RSS
Mostrando postagens com marcador deficiência. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador deficiência. Mostrar todas as postagens

Terminologia Inclusiva



Muito interessante o trabalho de Romeu Kazumi Sassaki para corrigir alguns erros na linguagem. Confira algumas partes selecionadas abaixo. 
O texto completo encontra-se em: http://www.fiemg.com.br/ead/pne/Terminologias.pdf 

TERMINOLOGIA SOBRE DEFICIÊNCIA NA ERA DA INCLUSÃO 

Romeu Kazumi Sassaki

Consultor de inclusão social e autor dos livros Inclusão: Construindo uma Sociedade para Todos (5.ed., Rio de Janeiro: WVA, 2003) e Inclusão no Lazer e Turismo: em busca da qualidade de vida (São Paulo, Áurea 2003). E-mail: romeukf@uol.com.br

* Trabalho inserido nas seguintes publicações: 
VIVARTA, Veet (org.). Mídia e Deficiência. Brasília: Agência de Notícias dos Direitos da Infância / Fundação Banco do Brasil, 2003, p. 160-165. 
VIVARTA, Veet (org.). Medios de comunicación y discapacidad: análisis periodístico desde la ópticade los derechos del niño. Brasília: Save the Children Suecia, Agência de Notícias dos Direitos da Infância e Fundação Banco do Brasil, 2004, p. 160-165. 
SASSAKI, Romeu Kazumi. Terminologia sobre deficiência na era da inclusão. Revista Nacional de Reabilitação, São Paulo, ano 5, n. 24, jan./fev. 2002, p. 6-9. 


1. Adolescente normal: 
Desejando referir-se a um adolescente (uma criança ou um adulto) que não possua uma deficiência, muitas pessoas usam as expressões adolescente normal, criança normal e adulto normal. Isto acontecia muito no passado, quando a desinformação e o preconceito a respeito de pessoas com deficiência eram de tamanha magnitude que a sociedade acreditava na normalidade das pessoas sem deficiência. Esta crença fundamentava-se na ideia de que era anormal a pessoa que tivesse uma deficiência. A normalidade, em relação a pessoas, é um conceito questionável e ultrapassado. TERMOS CORRETOS: adolescente (criança, adulto) sem deficiência ou, ainda, adolescente (criança, adulto) não-deficiente. 

8. Criança excepcional:
TERMOS CORRETOS: criança com deficiência intelectual, criança com deficiência mental. Excepcionais foi o termo utilizado nas décadas de 50, 60 e 70 para designar pessoas com deficiência intelectual. Com o surgimento de estudos e práticas educacionais nas décadas de 80 e 90 a respeito de altas habilidades ou talentos extraordinários, o termo excepcionais passou a referir-se tanto a pessoas com inteligências múltiplas acima da média [pessoas superdotadas ou com altas habilidades e gênios] quanto a pessoas com inteligência lógico-matemática abaixo da média [pessoas com deficiência intelectual] daí surgindo, respectivamente, os termos excepcionais positivos e excepcionais negativos, de raríssimo uso. Consultar SASSAKI (2003). 

11. Deficientes físicos (quando se referir a pessoas com qualquer tipo de deficiência):
TERMO CORRETO: pessoas com deficiência (sem especificar o tipo de deficiência). 

14. Doente mental (quando se referir a uma pessoa com deficiência intelectual):
TERMO CORRETO: pessoa com deficiência intelectual (esta deficiência ainda é conhecida como deficiência mental). O termo deficiente, usado como substantivo (por ex.: o deficiente intelectual), tende a desaparecer, exceto em títulos de matérias jornalísticas por motivo de economia de espaço. Consultar RIO DE JANEIRO (c. 2001). 

25. Escola normal:
No futuro, quando todas as escolas se tornarem inclusivas, bastará o uso da palavra escola sem adjetivá- la. TERMOS CORRETOS: escola comum; escola regular. 

37. Necessidades educativas especiais:
TERMO CORRETO: necessidades educacionais especiais. “A palavra educativo significa algo que educa. Ora, necessidades não educam; elas são educacionais, ou seja, concernentes à educação” (SASSAKI, 1999). O termo necessidades educacionais especiais foi adotado pelo Conselho Nacional de Educação / Câmara de Educação Básica (Resolução nº 2, de 11-9-01, com base no Parecer CNE/CEB nº 17/2001, homologado pelo MEC em 15-8-01). Esta Resolução, durante o ano de 2005, está sendo reformulada pelo CNE. Consultar CNE (2001). 

42. Pessoa normal:
TERMO CORRETO: pessoa sem deficiência; pessoa não-deficiente. A normalidade, em relação a pessoas, é um conceito questionável e ultrapassado. 

47. Portador de deficiência:
TERMO CORRETO: pessoa com deficiência. No Brasil, tornou-se bastante popular, acentuadamente entre 1986 e 1996, o uso do termo portador de deficiência (e suas flexões no feminino e no plural). Pessoas com deficiência vêm ponderando que elas não portam deficiência; que a deficiência que elas têm não é como coisas que às vezes portamos e às vezes não portamos (por exemplo, um documento de identidade, um guarda-chuva). O termo preferido passou a ser pessoa com deficiência. Aprovados após debate mundial, os termos “pessoa com deficiência” e “pessoas com deficiência” são utilizados no texto da Convenção Internacional de Proteção e Promoção dos Direitos e da Dignidade das Pessoas com Deficiência, em fase final de elaboração pelo Comitê Especial da ONU. Consultar SASSAKI (2003). 

Acesse: http://www.fiemg.com.br/ead/pne/Terminologias.pdf para ver o texto completo e as referências!


Luciana Steffen - lucianamt@espacodomquixote.com.br
Musicoterapeuta do Espaço Dom Quixote
Mestranda em Teologia (Gênero na Musicoterapia) - EST

Relato de mãe



Existem vários relatos já escritos para expressar essa palavra MÃE, principalmente nesses dias que antecedem o dia escolhido para ser o das MÃES. Vemos muitas propagandas emocionantes, canções que enaltecem a figura materna… Para mim, a mais simples de todas depois de ser mãe de uma filha especial (mesmo que todas sejam) está expressa em três palavras que sustentam a minha vida de mãe todos os dias, nestes últimos anos.

Maturidade: a gente se torna muito madura, e precisa ser, depois de ser mãe, independente da idade que escolhemos para ser mãe ou o que o destino nos fez ser. São muitas decisões, muitas dúvidas, muitas escolhas a serem definidas: pediatra, escolinha ou babá… e sendo mãe de uma crianca especial a maturidade aflora com mais intensidade e por necessidade. É necessário ter muita coragem para decidir, porque tudo é muito dificil, tudo é muito forte, muito intenso, assim como as coisas estão boas elas podem piorar, enfim maturidade física e mental é fundamental para viver e viver bem.

Amor: sem ele, como nos dedicarmos integralmente a causa? Como dar afeto, carinho? E tudo tem que ser em grande quantidade, tudo tem que ser o máximo, as proporções mudam sem querer mudar. Quando temos outro filho, sem necessidades especiais, que precisa dividir a atenção da mãe todos os dias, de maneira desproporcional, com a irmã que necessita mais que ele, fica difícil medir amor. O amor precisa acontecer numa medida que supra as necessidades do dia, da tarefa de cuidar da casa, filhos, marido, trabalho e, quando conseguimos, ainda fazer sobrar um tempo para nós. É preciso um amor capaz de sustentar a união da família para superar as dificuldades que enfrentamos.

Esperança: de ver e ter o melhor para ela a cada dia, de enxergar um mínimo de melhora onde às vezes nem existe. É a esperança que nos faz ver e acreditar que é possível superar todas as dificuldades que nos foram ditas ainda na maternidade, afinal, quantos já não caminharam, falaram, comeram sem se engasgar, coisas simples para muitas crianças, mas, para a minha filha, uma dificuldade, um comprometimento sério. Esperança é o que nos faz acreditar no significado do nome da Rafaela, “curada por Deus”. Nossa filha não pode fazer muitas coisas, mas tem o sorriso mais lindo, uma alegria sem fim, uma vontade de comer pizza, de pegar o hambúrguer do mano, o sorvete de casquinha, a Coca-cola... Coisas que a gente come e daria sem pestanejar, mas que não é possível. Eu ainda não a vejo sentar, engatinhar, mas tenho a esperança de que ela vai caminhar e me chamar de mãe para que eu possa também dizer que se ganhasse dez centavos por cada “manhêêê “ dito ao dia não precisaria ganhar na mega sena, ficaria rica e em todos os sentidos porque como somos acionadas nas 24 horas de um dia. Tudo na vida passa, cada dificuldade, cada dúvida, cada tristeza e agradeço de verdade todos os dias por ter meu filho André que é amoroso e muito cuidadoso, agradeço imensamente pela Rafaela estar conosco, pois ela enche a casa, ela traz amor a todos, não sei explicar como tudo e todos na família se voltam para ela, ela realmente é especial. Amo demais tudo o que eu vivo e acho que não faço tudo que deveria, aliás sempre achamos que podemos mais e assim vamos vivendo cada dia, superando as dificuldades, chorando e sorrindo com tudo o que a vida nos oferece.

Depoimento de Isa Franck, mãe de André (9 anos) e Rafaela (6 anos).

Por isso, nunca perca a maturidade que a vida te dá e aproveite ela para crescer e aprenda a cada dia que em tudo que vivemos sempre temos algo a descobrir que não sabemos. Ame intensamente tudo na vida, simplesmente isso. E espere, creia, não duvide da capacidade que Deus tem de transformar as coisas ao seu redor.

Janete Cristiane Petry - janetepp@espacodomquixote.com.br
Psicopedagoga do Espaço Dom Quixote

A deficiência e o mercado de trabalho


Conforme a criança vai crescendo, vão surgindo os questionamentos sobre qual a profissão que ela irá seguir, qual será o seu local de trabalho. E com as crianças que tem alguma deficiência, como fica esta questão?

Hoje em dia há inúmeras oportunidades para as Pessoas com Deficiência (PCD) em diversas empresas. Já passou a época em que estas pessoas não conseguiam exercer nenhuma função profissional e eram discriminadas na procura por emprego.

Para auxiliar em mais este processo de inclusão, o Governo Federal promulgou a Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, a qual determina que seja reservada nas empresas uma cota para PCDs. O percentual leva em conta o número de empregados. Empresas com 100 a 200 funcionários devem preencher 2% de seus cargos com beneficiários reabilitados ou pessoas com deficiências; para as empresas com 201 até 500 empregados, o percentual é de 3%; de 501 a 1000 funcionários, o percentual é de 4%; e de 1001 em diante é de 5%.

Um exemplo de empresa que está abrindo vagas para pessoas com deficiência é a Universidade Feevale. A Feevale possui o programa "INOVE - Inclusão Organizacional / Social de Valores Especiais" que tem como objetivo desenvolver ações que visem à inclusão de Pessoas com Deficiência no quadro de funcionários, tendo como foco a disponibilização de vagas e possibilidades para permanência e crescimento na Instituição, respeitando suas peculiaridades. A Instituição é comprometida com o desenvolvendo do potencial das PCDs e contribui para a construção de uma sociedade de respeito e valorização das diferenças. Alguns dos benefícios oferecidos aos funcionários da Feevale são: plano de assistência médica e odontológica; vale–transporte; auxílio creche; convênio Farmácia; descontos e bolsas integrais para curso de graduação e especialização. Quem tiver interesse pode se cadastrar no site www.feevale.br/inove.

Além da Feevale, outras empresas, tanto pequenas quanto maiores, têm vagas disponíveis. Cada vez mais as empresas estão explorando as potencialidades de cada sujeito e percebendo que as diferenças agregam valores e que as histórias de superação motivam a todos.

Ainda há muito o que ser feito nesta área, a maioria das empresas têm dificuldades em atingir o exigido pela lei e não contam com a estrutura necessária para receber estes novos empregados, mas os avanços estão começando a aparecer e as pessoas com deficiência devem cada vez mais exigirem o seu espaço de direito.


Fernanda Helena Kley - fernandafono@espacodomquixote.com.br
Fonoaudióloga do Espaço Dom Quixote
Pós-graduanda em Neuropsicologia (UFRGS)

Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla



Do dia 21 a 28 de agosto de 2011 será comemorada a Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla e várias atividades em todo o País serão realizadas para ampliar o conhecimento a cerca das questões da deficiência e sua inclusão no meio social.

O Espaço Dom Quixote também está realizando atividades especiais nesta semana:

- Na terça-feira dia 23 de agosto às 19 horas, haverá a quarta palestra do Ciclo de Palestra sobre Síndrome de Down com o tema "Terapia Ocupacional e Psicomotricidade: socialização, estimulação e vivência";

- Dos dias 24 a 27 de agosto, alguns integrantes do Espaço Dom Quixote estarão participando do Congresso Internacional sobre Autismo em Curitiba - PR apresentando, em mesa redonda, os resultados da pesquisa realizada com as crianças que participam do grupo da Ambientoterapia;

- Dia 25 de agosto no município de Charquedas, haverá curso sobre "Inclusão" para os professores da rede municipal em uma parceria com a APAE deste município.

O tema da Semana neste ano é "A pessoa com deficiência quebra a cultura da indiferença. Tenha coragem de ser diferente."

A inclusão das pessoas com deficiência é fundamental para que seja cumprido a exigência de educação para todos, com qualidade de educação. A inclusão escolar e a inclusão social transformam não apenas a pessoa com deficiência, mas toda a sociedade se modifica, ampliando o respeito às diferenças. Todos têm as suas potencialidades e podem contribuir para o desenvolvimento da nossa sociedade.

Lugar de criança com deficiência é na escola, local que deve ter condições de atender a todos e somar esforços para garantir condições educacionais a todos.


Fonoaudióloga do Espaço Dom Quixote

Pós-Graduanda em Neuropsicologia (UFRGS)

Jardim sensorial: muito mais que um simples jardim


Um belo jardim florido e ornamentado traz muitas sensações e está associado a lazer e bem estar. É onde os sentidos podem ser percebidos e estimulados pelo prazer do ambiente. Mas muitas vezes pela correria diária, somos incapazes de estimular nossos órgãos dos sentidos. Fazendo somente um reconhecimento viso-motor.

Um jardim sensorial terapêutico vem a enriquecer o tratamento com surdos cegos, deficientes visuais, autistas, pessoas com déficit cognitivo, deficientes motores com alteração de marcha, equilíbrio e propriocepção, mas também pessoas que necessitam relaxamento e contato com a natureza para retomar seu corpo e seus sentidos agora integrados na estimulação de todos os sentidos.

O jardim terapêutico proporciona experiências sensórias motoras variadas como ver, sentir, cheirar, tocar, subir, descer, saltar. Visando a integração dos sentidos e o desenvolvimento global do individuo.

Para a Terapia Ocupacional, o Jardim Sensorial contribui para a reabilitação, melhora na qualidade de vida, permite a integração sensorial do individuo, ativa a percepção, cria um novo de aprendizagem.

Como os sentidos podem ser trabalhados no jardim sensorial:

Visão: diferentes qualidades de plantas, com ou sem flores, promove estímulo através de tamanhos, formas e cores diferentes.

Tato: estimulado no contato direto com as plantas e com as pistas sensoriais no corrimão e na troca de piso.

Olfação: o olfato será estimulado por um conjunto de diferentes estímulos dados por ervas aromáticas, entre os chás, os temperos e os perfumes.

Gustação: tão importante na formação do paladar junto com a olfação, a associação será feita através do gosto de algumas ervas do jardim que poderão ser utilizadas como chás ou em banhos.

Audição: O ambiente da sala de terapia impede o contato com os ruídos do mundo real, do cotidiano. Além do som em ambiente aberto ser muito diferente, o som em um jardim inclui seus ruídos próprios, estimulando nossa atenção.

Equilíbrio e Propriocepção: O jardim é composto por uma pista de diferentes pisos como madeira, areia, pedra e grama, variando a estabilidade e o nível do piso, em altura e inclinação.


Priscila Straatmann Mórel - priscilato@espacodomquixote.com.br
Terapeuta Ocupacional e Psicomotricista do Espaço Dom Quixote

Música: uma proposta de inclusão


A Musicoterapia cada vez mais mostra sua eficácia para pessoas com deficiência. É um grande meio de inclusão, onde pessoas com e sem deficiência podem participar de uma mesma atividade musical, cada um com suas capacidades e limitações.

Pessoas com deficiência reagem às experiências musicais exatamente da mesma forma que pessoas sem deficiência. Na Musicoterapia, a música facilita as potencialidades das pessoas com deficiência e isso é de grande importância, pois pode amenizar ou até resolver as dificuldades que apresentam, sejam elas de expressão, de comunicação, de socialização e/ou motoras.

A dificuldade em alguma das áreas (sensorial, emocional e/ou intelectual) prejudica as outras, pois todas estão interligadas. A música oferece experiências que estimulam todas as áreas ao mesmo tempo, integrando-as, oferecendo deste modo a melhor maneira de desenvolvê-las. Consegue-se assim, através da música, um desenvolvimento mais abrangente, pois desenvolve mente, corpo e emoção e ameniza as limitações físicas, sociais ou mentais que a pessoa possui.

A música é uma forma de comunicação não verbal, trazendo assim uma gama de possibilidades para uma pessoa com dificuldades de expressão e comunicação, permitindo o estabelecimento ou restabelecimento de contato social sem o uso da fala. Neste caso, a Musicoterapia se torna mais eficaz do que outras terapias. A fala também é desenvolvida através de canções, jogos musicais, entre outros. Há muitos casos de pessoas que recuperaram parcialmente ou totalmente a fala através da Musicoterapia.

A Musicoterapia também se mostra eficaz para aliviar tensões, promover o equilíbrio emocional, aumentar a autoestima, a autonomia e motivação. A música trabalha a razão e a emoção, proporciona momentos lúdicos e libera endorfinas. Há comprovações de que a música aciona a mesma área do cérebro ativada pelo prazer da alimentação, sexo e drogas, trazendo um significante benefício para o bem estar físico e mental.

Por ser prazerosa, a música motiva as pessoas com deficiência a desenvolverem as áreas que apresentam maiores dificuldades. Na deficiência física a vontade de tocar um instrumento permite a estimulação do desenvolvimento motor. O campo motor é trabalhado com o ritmo, movimentos associados à música, dança, instrumentos musicais e expressão corporal, estimulando a coordenação motora, tônus muscular, entre outros.

A integração social é desenvolvida na Musicoterapia, pois a música permite que todos participem da mesma atividade de diferentes maneiras, em diferentes níveis e diferentes tipos de participação, acolhendo a todas e todos.

Além disso, a música estimula o aprendizado global, trabalhando a memória, a atenção e concentração, o que reflete positivamente nos processos de alfabetização e escrita.

O autor Willems relaciona o ritmo com a vida fisiológica, estando ligado e sendo capaz de desenvolver as questões corporais, a harmonia com o lado intelectual, estimulando a ordem e lógica ao pensamento e a melodia com a vida afetiva, expressando e influenciando-a.

A autonomia é desenvolvida através da independência do paciente no fazer musical, das escolhas (escolher um repertório, um instrumento) entre outros, e essas questões perpassam o ambiente terapêutico refletindo em uma pessoa com mais autonomia no seu dia a dia. Quanto maior a autonomia, mais a pessoa aprende a se virar sozinha, mais independente se torna. O desenvolvimento das relações intra e interpessoais, da autoestima, do âmbito motor e da comunicação contribui para a integração da pessoa com deficiência na sociedade.

Assim, a Musicoterapia contribui no processo integral de todo ser humano, sendo de importância tanto para pessoas com deficiência, como sem deficiência. Os benefícios que a Musicoterapia traz para pessoas com deficiência são: aumento do contato visual, maior vocalização, maior interação social, melhora na memória e atenção, maior desenvolvimento motor, aumento da capacidade de aprendizagem, maior expressão e desenvolvimento emocional, entre outros.

Pessoas com deficiência podem também aprender um instrumento musical, havendo dificuldades nos membros superiores, podem aprender a tocar um instrumento com os pés, como o violão, apresentando uma agilidade incrível. Pessoas não alfabetizadas podem aprender a ler a notação musical e também se alfabetizar através da música.

Para saber mais:

Blood AJ and Zatorre RJ. Intensely pleasurable responses to music correlate with activity in brain regions implicated in reward and emotion. Proc Natl Acad Sci U S A. 2001 September 25; 98(20): 11818-11823.
WILLEMS, Edgar. El valor humano de la educación musical. Barcelona: Paidós, 1981.
RUUD, Even. Caminhos da Musicoterapia. São Paulo: Summus, 1990.

Fique atento! Em breve o Espaço Dom Quixote irá promover o curso “INCLUSÃO: uma prática possível”, um curso transdisciplinar envolvendo diferentes deficiências com atividades práticas para pais, professores e demais profissionais e interessados.


Luciana Steffen – lucianamt@espacodomquixote.com.br
Musicoterapeuta do Espaço Dom Quixote

A importância da música na vida das pessoas com deficiência


A Musicoterapia cada vez mais mostra sua eficácia para pessoas com deficiência, além de ser um grande meio de inclusão na qual pessoas com e sem deficiência podem participar de uma mesma atividade musical.

O Musicoterapeuta trabalha com as potencialidades da pessoa com deficiência. A música desenvolve e facilita essas potencialidades.

As pessoas reagem às experiências musicais exatamente da mesma forma que as pessoas sem deficiência. A música é de grande importância para as pessoas com deficiência, pois pode amenizar ou até resolver suas dificuldades, como as de expressão, comunicação, socialização e motora, quando estas existem. A dificuldade em alguma das áreas sensorial, emocional e/ou intelectual prejudica as outras áreas, pois estão todas interligadas. A melhor maneira de desenvolvimento é integrar todas as áreas e a música oferece experiências que estimulam todas elas ao mesmo tempo, desenvolvendo assim mente, corpo e emoção e ampliando os limites físicos, sociais ou mentais que a pessoa possui.

A música é uma forma de comunicação não verbal, trazendo assim uma gama de possibilidades para uma pessoa com dificuldades de expressão e comunicação, permitindo o estabelecimento ou restabelecimento de contato social sem a fala. Neste caso, a Musicoterapia se torna mais eficaz que outras terapias. A fala pode ser desenvolvida através de canções ou outras maneiras como jogos musicais. Há muitos casos de pessoas que recuperaram parcialmente ou totalmente a fala através da Musicoterapia.

A Musicoterapia é eficaz para aliviar tensões, promover o equilíbrio emocional, aumentar a autoestima, a autonomia e motivação. A música trabalha a razão e a emoção, proporciona momentos lúdicos e libera endorfinas. Aciona a mesma área do cérebro ativada pelo prazer da alimentação, sexo e drogas, e traz um significante benefício para o bem estar físico e mental. Por ser prazerosa, dá motivação para as pessoas com deficiência desenvolver áreas que apresentam mais dificuldades. Na deficiência física a vontade de tocar um instrumento supera as dificuldades e estimula todo o desenvolvimento motor.

O campo motor é trabalhado na Musicoterapia com o ritmo, movimentos associados à música, dança, instrumentos musicais e expressão corporal, estimulando a coordenação motora, tônus muscular, entre outros.

A integração social é desenvolvida na Musicoterapia, pois a música permite que todos participem da mesma atividade de diferentes maneiras, em diferentes níveis e diferentes tipos de participação, acolhendo a todas e todos.

Além disso, a música estimula o aprendizado global, trabalhando a memória, a atenção e concentração, refletindo nos processos de alfabetização e escrita. Willems relaciona o ritmo com a vida fisiológica, estando ligado e sendo capaz de desenvolver as questões corporais, a harmonia com o lado intelectual, estimulando a ordem e lógica ao pensamento e a melodia com a vida afetiva, expressando e influenciando-a. Assim, a música apresenta uma complexidade que permite o desenvolvimento de todas as áreas do desenvolvimento humano como terapia.

A autonomia é desenvolvida através da independência do paciente no fazer musical, nas escolhas (escolher um repertório, um instrumento) e essas questões perpassam o ambiente terapêutico refletindo em uma pessoa com mais autonomia no seu dia a dia. Quanto maior a autonomia. mais a pessoa aprende a se virar sozinha, mais independente se torna. O desenvolvimento das relações intra e interpessoais, da autoestima, do âmbito motor e da comunicação contribui para a integração da pessoa com deficiência na sociedade.

Assim, a Musicoterapia contribui no processo integral de todo ser humano, sendo de importância tanto para pessoas com deficiência, como sem deficiência. Todos podem fazer música, cada um com suas potencialidades e limitações. Há muitos músicos que apresentam alguma deficiência como a visual ou física ou também pessoas com transtorno do espectro autista que apresentam uma habilidade incrível para fazer música.

Os resultados que a Musicoterapia apresenta para pessoas com deficiência são entre outros: maior interação social, aumento do contato visual, maior vocalização, melhora na memória e atenção, maior desenvolvimento motor, aumento da capacidade de aprendizagem, maior expressão e desenvolvimento emocional, maior autoestima e independência, influenciando positivamente na vida da pessoa.

O Espaço Dom Quixote oferece atendimento em Musicoterapia para crianças e adolescentes com e sem deficiência – venha conferir!

Luciana Steffen – lucianamt@espacodomquixote.com.br
Musicoterapeuta do Espaço Dom Quixote