Sugestão de leitura sobre o tema!
FAMÍLIA E ADOLESCÊNCIA: a influência do contexto familiar no desenvolvimento psicológico de seus membros
Autores: Elisângela Maria Machado Pratta, Manoel Antonio dos Santos
(Psicologia em Estudo, Maringá, v. 12, n. 2, p. 247-256, maio/ago. 2007)
Fragmentos do artigo:
A família, desde os tempos mais antigos,
corresponde a um grupo social que exerce marcada
influência sobre a vida das pessoas, sendo encarada
como um grupo com uma organização complexa,
inserido em um contexto social mais amplo com o qual
mantém constante interação (Biasoli-Alves, 2004).
A partir da segunda metade do século XX a
família passou (e continua passando) por um processo
de intensas transformações econômicas, sociais e
trabalhistas (Singly, 2000), sobretudo nos países
ocidentais. Diversos fatores concorreram para essas
mudanças, como o processo de urbanização e
industrialização, o avanço tecnológico, o incremento
das demandas de cada fase do ciclo vital, a maior
participação da mulher no mercado de trabalho, o
aumento no número de separações e divórcios, a
diminuição das famílias numerosas, o
empobrecimento acelerado, a diminuição das taxas de
mortalidade infantil e de natalidade, a elevação do nível de vida da população, as transformações nos modos de vida e nos comportamentos das pessoas, as novas concepções em relação ao casamento, as alterações na dinâmica dos papéis parentais e de gênero. Estes fatores, entre outros, tiveram um impacto direto no âmbito familiar, contribuindo para o surgimento de novos arranjos que mudaram a “cara” dessa instituição (Biasoli-Alves, 2004; Romanelli, 2002; Scott, 2004).

A família possui um papel primordial no
amadurecimento e desenvolvimento biopsicossocial dos
indivíduos, apresentando algumas funções primordiais, as quais podem ser agrupadas em três categorias que estão intimamente relacionadas: funções biológicas (sobrevivência do indivíduo), psicológicas e sociais (Osório, 1996).
A função biológica principal da família é garantir a sobrevivência da espécie humana, fornecendo os cuidados necessários para que o bebê humano possa se desenvolver adequadamente. Em relação às funções psicológicas, podem-se citar três grupos centrais: a) proporcionar afeto ao recém-nascido, aspecto fundamental para garantir a sobrevivência emocional do indivíduo; b) servir de suporte e continência para as ansiedades existenciais dos seres humanos durante o seu desenvolvimento, auxiliando-os na superação das “crises vitais” pelas quais todos os seres humanos passam no decorrer do seu ciclo vital (um exemplo de crise que pode ser mencionado aqui é a adolescência); c) criar um ambiente adequado que permita a aprendizagem empírica que sustenta o processo de desenvolvimento cognitivo dos seres humanos (Osório, 1996).

Apesar da adolescência ser considerada por muitos
como um fenômeno universal, ou seja, que acontece em
todos os povos e em todos os lugares, o início e a
duração deste período evolutivo varia de acordo com a
sociedade, a cultura e as épocas, ou seja, esta fase
evolutiva apresenta características específicas
dependendo do ambiente sócio-cultural e econômico no
qual o indivíduo está inserido (Osório, 1996). Entretanto, o conceito de adolescência, tal como conhecemos hoje, é uma construção recente do ponto de vista sócio-histórico. Admite-se, em geral, que essa fase do desenvolvimento humano tem início a partir das mudanças físicas que ocorrem com os indivíduos a partir da puberdade. Neste sentido, torna-se importante pontuar que puberdade e adolescência,
apesar de estarem diretamente relacionadas,
correspondem a dois fenômenos específicos, ou seja,
enquanto a puberdade envolve transformações
biológicas inevitáveis, a adolescência refere-se aos
componentes psicológicos e sociais que estão
diretamente relacionados aos processos de mudança
física gerados neste período (Osório, 1996).

Torna-se imperativo investir em programas de orientação para pais com a finalidade de instrumentalizá-los para poderem lidar de forma mais adequada com seus filhos adolescentes, auxiliando-os a fornecer orientações mais precisas que sirvam de referência para os adolescentes frente a situações que necessitem de reflexão e tomada de decisões. Assim, os pais podem reduzir suas angústias frente à adolescência dos filhos e estes, por sua vez, podem ver os pais como um suporte emocional singular ao qual podem recorrer diante das dificuldades de ajustamento que enfrentam.
Artigo completo disponível em: http://www.scielo.br/pdf/pe/v12n2/v12n2a05
Fernanda Soares Fernandes - fernandapsico@espacodomquixote.com.br
Psicóloga do Espaço Dom Quixote
Especialista em Psicologia Clínica - Terapia Cognitivo-Comportamental
Pós-graduanda/Especialista en Terapia de Casal e Família