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A mão e suas funções


A nossa mão é uma ferramentas insubstituível, um excelente descobridor de fatos e com muitos sensores. Através dela podemos intervir no meio ambiente de acordo com os nossos desejos. Desde bebê já possuímos este ato motor, porém no início somente como reflexo e depois como um ato motor refinado. Com o desenvolvimento o movimento vai se tornando preciso e com precisão. 

O padrão básico para preensão consiste em quatro ações: a preensão que envolve segurar o objeto da forma correta; alcançar os objetos que envolvem estabilidade, amplitude e força muscular; os padrões de preensão que envolve a pinça (habilidade de segurar o objeto) e a preensão global (palma da mão – plataforma oposta dos dedos); função sensitiva que envolve a sensibilidade e a coordenação fina. 

Outro fator importante da mão são seus receptores sensoriais para dor, tato, pressão, temperatura e propriocepção que permitem o reconhecimento do objeto pela forma, diferenciando texturas, percebendo o movimento, a direção e intenção do objeto. 

A mão tem função complexa e por isso as crianças devem ser estimuladas deste pequenas a realizarem as pinças corretamente. Ensiná-las como amarrar sapatos, abotoar, afivelar, favorece no desenvolvimento do tônus das regiões das mãos e braços que será exigido para a execução de uma escrita de qualidade tanto no ritmo quanto na quantidade de palavras. 

Alguns exercícios para estimular a força nos dedos: 

- Abrir e Fechar: luva com os dedos ou gominha de elástico 



- Esticar pedaços de massinha


- Apertar antiga "mão biônica" (mão de garra) para pegar bolinhas


Priscila Straatmann Morél - priscilato@espacodomquixote.com.br
Terapeuta Ocupacional e Psicomotricista do Espaço Dom Quixote

Onde vivem os monstros?


Onde vivem os monstros? É esta a primeira interrogação que o filme de Spike Jonze (Where the wild things are, EUA, 2009) nos faz quando decidimos por assisti-lo. Mas, de que monstros estão falando? Do real, do imaginário, do interno ou do externo?

Aos poucos encontramos com Max, personagem principal do filme, a angústia que todos nós adultos sentimos em algum momento de nossa infância e por onde todas nossas crianças também passarão. Deparamo-nos com monstros que nós mesmos criamos em nosso interior: medo, raiva, angústia, solidão, carência e, principalmente, o crescimento, que traz junto as responsabilidades e conseqüências de nossas ações.

Aos poucos vamos reconhecendo em cada monstro um pouco de nós mesmos. Recordamo-nos de nossas angústias infantis e de como elas pareciam grandes, feias e monstruosas, e de como lutamos arduamente com e contra cada uma delas. Assim como a frieza de termos conseqüências para nossas ações e as responsabilidades que elas repercutem.

Mas, ao crescer, acabamos esquecendo ou fingimos esquecer que estas angústias apenas se modificam ou tomam outras proporções, mas que continuam nos acompanhando. Passamos a aprender a conviver com nossos monstros e assim “seguir adiante”.

Ao acompanhar a trajetória de Max acordamos e revivemos nossos monstros e nos damos conta de que todos nós, em alguma etapa de nosso crescimento também sentimos medo e que de alguma forma tivemos alguém para acalentar esses questionamentos, ou como no caso de Max, encontramos sozinhos uma maneira de encarar esses monstros.

A nós adultos cabe a árdua tarefa de acolher os monstros de nossos pequenos e mostrar não somente a eles, mas a nós mesmos, que os monstros interiores fazem parte de nossa constituição. E que será a partir de todos estes sentimentos que poderemos reconhecê-los e torná-los parte de nós, descobrindo o quanto nos representam.

Com um roteiro simples, figuras grandiosas e silêncios expressivos nos identificamos com um filme duro, sincero e um tanto sensível. Talvez sincero até demais, mas ainda assim muito verdadeiro.

Onde vivem os monstros mostra aos adultos o lado difícil de crescer e todas as angústias que essa fase pode oferecer. Mas que possibilita ao olharmos com mais calma e proximidade que os monstros não são tão feios, grandes ou perigosos assim. São apenas estranhos buscando espaço, pedindo ajuda.

Portanto, que possamos dar lugar ao meu, ao teu, ao nosso estranho. Que possamos lembrar nossa infância e nossos medos e desta forma não desvalorizar os monstros daqueles que hoje passam por aquilo que também passamos. Que pelo desconhecido temem o crescer e todas as suas responsabilidades e conseqüências. A nós, como bons monstros, cabe a tarefa de acolher e cuidar de nossos Max da melhor maneira possível, sem proibi-los de descobrir seus próprios monstros.

E você, sabe onde vivem os monstros?


Caroline Ciceri
Psicóloga do Espaço Dom Quixote

Os monstros na infância - sobre os medos


O mundo infantil é povoado por monstros. Monstros grandes, fortes, ferozes horripilantes, estranhos, de muitas cabeças, olhos, pele escamosa, que vomitam fogo, que rugem... Basta observarmos as histórias e contos infantis, os filmes, os brinquedos, as brincadeiras, as cantigas de ninar, os desenhos animados e encontraremos essas criaturas e suas monstruosidades.

Os monstros assustam e fascinam as crianças. Ora os pequenos brincam de serem monstros, de enfrentá-los, ora fogem desses, se assustam, ora querem saber mais sobre os seus poderes e suas estranhesas. Quem nunca viu a cena de uma criança pedir para repetir inúmeras vezes aquela parte da história em que há uma bruxa malvada ou um monstro destruidor?

Essas criaturas estranhas, feias, fortes, ferozes são habitantes do mundo interno e dão mostras de que material e conteúdo compõem a vida infantil. Os monstros representam aquelas partes e forças secretas, ocultas e selvagens que estão em todos nós, que despertam medo, estranhamentos, angústia, dor. Esses afetos podem ser vividos pelos pequenos como grandes e temíveis monstros.

E por que as crianças se fascinam e recorrem tanto aos monstros?

Ao escutar histórias assustadoras ou ao brincar de faz-de-conta de monstro, as crianças estão aprendendo a lidar, a conhecer e enfrentar os seus medos, angústias, ira. Ao experimentar a sensação de medo, nas histórias infantis, nos filmes, por vezes a criança antecipa o alívio que irá sentir no final da história, porque sabe que tudo acaba bem. Esta é uma forma de lidar com seus sentimentos e buscar força e coragem para enfrentá-los. Ao escutar histórias com monstros e que provocam o medo, a criança estabelece uma relação entre ela e o personagem, concebe estratégias de como lidar e buscar formas de superá-los.

É importante para a criança brincar de monstro, bruxa, expressar sua agressividade através do brincar, pois ajuda, de forma ativa, a simbolizar e elaborar experiências, sentimentos e não colocá-los em ato, como machucar outra criança, agredir.

As crianças também podem recorrer aos monstros quando se sentem e se vêem desamparadas, inseguras, como na hora do sono, frente à situaçoes novas, etc. As cantigas de ninar com seus monstros (boi da cara preta, a cuca, bicho papão) soam mais como assustadoras do que relaxantes, mas justamente esses mosntros como nos fala Mario Corso*, ajudam a catalisar a angústia difusa da criança, permitindo a transição da vigília para o sono. Pode soar estranho, mas é melhor sentir medo de alguma coisa específica, que tem cara, forma e nome, do que a angústia. O medo de alguma coisa pode-se controlar, ficar longe, evitar, mas a angústia não tem forma, ela inunda o psiquismo e provoca um grande mal-estar. Se o monstro está dentro do armário, ou em baixo da cama, ou nas cantigas de ninar, o medo de ficar longe da mãe ao dormir e, conseqüentemente, perto de suas fantasias, pode agora ter nome, cara, forma e, paradoxalmente, nesse momento o monstro ajuda a criança a se acalmar para dormir.

O medo da criança pode ainda indicar aos pais o que as aflige emocionalmente. O medo é um sinal que algo de perigoso pode acontecer. Passar por muitos medos faz parte do desenvolvimento. É natural e esperado que as crianças sintam medo. Ele é um alerta de que algo ameaçador pode acontecer e evita que o ser humano corra riscos desnecessários. O medo de monstros, de trovão, do escuro ou de dormir sozinho são naturais e devem passar conforme a criança cresce e passa a ter mais recursos psíquicos. A ausência dele, em certas idades, é até preocupante, por exemplo, se uma criança não desenvolve o medo de fogo, de certos bichos, de altura ela não se protege frente a algumas situações. E quando o medo passa a ser um impasse no desenvolvimento das crianças? Sobre esse tema, que se relaciona com as fobias, deixaremos para outro momento, já que exige uma maior explanação que não cabe no atual texto.

Atualmente vemos certo movimento de retirar toda e qualquer manifestação das crianças encontrarem nos recursos que a cultura nos dispõe meios de externalizar e mostrar seus monstros. Outro dia um menino me contava que aprendeu uma nova versão para a música do bicho papão “Nana neném do meu coração/Não tenha medo do bicho amigão”. O que assusta realmente as crianças não são os monstros de cara feia, grandes, fortes, que rugem, o que assusta as crianças é não encontrar suporte emocional que apazigue e garanta a expressão dos medos, angústia, raiva, dor. E apaziguar é transmitir a aposta para a criança de que ela pode lidar com seus monstros e que ela tem com quem contar. Para isso o adulto não pode ter medo de sua autoridade, de sua parte monstro, ou seja, não adianta falar para a criança que se ela não fizer tal coisa o homem do saco, o bicho papão as pega. Não há nada mais assustador para uma criança que se deparar com adultos que temam seu lugar de autoridade, que não assumam a função de segurança, referência e confiança de que ela necessita.

*Mario Corso é psicanalista, autor dos livros: Monstruário – Inventário de Entidades Imaginárias e de Mitos Brasileiros; Fadas no Divã: psicanálise nas histórias infantis e Psicanálise na Terra do Nunca: ensaios sobre a fantasia.


Thais C. Chies - thaispsico@espacodomquixote.com.br
Psicóloga do Espaço Dom Quixote

Pensar na criança, significa pensar no adulto e no "nosso" futuro


Os primeiros anos de vida representam o período em que ocorrem mudanças profundas tanto no corpo como na mente. É na infância e na adolescência que acontecem os primeiros envolvimentos emotivos e relações sociais; as crianças com um desenvolvimento saudável se comportam adequadamente em casa, na escola e na comunidade, tendo uma boa qualidade de vida.

Os problemas psíquicos que se verificam na infância podem ter um grande impacto no desenvolvimento das capacidades intelectuais e sociais, assim como sobre a maturidade emotiva.

A adolescência pode ser um momento particularmente difícil. As crianças na puberdade podem ser submetidas a muitas pressões: obterem a aprovação dos pais, dos amigos e superar os exames escolares; alguns tem problemas específicos, se preocupam com as dificuldades econômicas da família, podem sentir-se feridos ou confusos com a separação dos pais, ou são obrigados a conviver com o etilismo ou a doença mental de alguém próximo.

Apesar de tudo, a maioria conseguirá passar essa fase chegando bem à idade adulta, mas infelizmente alguns terão problemas específicos que necessitarão de cuidados profissionais.

As crianças podem apresentar transtornos que muitos pensam serem presentes somente na idade adulta, como depressão e ansiedade.

Outros transtornos mentais que se manifestam na infância são: autismo, déficit de atenção/hiperatividade, transtornos alimentares, transtornos de conduta, tics e até mesmo abuso de substâncias ilícitas.

Os transtornos mentais podem tocar famílias de qualquer classe e origem, mas alguns estão expostos a mais riscos. Estes riscos são maiores quando encontramos problemas físicos e intelectuais, baixo peso ao nascimento, história familiar de transtorno mental ou de dependência química, pobreza, separações, abusos e abandono.

A atenção à saúde mental da criança deveria ser um prioridade, visto que implica em perdas escolares, problemas de adaptação e conduta que produzirão grande sofrimento e dificuldades na vida adulta. Contudo, fornecendo apoio adequado às crianças e familiares, é possível reduzir o efeito dos fatores de risco e melhorar o desenvolvimento social e emotivo da criança.

Para muitos transtornos é útil a terapia psicológica, assim como a ajuda farmacológica, proporcionada pelos medicamentos usados hoje em Psiquiatria, e é claro que o sucesso de toda a terapia depende do envolvimento da família, assim como do suporte de uma equipe multidisciplinar composta por psiquiatras, psicólogos, psicopedagogos e outros especialistas da área.


Márcia Gianlupi – marciapsiq@espacodomquixote.com.br
Psiquiatra do Espaço Dom Quixote
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É tempo de Páscoa!


Páscoa é sinônimo de festa, alegria, fé e chocolate, muito chocolate! É um período onde já é esperado um aumento no consumo de chocolates e conseqüentemente uma maior dificuldade de manter um equilíbrio nas escolhas alimentares, principalmente entre as crianças. E cabe aos pais a tarefa de auxiliar os pequenos na manutenção dessas escolhas e no controle do consumo desta irresistível tentação.

De acordo com Francisco Brust, responsável pelo setor de imprensa da Associação Gaúcha de Supermercados, em 2010 foram vendidos 7,5 milhões de ovos de chocolates e 4 milhões de caixas de bombons. E o clima mais frio de abril faz com que as projeções de vendas para este ano cresçam 8,2% nas vendas de Páscoa.

Se pensarmos que a cada 100g de chocolate temos aproximadamente 600 Kcal, podemos entender porque é tão fácil aumentar alguns quilos durante a Páscoa.

Sabemos que o consumo de chocolate traz benefícios para a saúde, tanto ao corpo quanto à mente se ingerido com moderação. Mas o que significa comer com moderação quando há tanto à disposição? A Organização Mundial de Saúde preconiza que crianças menores de um ano não devem consumir nenhum tipo de doce. Já o Ministério da Saúde orienta através dos “dez passos para uma alimentação saudável para crianças brasileiras menores de dois anos” que deve se evitar açúcar, café, enlatados, frituras, refrigerantes, balas, salgadinhos e outras guloseimas nos primeiros dois anos de vida.

Sugere-se que a partir dos dois anos o consumo máximo de chocolate não ultrapasse a quantidade de 20g diárias e a partir dos 3 anos, 30g diárias de chocolate. Crianças de 6 anos ou mais não devem ultrapassar o limite de 50g diárias.

Portanto aí vão algumas dicas para não exagerar na dose durante a Páscoa:

• Converse com os familiares mais próximos, (avós, tios, padrinhos) de que qualquer presente será mais bem-vindo do que os chocolates, não somente porque vai economizar calorias como também porque não vai acabar com o término da Páscoa.

• Combine com as crianças de armazenar os chocolates ganhos longe do alcance de suas mãozinhas. Muitas crianças não conseguem controlar a tentação de comê-los todos de uma só vez, podendo ocasionar intoxicação alimentar, desconforto abdominal, náuseas, vômitos, gases e diarréia.

• Combine também a porção diária de chocolate que a criança pode ingerir. Não entregue o ovo inteiro. Divida em porções conforme a faixa etária da criança.

• Se abusou um dia, compense no outro. Evite o excesso de chocolate no dia seguinte, opte por refeições mais leves e muita água.

• Aproveite também para aumentar a atividade física da criança neste período. Evite muitas horas de TV, videogame ou computador. Caminhe mais, vá à pracinha, mexa-se, corra e brinque com seu filho.

• Jamais proíba a criança de comer chocolate. Tudo o que é proibido fica mais tentador. Aproveite ao máximo para curtir com seu filho essa Páscoa. Ingerindo chocolate com moderação vocês poderão apreciar as delícias da Páscoa com saúde.

Boa Páscoa!



Daniela Schneider – danielanutri@espacodomquixote.com.br Nutricionista do Espaço Dom Quixote

Como criar filhos felizes?


Esta é uma pergunta e uma dúvida que acompanham os pais que procuram educar e criar seus filhos para a vida e para a felicidade. Educar e possibilitar a felicidade em sujeitos que aprendam a viver no coletivo, respeitando sua individualidade, relacionando-se com seus pares e demais membros da sociedade é uma tarefa desafiadora e nada simples.

Numa sociedade onde impera o individualismo, o desrespeito e o preconceito, precisamos de exemplos e atitudes que contribuam para uma educação de crianças e jovens capazes de tomar decisões na vida e para a vida.

Um recente estudo, baseado em pesquisa realizada com cerca de 2 mil pais que se submeteram a um teste on-line, apontou as dez competências necessárias para educar filhos felizes.

1. Amor e carinho. Os pais precisam demonstrar afeto pelos filhos, respeitando suas diferenças e suas ideias próprias;

2. Administração do estresse. Investir em técnicas de relaxamento e bem-estar para compreender-se melhor e ter mais qualidade de vida;

3. Habilidades do relacionamento. Desenvolver relacionamentos saudáveis e melhorar as relações afetivas;

4. Incentivo à autonomia e à independência. Estimular os filhos na busca da autonomia para tornarem-se cada vez mais confiantes e motivados a tomar iniciativa;

5. Acompanhar a aprendizagem. Participar da vida escolar e de aprendizagem dos filhos incentivando o gosto pelos estudos e a curiosidade;

6. Preparação para a vida. Manter diálogo sensível e honesto sobre temas delicados e importantes, auxiliando assim a desenvolver a maturidade e a responsabilidade;

7. Atenção ao comportamento. Reforçar e elogiar as boas atitudes e recriminar o uso da violência como forma de educação. Substituir o castigo pelo diálogo e usar punições somente quando a conversa falhou mais de uma vez;

8. Saúde. Ter boa saúde para incentivar hábitos saudáveis na vida dos filhos;

9. Espiritualidade. Desenvolver a espiritualidade, a consciência ecológica, o respeito às diferenças, evitando todas as formas de preconceito;

10. Segurança. Proteger os filhos de situações de risco e conhecer as atividades e amizades deles.

Os pais concluíram, durante a pesquisa, que ao conhecer e desenvolver as competências necessárias para serem bons educadores, aprenderam a observar e desenvolver melhor as competências dos próprios filhos.

Talvez as dez competências apontadas pela pesquisa para ser um bom pai e uma boa mãe não estejam de acordo com aquilo que você ou eu acreditamos, mas servem como reflexão para melhorarmos nossa atuação como educadores.


Janete Cristiane Petry - janetepp@espacodomquixote.com.br
Psicopedagoga do Espaço Dom Quixote

Infância Fascinante


A infância é o período mais fascinante de nossa vida. Pois é neste período que exteriorizamos nossos sentimentos, nossas experiências e, fundamentalmente, nossa criatividade da forma mais espontânea. Através do jogo, a criança interage com a realidade e estabelece relações com o mundo em que vive. Podendo assim se desenvolver, além de serem estimuladas de diversas formas. Brincar muitas vezes significa fazer sujeira, e fazer sujeira significa experenciar o mundo a sua volta de diferentes formas e texturas, além de proporcionar desafios e estimular a criatividade e a coordenação.

Ao relembrarmos da nossa infância, a brincadeira da nossa época vem com facilidade à mente. Onde quer que a criança se encontre, independente do local, acontece uma brincadeira, um jogo. Basta um pequeno estímulo para que sua imaginação a leve para um mundo repleto de criatividade e movimento, expressando o seu interior. Assim aprimorando o seu desenvolvimento psicomotor através da relação do corpo com o meio.

Segundo Negrine, a criança organiza o mundo a partir do seu próprio corpo e através da expressão e função simbólica o ser humano expressa afetividade espontânea através do gesto. As sessões são pensadas de forma diferente de até então, o lúdico tem caráter decisivo no desenrolar da mesma e não são apenas as crianças que passam por tratamento diferenciado, o adulto assume nova postura frente às mesmas. Este passa a desempenhar o papel de facilitador do processo, sendo necessário repensar sua formação.

Por isso, muito da constituição do sujeito vem da qualidade das experiências que temos na infância. Brincar de construir brinquedos, desmontar e remontar os mesmos, criar novas funções para eles auxilia no processo criativo e imaginativo da criança e assim aprimorando o desenvolvimento do processo de aquisição da aprendizagem.


Priscila Straatmann Mórel - priscilato@espacodomquixote.com.br
Terapeuta Ocupacional e Psicomotricista do Espaço Dom Quixote

Dez passos para uma alimentação saudável nos primeiros anos de vida


Passo 1
Dar somente leite materno até os 6 meses, sem oferecer água, chás ou qualquer outro alimento.

Passo 2
Ao completar 6 meses, introduzir de forma lenta e gradual outros alimentos, mantendo o leite materno até os dois anos de idade ou mais.

Passo 3
Ao completar 6 meses, dar alimentos complementares (cereais, tubérculos, carnes, leguminosas, frutas e legumes) três vezes ao dia, se a criança estiver em aleitamento materno.

Passo 4
A alimentação complementar deve ser oferecida de acordo com os horários de refeição da família, em intervalos regulares e de forma a respeitar o apetite da criança.

Passo 5
A alimentação complementar deve ser espessa desde o início e oferecida de colher; iniciar com a consistência pastosa (papas/purês) e, gradativamente, aumentar a consistência até chegar à alimentação da família.

Passo 6
Oferecer à criança diferentes alimentos ao dia. Uma alimentação variada é uma alimentação colorida

Passo 7
Estimular o consumo diário de frutas, verduras e legumes nas refeições.

Passo 8
Evitar açúcar, café, enlatados, frituras, refrigerantes, balas, salgadinho e outras guloseimas, nos primeiros anos de vida. Usar sal com moderação.

Passo 9
Cuidar da higiene no preparo e manuseio dos alimentos; garantir o seu armazenamento e conservação adequados.

Passo 10
Estimular a criança doente e convalescente a se alimentar, oferecendo sua alimentação habitual e seus alimentos preferidos, respeitando a sua aceitação.


Fonte: Ministério da Saúde, 2010.



Daniele Santetti – Nutricionista do Espaço Dom Quixote
danielenutri@espacodomquixote.com.br