratamento é baseada em um trabalho motivador, que buscará evidenciar o potencial da criança.


Priscila Votto Fernandes - Fisioterapeuta
Priscila Straatmann Morél - Terapeuta Ocupacional e Psicomotricista


Síndrome da Alienação Parental


Cada vez mais em evidência, esse termo foi proposto por Richard Gardner, em 1985, para a situação em que a mãe ou o pai de uma criança a treina para romper os laços afetivos com o outro genitor criando assim fortes sentimentos de ansiedade e temor em relação ao outro genitor. Estima-se que 80% dos filhos de pais divorciados já sofreram algum tipo de alienação parental e que mais de 20 milhões de crianças sofram este tipo de violência.

A SAP é freqüentemente observada em casos onde estão associados situações de ruptura da vida conjugal na qual um dos genitores tem uma tendência vingativa muito grande. Por não conseguir elaborar adequadamente o luto da separação, desencadeia um processo de destruição, vingança, desmoralização e descrédito do ex-cônjuge. Sendo o filho utilizado como instrumento da agressividade direcionada ao parceiro no processo vingativo.

O genitor alienante exclui o outro genitor da vida social e emocional dos filhos, vindo a interferir nas visitas, atacando a relação entre filho e o outro genitor acabando por denegrir imagem do outro genitor (criticando, emitindo falsas acusações).

Enquanto isso, a criança alienada apresenta um sentimento constante de raiva e ódio contra o genitor alienado e sua família, se recusando a dar atenção, visitar ou se comunicar com o outro genitor. Além disso, guarda sentimentos e crenças negativas sobre o outro genitor que são inconseqüentes, exageradas ou inverossímeis com a realidade.

Essas crianças com o passar do tempo apresentam distúrbios psicológicos como depressão, ansiedade e pânico, utilizam álcool e drogas como forma de aliviar a dor, maior incidência de cometer suicídio, baixa auto-estima e não conseguem manter ou ter uma relação saudável. Além disso, possuem sérios problemas de gênero, em função da desqualificação do genitor atacado.

Poder ajudar seu filho significa protegê-lo das discussões conjugais, valorize o lado bom do outro genitor e não somente denegri-lo, deixe que ele entenda e compreenda a situação de ambos. Buscar atendimento psicológico e outros profissionais como o terapeuta ocupacional e apoio jurídico para tratar o problema. Não podemos esperar que uma situação de SAP desapareça sozinha.

Neste caso, o auxílio terapêutico ocupacional traz conforto e estabilidade emocional através da atividade. Esta devidamente escolhida dentro do conceito do Modelo de Ocupação da Humana. A partir do Modelo da Ocupação Humana os sujeitos são ajudados a se envolverem em fazer coisas que mantêm, recuperam, reorganizam ou desenvolvem as suas capacidades, motivação e estilo de vida. Assim através da análise das condições (físicas, psicológicas e sociais) que podem afetar esse fazer que o terapeuta ocupacional intervenha, no sentido de ajudar a pessoa a (re) encontrar seu lugar social, como ser ativo, tendo como metas a qualidade de vida e a inclusão social. (Bartalotti, 2004)


Priscila Straatmann Mórel – priscilato@espacodomquixote.com.br
Terapeuta Ocupacional do Espaço Dom Quixote