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I Jornada de Musicoterapia Neurológica



Em 2014, o Espaço Dom Quixote promove a I Jornada de Musicoterapia Neurológica. 

Reserva a data em sua agenda! 

Em breve mais informações!


Natália Magalhães - nataliamt@espacodomquixote.com.br
Musicoterapeuta do Espaço Dom Quixote

Musicoterapia no Fantástico

Confira a matéria sobre a Musicoterapia exibida na edição do dia 22/12/2013 do programa Fantástico da Rede Globo.


Natália Magalhães - nataliamt@espacodomquixote.com.br
Musicoterapia do Espaço Dom Quixote

Os benefícios da Musicoterapia no tratamento do TEA



Sem dúvida, uma das maiores angústias de pais de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) é a falta da comunicação. Como descobrir o que a criança quer e que o não quer? De que maneira estabelecer laços com um indivíduo isolado em seu mundo? 

A Musicoterapia é para a criança autista a primeira técnica de aproximação, pois o enquadre não verbal é o que permite a esta estabelecer os canais de comunicação (BENENZON,1985, p.140). Os processos de aproximação e estimulação da comunicação são facilitados por se poder utilizar não apenas de um elemento textual ou verbal. Música é ritmo, melodia, contraponto, harmonia, a união do elemento verbal e do não verbal. Quando não há a possibilidade de cantar o “miau” de uma canção folclórica, pode-se substituí-lo por uma batida no tambor, o toque em uma tecla no teclado. Musicalmente mostra-se para a criança que existe uma outra via de comunicação. As estereotipias se transformam em padrões rítmicos e/ou melódicos e adquirem um valor estético musical. São construídas melodias para a criança a partir da sua produção. Pequenas canções, as quais a família pode inserir no cotidiano da criança. 

Cria-se um ambiente lúdico, onde a música guia as atividades e organiza a cena terapêutica. Cada canção apresentada possui um tempo de duração: há um início, um meio e um fim. A partir dessa percepção temporal, começam a ser trabalhadas noções de limites, tolerância a frustrações e ao tempo de duração de uma atividade musical. 

Os instrumentos musicais inicialmente podem ser executados com muita intensidade e de modo desorganizado. E o caos sonoro – para quem está do lado de fora da sala da Musicoterapia - gradualmente será organizado em alternâncias de turnos, trabalhando-se modulações e promovendo a aproximação do Musicoterapeuta com o paciente.


Natália Magalhães - nataliamt@espacodomquixote.com.br
Musicoterapeuta do Espaço Dom Quixote
Mestranda em Musicoterapia

Filmes sobre Musicoterapia ou sobre o Poder da Música



Seguem algumas dicas de filmes: 

A MÚSICA NUNCA PAROU 
Título Original: The Music Never Stopped 
Gênero: Drama 
Direção: Jim Kohlberg 
Roteiro: Gary Marks, Gwyn Lurie, Oliver Sacks 
Produtores: Greg Johnson (II), Jim Kohlberg, Peter Newman 
País de Origem: Estados Unidos da América 
Ano: 2011 
Sinopse: História de um pai que se esforça para se conectar com seu estranho filho Gabriel depois que ele adquire um tumor cerebral que o impede de guardar novas memórias. Com Gabriel incapaz de encarar as crenças e os interesses que causaram sua distância física e emocional, Henry deve aprender a abraçar as escolhas de seu filho e tentar conectar-se com ele através da música. 
Trailer: http://www.youtube.com/watch?v=g4GDgq49boM 
Fonte: http://filmow.com/the-music-never-stopped-t34170/ 
Incrível e emocionante filme que mostra a importância da Musicoterapia em pacientes com danos neurológicos onde outros tratamentos não surtem efeito. A partir de músicas que Gabriel gosta, a musicoterapeuta consegue que Gabriel volte a se expressar e se conectar com o mundo e com a família, resgatando relações e a vida. 

ALIVE INSIDE - A STORY OF MUSIC AND MEMORY 
Título Original: Alive Inside - A Story of Music and Memory 
País de Origem: Estados Unidos
Direção: Michael Rossato-Bennet 
Ano: 2011 
A Music & Memory é uma organização sem fins lucrativos que carregou recentemente um trailer para um documentário apelidado “Alive Inside: A Story of Music and Memory”. Este programa explora os efeitos terapêuticos da música em pacientes com problemas mentais. O vídeo de seis minutos apresenta Henry, um idoso num lar de terceira idade que sofre de Alzheimer, e a sua reação quando ouve música do seu tempo.
Trailer: http://fantastico.globo.com/Jornalismo/FANT/0,,MUL1679862-15605,00.html 
Fonte: http://palcoprincipal.com.br/noticias/Noticia/musica_faz_milagres_em_doentes_com_alzheimer_
com_video_1/0007272 
Não deixe de assistir o trailer! O trailer emociona ao ver a música mudando vidas de pessoas com Alzheimer. Maiores informações: http://www.ximotionmedia.com/. 

MR. HOLLAND - ADORÁVEL PROFESSOR
Título Original: Mr. Holland's Opus 
Direção: Stephen Herek 
Roteiro: Patrick Sheane Duncan 
Gênero: Drama/Música 
Origem: Espanha 
Ano: 1995 
Sinopse: Em 1964, um músico decide começar a lecionar para ter mais dinheiro e assim se dedicar a compôr uma sinfonia. Inicialmente ele sente grande dificuldade em fazer com que seus alunos se interessem pela música e as coisas se complicam ainda mais quando sua mulher dá à luz a um filho, que o casal vem a descobrir mais tarde é surdo. Para poder financiar os estudos especiais e o tratamento do filho, ele se envolve cada vez mais com a escola e seus alunos, deixando de lado seu sonho de tornar-se um grande compositor. Passados trinta anos lecionando no mesmo colégio uma grande decepção o aguarda. 
Trailer: http://www.youtube.com/watch?v=-LjtsgwnET0 
Fonte: http://www.interfilmes.com/filme_13958_mr.holland.adoravel.professor.html 

MÚSICA DO CORAÇÃO 
Título Original: Music of the Heart 
País de Origem: EUA 
Gênero: Drama 
Ano: 1999 
Estúdio/Distrib.: Miramax Films 
Direção: Wes Craven 
Sinopse: Quando o marido de Roberta a deixou por uma amiga da família, ela deixou a segurança de sua pequena cidade e se mudou para o East Harlem com um objetivo: dar às crianças esperança, orgulho e poder para fazer algo por elas mesmas da forma mais improvável - através de cinquenta violinos. Após 10 anos de ensino, a escola decide por cancelar suas aulas. Apoiada por seus amigos e pela comunidade local, ela decide lutar para manter o curso em funcionamento. 
Trailer: http://www.youtube.com/watch?v=8pnqbx8iTTM 
Fonte: http://www.interfilmes.com/filme_13982_musica.do.coracao.html 

TEMPO DE DESPERTAR 
Título Original: Awakenings 
País de Origem: EUA 
Gênero: Drama 
Ano: 1990 
Estúdio/Distrib.: Sony Pictures 
Direção: Penny Marshall 
Sinopse: Bronx, 1969. Malcolm Sayer (Robin Williams) é um neurologista que conseguiu emprego em um hospital psiquiátrico. Lá ele encontra vários pacientes que aparentemente estão catatônicos, mas Sayer sente que eles estão só "adormecidos" e que se forem medicados da maneira certa poderão ser despertados. Assim pesquisa bem o assunto e chega à conclusão de que a L-DOPA, uma nova droga que já estava sendo usada para pacientes com o Mal de Parkinson, deve ser o medicamento ideal para este casos. No entanto, ao levar o assunto para o diretor, ele autoriza que apenas um paciente seja submetido ao tratamento. Imediatamente Sayer escolhe Leonard Lowe (Robert De Niro) que há décadas estava "adormecido". Gradualmente Lowe se recupera e isto encoraja Sayer em administrar L-DOPA nos outros pacientes, sob sua supervisão. Logo os pacientes mostram sinais de melhora e também mostram-se ansiosos em recuperar o tempo perdido. Mas, infelizmente, Lowe começa a apresentar estranhos e perigosos efeitos colaterais. 
Trailer:
http://www.youtube.com/watch?v=Y0sbgJbPgM4&feature=results_video&playnext=1&list=PL193A1AC84F0DCDED 
Fonte: http://www.interfilmes.com/filme_14565_tempo.de.despertar.html 

MÚSICAS DO CORAÇÃO 
Título Original: Beautiful Music 
Direção: Richard Trank 
Roteiro: Richard Trank 
Gênero: Documentário 
Origem: EUA 
Ano: 2005 
Sinopse: “Músicas do Coração" conta a emocionante e comovente história sobre a relação entre uma professora de música e sua aluna - uma mulher judia ortodoxa e uma garota palestina cega, com autismo e com um incrível dom para o piano clássico. Durante dezoito anos, pelo menos duas vezes por semana, em meio aos altos e baixos do processo de paz, Devorah deu aulas de piano para Rasha. Apesar de cega e autista, e grata pelo apoio e direção dado por Devorah, Rasha é capaz não só de interpretar complicadas partituras musicais, mas também compor suas próprias músicas - um extraordinário talento para alguém com suas deficiências. 
Fonte: http://www.enterplay.com.br/filme/Musicas-do-Coracao-753398.htm 

SHINE - BRILHANTE 
Título Original: Shine 
País de Origem: Austrália 
Gênero: Drama 
Ano: 1996 
Direção: Scott Hicks 
Sinopse: Desconhecido chega em um bar em uma noite de muita chuva, logo demonstrando ser extremamente excêntrico e estar totalmente perdido. Assim, a dona do estabelecimento o leva para casa e neste momento é descortinado um flashback da vida do desconhecido, que desde criança já dava indícios de ser um brilhante pianista. 
Trailer: http://www.youtube.com/watch?v=vTt4Ar6pzO4
Fonte: http://interfilmes.com/filme_14451_Shine.Brilhante-%28Shine%29.html 

A VOZ DO CORAÇÃO 
Título Original: Choristes, Les 
Direção: Christophe Barratier 
Roteiro: Georges Chaperot (argumento de 1945), René Wheeler (argumento e roteiro de 1945), Noël-Noël (roteiro de 1945), Christophe Barratier (argumento e roteiro), Philippe Lopes-Curval (roteiro) 
Gênero: Drama/Romance 
Origem: Alemanha/França/Suíça 
Ano: 2004 
Sinopse: Pierre Morhange (Jacques Perrin) é um famoso maestro que retorna à sua cidade-natal ao saber do falecimento de sua mãe. Lá ele encontra um diário mantido por seu antigo professor de música, Clémente Mathieu (Gérard Jugnot), através do qual passa a relembrar sua própria infância. Mais exatamente a década de 40, quando passou a participar de um coro organizado pelo professor, que terminou por revelar seus dotes musicais. 
Trailer: http://www.youtube.com/watch?v=anh7Enari2U 
Fonte: http://www.adorocinema.com/filmes/filme-50325/ 

A VIDA NO PARAÍSO 
Título Original: Så som i himmelen 
Direção: Kay Pollak 
Gênero: Drama 
Origem: Suécia 
Ano: 2004 
Sinopse: Conheça a história de Daniel Daréus (Michael Nyqvist), um talentoso maestro que, para se recuperar de um ataque do coração, volta para seu povoado, onde viveu sua infância. Confrontado pelo passado, sua socialização com as pessoas o leva a ser o professor do coral da igreja. 
Trailer: http://www.youtube.com/watch?v=WtkJlT3EkaM 
Fonte: http://www.cineplayers.com/filme.php?id=1660 


Luciana Steffen - lucianamt@espacodomquixote.com.br
Musicoterapeuta do Espaço Dom Quixote

Musicoterapia na Mídia



Quer saber mais sobre Musicoterapia? 

Acompanhe alguns vídeos que estão na mídia para entender um pouco mais sobre essa profissão, ainda não muito conhecida tanto para leigos como para profissionais da saúde. 

Seguem algumas reportagens sobre Musicoterapia: 

Musicoterapia da Faculdades EST 
Programa Vida e Saúde da RBS TV em 29.11.2008 

Musicoterapia por Gustavo Andrade de Araújo
Programa TPM da Ulbra TV em 11.01.2012

Musicoterapia
Programa Saúde e Beleza da TV Feevale em 2010

Musicoterapia da Faculdades EST

Musicoterapia no combate à dor 
Programa Globo Repórter da Rede Globo em 20.11.2009

Musicoterapia e Autismo / Musicoterapia e Cuidadores
Programa Vale Mais da TV Unisinos em 12.01.2012


Luciana Steffen - lucianamt@espacodomquixote.com.br
Musicoterapeuta do Espaço Dom Quixote
Mestranda em Teologia (Gênero na Musicoterapia) - EST

A música é inofensiva? Ou é preciso tomar algum cuidado ao utilizá-la?


Será que a música é totalmente inofensiva? Podemos utilizá-la em qualquer lugar e com qualquer pessoa sem precisar tomar cuidado? Seja em sala de aula, nas sessões de Musicoterapia, em outras modalidades de terapia como suporte ou como som ambiente?


A resposta é: não, a música não é inofensiva! Ela pode provocar desde prejuízos físicos, como perda da audição (Confira o texto Fones de Ouvido – 8 de setembro de 2011 - Marcadores: adolescente, audição), a sérias respostas emocionais, podendo trazer à tona traumas ou más lembranças. Além do mais, há pessoas com condições neurológicas que as impedem de apreciar ou fazer música ou até provocar crises mais graves, em casos raros.

O gosto musical e o efeito da música em cada um é muito pessoal. Cada pessoa tem um repertório de músicas que estão vinculadas com experiências às vezes boas, mas às vezes ruins, que lembrem determinados momentos e pessoas.

A música, quando nos gera prazer ou grande incômodo, provoca alterações fisiológicas relacionadas ao nível de cortisol (hormônio do estresse), à liberação de endorfinas, à concentração de imunoglobulina A (hormônio responsável pelo sistema imunológico), à ativação ou não dos nervos parassimpáticos (responsáveis pelo relaxamento do corpo), entre outros. Efeitos que podem ser positivos ou não. Uma música que provoca contentamento dilata os vasos sanguíneos, relaxando, baixando a pressão arterial, melhorando a oxigenação do corpo e, consequentemente, o funcionamento do cérebro e do coração. Já quando provoca desconforto estreita os vasos sanguíneos, tendo o efeito contrário.

Essas respostas são respostas emocionais que o cérebro pode produzir ao processar uma música ou estímulo sonoro, dependendo da relação da pessoa com essa música ou estímulo. Quando recebemos uma informação sensorial, como algum som ou música, essa informação chega ao tálamo, no cérebro, e é encaminhada para os centros envolvidos com a razão que irão processar, interpretar e analisar essa informação, levando à compreensão racional do estímulo. A partir daí, a informação é enviada para a amígdala (centro das emoções), gerando uma resposta emocional, se for o caso. Porém, há uma parte dessa informação sensorial que percorre outro caminho no cérebro, uma espécie de atalho, indo do tálamo diretamente para a amígdala e provocando uma resposta emocional antes mesmo de se ter consciência da informação que chegou. É uma resposta mais rápida do cérebro, mas menos precisa, gerando a liberação de hormônios que provocam uma ação indutora ou inibidora de órgãos ou outras regiões, seja contraindo músculos, vasos sanguíneos, aumentando a pulsação e a respiração (conhecida como “reação de lutar ou fugir"), ou, o contrário, induzindo ao relaxamento. A “reação de lutar ou fugir” é a mesma que ocorre ao realizarmos “atos impulsivo”, onde reagimos sem pensar.

Esses dois níveis de resposta cerebral estão relacionados ao processamento da música no cérebro e ocorrem simultaneamente. A resposta que chega primeiro é completamente emocional, podendo provocar diversas e fortes reações emocionais, antes de atingir os centros racionais do cérebro. Após, chega a segunda resposta, que envolveu as áreas superiores do cérebro.

Esse trajeto da informação musical no cérebro também envolve a memória, podendo trazer lembranças boas ou ruins à tona. O fato dessa ligação muito intensa da música com as emoções precisa ser levada em conta quando se pensa em utilizar música com outras pessoas. Se alguém demonstrar alguma reação, é preciso prestar atenção. Essa música pode estar provocando alguma forte emoção, trazendo lembranças que às vezes é difícil suportar. Uma música pode estar fortemente ligada a um trauma ou a uma lembrança ruim.

A música envolve diversas áreas cerebrais e, por isso, alterações cerebrais interferem na audição ou execução musical. Há pessoas com grande sensibilidade a determinados sons, sejam eles muito intensos ou muito agudos, provocando um grande incômodo. Nesse momento deve-se investigar se a causa do incômodo não está relacionada à música e diminuir o volume ou trocar de música. Há também alguns distúrbios como a amusia, que é a perda ou diminuição da capacidade musical por uma lesão cerebral, onde a pessoa é incapaz de cantar, tocar um instrumento ou identificar uma música, as alucinações musicais, quando se “ouve” canções, ritmos ou timbres, sem um estímulo externo, e a epilepsia musicogênica, condição rara onde estímulos musicais provocam crises epilépticas.

A música é um dos meios que mais gera prazer e bem estar, ativando as mesmas áreas no cérebro responsáveis pelo prazer de drogas, alimentação e do sexo. Porém, não se pode esquecer da sua forte relação com as emoções e para isso é preciso estar atento à qualquer reação diferente que alguém manifesta ao estar ligado à música.




Luciana Steffen - lucianamt@espacodomquixote.com.br
Musicoterapeuta do Espaço Dom Quixote
Mestranda em Teologia (Gênero na Musicoterapia) - EST



Algumas referências:

WEINBERGER. A música e o cérebro. Scientific american brasil. São Paulo, n. 31, p.77-83, dez. 2004.

GOLEMAN, Daniel. Inteligência Emocional. Rio de Janeiro: Editora Objetiva, 1995.
http://saude.abril.com.br/edicoes/0308/bem_estar/conteudo_422145.shtml

Música, Adolescência e Timidez - Oficina de Música


A fase da adolescência é muito marcada pela música. Qual adolescente não fica horas trancado no quarto escutando música? A música alivia as tensões, evoca as mais fortes emoções e é capaz de transformar uma emoção, melhorando o estado de humor, auxilia inclusive a compreender que emoções se está sentindo, que são tantas e muitas vezes confusas nessa fase. A música tranquiliza e se torna fundamental em um momento de descoberta de si mesmo, de firmar a identidade.

A Musicoterapia para adolescentes se torna muito eficiente para trabalhar as questões emocionais e relacionadas à identidade. As canções trazem à tona questões que marcam a vida presente e\ou passada e podem trabalhar também questões relacionadas ao futuro, desejos, anseios. As canções trazem lembranças relacionadas a situações passadas, emoções, relacionamentos, que ao virem à tona podem ser trabalhadas, transformadas se preciso for. O adolescente aprende a lidar melhor com suas emoções e não se envergonhar delas.

A música auxilia em todos os âmbitos do desenvolvimento: emocional, social, cognitivo e motor. Muito comum é a timidez nessa fase de mudanças, de introspecção, que atrapalha a interação com as pessoas. Na Musicoterapia são duas pessoas ou mais interagindo através da música que oferece um espaço de expressão, de deixar a timidez de lado e saber se colocar. O cantar e a improvisação desafia o adolescente a se colocar, convoca quem é muito tímido a se expor. Desenvolve-se habilidades e atitudes de autonomia, enfrentamento, defesa, cooperação, atenção e respeito com o outro, muitas vezes indiretamente e de forma mais prazerosa (com música!). Habilidades essas necessárias nas interacões do dia a dia, seja na família, na escola, com amigos e em um futuro mercado de trabalho. Na música se vivencia situações que em seu dia-a-dia irá enfrentar e saber se colocar na música permite que o adolescente consiga se colocar também no meio social.

A música oferece segurança. Em uma canção conhecida sabe-se o que está por vir, e no desconhecido, a repetição oferece segurança para encarar o novo. A canção é uma estrutura organizada com início, meio e fim, que permite retornar ao estribilho, repetir um trecho preferido, ir e vir. O retornar ao trecho conhecido é uma fonte de segurança para encarar partes desconhecidas da canção, uma nova estrofe. A repetição da canção se dá nos estribilhos, nos refrões, nas estrofes, na coreografia, nos padrões ritmicos, melódicos e harmônicos, etc, ela incentiva a autoconfiança, a segurança.

É preciso estar confiante e seguro para conseguir se colocar bem perante os outros, para sair da introspecção. Outro ponto fundamental é a autoestima que a música promove ao conseguir realizar uma atividade com sucesso.

Sentindo-se mais seguro para encarar as situações do dia a dia, com a autoestima elevada, as emoções mais estáveis e mais independente, além de ter aumentado a criatividade para enfrentar os problemas, a música oferece os recursos necessários para o adolescente deixar a timidez de lado.

Além das sessões individuais de Musicoterapia, o Espaço Dom Quixote em 2012 está oferecendo a Oficina de Música para adolescentes, onde serão oferecidas novas experiências, novos contatos e novas maneiras de se colocar. Serão realizadas atividades que irão proporcionar o conhecimento de instrumentos e músicas diversas, o tocar e cantar em conjunto, improvisações, composições inusitadas, onde cada um participará com o seu potencial, enriquecendo o grupo.

Além de muita diversão, a música auxilia a deixar a timidez de lado e a se tornar mais extrovertido, seguro, dinâmico e criativo, características fundamentais nos dias de hoje.

Informe-se!

Luciana Steffen - lucianamt@espacodomquixote.com.br
Musicoterapeuta do Espaço Dom Quixote

Paraquedas!


Atividade para brincar com seus filhos nas férias ou para o início das aulas!

Uma brincadeira que utilizamos muito no Espaço Dom Quixote é o “Paraquedas”. Muito comum na Europa e nos Estados Unidos, chamado de “Parachute play”, está começando a se difundir também em algumas escolas no Brasil e entre profissionais como Musicoterapeutas, Educadores Físicos, Terapeutas Ocupacionais, Professores, entre outros.

A brincadeira é fantástica! Estimula os sentidos e pode ser utilizada visando atingir diversos objetivos. Muitas atividades podem ser feitas, como cantar realizando movimentos com o paraquedas; brincar de “chefe manda”, onde cada um vai propondo movimentos diferentes e os outros vão imitando; cantar ou ouvir canções que propõem determinadas ordens, como “Anel de pedra verde”, cujo o texto diz “ora de frente pra frente, ora de trás, pra trás”. Há inclusive cd’s específicos com músicas para o paraquedas. O legal é diversificar as músicas, onde cada um pode comandar uma atividade na duração de uma música ou em determinado período dela.

Algumas músicas folclóricas funcionam bem, o importante é que o ritmo seja bem marcado, para facilitar os movimentos, já que o ritmo impulsiona o movimento. Outras, como as músicas dos anos 60, como “Twist and Shout”, comumente conhecida pela gravação dos “Beatles”, marchas, sambas, enfim, músicas bem agitadas, como música dance ou até um tango podem ser muito eficientes. A música escolhida vai depender da faixa etária e do gosto dos participantes. Músicas mais calmas para terminar podem ser importantes para acalmar o grupo e são as mais recomendadas para pessoas com mais dificuldades de se locomover.

Sincronizando os movimentos com a música se trabalha a atenção, a concentração, os limites e até a capacidade de frustração, além do relacionamento do grupo, onde todos têm que cooperar, pois cada um é responsável pelo movimento de um pedaço do paraquedas que deve estar sincronizado com o restante. Caso contrário, o resultado é o balanço desordenado do paraquedas, o que também não deixa de ser importante em momentos de maior liberdade, de “bagunça” com o paraquedas, depende do que se quer alcançar. Colocar balões ou bolas em cima do paraquedas é algo muito divertido, ninguém pode deixar as bolas ou balões caírem ou todos têm que acertar a bola no buraco do meio, e assim vai se trabalhando o trabalho em equipe.

As crianças gostam muito de sentar no meio do paraquedas cheio de balões enquanto outros ficam do lado de fora balançando o paraquedas, assim os balões ficam flutuando sobre elas ou então uma criança tenta pegar a outra, uma por cima e a outra por baixo.

Além da descontração e do divertimento que a brincadeira provoca, trabalha-se a capacidade de seguir ordens, limites, a coordenação motora, entre outros. As cores também podem ser trabalhadas, como todos pisar na cor que a música trouxer, ou como “elefante colorido”.

As atividades podem ser adaptadas, pode-se fazer em pé, sentado, pode-se ir para baixo do paraquedas, trocar de lugar, uma criança embaixo e outra em cima. Pela internet encontram-se diversos vídeos digitando “parachute play” com diferentes atividades.

Se não encontrarem para vender no Brasil, encontra-se em alguns sites internacionais ou, o mais fácil, é pedir para uma costureira. Tenho um feito em microfibra, o tecido mais próximo do tactel que não encontrei no mercado. O tamanho vai do gosto de cada um, pode ser um pequeno para quatro pessoas ou até gigante para grandes grupos. O legal é escolher as cores e fazer o mais colorido possível, lembrando que na extremidade há uma corda por dentro para auxiliar a dar peso quando jogamos o paraquedas para cima e assim ele cai bem devagar.

Enquanto não providenciam um, vale a pena ir brincando com lençol, tecido tnt... e muita música!

Fica a dica para brincar com seus filhos nas férias ou para professores e demais profissionais alcançarem seus objetivos de forma divertida!

Boa diversão!


Luciana Steffen - lucianamt@espacodomquixote.com.br
Musicoterapeuta do Espaço Dom Quixote

Sugestões de Músicas para crianças e adolescentes?


Dicas para pais, cuidadores, padrinhos, educadores, profissionais, avós, etc.

Seguem algumas sugestões de discografia para crianças:

- Arca de Noé – Vinícius de Moraes
- Casa de Brinquedos - Toquinho
- Adriana Partimpim - produzido por Adriana Partimpim, Dé Palmeira e Sacha Amback
- Os Saltimbancos - Luiz Enriquez, Sérgio Bardotti e Chico Buarque
- Quem Canta, Seus Males Espanta - Theodora Maria Mendes De Almeida
- As 100 Mais da Pré-Escola – Patati Patatá
- Dois a Dois – Grupo Rodapião
- Pedro e o Lobo
- Tempo de Brincar - Valter Silva
- Abre a Roda Tindolelê - Lydia Hortélio
- Hélio Ziskind - MCD World Music
- Villa-Lobos Para Crianças - Coro Infantil do Teatro Municipal do Rio de Janeiro e Quinteto Villa-Lobos
- Coleção Disquinho – Histórias Infantis

Outras dicas valiosas:

O Palavra Cantada tem diversos cd’s como “Cantigas de Roda”, “Pandalelê”, “Pé com Pé” com canções tanto para crianças como adolescentes.

Beto Hermann, Bia Bedran, Thelma Chan e Teca Oficina de Música também têm diversos trabalhos que vale a pena conferir, os dois últimos também tem um trabalho atraente para adolescentes.

Para crianças e adolescentes:

- Músicas daqui, ritmos do mundo - Zezinho Mutarelli e Gilles Eduar
- Corpo do Som - Barbatuques - MCD World Music

Que música colocar na hora de dormir?

Não é a toa que existem as cantigas de ninar. Pais de crianças de todo o mundo relatam que música na hora de dormir acalma seus filhos, muitas vezes fazendo-os dormir mais rápido e mais tranquilos. Porém, é importante salientar que cada um tem um gosto musical, podendo determinadas músicas ou timbres (como o de instrumentos musicais ou a altura da voz) não provocarem tranquilidade, e sim trazerem um certo incômodo que será prejudicial para uma boa noite de sono.

Tente perceber quais músicas agradam e desagradam seu filho. Escolhas não faltam, músicas instrumentais, com sons de piano, com orquestras, músicas com o som de “caixinhas de músicas”, músicas cantadas. Resta investigar quais realmente deixarão seu filho tranquilo. Seguem algumas sugestões:

- Happy Baby Series – Good Night
- Baby Einstein – Lullaby Classics
- MPBaby – Canções de Ninar
- Palavra Cantada – Canções de Ninar
- Zilda Azevedo – Nana Nenê
- Caixinha de Dormir – Angels Records
- Acalantos Brasileiros – Jane Duboc

Lembrando que as primeiras três coleções têm diversos outros cd’s que vale a pena conferir!


O Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil, volume 3: (http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/volume3.pdf) traz também dicas de cd’s e livros na parte da educação musical.

Na internet encontram-se alguns sites interativos relacionados à música com os diferentes sons da orquestra ou jogos musicais, muito ricos de serem explorados com as crianças.


Luciana Steffen - lucianamt@espacodomquixote.com.br
Musicoterapeuta do Espaço Dom Quixote

Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade - descobrindo um tratamento eficaz através da Psicomotricidade, Musicoterapia e Terapia Ocupacional


O que fazer quando o seu filho recebe o diagnóstico de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH)? Às vezes, os pais ficam um tanto desorientados, sem saber o que significa ou como buscar auxílio. Outras vezes, é mais fácil pensar que alguns sintomas são herdados e que com o tempo passa. Poder criar rotinas organiza a criança com excesso de atividade motora. Mas, para se ter um resultado efetivo, a criança necessita de atendimento. Os mais indicados são Terapia Ocupacional, Musicoterapia e Psicomotricidade. Por quê?

Porque essas áreas trabalham o ato e a ocupação do corpo pelo lúdico. Assim, conseguimos fazer com que a criança compreenda e supere mais facilmente suas limitações e desenvolva então sua autonomia. Por consequência, suas potencialidades virão à tona. Atividades de expressividade motora do movimento até invenção de fantasias infantis permeiam o imaginário infantil e a prática psicomotora, criando assim um espaço de escuta e fala consciente. Dessa forma, a criança toma consciência do seu corpo, da sua lateralidade, da sua situação e da situação de outros objetos no espaço, do domínio temporal, além de adquirir habilidades de coordenação de gestos e movimentos.

Nossas atividades (terapêuticas ocupacionais, psicomotoras e musicoterápicas) baseiam-se em atividades lúdicas, corporais, artísticas e de criação, como os jogos musicais, as atividades rítmicas, o cantar, os movimentos com música, o tocar instrumentos musicais e o compor. Elas nos auxiliam na organização do indivíduo, atuando na independência, na estruturação emocional, na percepção cognitiva (regras/limites; atenção; concentração; memória; criatividade), na comunicação (expressar o que se quer de forma adequada), nas atividades de vida diária (alimentação, vestuário, auto-cuidado), nas atividades de vida de trabalho (escola), nas atividades de vida de lazer (brincar) e na socialização.

O ritmo musical, tão relacionado às questões corporais, se faz importante nas atividades, pois é necessário trabalhar o corpo, o tônus muscular, o equilíbrio, a coordenação motora, dando sustentação ao esquema corporal desse corpo inquieto. Além de dar energia, o ritmo, feito de som e silêncio, trabalha a organização temporo-espacial, regulando o relógio interno e desenvolvendo a postura corporal, melhorando as funções de desempenho do ensino aprendizagem.

Além disso, é necessário durante o tratamento ficar atento às dificuldades no processamento sensorial da criança, a fim de regular e equilibrar os sentidos e as informações vindas do meio. Dessa forma, conseguimos elevar a autoestima, a segurança emocional e aprimorar a comunicação (verbal e não verbal). Oferecemos um espaço de expressão mais eficaz, seguro e prazeroso, onde mantemos facilmente a atenção da criança, que se sente muito mais à vontade para trabalhar suas dificuldades.

Uma atividade musical permite variações, uma vez que inserimos uma grande gama de estímulos e, quanto mais estímulos, maior o foco de atenção e percepção corporal. Começa com o recurso da música, passa pelo viés do corpo e ganha significado trabalhando todas as áreas do desenvolvimento. Em uma mesma atividade é possível compreender e explorar os sentimentos, a linguagem, a percepção corporal, a intensidade dos movimentos no meio, o domínio da força e a socialização. Esse é o trabalho conjunto de três profissões.


Priscila Straatmann Morél - priscilato@espacodomquixote.com.br
Terapeuta Ocupacional e Psicomotricista do Espaço Dom Quixote

Luciana Steffen - lucianamt@espacodomquixote.com.br
Musicoterapeuta do Espaço Dom Quixote

Musicoterapia e Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH)



O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade caracteriza-se por dificuldades na atenção e/ou inquietude e impulsividade. São crianças muitas vezes desorganizadas, impacientes, que não conseguem terminar uma atividade, se distraindo facilmente, apresentando um excesso de atividade motora e podendo apresentar comportamentos de isolamentos e dificuldades com a autoestima.


A Musicoterapia é uma nova modalidade de tratamento que tem mostrado sua eficácia com crianças e adolescentes com o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade. Uma atividade musical pode ativar todas as áreas do cérebro, estimulando áreas responsáveis pela atenção, memória, concentração, relaxamento, atividade motora, emoções, entre outras. Quanto mais prazerosa a atividade, mais é ativado o cérebro e maior é a atenção. A música, por despertar grande interesse e curiosidade e provocar prazer e satisfação, faz a criança ou adolescente se engajar na atividade, aumentando a atenção e participação.


Muitas vezes é na música que se consegue manter por mais tempo a atenção de uma criança com TDAH, mais tempo do que se conseguiria em outras atividades, e esse período de atenção vai aumentando na Musicoterapia e refletindo nas atividades do dia a dia.


Muitas pesquisas mostram que através da Musicoterapia, os sintomas do déficit de atenção diminuíram. Tocar um instrumento, cantar, realizar uma percussão corporal, um movimento corporal em determinado momento da música (atenção seletiva) ou jogo musical (diferenciar timbres) requer atenção, onde precisa-se estar focado para saber o momento preciso de se colocar na atividade musical. Uma atividade musical permite variações, inserir uma grande gama de estímulos, e quanto mais estímulos, maior a atenção. Em uma mesma atividade pode-se modificar a velocidade, a intensidade (forte x fraco), os instrumentos, inserir percussão corporal, dança, cantar, modificar a música, trabalhar só com o ritmo, só com a melodia, juntar tudo... possibilitando diferentes maneiras manter a atenção. Tendo assim, a música o poder de aumentar a capacidade de atenção por sua variedade de estímulos (auditivos, visuais, táteis) e mantendo os neurônios em atividade.


Crianças com TDAH têm dificuldade em terminar tarefas, ficar sentadas, dificilmente conseguem cantar uma música do início ao fim, por exemplo. A Musicoterapia trabalha além da concentração e organização, essa instabilidade corporal, o corpo em movimento, o domínio e a consciência do corpo e a coordenação motora através das atividades musicais, pois todas envolvem o corpo. É oferecido uma ocupação para o corpo que está inquieto ao tocar um instrumento, ao cantar. É oferecido um espaço de movimentação, de expressão corporal na Musicoterapia.


Através do ritmo na Musicoterapia trabalha-se o corpo. Além de dar energia, o ritmo organiza, trabalha a organização espaço temporal, diminuindo os sintomas de hiperatividade e impulsividade. A percepção temporal está alterada nas pessoas com TDAH. O ritmo é uma organização no tempo e no espaço, que obriga a realizar determinada tarefa musical em determinado tempo e em determinado espaço, não em um tempo maior ou menor. A música é feita de início, meio e fim, há uma ordem temporal, uma sequência a ser respeitada, que é trabalhada incentivando o paciente a entoar e tocar as músicas do início ao fim, respeitando sua estrutura. O ritmo é feito de som e silêncio (pausas). Atividades de corte como parar em determinado momento da música ou seguir uma demanda em determinado momento, trabalham o freio inibitório, permitindo uma organização no tempo e deparando-se com os limites do corpo.


A música também trabalha as emoções, a ansiedade, sendo um dos objetivos terapêuticos da Musicoterapia no TDAH acalmar, tanto diminuindo a ansiedade, quanto relaxando a musculatura. É mais que comprovada a capacidade que a música tem de relaxar e acalmar, o que vai auxiliar na concentração e atenção. Deve-se começar com atividades mais rápidas e após ir diminuindo a velocidade, a fim de tranquilizar, de aumentar o foco e ir inserindo outras atividades, atividades mais calmas, atividades que exijam maior capacidade de atenção.


A autoestima também é aumentada através da autorrealização que uma atividade musical pode oferecer e a música é também um meio de comunicação capaz de expressar mais intimamente as emoções que as palavras, auxiliando no desenvolvimento emocional e também na comunicação (verbal e não verbal). É uma forma de comunicação não verbal, que faz a criança se sentir muito à vontade para trabalhar suas questões emocionais e sociais. Assim, aumenta-se a segurança para se expressar e se comunicar e os comportamentos tornam-se mais saudáveis na comunicação, aprendendo a esperar sua vez, ouvir o outro e cooperar, comportamentos que são estimulados por aparecerem nas atividades musicoterápicas. Todas essas questões vão melhorar a socialização, trazendo segurança para se colocar, se expor, tendo um maior equilíbrio emocional e maior autoestima, além da capacidade de se focar.


Assim, as atividades musicoterápicas como jogos musicais, atividades rítmicas, cantar, música e movimento, tocar instrumentos musicais e composição requerem todo o trabalho cognitivo de raciocínio, organização, atenção, memória, criatividade, a atividade motora, além da troca de ideias (interação social), comunicação (expressar o que se quer de forma adequada), tranquilidade, ouvir o outro, seguir instruções e de fortalecer o emocional e a autoestima, diminuindo a ansiedade, aprendendo a lidar com frustrações, melhorando comportamentos e oferecendo maior autonomia e segurança, além de aumentar a qualidade de vida. Tornando-se assim uma criança ou adolescente mais saudável na escola, na família e no trabalho.


Musicoterapeuta do Espaço Dom Quixote

15 de Setembro - Dia do Musicoterapeuta


A Lei nº 7.177, de 30 de abril de 1991 de São Paulo, institui o "Dia do Musicoterapeuta", decretada por Luiz Antônio Fleury Filho, então governador de São Paulo. A data é comemorada em todo o país.

Confira nas rádios abaixo a participação da Associação de Musicoterapia do Rio Grande do Sul e outros Musicoterapeutas, como a Musicoterapeuta do Espaço Dom Quixote, Luciana Steffen nos programas:

- Rádio Progresso – Programa da manhã
Horário: das 10h15min às 11h30min.

- Rádio ABC 900am - Programa Panorama
Horário: das 14h30min às 16h.

A profissão de Musicoterapeuta, que exige curso superior em Musicoterapia, data um pouco mais de 60 anos e, no Brasil, mais de 30 anos. A profissão está se expandindo cada vez mais e conquistando seu lugar. Já está inserida na CBO (Classificação Brasileira de Ocupações, código 2239-15), e busca sua regulamentação. No dia 31 de março desse ano, foi realizado o Encontro Nacional dos Trabalhadores do SUAS (Sistema Único de Assistência Social), onde a Musicoterapia foi inserida como “Categorias Profissionais reconhecidas para atender as Especificidades dos serviços”. Assim, o SUAS passa a oferecer Musicoterapia à população.

A Musicoterapia, segundo a Federação Mundial de Musicoterapia, é a utilização da música e/ou de seus elementos constituintes, ritmo, melodia e harmonia por um Musicoterapeuta qualificado, com um cliente ou grupo, em um processo destinado a facilitar e promover comunicação, relacionamento, aprendizado, mobilização, expressão, organização e outros objetivos terapêuticos relevantes, a fim de atender as necessidades físicas, emocionais, mentais, sociais e cognitivas. A Musicoterapia busca desenvolver potenciais e/ou restaurar funções do indivíduo para que ele alcance uma melhor qualidade de vida, através de prevenção, reabilitação ou tratamento.

O Musicoterapeuta faz uma leitura do comportamento musical do paciente e intervém musicalmente, buscando atingir os objetivos terapêuticos traçados, seja aprimorar a comunicação e a fala, a capacidade motora, a sociabilidade, a capacidade intelectual e/ou o desenvolvimento emocional. Dizem grandes autores que a música expressa o que não conseguimos dizer em palavras. Ela também proporciona grande prazer e é capaz de ativar todas as áreas do cérebro, trazendo importantes ganhos para seu desenvolvimento.

Informe-se!


Luciana Steffen – lucianamt@espacodomquixote.com.br
Musicoterapeuta do Espaço Dom Quixote

Terapia Ocupacional, Musicoterapia e Psicomotricidade: auxiliando o desenvolvimento na Síndrome de Down


A Síndrome de Down é classificada como uma anomalia cromossômica, apresentando uma trissomia no cromossomo 21, trazendo alterações significativas como problemas cerebrais, de desenvolvimento físico, fisiológico e saúde. Apresenta um conjunto de características principalmente na parte física como cabeça, nariz, olhos, orelhas, boca, língua, dentes, pescoço, mãos, dedos, pés, cabelo e pele. O desenvolvimento costuma ser mais lento, como o desenvolvimento da linguagem e a deficiência intelectual é presente em graus variados, além de causar na criança limitações do ponto de vista social e educacional.

A criança com a síndrome tende a apresentar: hipotonia generalizada, reflexos fracos, diminuição do equilíbrio, da postura e da coordenação. Tendo em vista esse quadro, percebemos a necessidade de trabalhar as funções psicomotoras com relação ao controle da cabeça, erguer o corpo, virar de barriga para baixo, sentar, trocar a posição deitada para a posição sentada, arrastar e engatinhar, ajoelhar e ficar ajoelhado, ficar de pé, aprender a marcha, correr, subir, pular e saltar.

Pensando na estimulação precoce de qualidade para essa criança, a Terapia Ocupacional no Espaço Dom Quixote, objetiva estimular o desenvolvimento neuropsicomotor através do brincar, visando o ganho máximo de independências e autonomias na família, escola e na sociedade. O tratamento terapêutico ocupacional também preocupa-se em buscar o brilho no olhar da criança, instigando-a a descobrir novos caminhos e aprimorar seu fazer.

Já a Musicoterapia tem como objetivo desenvolver a comunicação e as habilidades interpessoais através da música, da improvisação, do cantar, de criar canções, dos instrumentos musicais. A música oferece outra forma de comunicação e facilita a linguagem através das canções, pois a criança ou adolescente já conhece o texto, a palavra a ser cantada. Diversas atividades e jogos musicais são realizados onde se precisa responder uma demanda, imitar sons, trabalhando a articulação, o desejo de se comunicar, aumentando a participação e o interesse em se socializar e se comunicar, tornando a criança mais preparada e segura para tal, já que a música motiva a criança a se engajar no tratamento por ser prazerosa, aumentando sua autoestima e autoconfiança.

Já a contribuição da Psicomotricidade está ligada ao desenvolvimento afetivo, ao contato físico, as emoções e ações, podendo servir como um suporte para o processo construtivo de aprendizagem da criança. Contribuindo de maneira expressiva para a formação e estruturação do esquema corporal, o que facilitará a sua aprendizagem, além de favorecer a maturidade neurológica. É pelo meio lúdico-educativo que oportunizamos à criança expressar-se por intermédio do jogo e do exercício, assim como a exploração corporal diversa do espaço, potencializar as atividades grupais.

Assim, a Terapia Ocupacional, a Musicoterapia e a Psicomotricidade buscam proporcionar momentos de interação social que aprimoram as habilidades interpessoais fundamentais tanto no nível pessoal, quanto no futuro profissional. O grupo de estimulação precoce vem a favorecer a comunicação mais eficaz, aumentando a capacidade de escuta, de tolerância, a capacidade de escolha e de expressão, maior clareza na fala, maior autoestima e independência, o saber se expressar oralmente e corporalmente. Além de favorecer o aprendizado das emoções e fortalecer o desenvolvimento biopsicossocial.

Com essa rede de apoio, a criança/adolescente, além da família, torna-se mais motivado para a vida familiar, escolar e futuramente profissional, melhorando muito a sua qualidade de vida.

Venha se informar sobre o Grupo de Estimulação Precoce do Espaço Dom Quixote que conta com Terapia Ocupacional, Psicomotricidade, Musicoterapia e Fonoaudiologia!

Também estamos realizando o Ciclo de Palestras sobre Síndrome de Down que ocorre em todas as terças do mês de agosto.



Priscila Straatmann Morél - priscilato@espacodomquixote.com.br
Terapeuta Ocupacional e Psicomotricista do Espaço Dom Quixote

Luciana Steffen - lucianamt@espacodomquixote.com.br
Musicoterapeuta do Espaço Dom Quixote

Musicoterapia? De que forma a música pode ser terapêutica?


Em primeiro lugar, você consegue se imaginar num mundo onde não exista música? Onde não exista sons? A música tem grande importância no nosso viver. Há um consenso que ouvir música provoca prazer, relaxa e até diminui o estresse. Teria então a música um poder terapêutico?

Pesquisas científicas confirmam que a música ativa as áreas de prazer no cérebro, provocando bem-estar e afeta, além do sistema nervoso central, o sistema nervoso autônomo, diminuindo a pressão arterial, a tensão muscular e regulando os hormônios do estresse.

Porém, a Musicoterapia vai muito além dos efeitos fisiológicos. Estuda o comportamento humano através da música, sendo ela um meio de comunicação e expressão que trabalha diversos objetivos terapêuticos através da relação musicoterapeuta – música – paciente, nas áreas: emocional, social, motora e/ou intelectual.

O modo que fazemos música e que nos relacionamos com ela é o modo que nos comportamos e nos relacionamos nos outros meios. Assim, o nosso fazer musical diz muito da gente e através dele o musicoterapeuta intervêm a fim de conseguirmos melhorar diversos aspectos e alcançar uma melhor qualidade vida. A falta de iniciativa ao escolher um instrumento ou cantar uma canção, a timidez, a falta de autonomia ao cantar e tocar um instrumento exatamente do mesmo jeito que o musicoterapeuta ou o desrespeito com qualquer limite, cantando uma canção com uma velocidade, intensidade que não corresponde àquela música, tudo aparece no fazer musical.

O nosso estado de humor influencia e modifica o jeito que cantamos uma mesma música. A música expressa emoções que não podem ser ditas através de palavras. É uma outra forma de comunicação para quem tem dificuldades de se comunicar verbalmente ou prefere esse outro meio que é mais fácil de encarar, liberando emoções, tensões, ansiedade e promovendo um equilíbrio emocional. Nossa autoestima aumenta quando cantamos, tocamos um instrumento ou realizamos um jogo musical com sucesso.

Trabalha-se limites com música. A música é uma organização, há regras que precisam ser respeitadas, auxiliando assim na organização intra e interpessoal. Em atividades de improvisação musical surge a capacidade de iniciativa, de tolerância, aprendendo a lidar com o novo, com frustrações.

No fazer musical aprende-se a interagir socialmente. As pessoas precisam se unir para executar uma atividade com sucesso. As regras da comunicação em um diálogo verbal são as mesmas no diálogo musical: esperar sua vez de tocar/cantar, escutar o outro, saber se colocar no diálogo, trabalhando a cooperação, o compartilhar, respeito. Com a música as regras são mais fáceis de realizar e começam a ser internalizadas.

Uma atividade musicoterapêutica exige diversos conceitos cognitivos como pensamento, memória, concentração, atenção, melhora a aprendizagem e facilita a aprendizagem da linguagem e do processo de alfabetização e escrita. Por sua diversidade de estímulos, aumenta a concentração, os neurônios são mantidos em atividades e a absorção de informações estimulada.

A música proporciona interesse, sendo um excelente meio de trabalhar com crianças e adolescentes. A fase da adolescência é marcada pela música, como se fosse um refúgio, um alívio, algo que firme a identidade que está sendo formada. Através de canções que marcam a vida presente, pode-se trabalhar tanto questões emocionais quanto dificuldades de relacionamento e aumentar a atenção e a criatividade para solucionar problemas de forma prazerosa.

No desenvolvimento físico, a Musicoterapia melhora o funcionamento e as habilidades motoras, trabalha as questões sensoriais, promove relaxamento e alivia a dor.

Todos podem se beneficiar da Musicoterapia, a não ser quem realmente não tenha a música como uma forma de comunicação. Pessoas que não se sentem a vontade para se expressar através da fala, que apresentam dificuldades na linguagem, dificuldades de aprendizagem, pessoas com deficiências físicas e mentais, TDAH, problemas de relacionamento, pessoas muito tímidas ou com baixa autoestima, com depressão, estresse, que necessitam uma estimulação precoce ou melhorar o vínculo mãe-bebê são alguns exemplos que podem se beneficiar muito da Musicoterapia.

A Musicoterapia pode inclusive diminuir a medicação e ser um excelente meio de inclusão por permitir que todos participem de uma atividade musical. E traz assim, maior equilíbrio emocional, capacidade de interagir socialmente e preparo intelectual e físico.


Luciana Steffen - lucianamt@espacodomquixote.com.br
Musicoterapeuta do Espaço Dom Quixote

A Integração da Musicoterapia e da Terapia Ocupacional no tratamento da Síndrome de Asperger


A Síndrome de Asperger é um quadro psiquiátrico pertencente à categoria dos transtornos abrangentes do desenvolvimento e foi descrita pela primeira vez em 1944 por Hans Asperger, psiquiatra austríaco, sob a denominação de “psicopatia autística”. Esta síndrome corresponde a um quadro caracterizado por déficit na sociabilidade, interesses circunscritos, déficit na linguagem e na comunicação.

Deve ficar claro, que não podemos generalizar, pois cada criança é um mundo e o diagnóstico preciso e seguro só pode ser dado por um médico especialista. No entanto, existem algumas características que podem ser observadas pelos pais quando seus filhos tenham entre 2 e 7 anos de idade, como a dificuldade de socialização, por exemplo.

Pensando nisso, a Musicoterapia e a Terapia Ocupacional buscam a integração dos atendimentos para o sucesso do tratamento. Essa proposta de intervenção conjunta, no Espaço Dom Quixote, busca aprimorar o funcionamento corporal e permitir assim o conhecimento e percepção do próprio corpo. Trabalhando de forma lúdica e incentivadora a atenção e a concentração, a memória operacional e motora, a percepção visuo-espacial, a percepção auditiva, a percepção temporo-espacial, a conscientização e a imagem corporal, o equilíbrio, a resistência física, o ritmo, a habilidade motora, a integração social e sensorial, a criatividade e a sensibilização. Cada atividade cantada é elaborada de forma a estimular o desafio interno de cada sujeito, como cantar e imitir os gestos da música, executar instrumentos, movimentos e desenhos com música.

A Musicoterapia trabalha diversos conceitos corporais através do ritmo, ativando as capacidades cognitivas como memória, atenção e percepção. A comunicação é facilitada e desenvolvida, já que a música possibilita outra forma de comunicação, uma comunicação não verbal, melhorando a compreensão das regras de um diálogo. No fazer musical surgem as mesmas regras de um diálogo, trabalhando-se a escuta do outro, o silêncio, o se colocar no grupo, a cooperação, respeito, tolerância, e o entendimento de limites.

Na Musicoterapia a interação social é facilitada, pois a música promove interesse, convida todos a participarem, é o elo comum que permite uma união e torna o trabalho em conjunto mais tolerável e mais fácil. Todos precisam se empenhar para o sucesso da atividade, a velocidade imposta pela música e o ritmo precisam ser respeitados, havendo dentro desse espaço, um espaço de trocas, compartilhar, de utilizar a criatividade, de lidar com o imprevisto e desenvolver a comunicação e interação.

A música impõe uma aproximação onde todos vivenciam a mesma coisa ao mesmo tempo, mas do seu jeito, com suas capacidades e limitações, oferecendo assim segurança para fazer parte de um grupo, de conviver com os outros. Começar e terminar a música ao mesmo, esperar sua vez de tocar, cantar, trabalham também o toque, o dar as mãos, a autoestima ao conseguir realizar a atividade e a capacidade de autonomia.

Cabe então à intervenção da Terapia Ocupacional ampliar a capacidade de independência do sujeito. É poder fazer do espaço lúdico, com crianças, um espaço onde esse sujeito possa ser olhado e escutado por meio do seu corpo, da sua motricidade, dos seus gestos. Esse sujeito fala e tem muito a dizer.

Então, a partir do momento que entendemos que o corpo humano é feito de linguagem e não ao contrário e sustentando-se pela linguagem, é possível trabalhar o aumento de vocabulário, diminuir os estereótipos e as obsessões. Proporcionando o bem estar emocional, a estabilização do humor e o convívio social.

É fundamental no trabalho terapêutico ocupacional enriquecer a interação social e as percepções corporais pelo recurso da música. Com o objetivo de criar rotinas, tão necessárias e vitais a eles e adequar as respostas. Respeitando o sujeito que já existe e usa seus interesses e experiências como base para criar novos caminhos, brincadeiras e possibilidades de forma prazerosa.

Nossa proposta de atendimento integrado visa sempre o sujeito, fazendo com se torne mais seguro e independente. Assim ganhando maior qualidade de vida.


Luciana Steffen - lucianamt@espacodomquixote.com.br
Musicoterapeuta do Espaço Dom Quixote

Priscila Straatmann Morél - priscilato@espacodomquixote.com.br
Terapeuta Ocupacional e Psicomotricista do Espaço Dom Quixote

Musicoterapia na dependência química


A dependência química provoca alguns prejuízos que podem envolver a cognição, percepção, memória, atenção, relações pessoais e profissionais, além de prejuízos físicos e emocionais. A Musicoterapia pode auxiliar de diversas formas, restabelecendo o equilíbrio emocional, o convívio social, a identidade e melhorando a qualidade de vida.

A Musicoterapia na Dependência Química visa alcançar objetivos terapêuticos como: estimular a memória e a atenção; promover a organização, autonomia e sociabilização; promover a autoexpressão; proporcionar momentos de prazer e descontração; aumentar a consciência de si mesmo e substituir o interesse nas drogas.

Composição, improvisação, dinâmicas com movimento, canções tanto sugeridas pelo paciente quanto pelo musicoterapeuta, canções onde o paciente pode se expressar através da estrutura musical, da escolha de sentimentos, de gestos, de ideias ou através dos instrumentos musicais; recordar canções através de palavras ou desenhos propostos; jogos musicais, entre outras atividades, visam desenvolver o cognitivo, a organização, expressão, autonomia, interação e descontração.

A música traz pensamentos, memórias e sentimentos, podendo ser utilizada para evocá-los e para modificar o estado de humor, aumentando a expressão emocional e a consciência dos sentimentos do paciente. Todos têm um repertório de canções que lhe foram significativas e marcaram momentos importantes da vida. Através dessas canções, podem-se resgatar sentimentos e lembranças passadas, ajudando a prover sentido na vida ao relembrar desses fatos, ideais e realizações.

Canções também podem trabalhar desejos futuros e motivar, reforçando a identidade, fazendo a pessoa se sentir aceita e compreendida no momento em que alguém escuta a música que ela traz. Por isso é muito importante o musicoterapeuta perguntar por músicas que o paciente gostaria de trabalhar e que instrumentos gostaria de tocar.

A música desenvolve a capacidade de atenção e concentração pela sua variedade de estímulo. Tem o efeito de acalmar e diminuir a ansiedade, e é capaz de distrair, ao mesmo tempo em que foca em comportamentos mais saudáveis. Tocar e compor música trabalha com comportamentos que acompanham a pessoa nos outros aspectos da vida. O terapeuta encoraja comportamentos mais saudáveis e adaptativos e impõe limites para os contrários.

O ritmo é organizador, além de gerar energia. Sendo o ritmo uma organização espaço temporal, e levando em conta o fato de nossas vidas também serem uma organização (início, meio e fim), assim como todas as nossas vivências, experiências e acontecimentos, e a regularidade do nosso corpo através da respiração e da batida do coração, o ritmo pode auxiliar a organizar a vida das pessoas. Dificuldades emocionais levam a uma desorganização intra e interpessoal que aparecem no fazer musical. Trabalhando o ritmo, trabalha-se a organização.

Os textos de canções podem ser trabalhados a fim de aumentar a consciência de si, dos outros, dos relacionamentos, do mundo que o cerca. Se mover de acordo com a música e outras atividades motoras auxilia na expressão pessoal e consciência de si mesmo.

Jogos musicais, improvisação musical, composição, tocar instrumentos pode provocar êxito, e aumentar a autoestima através da autorrealização. A música é capaz de aumentar a participação das pessoas com dependência química e facilitar a interação, pois proporciona interesse pelas atividades, pelos instrumentos musicais e gera prazer. Além disso, pode aparecer como uma substituição para o uso de drogas, pois pode despertar um interesse em outro meio que não a droga e envolvimento em substituí-las, já que no cérebro, provoca o mesmo efeito que as drogas.

Em um trabalho transdisciplinar, a Musicoterapia pode fazer surgir conteúdos importantíssimos que podem ser trabalhados com a equipe de apoio psicológico.

No geral, tanto crianças, adolescentes, quanto adultos demonstram interesse pela música, e se expressam através dela, seja cantando, tocando os instrumentos, realizando escolhas ou propondo atividades, auxiliando assim a se engajar e a facilitar o tratamento da dependência.


Luciana Steffen – lucianamt@espacodomquixote.com.br
Musicoterapeuta do Espaço Dom Quixote

Qual a música mais indicada para dormir?


Frequentemente me perguntam, como musicoterapeuta, qual música é a mais indicada para dormir? Que tipo de música se escuta para isso, qual música é boa para aquilo?

Uma música não é como um remédio a ser receitado para todas as pessoas. Não se pode simplesmente receitar músicas para determinadas situações, como induzir o sono ou para curar doenças. Imagine se você está com dor de cabeça e como “remédio” lhe “receitam” uma música que você não gosta? Será que a dor de cabeça iria diminuir ou aumentar?

A nossa respiração e batimentos cardíacos acompanham a música, assim músicas calmas tendem a baixar os batimentos cardíacos e o nível da respiração e músicas mais agitadas tendem a aumentá-las, tornando o sono mais agitado. Porém, o gosto musical tem que ser considerado, uma música calma que não seja do gosto musical da pessoa, pode aumentar os batimentos e a respiração. Conheço muitas pessoas que gostam de dormir ouvindo metal pesado. Cada um é diferente. Enquanto outros só conseguem suportar músicas calmas, melodias, e outras ainda, que preferem dormir sem música, que se incomodam com diversos tipos de sons.

A Musicoterapia não trabalha com músicas pré-definidas. São utilizadas músicas, ritmos, melodias, instrumentos que sejam do agrado do paciente, pois pesquisas mostram que as músicas que gostamos ativam praticamente todas as áreas do nosso cérebro. Já as músicas que não gostamos, não ativam praticamente nenhuma área.

Uma pesquisa em Taiwan mostrou que um grupo de pessoas que podia escolher entre seis fitas com músicas suaves e lentas antes de dormir tiveram uma melhora de 35% no seu sono, incluindo uma noite de sono mais longa e melhor, e menos disfunções durante o dia. Observa-se que as pessoas puderam escolher entre diversas músicas as que mais lhe agradavam, o timbre (instrumento musical, voz, etc) a velocidade, o andamento e a intensidade que naquele momento mais lhe provocavam relaxamento.

Cada um tem suas preferências. Sons agudos de violino ou pássaros cantando podem relaxar para alguns e irritar para outros. Há músicas que são consideradas relaxantes para alguns e não para outros. E as preferências variam. Além do gosto musical variar com o tempo, variam também nosso estado de humor e as situações que estamos vivenciando. A mesma música que escutei ontem para dormir pode não funcionar hoje, pois meu estado de humor é outro. Um dia vamos dormir tristes, outro com raiva, outro animados, outro exaustos. E possivelmente uma mesma música não tenha o mesmo efeito relaxante nessas diferentes situações.

Músicas podem trazer lembranças que, ao invés de nos fazer adormecer, podem nos deixar mais acordados. Por todas essas questões, a escolha de músicas na hora de dormir deve ser criteriosa para não provocar o efeito contrário, nos deixando mais acordados. E quem melhor poderá decidir qual é a música mais indicada para dormir é a própria pessoa. Se estamos agitados talvez começar escutando uma música agitada e aos poucos músicas mais calmas, provocará um efeito relaxante maior que escutar somente músicas calmas.

É inviável pensar em receitar uma única música que induza todas as pessoas ao sono. Depende de cada um. Não é a música clássica ou a música orquestrada como muitos recomendam, são as músicas que provocam relaxamento para cada um e que condigam com o gosto musical e o momento que se está passando. Poderia-se pensar em avaliar os gostos musicais da pessoa e o que ela gostaria de ouvir em cada estado de humor, e só assim, indicar algumas músicas, ainda correndo o risco das músicas não induzirem ao sono sempre, já que o gosto musical e estado de humor variam.

Para os bebês existem diversos cd’s com músicas para o bebê dormir, algumas são canções com o timbre de caixinhas de música. Cabe à mãe escolher um cd de músicas calmas que realmente transmitam conforto e relaxamento para seu bebê, podendo ajudar muito na hora de dormir. Importante também são as canções de ninar cantadas pela figura da mãe, que fortalecem a relação mãe-bebê oferecendo segurança e tranquilidade na hora de dormir.


Luciana Steffen - lucianamt@espacodomquixote.com.br
Musicoterapeuta do Espaço Dom Quixote

Musicoterapia e cérebro


Os efeitos da música no cérebro têm sido cada vez mais desvendados pela ciência. Sua influência no cérebro pode ser vista como uma das justificativas do uso da música como terapia.

Por ativar praticamente todas as áreas corticais e subcorticais do cérebro, como muitas pesquisas têm demonstrado, a Musicoterapia pode trabalhar diversas funções terapêuticas, como a melhora da atenção, a estimulação do desenvolvimento motor e cognitivo, as habilidades comunicativas, a expressão emocional e a capacidade de reflexão.

Há importantes ganhos cerebrais nos bebês que são estimulados com música, estimulando todo o seu desenvolvimento. Além de exercitar o cérebro, o fazer musical reforça as sinapses e mantêm os neurônios em atividade. Os músicos apresentam um superdesenvolvimento de determinadas áreas cerebrais como maior quantidade de massa cinzenta, aumento do corpo caloso (responsável pela transmissão de informações entre os dois hemisférios cerebrais) e outras áreas cerebrais, associadas com o processamento auditivo, sistema motor, desenvolvimento da linguagem, emoção e memória.

Outras pesquisas mostram que cantar aumenta a atividade cerebral, desenvolvendo diversas de suas funções, ativa áreas cerebrais ligadas à atenção, às emoções positivas, à linguagem, ao prazer (ativando a mesma área responsável pelo prazer causado por drogas, sexo ou comida) além de diminuir o nível de cortisol (hormônio do estresse), liberar endorfinas, diminuir a pressão arterial, aumentar as concentrações de imunoglobulina A (hormônio responsável pelo sistema imunológico), equilibrar o sistema neurovegetativo, reforçar a atividade dos nervos parassimpáticos (responsáveis pelo relaxamento do corpo), melhorar a concentração e a memória, entre outros benefícios.

A música é capaz de evocar e provocar emoções, ativa regiões responsáveis pela produção e liberação de dopamina e noradrenalina e a amídala, principal área do processamento emocional. Ativa também o hipocampo, responsável pelas memórias, e o córtex frontal inferior, e na execução musical, ativa os lobos frontais, córtex motor e sensorial. Assim, em uma sessão de Musicoterapia, o paciente faz música junto com o musicoterapeuta e esse fazer musical ativa as áreas envolvidas com emoções, com funções intelectuais, motoras e habilidades comunicativas, sendo que o Musicoterapeuta traça objetivos terapêuticos e oferece situações musicais que podem envolver uma ou mais dessas áreas a fim de alcançar os objetivos traçados.

A Musicoterapia auxilia na estimulação sensorial, onde o paciente redescobre o contato com o meio ambiente ao seu redor de forma prazerosa, na orientação da realidade, com canções relacionadas ao tempo e espaço, no aumento da autoestima, quando consegue realizar uma atividade com sucesso, no bem estar, diminuindo o estresse e a ansiedade, além de diminuir a quantidade de medicação e auxiliar o paciente a se engajar no tratamento.

Traz benefícios também no alívio da dor, aumentando o nível de resistência à dor, e, por envolver todo o cérebro, é eficaz na reabilitação, recuperando funções, como na reabilitação da fala, onde a pessoa pode não conseguir falar, mas consegue cantar e recuperar parcialmente ou totalmente a fala. Na reabilitação motora, através do ritmo, a Musicoterapia auxilia na marcha, pois há uma reação motora inconsciente a estímulos acústicos, que facilita o andar. Além disso, a Musicoterapia se mostra eficaz em diminuir movimentos involuntários.

No Transtorno de Espectro Autista, a atividade musical é capaz de organizar as redes de neurônios interconectados, já que essas pessoas apresentam uma desorganização nas redes neuronais, e ativar os neurônios espelho, que apresentam menor atividade. Além de melhorar a interação social, promover autonomia, entre outros benefícios.

Para concluir, a música apresenta uma incrível influência no cérebro que auxilia em diversas patologias e se mostra eficaz como terapia, abrangendo todos os níveis do desenvolvimento e aumentando a qualidade de vida das pessoas que procuram a Musicoterapia.


Musicoterapeuta do Espaço Dom Quixote

Aula de Música no Espaço Dom Quixote


O Espaço Dom Quixote está oferecendo aulas de música! Venha conferir as aulas de musicalização para bebês, de violão, teclado e composição! É um espaço para a criança ou adolescente aprender se divertindo e se aperfeiçoar como pessoa.

Cada vez mais estudos indicam a importância do estudo da música e que a experiência musical precoce facilita o desenvolvimento integral e aumenta a capacidade cerebral.

A música ativa o cérebro por inteiro e seu efeito é tão intenso que os músicos apresentam um superdesenvolvimento em determinadas áreas de seu cérebro, como maior quantidade de massa cinzenta, aumento do corpo caloso (responsável pela transmissão de informações entre os dois hemisférios cerebrais) principalmente em pessoas envolvidas com música antes dos sete anos, e outras áreas cerebrais, associadas com o processamento auditivo, sistema motor, desenvolvimento da linguagem, emoção e memória.

Assim, a música facilita a capacidade de aprendizagem por manter os neurônios em atividade, aumentando a atenção, melhorando e tornando mais rápidas as sinapses (conexões entre neurônios) e estimulando a absorção de informações. A memória também é estimulada pela memorização de textos, melodias, células rítmicas... Há também efeitos importantes na escrita e alfabetização.

Além de ganhos cognitivos, surge uma melhora na coordenação motora e observam-se diferenças no comportamento das pessoas que estudam música, como maior tranquilidade e concentração. O contato com a música pode ser um importante meio de expressar as próprias emoções, aumentando a estabilidade emocional e contribuindo para o bem estar, pois ativa também as áreas responsáveis pelo prazer no cérebro, diminui o estresse (diminuindo o cortisol) e aumenta a autoestima.

A música torna a criança e o adolescente mais preparados para a vida. Desafios aparecem no aprendizado musical, como tocar e/ou cantar sozinho, e assim, aprendem a lidar com eles, a lidar com o erro, precisando encontrar formas criativas de solucionar os problemas, tornando-se mais desinibidos, independentes e tolerantes.

As crianças e adolescentes também desenvolvem habilidades e competências como disciplina, sensibilidade, critérios estéticos musicais, paciência, cooperação e respeito com o outro, melhorando a comunicação, e as aulas de música ou musicalização desenvolvem a linguagem através das canções, tornando o aprendizado da linguagem e o processo de alfabetização mais rápido.

Aulas de música e musicalização contribuem para o desenvolvimento integral da criança e do adolescente, melhorando sua qualidade de vida. Encontra-se na música uma fonte de interesse, prazer, desejo e estimulação que acarreta em mudanças importantes em todos os aspectos de suas vidas.


Informe-se também sobre os atendimentos em Musicoterapia!


Luciana Steffen - lucianamt@espacodomquixote.com.br
Musicoterapeuta do Espaço Dom Quixote


Quem canta seus males espanta?


Quem canta seus males espanta. Esse dito popular provavelmente surgiu do fato de muitos concordarem que o cantar nos faz sentir melhor, muda nosso estado de humor e pode até nos fazer esquecer os problemas.

Será isso um mito ou uma verdade? Há algo de científico nessa afirmação?

O cantar tornou-se alvo de pesquisa, trazendo dados importantes não só para músicos, médicos, musicoterapeutas, mas também para a saúde de todos em geral. Há médicos que recomendam o cantar como forma de diminuir o estresse e outros benefícios como os que serão citados. Ultimamente, há diversas pesquisas na área mostrando que cantar aumenta a atividade cerebral, desenvolvendo diversas de suas funções, ativa áreas cerebrais ligadas à atenção, às emoções positivas, à linguagem, ao prazer (ativando a mesma área responsável pelo prazer causado por drogas, sexo ou comida) além de diminuir o nível de cortisol (hormônio do estresse), liberar endorfinas, aumentar as concentrações de imunoglobulina A (hormônio responsável pelo sistema imunológico), equilibrar o sistema neurovegetativo, reforçar a atividade dos nervos parassimpáticos (responsáveis pelo relaxamento do corpo), melhorar a concentração e a memória, entre outros benefícios.

Comprovou-se então que o cantar realmente promove um bem estar físico e mental, sendo perfeitamente capaz de deixar de lado os males que nos perturbam, as más sensações, trazendo disposição e bom humor. Porém, tive uma professora na faculdade que dizia que não, quem canta não espanta seus males, e sim, os resolve!

O cantar é pré-historicamente um meio de expressão e comunicação. Quantas vezes não conseguimos nomear em palavras o que estamos sentindo? Já dizia o poeta Victor Hugo, a filósofa Susanne Langer e hoje confirma o neurologista Oliver Sacks: “Cantar pode expressar pensamentos e sentimentos que em dado momento não têm possibilidade de ser expressos pela fala”.

O cantar é tão influenciado pelas emoções que estas afetam a qualidade e o controle da voz, tornando-se perceptíveis através dos elementos não verbais da voz. Ajustamos a velocidade, intensidade, projeção, inflexão, articulação da voz à nossa emoção, mesmo sem intenção. Por exemplo, tons mais graves, melodia descendente, intensidade fraca e andamento lento muitas vezes estão relacionados com tristeza e os tons agudos, trazendo junto inflexões, maior velocidade, extensão vocal e previsibilidade na melodia, vinculam-se com a alegria.

Visto que o cantar envolve o ser humano como um todo, tanto o intelectual, quanto o social por ser um meio aprendido, o físico pelo instrumento ser o nosso próprio corpo e o emocional, onde além de ser a pura expressão das emoções que estamos sentindo, é capaz de modificar nosso estado de humor, ele mostra-se um eficaz procedimento para terapia, sendo capaz de resolver os males.

O canto e as canções fazem parte da nossa identidade, do nosso dia-a-dia, evocam lembranças e/ou provocam emoções, nos revelando por inteiro. Assim, pode-se aliviar as tensões, aprimorar a comunicação, promover o equilíbrio emocional, desenvolver a percepção, desenvolver a integração interpessoal, entre outros. O cantar na Musicoterapia é especialmente eficaz para pessoas com depressão, demência, recuperando lembranças perdidas, pessoas com dor crônica, diminuindo a quantidade de medicação, na recuperação da fala em pessoas com afasia, onde não consegue-se falar, mas consegue-se cantar, recuperando parte da fala, enfim, qualquer pessoa que queira resolver seus problemas, cantando.

O Musicoterapeuta analisa o comportamento da pessoa através do seu cantar, que traz uma supremacia de informações sobre a voz falada. Na Musicoterapia alcança-se os objetivos terapêuticos de cada paciente através desse rico universo que revela afetos vividos no passado, problemas do tempo presente e até desejos futuros. Todas essas questões podem ser trabalhadas e desenvolvidas pelo cantar na Musicoterapia, independente da afinação.

Para as crianças o cantar é fundamental para incentivar a fala. Na infância e adolescência o cantar na Musicoterapia é de grande importância, desinibe, melhora o equilíbrio emocional, as relações interpessoais, aumenta a autoestima, atenção, criatividade, capacidade intelectual, sendo extremamente relevante para se tornar uma pessoa mais confiante e preparada para o convívio social e para a vida.

Em Tóquio, criou-se um ônibus musical, onde diariamente os passageiros recebem os textos de músicas e cantam passeando pela cidade. A iniciativa surgiu a partir de pesquisas por Kazutomi Kanemaru que mostram muitos benefícios do cantar para saúde, melhorando a qualidade de vida e retardando os efeitos da velhice.

Sendo assim, cante! Cante com vontade, cante o que está com vontade de cantar, não tenha vergonha, deixe suas emoções saírem, se sentirá aliviado, afastará seus problemas ou procure um Musicoterapeuta para auxiliar você a resolvê-los e aumentar sua qualidade de vida.


O Cantar da mãe para o seu bebê é fundamental para o bom desenvolvimento da criança! Informe-se sobre o Grupo para Gestantes e o Grupo de Estimulação Precoce do Espaço Dom Quixote!!


Luciana Steffen – lucianamt@espacodomquixote.com.br
Musicoterapeuta do Espaço Dom Quixote