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Família e escola: uma parceria necessária



O ser humano se perpetua pela aquisição de conhecimentos, de valores e da cultura de uma geração. Esta aprendizagem acontece na família, aprimora-se na escola e evolui na relação com a sociedade. 

Ao matricular uma criança na escola, os pais esperam que ela aprenda novos conhecimentos, adquira habilidades para desenvolver sua aprendizagem ao longo da vida e a capacite a ser uma pessoa reflexiva, crítica, com capacidade de fazer boas escolhas e ser um bom profissional. 

A escola, por outro lado, possui em sua filosofia e projeto pedagógico a formação de valores éticos em seus alunos, o desenvolvimento de competências e conhecimentos. Sem a parceria entre escola e família, todos estes objetivos não se tornarão realidade, pois o aluno enquanto criança e ainda na adolescência precisa da assessoria dos pais e dos professores para atingir estes objetivos e ter sucesso na vida escolar. 

No Ensino Fundamental as crianças vivem uma fase “esponja”. Tudo o que ensinamos a elas será internalizado, desde que esta ação seja vivenciada com qualidade e sentido. É nesta etapa de escolarização que as crianças precisam aprender a organizar sua mochila, seu material, ter uma postura adequada para sentar e realizar as atividades, desenvolver a atenção e concentração na hora de estudar. 

Os pais podem ajudar muito mostrando aos filhos como fazer, dando espaço para que pratiquem o que lhes foi ensinado e corrigindo posturas inadequadas. Na escola é importante proporcionar um tempo para ensinar as crianças a usarem os materiais corretamente, segurar o lápis, fazer a preensão correta para posteriormente ter uma letra caprichada. Desenvolver o traçado correto de letras e números precisa acontecer nos três primeiros anos de escolarização para que a criança faça uso dela posteriormente. 

São etapas de aprendizagem importantes antes da formalização da aprendizagem e construção da alfabetização. 

Em casa, os pais desempenham papel importante na motivação para a aprendizagem e na construção de posturas que favorecem o desenvolvimento cognitivo, social e emocional. 

Para ajudar a família a desempenhar seu papel no desenvolvimento escolar dos filhos, seguem algumas dicas para os pais enquanto o filho é criança e se encontra no Ensino Fundamental:

- Bons alunos fazem a lição sozinhos. O tema é da criança e não dos pais. Ela deve ser capaz de fazer a tarefa sozinha. Isso não quer dizer que deve se sentir sozinha. 

- Os pais devem acompanhar. Dar o exemplo estimula o filho. Ler junto com os filhos. Fazer as contas da casa na hora do tema de matemática. Escrever um texto, carta, responder e-mails. 

- É para se esforçar, não arrancar os cabelos. Se a criança está cansada, é melhor parar e retomar a atividade em outro momento. 

- Manter uma rotina de estudos. Estabelecer um horário de estudos. Ter um cantinho para estudar ajuda na organização e concentração. 

- O que a criança aprender em termos de valores, limites, respeito a si e ao outro, responsabilidade e hábitos, conhecimento de seus direitos e deveres, ela levará consigo onde quer que vá. 

- À medida que a criança cresce, é importante que comece gradativamente a aprender a tomar conta de si própria. 

- O ideal é, desde cedo, deixar a criança ter relação com diferentes pessoas e incentivá-las nas suas primeiras experiências. 

- A brincadeira é um recurso psíquico importante para o desenvolvimento das crianças. É importante que os pais entrem na brincadeira dos e com os filhos. 

- Respeitar o tempo das crianças. Para desenvolver sua aprendizagem a criança precisa estar pronta biologicamente, psiquicamente e socialmente. 

- A relação entre família e escola é fundamental para garantir a aprendizagem e o desenvolvimento integral da criança. 

- A proximidade entre pais e filhos na hora de aprender desenvolve a autoestima, o respeito, a confiança e favorece a aprendizagem de valores importantes. 

A aprendizagem pode ser formalizada, mas sempre será uma etapa da humanização. A educação aprendida na família e desenvolvida na escola formará os sujeitos que farão a diferença na sociedade. 


Janete Cristiane Petry - janetepp@espacodomquixote.com.br
Psicopedagoga do Espaço Dom Quixote

A sua escola é uma escola gaiola ou uma escola asa?



Neste início de ano convido os educadores a pensarem na escola que querem ser para seus alunos no ano de 2014... 

Segundo Rubem Alves: 

“Há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas. 
Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do vôo. Pássaros engaiolados são pássaros sob controle. Engaiolados, o seu dono pode levá-los para onde quiser. Pássaros engaiolados sempre têm um dono. Deixaram de ser pássaros. Porque a essência dos pássaros é o vôo. 
Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são pássaros em vôo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o vôo, isso elas não podem fazer, porque o vôo já nasce dentro dos pássaros. O vôo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado” 

Quando você decidiu ser professor, que professor você imaginou que seria? O que, realmente, é mais importante que o teu aluno leve para a vida dele? 

Desejo, de coração, mais escolas asas, mais professores asas, pois os adolescentes saem da vida escolar com muito conteúdo, mas não sabem voar; com muitas fórmulas, mas sem a fórmula da vida, despreparados para enfrentar os desafios cotidianos, para lidar com seus sentimentos, para organizarem seu tempo, para ouvirem o outro.

Mais de 12 anos dentro da escola é tempo para caramba e não dá para desperdiçá-lo com “decorebas” ou informações desnecessárias. Precisamos ensinar os alunos a se lançarem na vida, a construírem seu próprio projeto de vida, a fazerem perguntas e não apenas darem respostas. As respostas estão no “Google”, as perguntas precisam ser produzidas por nós mesmos. 

Desejo um excelente início de ano para todas as escolas. Voem alto com seus alunos e não esqueçam, queridos professores, vocês são muito importantes na vida de seus alunos. 


Fabíola Scherer Cortezia - fabiola@espacodomquixote.com.br
Psicóloga do Espaço Dom Quixote
Especialista em Infância e Adolescência

Você já recebeu o boletim do seu filho?



A entrega dos boletins e pareceres escolares está acontecendo na maioria das escolas da região. Algumas famílias já receberam este retorno e outras estão a poucos dias de recebê-lo. O parecer do 1º trimestre sempre é aguardado com muita expectativa.

Para os pequenos das séries iniciais, são os primeiros retornos de como está o processo de alfabetização e é normal que seja um momento de muita expectativa. Porém é importante que seja feita uma análise bem criteriosa da nota / conceito / descrição que o corpo docente realizou a respeito do seu filho. Mais do que elogiar ou dar uma chamada de atenção, é importante que se aproveite o momento da entrega dos boletins para se conversar com os professores e questionar sobre como está o desenvolvimento escolar do seu filho. O professor vai poder explicar como o aluno iniciou o ano, como está até o momento e o que pode ser feito para melhorar o seu aprendizado.

Sabe-se que quanto mais os pais se envolverem na vida escolar do filho, mais ele também se envolverá, pois sentirá o quanto isto significa, tanto para ele quanto para os seus pais. Assim terá motivação para o aprender, item fundamental para que a aprendizagem ocorre. A autora Marta Relvas relata que "aprendemos com a cognição, mas sem dúvida alguma, aprendemos pela emoção".

Então aproveite o término desta primeira etapa do ano escolar e fique mais próximo do seu filho, tanto para perceber o quanto ele já aprendeu quanto para auxiliar em alguma dificuldade que ele possa estar enfrentando. E se perceber que estas dificuldades exigem um olhar mais técnico, a equipe do Espaço Dom Quixote pode lhe ajudar!


Fernanda Helena Kley - fernandafono@espacodomquixote.com.br
Fonoaudióloga do Espaço Dom Quixote
Pós-graduada em Neuropsicologia UFRGS

Dicas para uma lancheira saudável



Com o fim das férias escolares os pequenos retornam à rotina e aulas, hora em que os pais voltam ao dilema do que colocar na lancheira de seus filhos. 

Com a correria do dia a dia é muito comum que os pais incluam opções práticas, porém, estas podem acabar prejudicando a saúde das crianças. Alimentos como bolachas recheadas, salgadinhos, refrigerantes, bolinhos de chocolate industrializados possuem poucos nutrientes, muita quantidade de açúcar e aditivos químicos que prejudicam a saúde. 

O ideal é que a lancheira fique bem colorida para atrair e estimular o prazer das crianças na hora de comer. Para garantir o bom crescimento, desenvolvimento e um bom desempenho escolar, o lanche precisa ser variado e conter: 

- uma porção de carboidratos, para fornecer energia; 

- uma porção de lácteos, que tem proteínas; 

- uma porção de frutas responsáveis pelas vitaminas, fibras e minerais; 

- e uma bebida, para hidratação. 

Lembre-se que a escolha do lanche escolar é o primeiro passo para a adoção de bons hábitos alimentares.

Segue algumas dicas para uma lancheira saudável e saborosa:



Cristine Cassel - cristinenutri@espacodomquixote.com.br
Nutricionista do Espaço Dom Quixote

E começa tudo de novo!!



E se inicia mais um ano letivo, novos alunos, uma nova turma. Para muitos uma nova série ou mesmo uma nova escola, mas com certeza: novas expectativas! 

Vamos aproveitar estas expectativas e inquietações iniciais para fazer um ano letivo diferente e assim transformar nossa prática em nossa sala de aula! 

Para ajudar a elaborar as atividades da melhor maneira para os alunos, deixo com vocês um video do Rubem Alves, que faz uma belíssima provocação aos professores.




Assista também em: http://www.youtube.com/watch?v=_OsYdePR1IU


Clarissa Paz de Menezes - clarissapp@espacodomquixote.com.br
Psicopedagoga do Espaço Dom Quixote

Barulho do vizinho



Na semana passada uma notícia movimentou as redes sociais e os jornais. A escritora gaúcha Cintia Moscovich ganhou uma ação judicial contra a escola do Grêmio Naútico União que funciona ao lado de sua casa. A escritora alegou que o barulho que as crianças fazem durante o recreio tem tirado o sossego da vizinhança e atrapalha o trabalho dela. A medida determina que a escola não faça mais atividades que gerem barulho no pátio, ou seja, não haverá mais recreio para os alunos. A perícia realizada no local conclui que "o ruído médio é muito acima do valor máximo estabelecido pela legislação vigente."

Por se tratar de uma escola, muitas pessoas se manifestaram contra a escritora. A escola diz que o barulho é pequeno e a direção está preocupada com a situação, pois teme que a qualidade no ensino caia por não poder proporcionar atividades no pátio. Sem entrar na discussão gerada, pode-se aproveitar a situação para refletir sobre ela. 

Dados da Secretaria Municipal do Meio Ambiente de Porto Alegre mostram que as denúncias de ruído são na maioria contra casas noturnas, mas também há denúncias contra comércios, indústrias, oficinas, postos e lavagens, principalmente. O nível de ruído permitido em zonas residenciais é de 60 decibel entre 7h e 19h e de 45 decibel das 19h às 7h. Isto representaria o barulho de uma conversação ou de um escritório de trabalho. Para se ter uma ideia, o tráfego em uma avenida já atinge de 70 a 90 decibel.

Ruído significa um conjunto de sons desagradáveis e frequentemente irritantes. Quando este ruído é exagerado, torna-se incômodo, sendo um obstáculo à comunicação e contribui para o aumento da fadiga, podendo provocar alterações no sistema nervoso. Ruído em excesso atrapalha os vizinhos e causa danos à nossa audição. É importante ressaltar que a exposição exagerada a sons muito intensos pode causar perda auditiva, por isso o bom senso é indispensável para determinar o que é aceitável e o que perturba os outros e, se há reclamações, o melhor é reduzir a intensidade.

* Algumas informações foram retiradas do jornal Zero Hora de 01 de dezembro de 2012.


Fernanda Helena Kley - fernandafono@espacodomquixote.com.br
Fonoaudióloga do Espaço Dom Quixote
Pós-Graduanda em Neuropsicologia UFRGS

E o final se aproxima



Já estamos no final do ano, época de correrias... correr atrás do tempo, atrás dos conteúdos que precisam ser finalizados, correr atrás dos alunos que precisam aprender. É tempo também de refletir sobre o que deu certo no ano que passou e o que devemos mudar para o ano que vem a seguir. Mas porque esperar se podemos começar agora mesmo esta mudança? Apesar de estarmos na reta final, ainda podemos fazer a diferença na vida dos nossos alunos. 

Embora o fim do ano esteja próximo, ainda podemos ajudar nossos pequenos a aprender, ainda temos condições de ensinar coisas novas, diferentes e “inventar algumas modas” para nos tornarmos inesquecíveis no coração e no pensamento de nossos alunos, resultando com isso novas aprendizagens. 

Sempre pensei que a escola deveria ser um lugar especial, “um pedacinho do céu” como diz a música “Professora” (novela Carrossel), e somos nós, professoras, que temos essa função de tentar fazer a diferença, e se nós conseguirmos atingir nosso objetivo, certamente a reciproca será verdadeira e nossos alunos nos darão a resposta que tanto esperamos. 

É importante deixar claro que fazer isso pelos alunos não significa fazermos todas as vontades deles e fazer malabarismos para que as crianças prestem atenção, mas sim ensinar com amor e dedicação e utilizando atividades diferenciadas de vez em quando, levando em conta as possibilidades de cada um. 

Boas recordações de maneiras que fogem ao habitual das atividades em sala de aula são essenciais para uma aprendizagem de qualidade. Algumas vezes dão trabalho, cansam, mas ver os olhinhos brilhantes e os comentários sobre as diferentes propostas sugeridas, e o mais importante... a certeza de que o conhecimento foi construído, se transforma em lembranças muito mais “gostosas” que ficarão guardadas na memória de professores e alunos pra sempre!


Clarissa Paz de Menezes - clarissapp@espacodomquixote.com.br
Psicopedagoga do Espaço Dom Quixote

Música na Sala de Aula?



Sempre recomendo a utilização da música e/ou seus recursos dentro da sala de aula. É um recurso que todas/os podem utilizar, propicia uma atividade diferente, interessante e prazerosa, sem custo nenhum. Promove diversos benefícios e pode fazer toda a diferença. Atividades musicais podem auxiliar em praticamente todos os objetivos que se quer trabalhar, pois envolvem todas as áreas do cérebro. 

Fica a dica! A música e/ou seus elementos aumenta a concentração e atenção, auxilia na fixação dos conteúdos, além de poder ser utilizada para melhorar a interação entre as/os alunas/os e alunas/os e professoras/es, aprimorar a coordenação, introspecção, autoestima, entre outros. 

Imagine aquele dia em que estão todos desatentos e agitados. Ou com muito sono em um dia chuvoso. Como arranjar uma maneira de fazer as alunos prenderem a atenção e assimilarem o conteúdo? Por que não utilizar uma atividade musical como recurso? Uma atividade que exija atenção como “morto e vivo musical” (ao ouvir uma palma, levanta, um assovio, abaixa), ou estabelecer sílabas ou sons para cada gesto (levantar um dedo – dizer “Du”, levantar dois dedos dizer “Dudê”). Cada aluno pode comandar um pouco, ou o famoso “espelho”, onde cada um tem que imitar os gestos do comandante da forma mais sincronizada possível. Essas atividades exigem o máximo de atenção e concentração, excelentes para passar o conteúdo após. Qualquer canção ou atividade que se diminuía a velocidade progressivamente, diminui também a velocidade da respiração, dos batimentos cardíacos, acalmando e aumentando a atenção. 

E como facilitar o aprendizado? Atividades musicais auxiliam na memorização e compreensão do conteúdo. Hoje em dia há vários grupos musicais como Palavra Cantada, Thelma Chan, Beto Herrmann, Bia Bedran, entre outros, com músicas específicas para determinadas disciplinas ou conteúdos, seja português, estudos sociais, ciências, matemática, geografia, línguas estrangeiras, literatura, além do universo de músicas para a educação infantil, que auxiliam na linguagem, alfabetização, todo o cognitivo, como a percepção, memória, concentração, raciocínio, auxiliam na rotina, desenvolvem a expressão, sensibilidade, criatividade, autoestima, afetividade, o toque, a cooperação, respeito, diminuem a ansiedade, promovem a interação social, a aceitação do outro, o aprender a lidar com o novo, com frustrações, limites, além da coordenação motora, e muito mais. 

Criar canções, modificar o texto de uma música inserindo o conteúdo da disciplina são excelentes meios dos alunos se envolverem e realmente fixarem o conteúdo. Uma apresentação de composições realizadas em grupo rende uma aula e tanto! 

A música é um excelente recurso para inclusão por promover a interação, facilitar o aprendizado, além de tantas outras habilidades como as citados acima. É uma atividade prazerosa que deixará os alunos mais motivados para aprender. Rodas cantadas, histórias cantadas, jogos de copos, jogos de mãos, criação de instrumentos musicais, brincadeiras rítmicas, composição, utilizar música de fundo para controlar o volume do som das crianças/adolescentes (eles mesmos se policiam de modo que se não estiverem escutando a música, precisam diminuir o barulho) são algumas das tantas possibilidades e vantagens do uso da música em sala de aula. 


Luciana Steffen - lucianamt@espacodomquixote.com.br 
Musicoterapeuta do Espaço Dom Quixote 
Mestranda em Teologia (Gênero e Musicoterapia) - EST

Atendimento Educacional Especializado - Afinal o que é isso?



Por muito tempo as crianças e os adolescentes com deficiência eram segregados do ensino regular, sendo enviados a espaços considerados especializados para atender a demanda destes alunos. Com o passar do tempo começou a perceber-se esta educação especial em uma perspectiva inclusiva, onde estas crianças e adolescentes poderiam frequentar a escola e classes regulares, deixando a antiga educação especial somente como um apoio ao ensino regular. 

Pensando através do viés inclusivo, dispositivos normativos passaram a vigorar com o intuito de estabelecer diretrizes, assim como assegurar a inclusão escolar. O decreto Nº 7.611, DE 17 DE NOVEMBRO DE 2011 é um destes documentos que visa estabelecer como deverá ocorrer os processos de inclusão e educação especial. 

No documento citado acima, se fala do Atendimento Educacional Especializado (AEE). Segundo a Política Nacional de Educação Especial, na perspectiva da Educação Inclusiva de 2008, o AEE tem como função eliminar as barreiras de aprendizagem da criança com deficiência, sendo que deve ser oferecido de forma complementar ao ensino regular, sempre no turno contrário. São passiveis do AEE alunos com deficiência, alunos com transtorno global do desenvolvimento e alunos com altas habilidades. O aluno que frequenta este atendimento, deverá ter matricula dupla, para que os recursos financeiros cheguem até a escola que atende este aluno. 

O AEE poderá ser oferecido nas salas de recursos multifuncionais das escolas ou em instituições comunitárias, desde que estas sejam conveniadas à Secretaria de Educação. O professor do Atendimento Educacional Especializado deve ter formação especifica em Educação Inclusiva e/ou Educação Especial, pois ele poderá orientar o professor da criança/adolescente que estará em atendimento.

O AEE é uma prática que tem como principal objetivo promover a aprendizagem do aluno e assim, facilitar o trabalho do professor.


Clarissa Paz de Menezes - clarissapp@espacodomquixote.com.br
Psicopedagoga do Espaço Dom Quixote

Lanches decorados



Para aproveitar o período de volta às aulas, indico o tumblr (site para o compartilhamento de imagens) de uma mãe muito criativa chamada Heather Sitarzewski que decora a lancheira de seu filho diariamente com personagens de desenhos, paisagens e afins. 

Vamos exercitar nossa criatividade! 

http://lunchboxawesome.tumblr.com/ 

Boa volta às aulas a todos. 


Daniele Santetti – danielenutri@espacodomquixote.com.br 
Nutricionista do Espaço Dom Quixote
Mestranda em Saúde da Criança e do Adolescente - UFRGS

Criança "perguntadeira" atrapalha?



Imaginem a seguinte cena: uma sala de aula cheia de crianças perguntando o tempo todo sobre suas curiosidades. 

No início todo adulto acha interessante e, além de responder, estimula mais a curiosidade das crianças. Mas chega uma hora em que toda essa efervescência investigativa pode tomar o rumo da bagunça e dispersão das tarefas planejadas, e, aí, ponto final. Hora de calar, de voltar à concentração e, de preferência, em silêncio para não errar. 

Se esta atitude do adulto de fazer calar tornar-se uma rotina na sala de aula, podemos transformar a curiosidade infantil, tão natural, num silêncio cognitivo. As crianças deixam de questionar e de se apropriar de suas perguntas para dar lugar à acomodação, à inércia cognitiva que acaba por adormecer o desejo de aprender, desejo este que Alícia Fernandez, psicopedagoga argentina, diz ser fundamental para a aprendizagem. 

Sem este desejo, os alunos não se apropriam do conhecimento e acabam por ser meros transmissores de informação. Alunos com este quadro são facilmente encontrados nas séries finais do Ensino Fundamental e no Ensino Médio. 

Acredito que uma das hipóteses para este silêncio cognitivo, esta falta de desejo por apropriar-se do conhecimento, tem a ver com a necessidade de calar na infância. A criança percebe que perguntar demais perturba e, depois de muitas tentativas sem aprovação, acaba por desistir e se acomoda no lugar de aluno mero ouvinte. 

Não se trata aqui de transformar a sala de aula num burburinho sem fim, mas de construir espaços de liberdade ”organizada” da expressão, onde todos possam ser desafiados a contribuir com informações e ideias, além de questionar e resolver suas dúvidas. 

Nossas crianças perguntam o tempo todo, mas perguntam o quê? É importante que o professor possa organizar essa conversação para que as crianças cresçam aprendendo a investigar. A organização da linguagem traduz uma organização mental, necessária para assimilar e acomodar as informações transformando-as em verdadeiro conhecimento. 

Privilegiar no planejamento semanal atividades silenciosas, que exijam a concentração e reflexão individual, bem como atividades coletivas que necessitem da interação social, da troca de conhecimento, da administração do tempo e das individualidades para atender o coletivo, são importantes para que as crianças vivenciem situações diferentes e que desenvolvam competências distintas. 

Em sala de aula deve-se procurar instituir os momentos de rodinha, de assembleia para discutir e refletir sobre temas estudados, sobre situações vivenciadas, sobre regras e valores, sobre o andamento das aulas. É preciso permitir que a criança aprenda a avaliar-se e avaliar as situações a sua volta com responsabilidade para que desenvolva autonomia e senso crítico. 

Deve-se motivar as perguntas num ambiente seguro para que os alunos se sintam à vontade em dizer “não entendi”, “não sei fazer” e expressem suas dificuldades sem medo de cair no ridículo. O professor, para o aluno, é uma figura que, por vezes, impõe medo e inibe as perguntas ou a expressão da dificuldade. Um ambiente que faz da investigação e do questionamento uma rotina facilita a aprendizagem e diminui o fracasso escolar. 

Crianças que aprendem desde pequenas a se expressar, emitir sua opinião, manifestar sua curiosidade tornam-se adolescentes mais envolvidos com a própria aprendizagem, pois fazem da curiosidade o ponto de partida para a pesquisa e reflexão. 

Portanto, no processo de aprendizagem é importante que o aluno desenvolva a atenção, o questionamento e investigação, o estudo e a sistematização dos conteúdos e temas, a reflexão individual e coletiva para construir um conhecimento significativo. Todas estas competências são desenvolvidas nos anos iniciais de estudo e aperfeiçoadas durante a vida escolar. 

Deixemos que as crianças perguntem, e perguntem muito. Vamos ajudá-las a organizar estas perguntas para que se tornem investigativas e promotoras de aprendizagem.


Janete Cristiane Petry - janetepp@espacodomquixote.com.br
Psicopedagoga do Espaço Dom Quixote

A cozinha também pode ser uma sala de aula!


Na hora do lanche, sessões de culinária!

A relação com os alimentos está no dia a dia da escola e ela pode ser usada tanto para auxiliar o professor nas temáticas diárias de sala de aula como matemática, ciências, estudos sociais e português, assim como na prevenção e combate à obesidade! 

A cozinha pedagógica pode ser uma prática muito divertida e proveitosa para todas as faixas etárias, desde a educação infantil até o ensino médio, dando um sentido diferente à aprendizagem da criança, pois possibilita, no preparo de um prato, vivências repletas de experiencias sensoriais relacionadas com diversas disciplinas curriculares, ensinando o aluno na prática aquilo que só é apresentado nos livros. 

Além de auxiliar na construção da aprendizagem, proporcionando diferentes sensações, a cozinha pedagógica promove de forma lúdica conceitos de alimentação saudável, higiene e e nutrição. 

Nada melhor do que exercitar a leitura, a escrita, os conceitos matemáticos, aprender ciências, estudar diferentes culturas e aprender a comer bem, tudo em uma única aula, né? 

Mãos a obra e bom apetite! 

Clarissa Paz de Menezes - clarissapp@espacodomquixote.com.br
Psicopedagoga do Espaço Dom Quixote

Como utilizar a voz na escola



O primeiro trimestre do ano está terminando e neste momento os alunos recebem o primeiro retorno sobre seu desempenho escolar e orientações para os próximos meses de estudo. A vida profissional dos professores já está em ritmo acelerado e a cada mês as exigências vão aumentando, os prazos para entregar notas e pareceres vão se aproximando e a demanda de ensino se torna cada vez mais pesada. 

O ritmo de trabalho dos professores muitas vezes acaba por afetar a sua saúde física e mental, e alguns cuidados devem ser tomados para que este desgaste não seja exageradamente prejudicial. O enfoque da Fonoaudiologia no auxílio aos professores, na maioria das vezes, está focado em dicas de exercícios vocais de preparação para o esforço de um dia de trabalho e de relaxamento para evitar sintomas bem presentes na vida destes profissionais, como rouquidão, perda de voz e dores na garganta. Estas dicas são muito importantes e previnem doenças graves, porém também é importante que os professores saibam como utilizar a sua voz de uma maneira que não agrida a sua saúde. 

Muitos professores reclamam que está cada vez mais difícil lidar com os alunos, manter a sala de aula em ordem e com os alunos prestando atenção. Esta dificuldade resulta em um desgaste ainda maior para os professores e pode ser em grande parte resolvida com a correta utilização da voz através de uma entonação condizente com a postura que se quer passar aos alunos. A seguir algumas dicas importantes:

- defina as regras claramente;
- explique o que pode e o que não pode e determine o que vai ocorrer se a regra for quebrada;
- utilize um vocabulário curto na hora de cobrar o respeito às regras;
- tenha uma expressão corporal e entonação vocal que imponha respeito;
- não grite.

Quer saber como colocar estas e outras dicas em prática?

O Espaço Dom Quixote está promovendo a Oficina COMO UTILIZAR A VOZ NA ESCOLA no dia 29 de maio, terça-feira, das 19 às 22 horas.


Participe!


Fernanda Helena Kley - fernandafono@espacodomquixote.com.br
Fonoaudióloga do Espaço Dom Quixote
Pós-Graduanda em Neuropsicologia UFRGS

A escola dos meus sonhos!



Como é a escola perfeita? Como seria a escola dos sonhos dos nossos alunos?


Será que alguém já parou pra pensar o que as crianças esperam da escola? Afinal, a escola é feita para eles, porém eles são os menos ouvidos e dificilmente seus desejos são levados em conta na hora de se montar o currículo e o calendário escolar!


Engana-se que a escola dos sonhos das nossas crianças é feita só de brincadeiras e guloseimas! Alguns alunos de 4º e 5º ano de uma escola de NH responderam esta pergunta...e alguns surpreenderam com suas respostas!


Como é a escola perfeita para você?

Para a Deize – 5º ano

“Uma escola cheia de amizade. Que todos alunos ajudem um aos outros.”

“Eu queria que meus colegas não brigassem e que fossem bem respeitosos. Que eles tivessem amor uns pelos outros.”


“Eu queria que tivesse bolo e chocolate quente e suco para tomar no almoço.”

“Eu queria que as professoras fossem amorosas e que escutassem o que o aluno fala para ela.”

“Que a pracinha fosse cheia de fantasias e com um escorregador bem grande.”


Para a Maria Eduarda – 4º ano

“Salas decoradas com coisas que as crianças gostem.”

“Com cores alegres e colegas divertidos que não sejam tão espoletas.”


“A professora perfeita não xinga o tempo todo e me deixa sair mais cedo para o recreio.”

“Muitas vagas para quem quiser estudar. É só fazer a matrícula, pegar o atestado e já tá na escola.”

Para o Sidinei- 4º ano

“Com sala de aula e o pátio limpos.”

“Com alunos que cuidam da escola e não quebram nada.”

“Com alunos que não briguem e respeitam os outros.”

Para a Natália – 4º ano

“Eu quero ter uma professora que dê texto no quadro, que também seja legal e passe bastante matemática e ensine a falar inglês na aula. Ter brincadeiras em aula e jogos novos.”

“Eu quero ter muita leitura nas aulas.”


“Eu quero que tenha rede nas goleiras e rede de vôlei.”

“Tem que ter refeitório e uma sala de informática com computadores que funcionem.”

“Eu quero que na sala de aula tenha estantes novas.”

“Com uma professora inteligente e legal.”

Para a Bettina – 5º ano

“Professores experientes e interessados pelo aprendizado dos alunos.”

“Alunos dispostos a aprender, com boa vontade, comportados e bem educados.”

“Uma boa estrutura de lazer educativo, onde todos possam ter um rendimento escolar positivo.”

“Familias que acompanhem o aprendizado escolar de seus filhos, para que a familia seja uma extensão da escola, para que assim todos envolvidos num mesmo objetivo, façam a diferença para um futuro melhor para nossas crianças, assim temos a esperança de um mundo mais justo.”

“Uma escola perfeita não precisa ter grandes coisas, uma boa educação e um bom aprendizado tá ótimo!”

Para a Tainá – 5º ano

“A escola perfeita tem que ter muitos brinquedos na pracinha e banheiros lindíssimos e limpos.”

“A professora perfeita seria aquela que ensinasse bastante e brigasse menos.”

“Os colegas perfeitos seriam aqueles que respeitassem a professora e não brigassem.”

“A escola perfeita deveria ter aulas de dança, capoeira e muitas outras coisas legais. Muitos passeios e uma diretora legal.”

Ao ver a resposta deste grupo de crianças, percebemos que não é tão impossível assim construir a escola perfeita para nossas crianças!

E para você, como é a escola perfeita?




Clarissa Paz de Menezes - clarissapp@espacodomquixote.com.br

Psicopedagoga do Espaço Dom Quixote

A escola na era da informática


Cada dia mais a informática faz parte das vidas de alunos e professores. O que era antes apenas uma ferramenta de diversão e pesquisa para trabalhos escolares, pode se tornar uma poderosa ferramenta no processo de ensino/aprendizagem de nossas crianças, visto cada vez mais crianças de diferentes classes sociais tem acesso a computadores e internet.

Há projetos governamentais como o UCA (Um Computador por Aluno) que distribui notebooks para os alunos e professores de escolas públicas. Há ainda um projeto que dará Tablets para os professores de ensino médio da rede pública nacional, sem contar que já há escolas particulares pedindo tablets e notebooks na lista de material escolar.

Este movimento todo faz com que nós, professores, precisemos estar mais ligados nesse mundo e interados no que se passa com ele e quem sabe até aderir ao que ele oferece para que consigamos nos conectar melhor com nosso aluno e usar o computador como nosso aliado.

Twitter (www.twitter.com), Facebook (www.facebook.com), Myspace (www.myspace.com), Google+ (plus.google.com), Tumbrl (www.tumbrl.com) e Orkut (www.orkut.com), entre outras, estão na tela da gurizada, mas o que é isso? E como posso usá-lo nas aulas? São todas ferramentas de redes sociais que servem para divulgar e dividir diferentes idéias, pensamentos e sentimentos. Nós, professores, podemos usá-las para divulgar datas de provas e trabalhos, dar dicas sobre matérias trabalhadas, livros a serem lidos e até mesmo para nos comunicarmos com nossos alunos. Quem sabe mandar um tweet elogiando sobre um trabalho bem feito? Ou uma imagem no Tumbrl com uma foto da turma fazendo uma atividade legal? O e-mail também pode ser utilizado para envio de tarefas.

Agora é com nós, professores, visitarmos cada uma dessas redes e descobrirmos como elas podem ser úteis dentro da nossa sala de aula. O Youtube já saiu na frente e criou um canal educacional para escolas, onde todo o conteudo foi filtrado para este uso, o Youtube for Schools (www.youtube.com/school). Há também o Youtube for Teacher (www.youtube.com/teacher) que visa auxiliar os professores a utilizarem Youtube como ferramenta educacional. Uma simples pesquisa no Google pode ser de grande ajuda para descobrirmos como utilizar estas redes sociais dentro de sala de aula, pois normalmente os professores quando as utilizam veem o resultado positivo e divulgam sua experiência! E nada melhor aprender com idéias que dão certo! No Twitter existem muitos usuários que espalham essas e outras idéias como: @canaldoensino, @educarmelhor, @pensaraeducacao, @nova_escola, entre outros.

Mãos a obra e boa sorte!


Clarissa Paz de Menezes - clarissapp@espacodomquixote.com.br
Psicopedagoga do Espaço Dom Quixote

Início de ano, muitas expectativas!


Texto publicado pela psicopedagoga Clarissa Paz de Menezes no encarte Sala de Aula do Jornal VS no dia 29 de fevereiro de 2012.

E iniciou-se mais um ano letivo. E assim como todo início, ele vem com muitas expectativas: Como serão os alunos? Haverá alguma inclusão? Saberei lidar com as questões apresentadas pela professora anterior? Esse será um ano bom ou um ano ruim?

Há também um questionamento que acomete professores e alunos: Darei conta? A cada ano que se inicia juntamente começam as cobranças, tanto para professores quanto para alunos. Cada vez mais os professores tem que dar conta de uma demanda maior dentro da sala de aula, tendo muitas vezes que ser muito mais do que apenas professores, mas também psicólogos, psicopedagogos, fonoaudiólogos, enfermeiros, entre muitos outros, para conseguir dar conta de toda a demanda apresentada pelos alunos.

São principalmente questões como o bullying, dificuldades de aprendizagem, inclusão e indiciplina que vem tirando o sono dos professores. Há muitas cobranças dos pais e das escolas para que estas demandas sejam solucionadas. Fato este que já assusta os professores desde os primeiros dias de aula. Mas como diz o dito popular: para tudo se dá um jeito.

Mas como? O professor nao consegue e nem pode fazer tudo sozinho, ele precisa de apoio. É importante também ir em busca de formação constante, da mesma maneira que nossos alunos são ávidos por aprender matérias novas, o professor também deve sair em busca de novas aprendizagens. Há atualmente diversos cursos presenciais e à distância que conseguem suprir as necessidades do professor.

Muitas vezes o professor também precisa de ajuda para lidar com as suas dificuldades ao trabalharem com as crianças. Normalmente a demanda da escola é tão grande que é dificil de dar conta de tudo, neste caso o professor pode e deve buscar orientação em outros espaços. Há atualmente psicopedagogas que oferecem supervisão para os professores, ouvindo as necessidades dos mesmos e auxiliando-os a encontrar as melhores soluções para as dificuldades encontradas.

Ser professor é um dom, é comum escutarmos isso, mas mesmo sendo um dom, é importante estar em constante reciclagem sempre em busca de melhorar a qualidade de trabalho e em consequência disto, a qualidade de vida.

Clarissa Paz de Menezes clarissapp@espacodomquixote.com.br
Professora e Psicopedagoga do Espaço Dom Quixote

De volta à rotina


As férias acabaram e a tranquilidade e sossego, possíveis neste período, diminuem seu ritmo e dão lugar a uma nova rotina: escola, trabalho, horários apertados, trânsito caótico, prazos vencendo, falta de tempo.

Este cenário é a realidade da maioria das famílias brasileiras, mas nem por isso precisa ser um desastre, uma corrida contra o tempo e a constante sensação de que não vamos dar conta de tudo. Organizar a rotina, envolver a família nesta rotina, distribuir tarefas e planejar o lazer (sim, hoje em dia o lazer precisa ser planejado) são fundamentais para um convívio mais harmonioso, sucesso nas tarefas, saúde mental e física em dia.

Envolvidos nesta correria muitos pais acabam se distanciando dos filhos, deixando as crianças sem orientação e supervisão. O resultado, muitas vezes, é o insucesso escolar, indisciplina e, até, envolvimento com drogas.

Para minimizar estes prejuízos ou evitá-los é importante o estabelecimento de uma rotina familiar que possibilite o envolvimento de todos no cumprimento de tarefas e assim, possibilitar qualidade de vida e tempo. O primeiro passo é organizar a rotina doméstica com horários e tarefas a serem cumpridas por cada membro. Distribuir as tarefas, além de facilitar a vida, proporciona aprendizagem, envolvimento afetivo, responsabilidade e pode ser muito divertido, principalmente para as crianças.

Responsabilizar as crianças e adolescentes por tarefas importantes demonstra confiança, o que ajuda na construção positiva da estima e da organização psíquica. Organizar um quadro dos horários fixos de cada membro da família facilita a organização, ajuda na segurança de cada um e desenvolve responsabilidade no cumprimentos dos mesmos.

As crianças, desde pequenas, devem se envolver na organização da mochila e lancheira. Muitas vezes as crianças não sabem se tem lanche para comer ou trouxeram o livro da biblioteca porque não foram elas a organizar seu material. Pode parecer aos pais um gesto de carinho preparar lancheira e material escolar para a criança, mas não é. A criança acaba por não se responsabilizar pelas demais tarefas como entregar os temas, anotar recados na agenda, levar o lanche na geladeira...

Na escola o/a professor(a) precisa da autonomia da criança nas tarefas simples para poder desenvolver a autonomia e autoria de pensamento e construção da aprendizagem. Crianças que não organizam seu material, não ajudam a escolher seu lanche, não carregam sua mochila para a escola costumam apresentar apatia cognitiva que resulta em dificuldade de compreensão, de resolução de problemas, reprodução mecânica e sem criatividade nas tarefas escolares. Para desenvolver a autonomia de pensamento e a autoria intelectual as crianças devem, desde cedo, assumir responsabilidades e cumprir as tarefas pertinentes ao estudo.

Na organização da rotina deve haver um quadro de tarefas onde cada membro é responsável por atividades como: arrumar o quarto, pôr a mesa, cuidar do animal de estimação, horário de estudo, de TV, de brincar no pátio... Cobrar o cumprimento das tarefas ensina a ter organização e responsabilidade. Na escola o/a professor(a) não vai estender o prazo de entrega de um trabalho porque o/a aluno(a) esqueceu em casa, a impressora ficou sem tinta (essa é básica)... afinal, ele/ela também precisa cumprir prazos de entrega de notas e será referência para a criança quando mostrar fidelidade às normas e combinações feitas em sala de aula.

O descompasso entre família e professores no cumprimento das tarefas escolares provoca , além de mal-estar para o/a aluno(a), desorganização e comprometimento de valores fundamentais na constituição de um sujeito ético e responsável na sociedade. Quando a cobrança da escola for uma norma em casa também facilitará a vida da criança/adolescente porque ele não se confunde e introjeta este valor tornando-o algo natural.

Para muitos pais a maior dificuldade é acompanhar o tema dos filhos. Normalmente esta tarefa fica para ser feita à noite quando a família está reunida e, muitas vezes, todos se encontram cansados. Em função disso este momento pode ser estressante e não de aprendizagem. Crianças pequenas precisam de uma assessoria mais direta dos pais na hora do tema: ler com eles, ver se entenderam o que deve ser feito, reler ao final para ver se foi feito com capricho e dedicação, sugerir melhorias, discutir com eles o conteúdo estudado, saber do contexto da sala de aula.

Jamais os pais devem fazer o tema pelos filhos, ditar as respostas, criticar a tarefa provocando a desconfiança do(a) professor(a) na criança. Se este momento estiver sendo estressante é melhor rever o horário e/ou quem acompanha a criança.

No caso dos adolescentes que podem ser responsáveis por realizar as tarefas sozinhos é importante que os pais se interessem perguntando, olhando cadernos, apostilas, acompanhando pesquisas e trabalhos de grupo. Criar um momento de discussão sobre os conteúdos estudados na escola pode ser muito rico e demonstra carinho e cuidado dos pais, tão importantes nesta fase.

Na correria entre trabalho e escola alguns momentos ficam mais prejudicados como a hora das refeições. Muitas famílias já não conseguem mais manter este hábito saudável em função dos horários de cada membro e das distâncias a serem percorridas para garantir estes encontros. Se não for possível fazer todas as refeições do dia juntos organizem, pelo menos, que uma delas seja em família, com tranquilidade, com uma conversa agradável, sem cobranças ou relatórios do dia. Comer bem garante saúde e bem-estar.

Quando a semana termina ainda ficam algumas tarefas pendentes para o final de semana: além das tarefas escolares, algumas leituras atrasadas, compras para deixar a casa organizada para a próxima semana, tarefas domésticas que não tiveram resolução durante a semana...

Distribuir estas tarefas e organizar momentos de relaxamento, de não fazer nada, de jogar conversa fora, passear, visitar amigos e familiares, conhecer lugares novos são importantes para que a família consiga fortalecer o convívio e a harmonia durante todo o ano.

Se para os pais é importante organizar a agenda com todas as tarefas que lhe são impostas, para os filhos também é importante e estruturante ter sua agenda organizada. Vale a pena gastar um tempo organizando toda esta rotina para garantir momentos de tranquilidade com as pessoas mais importantes: nossa família.


Janete Cristiane Petry - janetepp@espacodomquixote.com.br
Psicopedagoga do Espaço Dom Quixote

Jornadas Pedagógicas 2012


Leve a nossa jornada pedagógica para a sua escola!

O Espaço Dom Quixote compreende a instituição educativa como a principal fonte de prevenção para doenças psíquicas do aluno e dos seus funcionários. Para tanto, com um grupo transdisciplinar e especializado em infância, adolescência e adulto, o Espaço Dom Quixote oferece propostas de Workshops e Oficinas para professores e funcionários, uma vez que os encontros de início de ano são uma ótima oportunidade para trabalhar questões que, muitas vezes, deixam os docentes aflitos e sem saber como agir no cotidiano escolar.

Sugestões para as Jornadas Pedagógicas:

- Dificuldades de Aprendizagem: uma visão transdisciplinar;

- Distúrbios na Infância e Adolescência que afetam a aprendizagem;

- Inclusão: uma prática possível;

- Como avaliar um aluno e elaborar um bom parecer descritivo;

- Limites: um desafio possível;

- Oficina motivacional para professores;

- Oficinas de jogos, brincadeiras e música.

Receba o material completo com todas as nossas propostas e maiores informações solicitando pelo fone 3037-7167 ou pelo e-mail recepcao@espacodomquixote.com.br

Final do ano, e agora?



Novamente estamos chegando ao fim do ano, último trimestre e última chance de conseguir recuperar as notas baixas!

Seguem abaixo, algumas dicas para estudar e quem sabe recuperar aquela nota baixa e melhorar o boletim!

• Reserve uma ou duas horas por dia para estudar, mesmo que não tenha prova no dia seguinte. Nos finais de semana, estude por no mínimo uma hora. Leia várias vezes a matéria a ser estudada!

• Faça resumos da matéria. Escrever vai ajudar a fixar o que precisa saber.

• Colar cartazes com a matéria em locais bem visíveis ajuda a decorar e lembrar para a prova.

• Gravar a matéria também pode ser um jeito legal de guardar o conteúdo!

• Peça para alguém ajudar você a estudar fazendo perguntas sobre a matéria que está sendo estudada.

• Leia muito! Jornais, livros e discuta com seus pais e amigos sobre o que leu, contando-lhes o tema da leitura e dividindo opiniões.

• Refaça as provas anteriores, tanto as questões corretas quanto as que errou!

• Estude em grupo. Peça ajuda naquilo que não sabe e ensine aquilo que sabe!

O melhor é começar esta rotina de estudo desde o início do ano, para não precisar se “estressar” no final!

BOA SORTE

Clarissa Paz de Menezes - clarissapp@espacodomquixote.com.br

Psicopedagoga do Espaço Dom Quixote

Bullying - brincadeiras que machucam a alma


Todos os dias, alunos no mundo inteiro sofrem com um tipo de violência que vem mascarada na forma de brincadeira: risadinhas, empurrões, fofocas, apelidos maldosos. Todo mundo já testemunhou uma dessas “brincadeirinhas” ou foi vítima delas - bullying (“bully”, quer dizer brigão, tirano). São atitudes agressivas intencionais e repetitivas com o desejo de maltratar uma pessoa e colocá-la sob tensão.

No entanto, diante do fato ocorrido na semana passada numa escola pública do Rio de Janeiro, os nossos olhos se voltaram para o assunto de maneira mais particular. Todas as crianças que sofrem bullying se tornam agressivas assim? Foi por que o menino sofria bullying na escola que ele acabou cometendo todos esses crimes? Não, com certeza o bullying por si só não transforma um sujeito “normal” numa pessoa esquizofrênica. Mas o contrário é verdadeiro, muitos alunos esquizóides podem estar sofrendo bullying nas escolas. Crianças com uma pré-disposição para desenvolver uma doença psíquica podem estar sendo vítima de bullying diariamente e esse pode ser mais um agravante para desenvolver a doença na adolescência. Outros tantos que sofrem bullying podem nunca se tornarem esquizofrênicos ou psicopatas, mas podem passar a desenvolver verdadeira fobia à escola ou, em menor grau, passar a ver na escola um local de muito desprazer e tristeza.

Uma criança que sofre bullying na escola tenderá a sentimentos negativos com possibilidade de tornar-se um adulto com problemas de relacionamento. Os efeitos do bullying incluem ansiedade, resistência ou mal-estar na hora de ir à escola, baixo rendimento escolar, opiniões depreciativas sobre si, roupas ou cadernos danificados, isolamento, pesadelos, pânico, agressividade, queixas orgânicas e outros.

É uma questão social e educacional, interfere na autoestima, e qualquer um com características específicas (timidez, insegurança, diferenças físicas, culturais ou raciais) torna-se alvo facilmente. Não são poucas as vítimas do bullying que, por medo ou vergonha, sofrem em silêncio. Além de haver alguns casos com desfechos trágicos, esse tipo de prática também está preocupando por atingir faixas etárias cada vez mais baixas, como crianças dos primeiros anos da escolarização. Trata-se de uma forma de ataque perversa que extrapola os muros da escola e pode deixar seqüelas para a vida adulta.

Todos podem estar pensando: “No meu tempo isso já existia e não era falado sobre o assunto, era “normal”, usual... e nada mais grave ocorria. Podemos pensar que há tempos atrás muitas outras situações não existiam e hoje o bullying ou as “brincadeiras que machucam a alma”, como gosto de chamar, se unem a tantos outros agravantes, como a desestruturação familiar, a violência social, as drogas, o estímulo da mídia... o que agrava – e muito – a situação! Além do mais, não sabemos que fim levou aquele colega que mal respondia a chamada na escola, ou que vivia levando ovos na cabeça no final da aula... Será que ele está mesmo bem hoje?

A ideia não é fazer “tempestade em um copo d’água”, nem tornar as pequenas brincadeiras cotidianas um grande problema. A ideia é alertar, é ficarmos atentos para o limite entre a brincadeira e a humilhação. A ideia é olhar com outros olhos para a criança e o adolescente quietinhos do fundo da sala que, muitas vezes, nem chegam nas salas da psicologia porque não atrapalham a aula.

Para quem é vítima de algum desses tipos de humilhação, a saída é “se abrir”, ou seja, procurar ajuda, começando pelos próprios pais. E quem tem um filho ou aluno passando por esse problema precisa mostrar-se disponível para ouvi-lo. Nunca se deve aconselhá-lo a revidar a agressão; mas esclarecer que ele não é culpado pelo que está acontecendo, pois é uma questão de respeito às diferenças individuais que se aprende em família e na sociedade. Trabalhar com as turmas o respeito ao outro, a necessidade de compreender a limitação do outro e a importância do apoio ao colega que mais precisa, é uma grande saída. Afinal, sabemos que, no fundo, nossas crianças e adolescentes podem ter um coração gigante quando estimulados para tal envolvimento!

Fabíola Scherer Cortezia - fabiola@espacodomquixote.com.br

Psicóloga do Espaço Dom Quixote – Especialista em Infância e Adolescência